Anos 2000, Lançamentos e Novidades, Pop, Resenhas, Rock

Paramore – Paramore


Confesso em meados de 2004, na época em que o Paramore surgiu e com ele todo aquele frenesi de banda do momento, revelação do ano e o odioso termo de “Salvação do Rock”, eu não dei muita atenção, mas depois de uma bela audição do seu disco de estreia All We Know Is Falling(2005) eu passei admirar o quarteto dos irmãos Farro e da belíssima e jovial Hayley Williams. Tratava-se de uma mescla muito bem feita e criativa de rock puro, simples e visceral, com toda aura angelical e adocicada vindo obviamente da presença feminina poderosa de Hayley. Soando como um Jimmy Eat World de saias essa era a sonoridade do Paramore.
Depois um disco multi-platinado (Riot!) uma alta exposição na MTV que lhe renderam uma série de prêmios da emissora e reconhecimento pelo mundo inteiro incluindo ai duas passagens pelo Brasil (na qual eu estive presente na última e presenciei um show memorável), o Paramore tinha status de banda mais importante da atualidade, e foi nesse cenário aparentemente nada propício que os irmãos fundadores da banda Josh (Guitarra e Backing Vocals) e Zac Farro (Bateria) anunciaram a sua saída do conjunto alegando diferenças musicais.
E três anos depois o Paramore finalmente lança o seu novo material após a saída dos Farro, o disco auto-intitulado que chegou as prateleiras nesse ano deixa bem claro o motivo que fez Josh e Zac abandonar a banda que os mesmos haviam fundado na caipira cidade de Nashville há 11 anos atrás, pois trata-se de uma nova banda, com nova sonoridade querendo abocanhar cada vez mais e de uma vez por todas o sucesso custe o que custar.
Logo na faixa de abertura já é percebível o novo direcionamento musical Fast In My Car começa com uma batida pop dançante lembrando as cantoras do quilate de Ke$ha, Rihanna e Katy Perry, Now o primeiro single do disco mantém o mesmo pique da anterior, com adição de algumas frases de guitarra distorcida como diferencial.
E partir daí começa um verdadeiro desfile de horrores com a banda atirando praticamente para todos os lados e querendo acertar qualquer pessoa que se identificar com a sonoridade retratada, desde o pop dançante com Grow Up (Fico até imaginando dançarinas no fundo do palco coreografando essa canção ao vivo), passando por baladinhas insossas sem aquela carga e punch emocional de outrora: Last HopeHate to See Your Heart Break e o final de “cortar os pulsos” com Future e a sua tentativa frustrada de soar como Florence + Machine, no entanto beira entre a chatice e o inaudível. E como desgraça pouca é bobagem, a maior novidade do disco fica por conta de três pequenas introduções, que não chegam à dois minutos de duração, feitas à voz e violão, no maior “estilinho” praieiro brejeiro de Bruno Mars e Colbie Caillat soltas pelo disco, uma verdadeira encheção de linguiça falando no português claro e chulo.
Os fãs saudosistas que aguentarem ouvir o álbum inteiro pode se identificar com o “Hardcore Teenager” Anklebiters, além de Part II Be Alone, sendo essa última um pouco parecida com o sucesso Pressure.
Na minha humilde opinião, o único destaque e surpresa do disco todo é Ain’t It Fun que trás um Paramore descolado tocando Soul Music, isso mesmo, com direito a belas linhas de baixo, coral gospel no fim da canção e Hayley Williams em uma interpretação inspiradora.
Enfim, entre mortos e feridos, os que se salvaram eu recomendo a ignorar esse disco e voltar a ouvir o que a banda apresentava de melhor.
Trata-se de um disco bem produzido? bem feito? sim, claro, e Hayley continua sim cantando muito bem, alias esse é e sempre será o maior trunfo da banda, no entanto esse disco foi um verdadeiro balde de água gelada na nuca de quem esperava algo na linha dos antecessores.
É claro que vai ter gente que vai gostar e se descabelar por esse disco, afinal de contas ele se parece mais com aquelas rádios voltadas para o público jovem que toca aquela verdadeira salada de frutas sonora agradando a toda massa que consome esse tipo de produto.

É um disco de muitas identidades, mas nenhuma retrata verdadeiramente o que é (ou foi?) a banda.

Uma Pena pois Eu gostava tanto de você… Paramore…

Nota: 4,0

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2 comentários em “Paramore – Paramore”

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