Os 15 Melhores discos de 2013, por Fila Benário

Publicado: 27 de janeiro de 2014 em Especial

 

E faltando apenas quatro dias para o fim de janeiro de 2014, que esse “Blogueiro de araque” enfim finaliza a sua lista dos melhores discos lançados no ano passado, é claro que ficou muita coisa boa de fora, assim como também muita coisa que foi aclamada pela mídia eu fiz questão de deixar de fora por simplesmente não ser do meu agrado, mas os melhores, os mais aguardados e que não decepcionaram na MINHA HUMILDE OPINIÃO, estão aqui, na ordem decrescente para causar mais emoção.
Enfim chega de papo e vamos pra lista:

15 – BE – Beady Eye
15Se em Different Gear, Still Speeding o álbum de estréia do Beady Eye, a banda formada pelos remanescentes integrantes do Oasis Liam Gallagher (Voz), Gem Archer, Andy Bell (Guitarras) e Chris Sharrock (Bateria),  a banda bebia na fonte da Britsh Ivasion, em BE o seu mais novo álbum o grupo mergulha de cabeça na psicodelia setentista nos apresentando um trabalho formidável e sobretudo maduro, característica que fica bem clara na faixa de abertura: Flick of the Finger que já inicia poderosa, crescente com uma bateria e guitarras singelas mas acompanhada de metais que dão tônica a canção, além de ser muito bem interpretada por Liam Gallagher, coisa que não se ouvia a anos, até ali já é jogo ganho. Soul Love, a faixa seguinte e o mais novo single do disco, segue na linha da antecessora, mansa, porém poderosa.
Face The Crowd é a canção que chega mais próximo de tudo que o Oasis já fez, roqueira, veloz e animada, com certeza presença obrigatória no repertório do conjunto e figurará com umas das melhores músicas da banda.
E assim segue BE, explorando novas tendências musicais, como na canção Second Bite of the Apple, nos presenteando com belíssimas baladas: Soon Come Tomorrow e momentos poderosos como no caso de Don’t Brother Me que nas entrelinhas serve como um pedido de desculpas ao seu irmão e eterno desafeto Noel Gallagher.
BE mostra que Liam Gallagher amadureceu e tem competência para tocar o barco sozinho, não é superior ao Noel Gallagher’s High Flying Birds  e muito menos melhor que sua antiga banda, mas é tão bom quanto.

14 – Damage – Jimmy Eat World
14Jim Adkins o “Bob Mould” da geração anos 90, surge com o seu Jimmy Eat World após três anos sem lançar material inédito e nos presenteia com Damage. A formula é aquela velha conhecida de todos, uma mescla muito bem feita de Punk Rock, Hardcore, Pop e demais elementos amenos sem deixar se desintegrar.
O disco já abre enérgico com Appreciation dando uma cadenciada no refrão, tal canção poderia estar presente no track-list de álbum Bleed American o maior sucesso comercial do grupo.
O disco segue com a canção-título, um “Punk-Folk” com violões abrilhantados, violões alias tem aparecido como nunca em Damage, no caso da também “Punk Folk” Book of Love e na acústica (e belíssima) Please Say No.
A conotação Pop hoje perdeu o sentido, classifica artistas de nível popularesco, vazios e sem conteúdo musical, apenas estético, e talvez seja o Jimmy Eat World a melhor tradução para o verdadeiro sentido da música Pop, uma música que possa agradar a massa sim, mas com conteúdo, com forma e sentimentos e é dentro dessa estética musical que encontramos em Damage canções como How’d You Have Me, No Never e Lean sendo essa última a melhor de todo álbum.
I Will Steal You Back trás aquele Jimmy Eat World intimo de todos, aquele que sabe misturar Punk Rock e Pop com maestria.
Talvez a única bola fora de Damage seja Byebyelove com seu refrão mega repetitivo, mas nada que venha comprometer o resultado do disco que fecha de forma sublime com You Were Good.
Para os fãs um deleite, para os curiosos uma boa oportunidade de conhecer o trabalho do grupo, mas recomendo que ouça Futures primeiro, e para quem não gosta: Fuja! se você não gostou até agora não vai ser agora que vá gostar.

13 – My Shame Is True – Alkaline Trio
13Matt Skiba um dos caras mais atormentados da cena Punk Rock americana, aparece com o seu Trio Alkalino após dois anos sem lançar material inédito e nos presenteia com My Shame Is True, que se não for um dos melhores discos da carreira do Alkaline Trio ele chega bem perto.
Afinal de contas o cenário não era um dos melhores, Skiba enfrentou seríssimos problemas com drogas no decorrer das gravações e teve que lidar o traumático termino do seu namoro,  deixando bem claro não ter superado o mesmo, pois fez questão de estampar na capa do disco justamente uma foto da ex-namorada.
Mas problemas a parte o que temos em My Shame Is True é o mesmo Alkaline Trio de sempre, e parece que são justamente os problemas que “enraízam” a veia musical da banda e faz o trabalho soar estupendamente maravilhoso. Muito Punk-Rock com muita carga emocional esse é o Alkaline Trio que cultuamos e já sacamos isso logo de cara na abertura com She Lied to the FBI, I Wanna Be a Warhol e I’m Only Here to Disappoint, começo melhor que esse? impossível!
Ainda sobra os destaques The Temptation of St. Anthony, Pocket Knife, e as enérgicas e nervosas Broken Wing e I, Pessimist.
Os momentos introspectivos de My Shame Is True aparecem no formato de canções como Only Love, Young Lovers e a balada arrasa quarteirão Until Death Do Us Part.
Há quem o classifica como Emos, eu acho que a sonoridade vai muito mais além do que esse simples e medíocre rótulo, pra mim o Alkaline Trio é uma banda de Punk Rock com uma proposta musical mais amena, coisa que o Embrace e o Hüsker Dü já faziam lá atrás e tem algo errado nisso?
Mas o rótulo é o menos importante, o que está em jogo é qualidade musical e isso o Alkaline Trio tem de sobre e em My Shame Is True está praticamente transbordando.

12 – The Devil Put Dinosaurs Here – Alice In Chains
12O que esperar do novo disco do Alice In Chains? O mesmo de sempre, e isso é ruim? Depende do ponto de vista…
The Devil Put Dinosaurs Here, o quinto disco de estúdio da banda (Fora os EP´S Sap e Jar Of Flies) foi muito aguardado pelos fãs do quarteto de Seattle, afinal de contas o Marketing em cima do mesmo era gigantesco, com direito a banda protagonizar um vídeo viral que se tornou um sucesso na internet, além é claro das declarações dos próprios integrantes da banda afirmando que The Devil Put Dinosaurs Here era o disco mais diferente e inovador que a banda havia gravado.
Quando finalmente o disco saiu, o que se ouviu? O mais do mesmo, o mesmo de sempre, e isso é ruim? Não, mas depende do ponto de vista.
The Devil Put Dinosaurs Here é um Black Gives Way to Blue de capa vermelha, as canções são praticamente as mesmas, notem a semelhança de Breath on A Window com Lesson Learned do álbum anterior, é gritante.
Mas mesmo assim trata-se de um ótimo disco afinal mesmo sendo pastiche de tudo que já foi feito se trata de Alice In Chains, uma das melhores bandas dos últimos tempos, com bons e pesados riffs de guitarra em canções soturnas e pesadas, como é caso de Pretty Done, da arrastada Lab Monkey, Low Ceiling e Phantom Limb.
Hollow foi escolha certeira para ser o primeiro single do álbum, pois é a melhor canção de todo disco, já está no Hall das melhores músicas do Alice In Chains.
Violões, outra grande característica do Alice In Chains, aparece nas canções Scalpel e no mais novo single Voices, outra escolha certeira também, pois trata-se de uma belíssima canção.
Se The Devil Put Dinosaurs Here é um ótimo álbum mesmo sendo semelhante aos demais e principalmente ao seu antecessor, o que tanto me irrita? O simples fato de ser mais um álbum solo de Jerry Cantrell, Willian Du Vall (Vocalista e Guitarrista) que substitui o falecido Layne Stanley ainda não mostrou pra que veio, pois todas as musicas são cantadas por Cantrell com Willian Du Vall apenas fazendo segunda voz.
Tirando essa contestação, é um grande disco!!!

11 – Lightning Bolt – Pearl Jam
11Parece que finalmente o Pearl Jam achou a formula exata de se fazer grandes álbuns, desde o ótimo (e na minha opinião um dos melhores da banda) Backspacer que o quinteto capitaneado por Eddie Vedder tem apostado na simplicidade, na velocidade e no despojamento e arriscando menos nas baladas insossas, e o que encontramos em Lightning Bolt é justamente esse Pearl Jam vivo e atuante desses últimos anos, sorte nossa.
Lightning Bolt já abre enérgico com o Rock n’ Roll Getaway de guitarras ásperas e um Eddie Vedder cantando insanamente como nunca, Mind Your Manners vem na sequencia em um Punk Rock veloz daqueles de te fazer “pogar” feito louco, com certeza funcionará muito bem ao vivo essa canção, ainda temos do lado enérgico My Father’ s Son além da faixa-título.
As baladas, os maiores trunfos do Pearl Jam, não ficam de fora de Lightning Bolt, aparecem até em numero maior em relação ao álbum anterior, mas a banda também aprendeu a fórmula exata de se fazer a mesma, de forma sincera e tocante e não piegas como nos trabalhos anteriores, principalmente em Binatural (2000) e podemos destacar nesse âmbito as tocantes Future Days, Yellow Moon, Swallowed Whole que tem punch e pegada, além do single Sirens.
Mas como já dizia o outro, que nem tudo são flores em Lightning Bolt, Pendulum é uma canção entediante e não faria falta nenhuma no tracklist do disco.
Mas mesmo assim não compromete o resultado final do disco que é bem satisfatório, mostrando que existe folego e sobrevida após mais de vinte anos de carreira.

10 – Vanishing Point – Mudhoney
Mudhoney_VanishingPointOlha a fria e chuvosa Seatlle nos presenteando com mais um disco ai!!!
Mesmo não atingindo o sucesso comercial dos seus conterrâneos Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains, o Mudhoney é a mais importante e significativa banda daquela região, com mais de 25 anos de carreira, 10 álbuns de estudio, Mark Arm e seus comparsas ainda tem muita lenha a queimar e mostrar como se faz um rock visceral de verdade afastando de vez esse “bom mocísmo” chato que assola o rock atual, e é nesse pique que o Mudhoney lança o seu mais novo álbum Vanishing Point.
A formula: Guitarras distorcidas, sujas, executando solos caco-fônicos e sistemáticos, aliados a um vocal desesperador e gritante, somados a fúria e energia de Dan Peters (que já foi baterista do Nirvana nos primórdios), mantém a genialidade do Mudhoney e classifica Vanishing Point como dos melhores álbuns de sua vasta carreira.
O single I Like It Small já mostra pra que veio, um Rock visceral, animado, com punch, jogo ganho, a elegância de Chardonnay fica só no título porque nem de longe lembra aquele chiquérrimo vinho branco francês, é um punk rock descarrilhado de furar os tímpanos. Ainda temos a pesada The Final Course, I Don’t Remember You, alem da faixa de abertura Slipping Away com a sua bateria arrasa quarteirão, ponto para Dan Peters.
No Mudhoney não há baladas carregadas de emoção como no Pearl Jam, mas há uma maneira bem peculiar de se fazer uma canção cadenciada, como é o caso de Sing This song of Joy, entretanto The Only Son of the Widow of Nain vem como uma bala perfurando o peito, insana, desesperada, gritante, pesada, veloz, falta até adjetivos para explicar tamanho poder de fogo que ela tem, sem sombra de duvidas uma das melhores músicas da banda.
O restante de Vanishing Point é o Mudhoney na mais plena forma, se peca em falta de técnica, compensa em punch, fúria e emoção, alias essas sim são as verdadeiras características do rock e nunca o inverso.
O melhor disco, da melhor banda de Seattle.

9 – Fortress – Alter Bridge
09Se lembra do Creed? aquela banda surgida nos anos 90 até que bacana mas que 80% da população mundial considerava insossa, com baladinhas insossas? pois bem, aqui nesse disco Fortress, do Alter Bridge, banda formada por 75% dos integrantes da tal banda insossa, eles fizeram questão de decretar o funeral do Creed e lhe causar uma amnésia na qual você nem se lembrará que um dia essa banda já existiu, alias me apresso a dizer que nem o próprio Alter Bridge lançou um álbum com a magnitude Fortress, e olha que eu sou fã de carteira do debut álbum do conjunto hein?
Fortress, chega pesado, alias bem pesado, podendo sim ser considerado um álbum de Heavy Metal moderno, aqui, Myles Kennedy que já é tido por muitos um dos melhores vocalistas da atualidade prova da sua consagração fazendo uma interpretação memorável.
Cry of Achilles, começa singela com um belo dedilhado de violão, até que vai tomando forma e se transforma em um metal furioso com refrão poderoso, abertura melhor? impossível.
Addicted To Pain, o primeiro single de Fortess, mantém o pique inicial, pesada, guitarras fortes e uma interpretação brilhante, o peso continua em Bleed It DryPeace Is Broken, só para citar algumas.
Baladas, o grande trunfo do Alter Bridge, se faz presente também em Fortress, mas sem destoar o álbum como é o caso da canção Lover mostrando que é possível produzir belíssimas melodias sem soar piegas.
Há bandas que iniciam suas carreiras de maneira furiosa e com o passar dos anos vão se perdendo em novas tendências musicais e justificando tamanha decepção como uma especie de “amadurecimento musical”, o Alter Bridge fez o caminho inverso começou pequeno e repleto de desconfianças e em Fortress se agigantou.

8 – Ready to Die – Iggy and The Stooges

08Iggy Pop, o mundo ainda precisa de Frontman assim!!!
Após enveredar por caminhos um tanto quanto estranhos em sua carreira solo, a ponto de gravar um disco de Jazz (Préliminaires – 2009) e um de cover de principais clássicos da música Francesa e americana (Après – 2012), Iggy resolveu parar de bater cabeça e fazer o que sabe de melhor, reuniu o seu eterno Stooges hoje formado por James Williamson (Guitarra) no lugar de Ron Asheton falecido em 2009, além Scott Asheton – (Bateria), Steve Mackay (Saxofone) além do gênio Mike Watt do  The Minutemen no Baixo, e gravou Ready to Die, resumidamente falando: um BAITA disco de Punk Rock.
Logo no incio da carreira do The Stooges em sua primeira apresentação na TV americana, Iggy Pop foi questionado sobre qual era a sua maior influência musical, e ele simplesmente respondeu: “o barulho das empresas, das maquinas, das fábricas” e é justamente esse som “industrial” (no sentido orgânico e não eletrônico) e desgovernado que encontramos em Ready to Die. Desde sua abertura com Burn um Punk Rock de batida arrastada, calcada, passando por Job, pelo Rock n’ Roll descompromissado Gun e pela poderosa e glam faixa-titulo temos em Ready to Die uma cartilha que deveria ser estudada por todas as bandas que dizem fazer rock hoje em dia.
Mostrando que seu vozeirão é versátil e se encaixa em qualquer tipo de canção Iggy Pop sussurra em canções cadenciadas como: Unfriendly WorldBeat That GuyThe Departed que contrapõem o disco mas que não deixa a peteca cair de forma alguma.
E se eu pudesse escolher uma canção que definiria toda a selvageria de Ready To Die e que aproximasse mais do Stooges de início de carreira com certeza eu citaria sem pestanejar Sex & Money, é a melhor e mais poderosa canção de todo o álbum.
Sex & Money parece um caminhão desgovernado, um trem descarrilhado e isso se tratando de Stooges, se tratando de Iggy Pop soa como um grande elogio, Sex & Money é um Punk Rock poderoso, para os padrões técnicos ele pode soar semitonado, sem forma exata, sem um ritmo definido e tudo isso somado a um saxofone desconexo, mas é exatamente ai que está o magnetismo da canção o que deixa mais brilhante, mais primal e furiosa, impossível descrever, só ouvindo (abaixo).
Se o som das industrias que influenciava Iggy Pop e o seu Stooges, em Ready To Die ele abriu a sua própria fábrica.

7 – Aftershock – Motörhead
07
Lemmy Kilmster andou nos assustando esse ano, sendo internado as pressas, cancelando turnês e mostrando um desgaste físico que se tratando do mesmo seria impossível imaginar que isso iria ocorrer um dia, mas antes que a lenda do rock nos surpreenda indo dessa para melhor, ele fez questão de nos presentear com o melhor disco do Motörhead em anos: Aftershock.
Ta, você já deve estar careca de ouvir da “imprensa marrom” de que todo disco do Motörhead é igual, e sim, concordo é igual, mas que bom, sorte a nossa, afinal de contas se trinta e nove anos de carreira fazendo a mesma coisa intitula o Motörhead com uma das bandas de rock mais influente e mais adorada do gênero, significa que a formula dá sim muito certo. E mesmo como toda essa homogenia musical, Aftershock ainda consegue se diferenciar dos demais, mostrando um vigor e uma energia impar.
A abertura com Heartbraker é sinônimo de gol de placa, rasgar a camisa em campo, pular o alambrado e comemorar com a torcida; há tempos não se ouvia uma canção tão poderosa, vistosa e pesada.
O Heavy Rock come solto em Aftershock com: Coup De Grace, End Of Time, Do You Believe com direito a um belo solo de Phil Campbell, além de Queen Of The Damned a primeira canção a ser a apresentada do álbum. Outros destaques ficam por conta de Silence When You Speak To Me que lembra demais Man In The Box do Alice In Chains e Going To Mexico, mostrando que não só nós brasileiros fomos homenageados pelo Mötorhead.
Em Aftershock há espaço para um Blues Rock: Lost Woman Blues e para uma balada, sim uma BALADA: Dust And Glass chega mansa mesmo com a característica voz de Lemmy.
Outro grande destaque do álbum é a desenvoltura do baterista Mikkey Dee, que a cada álbum, a cada apresentação vem esbanjando técnica mais que apurada porém nunca foi sequer mencionado como um dos melhores bateristas do gênero, mancada!!!
Balanço final: É o mesmo Motörhead de sempre e isso é muito bom!!!
FIM DE PAPO.

6 – Sound City Real to Reel – Various Artists
06Dave Grohl, o incansável homem a frente do Foo Fighters e de mais um tonelada de projetos, resolveu aventurar agora na carreira de diretor de cinema, e a sua primeira empreitada foi o documentário Sound City – Real to Real onde narra a trajetória do tradicional estúdio Sound City, fundado no ano de 1965 na California, o estúdio abrigou os maiores artistas já existentes e gerou álbuns  antológicos que sustentam os pilares da música mundial, entre eles: After The Gold Rush (Neil Young), Damn the Torpedoes (Tom Petty and the Heartbreakers), Holy Diver (Dio), Crusader (Saxon), os discos de estreia de Fleetwood Mac, Rage Against The Machine e Rancid, além do álbuns Divine Intervention (Slayer), One Hot Minute (Red Hot Chili Peppers), Rated R (Queens Of The Stone Age), Iowa (Slipknot), a volta do Metallica as origens em Death Magnetic e a principal obra prima dos anos 90: Nevermind do Nirvana.
E com um filme desse porte, a trilha sonora deveria ser no mínimo matadora, e é justamente sobre isso que escreverei nas próximas linhas.
Após adquirir a mesa de som Neve, do próprio Sound City, Dave Grohl reuniu grandes nomes  que já gravaram no icônico Sound City, em seu estúdio particular o 606 Studio e gravaram canções inéditas composta por ele que compõem a trilha do filme.
Os principais destaques ficam por conta de Steve Nicks vocalista do Fleetwood Mac com a canção You Can’t Fix This que segundo Grohl, a mesma havia sido composta para o álbum In Your Honor (2005) do Foo Fighters, mas ficou de fora justamente pelo fato de parecer demais com Fleetwood Mac.
Time Slowing Down conta com o produtor Chris Goss nos vocais e com os “Rage Against The Machine”: Tim  Commerford (Baixo) e Brad Wilk (Bateria) além do próprio Dave Grohl nas guitarras.
Josh Homme do Queens Of The Stone Age aparece na canção Centipede acompanhado de Chris Goss (Guitarra) Alain Johannes (Baixo) e Dave Grohl (Bateria).
Os Foo Fighters, principal banda de Grohl aparece em duas grandes canções: The Man That Never Was com Rick Springfield nos vocais e a Punk nervosa e cheia de quebradas desconcertantes Your Wife Is Calling com os vocais de Lee Ving do Fear.
E é claro que o dono da festa também brinca, Dave Grohl aparece acompanhado apenas de um violão, do violino de Jessy Greene, do tecladista Rami Jaffee (The Wallflowers e Foo Fighters) conduzidos pela percussão de Jim Keltner na belíssima e tocante canção If I Were Me.
E Mantra fecha o álbum com um encontro de feras: Dave Grohl, Josh Homme e Trent Reznor (Nine Inch Nails).
No entanto a principal canção que dá tônica ao disco todo, a cereja do bolo, a menina dos olhos, enfim, a canção mais poderosa de Sound City – Real to Real é Cut Me Some Slack, trata-se de uma reunião dos integrantes sobreviventes do Nirvana: Krist Novoselic (Baixo), Pat Smear (Guitarra) além de Dave Grohl na bateria e nos vocais, nada mais, nada menos que PAUL McCARTNEY!!!
Enfim, dispensa comentários, apenas ouça esse disco maravilhoso e embarque nessa viagem musical atemporal.


5 – High Rise (EP) – Stone Temple Pilots with Chester Bennington
05No ano de 2013 uma noticia pegou a todos de surpresa e abalou as estruturas do cenário musical: Scott Weiland o principal Frontman do Stone Temple Pilots estava fora do conjunto, as especulações a respeito da demissão do “Junkieman” variam entre o descompromisso de Weiland com a banda até ao uso abusivo de drogas por parte do vocalista, tal ação que já fez a banda encerrar as atividades em 2001 e mantendo o hiato por mais de dez anos.
No entanto a noticia que abalou as estruturas não foi exatamente a saída de Weiland mas sim o vocalista que iria-o substituir, nada mais nada menos que Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, muitos olharam com muita desconfiança para tal escolha, principalmente aqueles não tem afinidade alguma com trabalho de Chester a frente de sua banda principal, portanto a resposta veio no formato desse singelo EP de apenas cinco faixas intitulado de High Rise.
É importante ressaltar que ao contrário do que se pensa, o Stone Temple Pilots nunca foi uma banda de Grunge propriamente dita, o que aconteceu foi um grande equivoco pelo fato da banda ter surgido na época em que o som de Seattle estava estourado na mídia e dominando as paradas musicais e como tudo que surgia na época recebia esse título o STP também acabou recebendo essa alcunha, mas na verdade a sonoridade da banda vai muito mais além, é um flerte do Hard Rock, com o Punk Rock e o Rock de Garagem e são esses elementos que encontramos em High Rise que já abre de forma nervosa com o Single Out of Time, uma canção pesada, veloz que casou perfeitamente com o vocal gritante de Chester, jogo ganho. É importante ressaltar também a gritante semelhança do pré refrão dessa canção com a música Take A Load Off, do auto-intitulado álbum da banda lançado em 2010, ouça e compare você mesmo.
Black Heart provavelmente a segunda música de trabalho da banda nessa nova formação é um Hard Rock dançante assim como boa parte das canções do STP, no entanto a canção seguinte na minha humilde opinião é a que define perfeitamente o porque de Chester Bennington ser hoje o vocalista do Stone Temple Pilots: Same On the Inside é uma balada singela, belíssima onde Chester nos presenteia com uma interpretação brilhante alcançando com maestria o altíssimo tom da canção, provando de uma vez por todas não ser apenas aquele garoto que berra a plenos pulmões na popularesca banda de rock Linkin Park, mas provando sim ser um grande vocalista que hoje merece sem sombra de duvidas ocupar a vaga que está ocupando.
O disquinho ainda segue com o Hard Rock Cry Cry e com encerra Tomorrow e mais um grande show vocal de Chester.
Que Scott Weiland era o carisma e o coração do Stone Temple Pilots isso não há duvidas, mas quem esteve na apresentação da banda no SWU em 2011 apesar de ter presenciado um ótimo show viu ali uma banda meio sem folego, pois bem eis que surge o pulmão Chester Bennington!!!
E que venha o álbum completo.

4 – Unvarnished – Joan Jett & The Blackhearts
04Joan Jett, a grande rainha do Rock teve muito o que comemorar nos últimos anos, afinal de contas ela teve a sua adolescência retratada no filme The Runaways que contava a trajetória da citada banda que dá titulo ao filme formada por ela, se o filme não foi um sucesso de bilheteria e a atuação de Kristen Stewart (a atriz cara de vomito enlatado da Saga Crepúsculo) lhe interpretando divide opiniões, de um lado ele apresentou Joan Jett e todo seu legado a uma juventude que não tinha sequer ouvido falar nela, ampliando cada vez mais o numero de adoradores. Isso sem contar a parceria com o Foo Fighters – a banda da vez – em diversas apresentações recentemente, incluindo ai a dobradinha Bad Reputation/I Love Rock n’ Roll no Lollapalooza Brasil em 2012, fazendo expandir ainda mais o leque de seguidores da Rainha Joan.
E é justamente nesse clima que a Titia do Rock com os seus eternos comparsas do Blackhearts lançam Unvarnished o seu décimo quarto disco de estúdio, depois de exatos longos sete anos sem lançar material inédito e podemos afirmar sem medo algum que Unvarnished já nasceu clássico.
O disco já abre de forma especial com a canção Any Weather gravada no 606 Studio, estúdio particular de Dave Grohl (dispensa apresentações) que co-escreveu a canção ao lado de Joan Jett e tocou bateria, baixo e guitarra solo na gravação, precisa de mais alguma coisa?
Tom Gabel vocalista do Against Me!, hoje transexual atendendo pelo nome Laura Jane Grace também colaborou em  Unvarnished na canção Soulmates To Strangers que lembra toda aquela atmosfera musical de Bad Reputation o primeiro álbum solo de Joan Jett.
A mistura de Punk Rock, com Hard Rock e Rock n’ Roll Sessentista elementos que definem a trajetória musical de Joan Jett estão presentes em Unvarnished em força maxima em canções como TMIMake It Back, a “Ramonesca” Bad As We Can Be, além da grudenta Hard To Grow Up impossível não cantarolar esse refrão por dias seguidos.
Joan Jett está na mais plena forma, “esmurrando” a sua guitarra e lhe arrancando riffs sujos pesados, de fazer inveja em Billie Joe, Tim Armstrong e Tom DeLonge. E com a sua mesma voz de garota, aquela garota que mudou o curso do rock mostrando que as mulheres também tinham lá o seu lugar cativo.
Outros destaques do álbum ficam por conta de Fragile que na minha humilde opinião é uma das melhores canções de Joan Jett nas ultimas décadas e a baladinha simplória mas igualmente poderosa Everybody Needs A Hero.
Na versão Deluxe do álbum temos as versões ao vivo dos clássicos: I Hate Myself For Loving You, Bad Reputation, Cherry Bomb (das The Runaways) além do mais novo Single TMI.
Se o Elvis é o rei do rock, com certeza Joan Jett é a RAINHA!!!

3 – True North – Bad Religion
03Você já deve estar cansado dos seguintes dizeres: “Algumas bandas melhoram com o tempo”, “Certas bandas são como vinho, quanto mais velhas melhores”, apesar de gastas, frases assim definem perfeitamente o que é o Bad Religion, afinal de contas desde 2002 em sua volta para a gravadora independente Epitaph Records e o lançamento do clássico The Process Of Belief, que o Bad Religion ano a ano tem lançado discos estupendos e fundamentais para os pilares do Punk Rock, e com True North não é diferente.
Se no álbuns anteriores o Bad Religion abusou do experimentalismo flertando com outros estilos musicais (mas sem perder a essência), aqui o que temos é uma banda coesa tocando o simples, puro e direto: PUNK ROCK, chegando a lembrar alguns momentos os clássicos álbuns: Suffer e Against the Grain.
True North a faixa titulo já abre o álbum de forma enérgica, rápida, simples e direta. Fuck You, o primeiro single de True North foi escolha mais que certeira, a melhor canção do Bad Religion em anos com uma linha de baixo magistral do gênial Jay Bentley.
O disco segue firme com Past Is DeadRobin Hood In Reverse e com a pesada Land Of Endless Greed.
Dharma And The Bomb é outro grande destaque de True North, com uma batida desconcertante e um refrão grudento tem tudo pra ser o próximo hit do álbum. Os vocais “coralíticos” um das grandes características do Bad Religion está presente em True North, canções como In Their Hearts Is Right fica bem audível e admirável.
Gostaria de ressaltar a qualidade musical de todos os integrantes da banda, no entanto louvarei sem fim o desenvoltura e técnica apurada do baterista Brooks Wackerman, não seria exagero afirmar que se o Bad Religion tem sido o que é principalmente nos últimos dez anos é merito de Brooks que espanca sem dó o seu instrumento e assim injetando na banda energia, velocidade e técnica, muita técnica, ouça as canções: Nothing To Dismay, Vanity, Popular Consensus e My Head Is Full Of Ghosts e tire suas próprias conclusões.
True North é o Bad Religion em sua melhor forma.

2 – New – Paul McCartney
02Eu já estava com a lista fechada, com os discos definidos quando o Sir. Paul McCartney resolveu lançar o seu mais novo álbum de estúdio, New, uma simples ouvida foi o suficiente para descer o True North do Bad Religion de posição e tirar o mestre David Bowie dessa humilde listinha.
New surge inovador e atemporal quebrando definitivamente todas as barreiras do rock mas de forma simples e direta como o rock simplesmente deve (deveria) ser.
Logo na faixa de abertura o que temos? Save Us um rock simples de estrutura básica: Baixo, bateria e guitarra mas com tamanho despojamento não se ouvido há tempos, Julian Casablancas deveria abrir mão dos seus experimentalismos com o seu já naufragado The Strokes e se trancar em seu quarto e ouvir essa faixa por dias seguidos e aprender com de faz música de verdade, eu poderia ficar horas dissecando essa canção maravilhosa, mas New nos presenteia com mais 14 “petardos” sonoros que não dá nem vontade de desligar o rádio.
Comparações com os Fab-Four sempre existirão e é natural que exista, afinal de conta os Beatles ajudaram a moldar todo o conceito musical mundial após o seu surgimento, influenciando um numero sem fim de artistas, portanto é aceitável que o seu criador beba de sua própria fonte e canções como Alligator, a belissima balada On My Way To Work, I Can Bet (e o que refrão parecidíssimo com Get Back) além da faixa titulo que é uma “Penny Lane” ainda mais animada, lembram demais os mais inspirados momentos dos quatro rapazes de Liverpool.
Outro trunfo de Macca é a capacidade de flertar com outros estilos sem se deixar levar, sem perder a integridade e em New temos Paul McCartney tocando R&B (Appreciate e Looking at Her), Rock Alternativo (Queenie Eye), Folk (Early days) e Música Eletrônica (Road), porém são nas baladas que Macca nos presenteia com o que tem de melhor, a sua voz inatingível e sua interpretação formidável, e a claustrofóbica Hosanna se encaixa perfeitamente nesses parâmetros.
As vezes eu vejo o cenário musical atual e noto uma imensa crise criativa, inúmeras bandas com a mesma proposta musical, a mesma sonoridade, todas formatadas, todas beirando o inaudível, ai quando surge um Paul McCartney com uma obra-prima do tamanho de New, faz ainda eu acreditar na humanidade.

1 – 13 – Black Sabbath
01Tão óbvio quanto afirmar que a bola é redonda, a água é molhada e a Patrícia Poeta é bonita, o lançamento mais aguardado nos últimos 30 anos aqui está e direto pro topo da nossa lista.
Ozzy Osbourne, Gezzer Buttler e Tony Iommi, setenta e cinco porcento daquela simples banda de Aston (Inglaterra) que tocando Blues descompromissadamente acabou parindo um dos estilos mais fundamentais e amados dentro do Rock, o Heavy Metal, está de volta, o Black Sabbath, e 13 o seu mais novo álbum é o que podemos intitular de o seu melhor resgate.
Produzido por Rick Rubin, um dos maiores (senão o maior) produtor musical de todos os tempos e fã assumido da banda, ele simplesmente raciocinou como fã e trouxe para os tempos atuais aquela sonoridade que fez do Black Sabbath uma das bandas mais influenciáveis do gênero, gravado todo ao vivo no estúdio, assim como nos primeiro álbuns da banda e com o surpreendente reforço de Brad Wilk do Rage Against The Machine na bateria no lugar de Bill Ward que simplesmente abandonou o barco por razões contratuais, o que ouvimos em 13 é uma banda coesa e “brutamente” lapidada, o disco abre com a arrastada e pesada End Of Beginning que lá na casa dos 02:45 de duração após um pequeno break ressurge em um poderoso riff de guitarra, um dos grande trunfos do Sabbath e vira um Blues Heavy que só o Black Sabbath sabe fazer.
God Is Dead? o primeiro single de 13 e a musica que apresentou o novo/velho Black Sabbath para o mundo vem nos mesmos moldes da anterior, começa arrastada e depois cresce poderosamente, o riff do refrão é um deleite.
Assim como Paul McCartney buscou nos Beatles a sonoridade para o seu novo álbum, fica bem claro que Rick Rubin junto com a banda tirou a poeira dos velhos LP’S do Black Sabbath e usou como referência clara, o que fica visível nas próximas duas canções, se Loner em sua estrutura musical lembra muito N.I.B. clássico do álbum de estréia do Black Sabbath, a balada Zeitgeist por sua vez é um auto-plagio de Planet Caravan do clássico Paranoid (1970) .
Tony Iommi o homem que inventou a maneira de tocar guitarra pesada com icônicos riffs que pesam uma tonelada, em 13 nos presenteia com centenas deles como na introdução de Live Forever e no “Jazz Metal” Damaged Soul que no final explode em peso e velocidade.
Geezer Buttler o homem das quatro cordas mais eficientes do rock também brilha durante todo álbum, e como principal compositor da banda nos entrega uma das musicas mais surpreendente de sua autoria: God Is Dead? inspirada em “Assim Falou Zaratustra” obra do filosofo alemão Fredrich Nietzsche, narra a história de uma pessoa que durante a vida toda ouviu que Deus estava morto e questiona isso o tempo todo, porém no final da canção ele chega a conclusão de que a fé e a ciência podem sim andar de mãos dadas, sensacional.
E é claro que Ozzy Osbourne não poderia deixar de ser mencionado, afinal de contas todo estardalhaço em cima de 13 é fato de conter a sua participação, e por mais que sua voz está longe daquele Ozzy de outrora é essencial para a sonoridade da banda.
Outros destaques de 13 ficam por conta de Age Of Reason que chegou a ser tocada no show da banda no Brasil no final de 2013 e final apoteótico com a pesada Dear Father que após o massacre sonoro encerra com barulho de chuva, trovoadas e badalos de sinos, assim como iniciou a jornada musical do Black Sabbath lá no final dos anos 60 no seu disco de estréia.
Na versão Deluxe de 13 há ainda mais quatro canções inéditas, que poderiam muito bem ter entrado oficialmente no álbum: a “pesadérrima” Methademic, a arrastada Peace Of MindPariah que apesar da introdução fantasmagórica se transforma em uma canção de Punch e peso como Loner, e por fim a pesada e veloz (nos padrões “Sabbaticos”) Naivete In Black que me faz questionar novamente o porque dessas canções não integrarem o set oficial de 13?
Dizer que 13 é o melhor álbum lançado no ano de 2013 chega até ser pequeno perto de toda sua magnitude, prefiro afirmar que é uma das maiores obras-primas já lançadas na história da música mundial e FIM DE PAPO!!!

Ao som de Beatles – I Am The Walrus

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comentários
  1. […] lançou um segundo disco, BE, que chegou a entrar na nossa lista dos melhores álbuns de 2013 (leia aqui), mas a falta de paciência do seu líder ao perceber que o seu grupo não tinha o mesmo alcance e […]

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