Fernanda Takai – Na Medida do Impossível

Publicado: 7 de maio de 2014 em Lançamentos e Novidades, Resenhas
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Fernanda Takai, a eterna líder do Pato Fu, já havia surpreendido a todos quando lançou-se em carreira solo em 2007 com o álbum Onde Brilham os Olhos Seus com releituras do repertório da saudosa Nara Leão, no ano de 2012 em parceria com o ex The Police Andy Summers Fernanda lança o álbum de Bossa Nova Fundamental com composições inéditas de Summers em inglês e português, e dois anos depois Fernanda reaparece em mais um voo solo apresentando o seu mais novo trabalho, intitulado de Na Medida Do Impossível, o disco chegou as prateleiras no mês passado e conta com a produção do maridão e também integrante do Pato Fu John Ulhoa, no repertório de 13 faixas Fernanda intercala canções de sua autoria com alguns clássicos do nosso  cancioneiro popular, tudo isso com pitadas de fofura, meiguice e quaisquer outros adjetivos que definem o caráter musical da cantora.
E falando em doçura a abertura do disco já fica a cargo de Doce Companhia, uma versão dela para a canção Dulce Compañia da cantora mezzo californiana mezzo mexicana Julieta Venegas, uma deliciosa melodia Pop que gruda instantaneamente na cabeça, início perfeito.
Como Dizia o Mestre, clássico do mestre Benito Di Paula vem na sequencia em uma swingada versão Samba/Soul/Pop com direito a um belo solo de guitarra de John Ulhoa, alias sempre achei John desde os tempos do Pato Fu um guitarrista muito competente porém subestimado, o mesmo executa ótimos fraseados de guitarras, encaixa bons solos em melodias perfeitas e cria riffs absurdamente geniais, fica ai a dica para apreciarem com mais atenção o trabalho do músico.
Em Na Medida do Impossível Fernanda Takai estreita relações com outros grandes compositores e nos presenteia com fabulosas canções, como é o caso de Seu Tipo, composição sua com a cantora Pitty, e Quase Desatento, parceria sua com Marina Lima, além do resgate histórico de De um Jeito ou de Outro, uma parceria de Fernanda com Marcelo Bonfá que foi gravada no primeiro disco solo do ex- baterista da Legião Urbana, o bacaníssimo O Barco Além do Sol (2000)
Outros destaques do disco ficam por conta das inéditas Liz, com uma adocicada levada Jovem Guarda, e da pop sombria mas igualmente genial: Partida.
A versão de Heal The Pain de George Michael que virou Pra Curar Essa Dor conta com a participação mais que especial do conterrâneo mineiro Samuel Rosa do Skank, um encontro memorável de dois dos maiores expoentes da cena pop rock brasileira dos anos 90 eternizado para posteridade em uma canção doce e bacana, poderia ser a melhor canção do disco se a Fernanda Takai não resolvesse compor e cantar em inglês e nos brindar com música You And Me And The Bright Blue Sky, forte, poderosa, bucólica, aliada a voz pequena, inofensiva e doce de Takai, é de colocar todas essas cantoras do mercado gringo como a Kate Perry no bolso, a melhor do disco.
A Participação do querido Pe. Fábio de Melo na tradicional Amar Como Jesus Amou do grandioso Pe. Zezinho poderia ser um dos melhores momentos do disco, poderia se não fosse pela desnecessária roupagem eletrônica que a canção ganhou “graças” a produção da canção que ficou a cargo do produtor japonês Toshiyuki Yasuda, apesar da sonoridade “jogo de Atari” ficou interessante à união vocal de Fabio de Melo e Fernanda Takai e torcemos que essa parceria se repita em uma canção mais orgânica e menos eletrônica.
De uns tempos pra cá a música que na década de 70 era intitulada brega e cafona, hoje ganha status cult, e exatamente nessa onda que Fernanda Takai desenterra duas perolas do cancioneiro brega, A Pobreza, sucesso do ex-líder do Renato e Seus Blue Caps, Renato Barros, e Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme do recém finado Reginaldo Rossi, essa última conta com a participação da grandiosa Zélia Duncan e tem uma roupagem interessante, já a primeira é totalmente dispensável.
E assim com pouquíssimos erros e muitos acertos que temos em sua terceira empreitada solo, uma Fernanda Takai segura de si e apostando em sonoridades e nuances que não caberia dentro da esquizofrenia do seu grupo oficial, e enquanto os Patos não voltam para nos salvar desse marasmo que vive o Rock brasileiro, vamos na medida do (im)possível nos deliciar com as doçuras propostas por Fernanda Takai nesse grande trabalho.

Ao som de Nara Leão – Berimbau

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