Bob Mould – Sesc Pompeia/SP – 05/10/2013

Publicado: 7 de outubro de 2013 em Shows
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Privilegiado: se você for fazer uma breve pesquisa no “Dicionário Universal do Rock” a definição perfeita para esta palavra será:
“Músico que teve o privilégio de participar na mesma vida de duas grandes bandas de Rock. Ex: Jimmy Page (Yardbirds e Led Zeppelin), Ron Wood (Faces e Rolling Stones), Paul McCartney (Beatles e Wings), Max Cavalera (Sepultura e Soulfly), Dave Mustaine (Metallica e Megadeth), Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) e recentemente Chester Bennington (Linkin Park e Stone Temple Pilots)”. E não seria sacrilégio algum acrescentar nesse fictício dicionário o nome de Bob Mould, a grande lenda da música, tido para muitos como o pai da música alternativa.
Afinal de contas nos anos 80 Bob Mould ao lado do Baterista e também Vocalista Grant Hart e do Baixista Greg Norton revolucionou o cenário musical na época ao fundar o Hüsker Dü, uma das bandas mais sensacionais de Punk Rock já existente. Já nos anos 90 fundou a bem sucedida banda Sugar, com forte apelo comercial em relação à banda anterior, alcançando um sucesso jamais imaginado por Mould, com clipes veiculados a exaustão na MTV e o seu álbum de estreia Cooper Blue (1992) sendo considerados por muitos uma obra prima.
Os anos se passaram e Bob Mould seguiu em carreira solo lançando excelentes discos, tendo a liberdade artística de flertar com qualquer tipo de sonoridade, até mesmo com a música eletrônica, como no fraquíssimo disco Modulate (2002), no entanto nos últimos três anos Bob tem provado a doçura do seu importante legado, afinal de contas no ano de 2011 teve o seu prestígio reconhecido ao ser convidado para participar do recente álbum do Foo Fighters, Wasting Light, na canção Dear Rosemary e participando também do documentário lançado pelo grupo Back And Forth mostrando os bastidores das gravações do disco. Assim dando a oportunidade de ser redescoberto por jovens que não eram nem nascidos na época em que Mould já empunhava a sua guitarra e fazia rock a frente do Hüsker Dü e Sugar.
No ano seguinte Bob Mould lança Silver Age que segundo a critica é o melhor trabalho já lançado com a sua assinatura, no mesmo ano que Cooper Blue comemora 20 de lançamento e ganha uma edição comemorativa e uma turnê especial. E recentemente Bob Mould lançou o DVD See a Little Light, onde faz tributo a si próprio recordando todo o seu legado musical ao lado de artistas de renome e com certeza influenciados por Bob, entre eles Dave Grohl.

E é nessa boa fase que Bob Mould visita a América Latina pela primeira vez, incluindo na rota nós brasileiros com dois shows Sold-Out no Sesc Pompeia em São Paulo e um no Circo Voador no Rio de Janeiro e os meus olhos puderam contemplar a sua segunda apresentação na gelada noite Paulistana.
Em uma excelente instalação – ponto positivo para o Sesc que realizou o show com ingresso a preço justo – e com pequeno atraso de 45 minutos, sem banda de abertura e maiores delongas Bob Mould acompanhado de sua competentíssima banda formada por Jason Narducy (Baixo) e eterno Superchunk, Jon Wurster (Bateria) subiram ao palco do Sesc ovacionados pelo publico presente que lotava o recinto. Comemorando os 20 anos de lançamento de Cooper Blue, o clássico disco do Sugar, as cinco primeiras músicas do álbum abriram o show de forma magistral: The Act We Act, A Good Idea, Changes, Helpless e Hoover Dam eram executadas com maestria pela banda e bradada a plenos pulmões pela plateia apaixonada.
Na única conversa com a plateia, Bob saudou os presentes e perguntou se havia por ali pessoas que também acompanharam o show na noite anterior, muitos levantaram os braços e ele brincou apontando para cada um: “Eu lembro de você, de você também…”.
Dando continuidade ao show, a segunda parte foi dedicada ao seu mais recente álbum solo Silver Age com destaque para faixa de abertura Star Machine e o single The Descent, uma das melhores músicas de Bob nos últimos tempos.
Uma grata surpresa no repertório ficou por conta do clássico absoluto da sua carreira solo See a Little Light, já que nos demais shows dessa turnê, as únicas canções de seu trabalho solo eram do álbum Silver Age.
No entanto o que incendiou a plateia ainda mais, a ponto da mesma protagonizar inúmeros Mosh’s (que chegaram a desligar o pedal da guitarra de Bob) e até uma DESNECESSÁRIA latinha de cerveja arremessada no palco foram as canções dos áureos tempos de Hüsker Dü, o set especial contou com a belíssima balada Hardly Getting Over It, abrindo espaço para o massacre sonoro com os clássicos: Could You Be The One?, I Apologize, No Reservations, Something I Learned Today e Chartered Trips.
Keep Believing do recente disco Silver Age fecha a terceira parte do show, com a banda deixando o palco, após uma pequena pausa a banda retorna para o Bis com o sucesso do Sugar: If Can’t Change Your Mind seguida da selvagem Celebrated Summer do Hüsker Dü, a banda deixa o palco novamente e volta fechando o show de vez com mais Hüsker Dü: In a Free Land e Makes No Sense At All.
Em uma hora e vinte de show o que plateia presente presenciou não foi apenas um espetáculo musical, mas sim uma verdadeira aula de como fazer rock em seu mais perfeito estado bruto, sem firulas, sem frases ensaiadas sem apelo visual e estético mais apurado e até mais importante do que a própria musica em si; Testemunhamos ali três marmanjos apenas, com a idade um pouco avançada tocando Rock com uma sinceridade e energia não encontrada mais no cenário musical.
Mesmo sendo um homem de poucas palavras com a plateia, a satisfação ao estar ali era estampada no rosto de Bob Mould e de sua competente banda.
E para mim, um grande fã declarado de Bob Mould em todos os seus trabalhos musicais fica a imensa satisfação, afinal de contas não há nada mais prazeroso do que presenciar ao vivo aquele que de certa forma ajudou a moldar o seu caráter musical.
Seja bem vindo Pai do Rock Alternativo e aguardamos ansiosamente a sua volta.
E parafraseando o inicio do texto onde tentava explicar o significado da palavra “Privilegiado”, privilegiado foi eu por estar no Sesc Pompeia naquela noite.

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Repertório

The Act We Act (Sugar)
A Good Idea (Sugar)
Changes (Sugar)
Helpless (Sugar)
Hoover Dam (Sugar)
Star Machine
The Descent
Steam Of Hercules
Come Around (Sugar)
See a Little Light
Hardly Getting Over It (Hüsker Dü)
Could You Be The One? (Hüsker Dü)
I Apologize (Hüsker Dü)
No Reservations (Hüsker Dü)
Something I Learned Today (Hüsker Dü)
Chartered Trips (Hüsker Dü)
Keep Believing

Bis 1
If I Can’t Change Your Mind (Sugar)
Celebrated Summer (Hüsker Dü)

Bis 2
In A Free Land (Hüsker Dü)
Makes No Sense At All (Hüsker Dü)

Dedico esse texto aos meus grandes amigos Ricardo Ceolin (Malk) e sua adorável namorada Jennifer que estiveram comigo nesse memorável show, alias serei eternamente grato ao Ricardo por toda minha vida, que simplesmente me deu o ingresso desse show de presente =)

Ao Som de Bob Mould – Very Temporary

Vídeo Completo do Show (Detalhe, eu apareço nos 16:19 min de vídeo, surtado na beira do palco cantando Hoover Dam kkkkkk)

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