Dead Fish & Dance Of Days – Clube Nacional/Jundiaí-SP – 20/05/2011

Publicado: 21 de maio de 2011 em Shows


Jundiaí tida como a cidade mais “Hardcore” e apoiadora do celebre movimento musical no estado de São Paulo, teve uma noite no mínimo histórica nessa ultima sexta-feira, os dois maiores expoentes do estilo: Dead Fish e Dance Of Days se apresentaram na “Terra da Uva” e os presentes podem afirmar que mais um importante capitulo na história do Hardcore foi escrito ontem com esse show marcante.

Apesar de numero não muito alto de pessoas, contrariando as expectativas da organização do evento, o ambiente era de pura descontração e nostalgia entre os presentes.
Após quatro bandas de aberturas (na qual eu destaco a apresentação das veterenas: For Sleep de Jordanésia-SP, com o seu Hardcore rápido, pesado e melódico e a “bombardeante” Fetus Humanoides com o seu HC/NY) o Dance Of Days já estava no palco acertando os últimos detalhes. Fazia exatamente sete anos que não assistia uma apresentação do quinteto capitaneado pelo polemico Nene Altro, na ultima ocasião que os vi, eles divulgavam o terceiro álbum do grupo o “Valsa das Aguas Vivas”, portanto a expectativa era imensa.
Com tudo certo, Nene Altro saúda os presentes com um: “Boa Noite nós somos o Dance Of Days” e a festa começa com “Adeus Sofia” justamente do Álbum “Valsa…” daí em diante o publico recebeu um verdadeiro bombardeio de clássicos, passando por toda discografia do grupo: “Com Você Não Vou Ter Medo” emendada com a doentia “Esta é a Hora de Uma Nova Partida” do recente álbum também doentio: “Disco Preto”, fizerem presentes ao lado de “Insônia”, “Pregos, Cruzes e um Saco de Moedas” e “Lirio aos Anjos”.
No entanto é chegado o momento de tal comoção que nem o show do U2 conseguiu me causar, a próxima canção, a insana, barulhenta, explosiva: “Carro Bomba” é executada e dedicada totalmente a mim, que sempre se fazia presente nas apresentações da banda nos velhos tempos  pedindo essa musica insistentemente com um cartaz em mão, e nessa ocasião a cena se repetiu e dessa vez fui prontamente atendido, já poderia deixar o recinto ali mesmo na aquela hora satisfeitíssimo.
O show prosseguiu com o Punk Rock “Mova”, “Valsa das Águas Vivas”, a agitadíssima “Cem Mil Bolas de Neve”, “Ao que é bom nessa Vida” a única canção do álbum: “Dança das Estações” presente no repertório, e o clássico hino da banda: “Se as Paredes Falassem” na qual o Guitarrista Tyello dedicou contra a Homofobia, entre varias outras.
Para finalizar a apresentação o grupo escolheu as três canções mais marcantes de sua carreira: “Mais um Café Gelado Por Favor” do álbum clássico: “A História Não Tem Fim”, a Cult: “Vitória” e por fim a doentia: “Correção” fecha festança comandada pelo Dance Of Days com chave de ouro.
No balanço final, o Dance Of Days esta na mais plena forma, com uma presença de palco marcante, um repertório recheado de clássicos que conseguem agradar a todos e no quesito musicalidade, em vista das outras apresentações do grupo que já presenciei, a banda melhorou bastante no nível técnico, nada profissional e fora do comum, mas nada também que venha desagradar e desapontar o publico. Os berros doentios em meio a pequenos desafinos proferidos pelo mestre Nene, somado ao conjunto da obra da banda, faz do Dance of Days uma das bandas mais importantes da cena, isso prova sua longevidade.
Parabéns Nene, Tyello, Marcelo, Fausto Oi e Samuel.

O Palco já vazio, a equipe técnica do Dead Fish começa a montar o set da banda, e depois de muita espera, expectativa e aquela atordoante demora: Rodrigo Lima (Vocal), Philippe (Guitarra e Voz), Alyand (Baixo) e Marcos (Bateria), sobem ao palco com o status elevado de “Deuses do Hardcore” e iniciam o show que ficará não só na memória dos presentes, mas com certeza da própria banda também.
Divulgando o mais recente álbum (na minha opinião o melhor de toda a carreira do grupo) Contra-Todos: “Asfalto” abre o show com a introdução de baixo mágica tocada pelo mestre Alyand, conter a platéia enfurecida, enérgica e extasiada durante o show foi uma tarefa difícil, mas não impossível á Rodrigo, que é um verdadeiro mestre de cerimônias e comanda o show com uma energia sobre humana, ressalto também a maestria do guitarrista Philippe, que sempre elegi como o melhor guitarrista de Hardcore, e nesse show ele confirmou a minha tese. “Siga” deu continuidade ao show, seguida de “Rei de Açucar” a única porém a melhor canção do (confuso) álbum “Um Homem Só” presente no repertório.
Rodrigo parabeniza todos os presentes por estarem lá, acordados, até aquela certa hora e dedicou para nós a canção que dava sentido a todo aquela acontecimento: “Perfect Party”, seguida de “Venceremos”, “Linear” e a marcante “Mulheres Negras” cantada em uníssono pelos “rebeldes” presentes.
Na canção a seguir: “Contra-Todos” Rodrigo faz o seguinte discurso: “Alguém gosta de futebol? Essa canção fala sobre futebol, mas não sobre CBF, Tribunal Esportivo, Carros Importados e todas essas chatices coerentes”. Gênio é pouco.
Assim como Dance Of Days, o Dead Fish também bombardeou o publico com clássicos e mais clássicos: “Cidadão Padrão”, “Não”, “Reprogresso” (que jamais imaginei que veria ao vivo), “Zero e Um”, “Tango”, “Viver”, “Shark Atack”, “A Urgencia”, “Proprietarios do Terceiro Mundo”, “Subprodutos” além do hino maximo da banda: “Sonho Médio” foram apenas alguns dos muitos.
Porém um clima de tensão se fazia presente no local, o combinado com a casa era encerrar a apresentação antes das 05:00, no entanto o Dead Fish no contrato assinado pela organização do show prevê uma apresentação de 2hrs. Ao perceber que o show estava longe de terminar, os funcionários primeiramente acenderam todas as luzes do recinto, para sinalizar o fim da apresentação, com a banda irredutível, subiram ao palco e praticamente obrigou a banda encerrar o show, o que deixou Rodrigo furioso a ponto de proclamar essas palavras:
“Galera, só gostaria de dizer que estou muito chateado com essa organização, foi combinado um tempo x com a gente, chegamos no horário, começamos o nosso show no horário, mas infelizmente vão cortar a P**** do som e teremos que cortar o nosso set e finalizar o nosso show, peço desculpas a vocês, é um apenas um desabafo de quem não agüenta mais essa M****, essa é a ultima musica”: “Desencontros” que já é pesada por natureza, ficou mais doentia ainda, depois do ataque de fúria de Rodrigo e descontentamento da banda com a desorganização, mal terminou a canção, o som no P.A foi cortado e os microfones retirados do palco, no entanto a platéia também enfurecida e descontente pedia mais e gritava pela ultima canção de toda apresentação: “AFASIA”, como havia som nos amplificadores de guitarra e baixo, a banda começou a tocar a canção e Rodrigo fez um pedido surreal aos berros:
“Vamos cantar sem microfone mesmo, me ajudem”, nesse exato momento o Dead Fish, tornou-se uma banda de mil vozes, todos berravam a canção a plenos pulmões e o palco foi totalmente invadido por todos os presentes, fazendo daquele momento um marco histórico que como citei no inicio da resenha ficará gravado na memória não só dos presentes mas com certeza da própria banda .
No final a banda óbviamente foi ovacionada e o Rodrigo emocionadíssimo disparou suas ultimas palavras:
“Só posso agradecer a todos vocês, sem mais”.
Dizer qual foi a melhor apresentação da noite entre as duas bandas? Impossível, seria o mesmo que comparar Goleiro e Atacante, ambas bandas mostraram  sua força mesmo sem o apoio da grande mídia, mesmo não fazendo musica com apelo comercial que agradem multidões, sem a presença de intregrantes que arrancam suspiros e afloram os hormônios femininos, mas que de certa forma são mestres e deram uma verdadeira aula de Hardcore para todos os presentes.
O Show não aconteceu no Morumbi, o palco não era formato 360°, não havia telão e muito menos uma multidão, no entanto a emoção sentida ali foi a mesma.
Vida Longa ao Dance Of Days
Vida Longa ao Dead Fish

Foto Histórica: Dance Of Days, Eu e o meu Clássico Cartaz!!!

Repertório Dance Of Days:

Adeus Sofia
Com Você Não Vou Ter Medo
Esta é a Hora de Uma Nova Partida
Insônia
Pregos, Cruzes e um Saco de Moedas
Lírios aos Anjos
Carro Bomba
Mova
Valsa das Aguas Vivas
Interlúdio para um bar de estrada por 33 anos fora do mapa
Ao Que é Bom Nessa Vida
Cem Mil Bolas de Neve
Se Essas Paredes Falassem
Vai Ver é Assim Mesmo
Mais Um Café Gelado Por Favor
Vitória
Correção

Repertório Dead Fish:

Asfalto
Siga
Rei de Açucar
Perfect Party
Venceremos
Linear
Mulheres Negras
Contra-Todos
Cidadão Padrão
Por Não Ter o que Dizer
Não
Reprogresso
Zero e Um
Subprodutos
Shark Attack
Sonho Médio
Bem Vindo ao Clube
Autonomia
A Urgencia
Proprietários do Terceiro Mundo
Descartaveis
Desencontros
Afasia

Ao som de Dead fish – Descatáveis

Anúncios
comentários
  1. Lucas disse:

    belo texto, o show foi do caralho ! Rodrigo é animal !

  2. Ana Cláudia disse:

    Noooooooooossa!!!!!!!!!!!! Parabéns mil vezes!!!!!!!!!!Não sei de onde tirou tanta inspiração, ou como diziam os professores no curso de Letras, transpiração, se é que vc sofreu pra escrever isso, pq eu duvido, pois vc já está acostumado.Seu texto é digno de ser publicado em jornais, revistas etc.
    Bjus… e tenho orgulho de vc!!!!! 🙂 🙂 🙂 Meu amigo escritor!

  3. Ana Paula disse:

    Muito bom o seu texto. Depois de ler tive a imprensão de que estava presente no show com vc. Orgulho sempre

  4. Luna disse:

    Sem palavras! Foi lindo! E os momentos que deixaram as pessoas felizes e também indignadas foi descrito aqui com muito detalhe! Excelente texto, Fila!
    Um beijo!

  5. Gisele disse:

    E por essas e por outras que vc sempre me surpreende!
    Leva isso muito a sério viu, vc tem um talento enorme..
    Amo vc!
    Saudades master.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s