Black Sabbath e Megadeth – Campo de Marte/SP – 11/10/2013

Publicado: 17 de outubro de 2013 em Shows
Tags:,

100_9259
O que pode ser definido como um grande show?
Uma boa banda no palco executando as canções com tamanha perfeição nos causando a impressão de estar ouvindo um cd? Ou uma interpretação teatral somada a uma boa ornamentação no palco e abusos de pirotecnia e efeitos visuais? Uma carreira solida e de respeito? Uma infinita coleção de hits jogados ao publico que surta a cada um tocado sem exaustão?
Nos meus vinte e cinco anos de vida e com apenas dez shows internacionais no currículo (Incluindo ai dois festivais: SWU 2011 e Lollapalooza 2012), confesso que não consegui discernir exatamente o que seria a palavra grande show, já que presenciei todas essas características citadas acima em shows diferentes, mas nada, absolutamente nada pode ser comparado ao que eu senti na última sexta-feira no Campo de Marte em São Paulo no show dos veteranos do Black Sabbath, debutando em terras brasileiras com a sua formação quase que original, sem a presença do baterista Bill Ward.
Naquela noite Ozzy Osbourne (Vocal), Tony Iommi (Guitarra), Geezer Butler (Baixo) com auxilio de Tommy Cufletos na bateria nos ensinaram que um GRANDE SHOW foi exatamente aquilo que assistimos ali durante as duas horas que eles estiveram no palco arrebentando.
E para iniciar a festa toda, Megadeth foi a escolha certeira para fazer a abertura do show, alias o conjunto de Los Angeles capitaneado por Dave Mustaine está acompanhando o Black Sabbath desde o inicio dessa turnê.
Chris Broderick (Guitarra), David Ellefson (Baixo), Shawn Drover (Bateria) , e o já citado dono da bola Dave Mustaine fizeram uma apresentação espetacular dentro do curto tempo que tinham, e não faltaram clássicos, desde a abertura com Hangar 18 do clássico Rust in Peace, passando pela clássica (e minha canção favorita da banda) Wake Up Dead com a famosa dobradinha com In My Darkest Hour onde Dave Mustaine aproveitou para saudar a plateia presente dizendo que São Paulo é um dos lugares mais enérgicos de se tocar. Até ali era jogo ganho.
Do excelente novo álbum Super Collider tivemos Kingmaker e tome mais enxurrada de hits com She-Wolf, Tornado Of Souls, Peace Sells e o Heavy “Blues” Metal Sweating Bullets além do hino Symphony Of Destruction com a clássica interação da plateia berrando a plenos pulmões MEGADETH juntamente com o riff da introdução.
A banda sai do palco e retorna para o Bis com a clássica e indispensável Holy Wars… The Punishment Due levando todos os presentes ao delírio. Mustaine e sua trupe despede do publico brasileiro enquanto nos alto-falantes a canção My Way, versão de Sid Vicious (Ex-Baixista do Sex Pistols) para o clássico do Frank Sinatra era executada.
Aquecimento melhor? IMPOSSÍVEL.
Não demorou praticamente nada entre a troca de palco do Megadeth para o Black Sabbath, em menos de quinze minutos já tínhamos a enorme cortina na frente no palco com o logo da banda e de repente surge uma voz bem conhecida gritando no microfone
OÔOÔOÔOÔ
ÔÔ ÔÔ
Quem seria? Ele mesmo, o Madman, já dando sinais que queria estar ali juntos dos seus súditos logo, o quanto antes.
As sirenes ensurdecedoras aumentavam ainda mais a expectativa, eis que a cortina se abriu e War Pigs o grande clássico do segundo álbum da banda, o Paranoid, era praticamente jogado em nossa cara que ainda estava em estado de choque sem acreditar estar presenciando aquilo, era possível ver pessoas ao redor se beliscando, se estapeando e comentando com os amigos: “Meu, eles existem, são eles mesmos, não acredito”. Ozzy nem precisou de muito esforço para puxar a frase inicial da canção, a plateia já tratou de acompanhar em uníssono, a banda estava com a plateia nas mãos e plateia com a banda no coração.
Into The Void veio na sequencia com o seu riff de guitarra matador. O repertorio é mesmo de toda turnê, seguindo a mesma ordem sem nenhuma novidade o que não implicaria de maneira alguma no andamento do show, afinal de contas os clássicos que plateia apaixonada gosta estavam lá.
Podemos afirmar que o show foi baseado nos quatro primeiro álbuns da banda (Black Sabbath, Paranoid, Master Of Reality e Vol. 4) além é claro do novo álbum o já nascido clássico: 13.
Under The Sun e Snowblind, ambas do Vol. 4 deram continuidade ao show e ao êxtase em que se encontrava a plateia. Age Of Reason do mais recente álbum 13, é poderosa ao vivo, mas se for considerar pela energia Loner também do disco novo encaixaria melhor no repertório. Eis que a banda deixa o palco por breves minutos e um barulho de chuva e badalos de sino toma conta do Campo de Marte levando todos presentes ao delírio, eis que surge Tony Iommi com a sua clássica Gibson SG e entoa o mais pavoroso (no bom sentido) riff da história do Rock mundial: Black Sabbath, falar que os pelos dos braços ficaram arrepiados nessa hora, era o assunto mais comum ali entre os presentes, dando continuidade as canções do álbum de estreia do Black Sabbath tivemos o “Jazz Rock” Behind The Wall Of Sleep tocada também com tamanha perfeição, ai Geezer Butler o gênio das quatro cordas começou a solar a famosa introdução conhecida como Bassically, dedilhando o baixo com os dedos arrancando gritos da plateia insaciável, era possível ver pessoas se ajoelhando no chão e fazendo reverencia ao mestre Butler, com o fim do solo a deixa que todos nós já sabíamos N.I.B. era executada colocando o Campo de Marte abaixo.
Do novo álbum ainda tivemos a canção inicial End Of The Beginning muito bem executada e melhor encaixada no repertório. Paranoid o clássico álbum da banda do início dos anos 70 seria o próximo a ser revistado e não poderia começar com canção melhor Fairies Wear Boots e a sua famosa introdução de guitarra abafada. Tony Iommi é um capitulo a parte que precisa ser estudado nas melhores universidades do mundo e depois reverenciado, afinal de contas um acidente de trabalho em metalúrgica logo no inicio da carreira o fez perder a ponta dos dedos, o que faria de certa forma ele desistir de tocar o instrumento, no entanto ele adaptou pontas de plástico em seus dedos, mudou afinação da guitarra abaixando as cordas tornando-as mais sensíveis ao toque e sem querer acabou definindo um estilo próprio e único de tocar que hoje influência gerações e vê-lo ali naquela noite no Campo de Marte na situação onde se encontra hoje se tratando de um Linfoma, mas ainda sorridente como se não tivesse nada e despejando uma tonelada de riffs e solos que moldaram a história do rock era de tamanha gratificação.
Dando sequencia a apresentação, o instrumental Rat Salad era executado, dando deixa para outro integrante da banda brilhar o jovem, porém espetacular Tommy Cufletos, Tommy veio da banda solo de Ozzy (mas já tocou com gigantes como Ted Nugent, Alice Cooper e Rob Zombie) e assumiu a árdua tarefa de substituir Bill Ward na bateria na volta do Black Sabbath, já que o mesmo depois de problemas contratuais não quis seguir com a banda na reunião, e durante todo show confesso que não senti nenhum pouco de falta de Bill após ver Tommy simplesmente destruir a bateria, ainda mais que com a idade um pouco avançada de Ward e todos os problemas de saúde que ele já teve, incluindo ai um infarto, o mesmo não daria conta do recado como Tommy vem dando. E após o seu grande solo de bateria a batida compassada no bumbo já alertava qual canção viria: Iron Man, um pouco mais arrastada que a original, mas igualmente brilhante.
God Is Dead? O single do novo álbum foi muito bem aceito e tem força e poder de fogo como se fosse uma canção do inicio da carreira, alias 13 é um cd que parece ter sido feito nos anos 70, mas com produção atual, brilhante.
Dirty Woman a única canção no show do conturbado álbum Technical Ecstasy seguida do clássico arrasa quarteirão Children Of The Grave fechava a primeira parte do show.
A banda despede do publico, mas logo em seguida volta para o Bis, Tony Iommi puxa a introdução de Sabbath Bloody Sabbath para delírio dos presentes e a banda o acompanha, mas pra quem já estava por dentro do set-list do Black Sabbath saberia que não passava de uma pegadinha e logo foi interrompida para execução do clássico supremo do Rock Mundial Paranoid que fechou a apresentação com CHAVE DE DIAMANTE.
Talvez eu tenha encontrado naquela noite no empoeirado Campo de Marte a perfeita definição para um GRANDE SHOW, é ter quarenta e cinco anos de carreira, ter uma imensa coleção de clássicos e ter o luxo de deixar mais um monte de fora do repertório devido a ineficiência vocal do vocalista, é tocar musicas lançadas no inicio dos anos 70, quando boa parte da plateia presente não era nem nascida e ver que são clássicos atemporais passados de geração a geração, é ter um baixista que não faz do seu instrumento um objeto secundário na banda, mas ser tão brilhante, técnico e genial quanto o guitarrista, e o guitarrista por sua vez mesmo com todos os problemas que o assolam ainda dita regra e é influente, é ter um baterista que chamou pra si a responsabilidade e não fez feio.
E é claro, ter no centro da articulação ele o senhor John Michael Osbourne, aquele que é conhecido como “Príncipe das Trevas”, o Madman, e segundo os conservadores e murmuradores: o sacrificador de animais, o anticristo e a personificação do mal, que na verdade parecia mais uma criança feliz e abobada por estar ali diante daquela multidão apaixonada e que por longos anos esperava ansiosamente por aquele momento. Mesmo com a idade perdurando, todos os problemas de saúde e limitações físicas bem expostas depois de longos anos de consumo abusivos de drogas pesadas, mesmo com a voz por hora não ajudando ele é o homem a frente da banda e o centro das atenções quer queira, quer não. Afinal não sejamos hipócritas, por mais que o Black Sabbath ao longo dos seus quarenta e cinco anos de carreira teve em suas formações vocalistas brilhantes como Dio, Glenn Hughes, Tony Martin, Ian Gillan e até Rob Halford em dois shows, o que fazia aquela multidão estar presente ali naquele Campo de Marte, era a união da banda com Ozzy Osbourne, afinal de contas foi em sua passagem na banda que ele mesmo fundou que saíram os maiores clássicos da banda, os álbuns mais emblemáticos e inspiradores da história do Rock.
Enfim, uma noite para ficar na história, uma noite abençoada por Deus, e quem disso foi o próprio Ozzy Osbourne, sim, ele mesmo, o tal “Príncipe das Trevas” que no intervalo de cada canção dizia: “God Bless All”.
100_9272
Que Deus abençoe o Black Sabbath o verdadeiro sinônimo de GRANDE SHOW!!!

Repertório Megadeth

Hangar 18
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
She-Wolf
Sweating Bullets
Kingmaker
Tornado of Souls
Symphony of Destruction
Peace Sells

Bis
Holy Wars… The Punishment Due

Repertório Black Sabbath

War Pigs
Into the Void
Under the Sun
Snowblind
Age of Reason
Black Sabbath
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
End of the Beginning
Fairies Wear Boots
Rat Salad
Iron Man
God Is Dead?
Dirty Women
Children of the Grave

Bis
Paranoid

100_9231

Garotada feliz indo ver o Black Sabbath

Não poderia encerrar esse texto sem antes agradecer primeiramente a minha querida namorada Ariana que me presentou com o ingresso desse memorável show, se isso foi um pedido de casamento: SIM, EU ACEITO!!!
E dedicar aos meus grandes amigos que estiveram comigo nesse grande momento: Vanderlei, Alexandre, João Paulo, Ederson, Luana, Juninho, Erick, Lucas e João Paulo Paraizo (E a Grazzy Santos e Suélin Ruzza que não estavam conosco, mas estavam por lá). Contrariando os puristas que gostam de afirmar que o Black Sabbath é uma banda demoníaca  ali sorrimos, emocionamos, pulamos, cantamos e celebramos a vida e a nossa amizade diante da trilha sonora que embalou a nossa vida.
Isso é mal???

Ao som de Motörhead – Crying Shame

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s