Guns N’ Roses – Vida e Morte

Publicado: 29 de março de 2014 em Especial
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Guns-N-RosesCoincidentemente na mesma época que o Guns N’ Roses vem ao Brasil pela sexta vez para uma série de shows, eu finalmente termino de ler a autobiografia do Slash, o mítico guitarrista da formação clássica da banda.slash
“Slash a biografia”, lançada em 2008 escrita em parceria com o jornalista Anthony Bozza (também co-autor das biografias de Tommy Lee e INXS), traz um relato forte, sincero e comovente de toda a trajetória de Slash, desde o seu nascimento em 1965 na Inglaterra, com o nome de batismo Saul Hudson, até a sua chegada aos Estados Unidos, a descoberta e o amor pelo rock n’ roll, o seu devocionismo pelo Aerosmith, o seu vício de heroína, os adultérios, enfim está tudo relatado ali, e é claro o momento em que ele integra umas das mais importantes e influentes bandas de rock de todos os tempos: o Guns N’ Roses.
As histórias de Slash e do Guns N’ Roses se funde e difunde e muitos relatos são revelados explicitamente pelo guitarrista a cada linha do livro, principalmente a sua conturbada relação com o líder Axl Rose, o que cominou em sua saída da banda em 1996.
Portanto, aproveitando a passagem da banda (ou o que sobrou dela) pelo Brasil, pegarei oito trechos que eu achei importantes no livro e falarei abaixo fazendo um apanhado geral na trajetória de vida e “morte” da banda:

 

Live Like A Suicide
O primeiro registro lançado do Guns N’ Roses foi o EP “ao Vivo” Live Like A Suicide, lançado originalmente em 1986, serviu como um cartão de visitas e amostra do que a banda vinha fazendo.
Limitado a 10.000 cópias o disco foi um sucesso e rapidamente esgotou, tornando um item de colecionador.
O Track-list do EP conta com duas canções próprias: Reckless Life e Move To The City, sendo essa última tocada em muitas apresentações da gigantesca turnê do Use Your Ilusion nos anos 90, além de dois covers, Nice Boys, da banda australiana Rose Tattoo, e Mama Kin do Aerosmith, a principal influência do conjunto.
Porém o curioso é que apesar do titulo Live, o álbum foi gravado todo em estúdio (as aspas inseridas no inicio do texto já denunciava a farsa), Slash narra em sua biografia que na época um álbum ao vivo geraria um custo muito alto tanto para banda, quanto para gravadora, portanto ele foi gravado no Pasha Studios em Hollywood, e os aplausos e gritos da plateia foram adicionados durante a produção. Alias é de Slash os gritos que inicia o disco “hey fuckers, suck on Guns N’ Fuckin’ Roses”.
O registro de Live Like A Suicide foi inserido no segundo álbum de estúdio da banda o G N’ R Lies, lançado em 1988.

Sweet Child o’ Mine
Uma das canções mais populares e emblemáticas do Guns N’ Roses surgiu de forma inocente.
Na época a banda dividia o mesmo apartamento, um verdadeiro muquifo descrito por Slash no decorrer do livro, e em uma das reuniões da banda para compor canções que entraria no futuro álbum, Slash começou a fazer um exercício na guitarra para aquecer os dedos, e tal sonoridade emitida por ele chamou a atenção de Izzy Stradlin que pediu para o guitarrista repetir isso constantemente, ele começou a fazer uma base em cima, e Duff McKagan rapidamente pegou o baixo e começou a trabalhar um linha em cima da jam que ali se fazia. E mesmo não estando presente na sala, trancafiado no quarto, Axl ao ouvir aquela canção começou a escrever a letra, uma bela letra dedicada a sua namorada na época.
Nascia assim um dos maiores clássicos da banda e a canção que catapultou o Guns N’ Roses para o estrelato.

Turnê conjunta com o Aerosmith
Com o lançamento de Appetite For Destruction (1987), e gozando um certo prestigio, a banda foi convidada para fazer a abertura do Aereosmith em uma turnê que rodaria boa parte dos Estados Unidos, para banda e exclusivamente para Slash, tratava-se de um grande sonho, já que a trupe de Steven Tyler fora uma grande referência para o conjunto.
Slash conta um episódio no livro que ele chegou a dispensar uma garota para ouvir repetidamente o clássico Rocks, do Aerosmith, e para compensar tamanho vacilo ele se trancou no quarto com sua guitarra afim de tirar a clássica Back in the Saddle inteira.
Porém Axl Rose que no decorrer de sua história sempre se mostrou problemático, nessa turnê começou com os seus resquícios de estrelismo, não participando da passagem de som e aparecendo em cima da hora para fazer a apresentação, gerando desconforto até mesmo em Steven Tyler que já cumprimentava Slash perguntando: “Onde está o seu vocalista, cara?”, Slash revela que foram tantas vezes que Steven fez essa pergunta que acabou se tornando um bordão e até hoje quando eles se encontram Tyler faz questão de cumprimentar-lo com essa pergunta. Outro marco nos bastidores da turnê foi o clima entre os agora sóbrios membros do Aerormith com os junkies assumidos do Guns N’ Roses, os membros do Guns estavam proibidos de portar, consumir qualquer substancia ilícita na presença dos Aero-Caretas, o que foi bem difícil.
Para Slash, o show mais emblemático dessa turnê conjunta foi no estádio do Giants, segundo o guitarrista foi o show mais lotado de toda turnê e a receptividade do público com o Guns foi intensa. A titulo de curiosidade, o clipe de Paradise City, foi tirado justamente dessa apresentação.

You’ re Crazy
Ta aí uma informação que eu desconhecia, que a canção You’re Crazy tem duas versões, uma elétrica, quase Punk, presente no álbum de estréia do conjunto o Appetite For Destruction e uma acústica no G N’ R Lies isso é do conhecimento de todos, o que nos causa a impressão de que a versão elétrica trata-se da original e a acústica uma versão cadenciada da outra, mas não! Quando fora composta, You’re Crazy era uma canção acústica, assim como registrada em Lies, porém nos ensaios eles resolveram acelerar a canção e gostaram tanto do resultado que essa versão acabou entrando no Track-List de Appetite, e a que seria a versão original entraria mais tarde em G N’ R Lies. Eu particularmente gosto das duas versões, mas aquela registrada em Live Era onde o andamento é da versão acústica, mas tocada com guitarras, também é fabulosa.
Enfim, fique com as três abaixo e dê o seu veredito:


Rock In Rio 2
O show do Guns N’ Roses na segunda edição do festival Rock In Rio em 1991, não ficou marcado apenas como a primeira apresentação do conjunto em terras tupiniquins, mas também marcou a estréia da nova formação da banda com o baterista Matt Sorum (Ex- The Cult) e adição do tecladista Dizzy Reed.
Para Slash, se apresentar no Maracanã foi uma experiência fantástica e que o público brasileiro é selvagem – no bom sentido – acolhendo a banda de uma maneira surreal e apaixonante.

Show na França com Aerosmith e Lenny Kravitz
Com os lançamentos simultâneos de Use Your Illusion 1 e 2 em 1991, o Guns N’ Roses embarcou para a turnê mais longa, lucrativa e também problemática da história do Rock. Se no palco a banda fazia um concerto irretocável digno de aplausos e reverências, nos bastidores as coisas não andavam nada bem. Axl Rose no ápice do seu estrelismo, fazia o público esperar por cerca de duas horas pelo inicio do show.
As apresentações do Guns N’ Roses ficaram marcadas pelas tragédias que acercavam, como os casos de St Louis, onde Axl abandonou o palco após descer até platéia e agredir um fã que filmava a apresentação, e Montreal no Canadá que a banda excursionava junto com o Metallica, e após o show do Metallica ser interrompido por conta do acidente do vocalista James Hetfield com os efeitos pirotécnicos, o Guns, por culpa de Axl, começou o seu show duas horas depois do esperado e encurtou o set-list com Axl alegando dores de garganta.
Em ambos os shows houve depredação do local, carros virados e incendiados no estacionamento e muitos feridos. Cansado de tudo, Izzy Stradlin que também não se encaixava mais nos parâmetros Junkies da banda pulou fora do barco, e para o seu lugar entrou Gilby Clarke.
Porém, houve ótimos momentos da banda durante a turnê, como a apresentação no Dome em Tóquio que foi lançada em home vídeo na época, e o concerto realizado em Paris em 1992, para um canal de TV Per Pay View, Axl arquitetou tudo, e chamou uma série de convidados especiais como Lenny Kravitz, o guitarrista Jeff Beck e os ex (mas eternos) Toxic Twins: Steven Tyler e Joe Perry do Aerosmith.
No livro, Slash diz que com esse show Axl parecia esta mimando ele, afinal de contas Aerosmith era a sua banda favorita, Jeff Beck uma grande lenda da guitarra e Lenny Kravitz o seu grande amigo pessoal, no qual ele já teve a oportunidade de trabalhar junto, participar do seu cd e até mesmo compor um riff para ele, pra quem não sabe o Riff de Always On The Run de Lenny é composição do Slash e o mesmo participa na gravação. Somente Jeff Beck ficou de fora do show, ele chegou a ir para França, participou dos ensaios e estava certa sua participação na canção Locomotive, porém durante o ensaio o baterista Matt Sorum bateu tão forte a sua bateria a ponto de ensurdecer Jeff e o mesmo se mandou dali. Lenny Kravitz cantou Always On The Run e Steven e Joe participaram em Mama Kin.
Memorável.

The Spaghetti PUNK Incident?
Prometo que um dia eu dedicarei um post integralmente à este álbum, que gera desconforto em muitos que aguardavam algo tão pomposo quanto o seu antecessor, mas na minha opinião é um dos melhores registros já lançados pela banda.
O ambiente na banda já beirava declínio, brigas internas, Axl Rose querendo de todas as maneiras o nome da banda pra si, fazendo do restante dos músicos os seus empregados, Slash já descontente com a situação começa a gravar canções que posteriormente viraria o seu projeto solo Slash’s Snakepit, enfim o circo estava armado.
E no meio desse fogo cruzado que The Spaghetti Incident? é concebido, fruto de uma série de gravações, sendo o primeiro e único registro de estúdio de Gilby Clarke com a banda, Spaghetti é um tributo do Guns N’ Roses as bandas de Punk Rock do inicio dos anos 70 até meados dos anos 80, é claro que tem muita coisa que foge da sonoridade Punk, o caso da cover de Hair of the Dog do Nazareth e até mesmo a baladinha Since I Don’t Have You do The Skyliners que acabou virando single do disco, mas clássicos como New Rose do The Damned, Raw Power do Iggy and the Stooges e Black Leather canção escondida do Sex Pistols estavam presentes no álbum, que tinha como diferencial a participação do baixista Duff McKagan nos vocais em algumas canções como na já citada New Rose e na clássica Attitude do Misfits.
Infelizmente não houve turnê para divulgar o disco, mas muitas dessas canções já pincelavam o repertório da banda antes do lançamento de The Spaghetti Incident? como a já citada Attitude e a estupenda versão de Down on the Farm do U.K Subs que na minha humilde opinião é a melhor canção do disco.

Sympathy For The Devil, a derradeira
Segundo Slash, essa canção, gravada em 1994, foi simplesmente o “inicio do fim de tudo”, após Axl Rose demitir o guitarrista Gilby Clarke e colocar em seu lugar o seu amigo Paul Huge a banda foi convidada para fazer uma versão da canção Sympathy For The Devil, clássico dos Rolling Stones para trilha sonora do filme Entrevista com Vampiro, a principio Slash conforme menciona no livro não gostou da prévia do filme e foi contra a gravação da música, porém Axl adorou e confirmou a participação da banda na trilha. Para Slash, a musica ficou horrível, um verdadeiro insulto a obra do Stones, ele gravou um solo diferente do feito na música, porém Axl ouviu, não gostou e pediu para o mesmo voltar no estúdio e refazer o solo conforme o original, Slash assim fez, porém na gravação oficial a guitarra que se ouve não é de Slash, Paul Huge gravou o solo em cima do gravado por Slash, causando fúria e mais descontentamento no guitarrista. E foi nas gravações de Sympathy For The Devil que Axl e Slash se falaram pela última vez, quer dizer, a última vez que Slash falou com Axl, porque o mesmo permaneceu o tempo todo sentado respondendo o que lhe era perguntado com uma revista em sua cara fingindo uma leitura. Slash se mandou, e logo em seguida se mandou da própria banda. Estava ali decretada a morte de uma das maiores bandas que o rock já teve.

E Hoje?
A biografia de Slash finaliza no ano de 2007, quando ele ainda fazia parte do Velvet Revolver, supergrupo formado em 2002 que além dele contava com os ex Guns: Duff e Matt, com o guitarrista Dave Kushner e o icônico vocalista do Stone Temple Pilots e eterno junkie, Scott Weiland. A banda havia acabado de lançar o segundo álbum o fraquíssimo (na minha opinião) Libertad, portanto aparentemente a história encerra ali, mas sabemos que ela avançou e muito. Em 2008, após longos 14 anos de espera finalmente sai o Chinese Democracy o tão aguardado álbum de Axl Rose e uma infinidade de músicos contratados sob o título de Guns N’ Roses, apesar da boa vendagem, principalmente no Brasil que chegou alcançar o topo dos mais vendidos, o álbum é decepcionante, lembrando em nada aquela que um dia já foi intitulada a “banda mais perigosa do planeta”.
Porém “Axl e seus amigos” (me recuso a chamar aquilo de Guns N’ Roses, por mais virtuosos que sejam os músicos) continuam se apresentando e fazendo imensas turnês, o Brasil desde o show do Rock In Rio 3 em 2001 já foi contemplado com mais três passagens da banda, uma em 2010, em 2011 na quarta edição do Rock In Rio e agora com a turnê que passou por diversas cidades brasileiras, inclusive ontem em São Paulo e segue para Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Recife e Fortaleza.

gnr novo

O novo Guns N’ Roses

 

Os demais integrantes do (verdadeiro) Guns, seguem em carreira solo

Slash
Esse goza uma carreira solo bem sucedida. Após lançar o seu primeiro álbum solo em 2010 que contava com as participações de grandes feras da música em geral como: Ozzy Osbourne, Lemmy Kilmister, Dave Grohl, Iggy Pop, Chris Cornell, Myles Kennedy e Fergie, em 2012 lançou o segundo álbum Apocalyptic Love ao lado da banda The Conspirators e com excelente Myles Kennedy efetivado nos vocais, no mesmo ano o guitarrista passou no Brasil para uma série de shows.

Duff McKagan
O homem de incansável projetos entre eles o excelente Walking Papers que conta com o baterista Barrett Martin do Screaming Trees, mas é na carreira solo ao lado da banda Loaded que Duff realmente se encontra como músico e nos presenteando com música de qualidade com os excelentes discos Sick (2009) e The Taking (2011).
Em 2011 Duff McKagan’s Loaded se apresentou no festival SWU em Paulínia (SP), eu estava presente e presenciei um show memorável, quem me acompanhou disse que eu literalmente “soltei a franga”

Matt Sorum
Esse também se enveredou na carreira solo e acaba de lançar um disco interessantíssimo, fica prometido aqui um post sobre ele em breve

Rock and Roll Hall Of Fame
Guns n' Roses Rock and Roll Hall Of FameEm 2012 o Guns N’ Roses foi introduzido no Rock And Roll Hall Of Fame, muito cogitavam a reunião da formação clássica da banda para uma apresentação na cerimonia, mas o sonho foi dizimado com a não aceitação de Axl em participar da celebração.
Para o seu lugar foi convidado um dos melhores vocalistas da atual geração, Myles Kennedy, e o mesmo não fez feio.

Fica aqui a minha singela homenagem a uma das bandas mais importantes já existentes, pode não ser ela a melhor de todas, mas convenhamos que foi a mais oportunista, pois apareceu no momento, na hora exata, resgatando e revivendo toda aquela energia e atitude do rock de outrora que naquela época estava no ostracismo, e catapultou um sucesso meteórico em pouco tempo, mas tempo suficiente para ser eternizada.

E pra encerrar esse longo texto, aqui vai a minha canção favorita da banda

Em tempo:

2010: Axl Rose, Dj Ashba e Sebastian Bach (no fundo) em "buteco" no Brasil tomando uma Itaipava

2010: Axl Rose, Dj Ashba e Sebastian Bach (no fundo) em “buteco” no Brasil tomando uma Itaipava

Ao som de OFF! – It Didn’t Matter To Me

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