Fila Benário Entrevista “Rodrigo Koala – Hateen”

Publicado: 17 de maio de 2014 em Entrevistas

Koala

Apesar de ter duas décadas de serviços prestados ao Rock Nacional, Rodrigo Koala ainda é um nome que pode soar desconhecido para muitos, mas com certeza você já cantarolou músicas como Um Minuto para o Fim do Mundo e Não Sei Viver Sem Ter Você ambos hit-maker da banda CPM 22, Koala é o principal autor desses hits e de uma infinidade de outros dos mais variados artistas como Nx Zero, Ira! e Tihuana, porém o melhor ele deixa para sua banda, o Hateen, que em 2014 comemora 20 anos de carreira.
Rodrigo Koala é entrevistado de hoje do nosso blog e entre muitas perguntas feitas ele revela novidades sobre a comemoração dos 20 anos de carreira do Hateen, a triste passagem da banda pelo mercado Mainstream e volta de cabeça erguida para a cena independente, além da sua nova empreitada como apresentador de TV do programa semanal Rockoala pelo canal fechado Play TV.


Conhecemos o Rodrigo Koala como vocalista do Hateen e também como um dos maiores letristas brasileiros dos últimos tempos, mas agora somos surpreendidos com um Koala apresentador de TV, conte-nos um pouco sobre essa nova empreitada, o programa Rockoala do canal Play TV.971299_732247830139138_2057442994_n
Alguns amigos meus, o Francis e o Marcelo, trabalham em uma produtora de conteúdo para televisão e me fizeram o convite para apresentar um Programa que falasse de Rock, e como é o assunto que eu mais gosto,claro que aceitei na hora.

De todos os programas que foram gravados teve algum mais especial?
Pra mim os mais especiais foram os que gravamos em Chicago no Riot Fest um puta Festival de música onde tocaram mais de 50
bandas em 3 dias e a gente foi lá conferir. Foi uma overdose de Rock e cansaço também. Fiquei até doente quando voltei pro Brasil.


E como está a aceitação do programa? O retorno tem sido positivo? Recebeu algumas sugestões de pauta para os próximos programas?
Pelo que tenho acompanhado a galera tá curtindo bastante. Gravamos a primeira temporada inteira, já que no total são quase 30 programas. Já estamos pensando numa segunda temporada e anotando sugestões de pautas com certeza.

Agora falando de música, o Hateen comemora nesse ano 20 anos de carreira, quais são os planos da banda para essa data comemorativa?
Estamos tentando arrecadar recursos para gravar um DVD de comemoração de 20 anos, mas ainda não tivemos uma resposta concreta de que a verba vai rolar, então seguimos no aguardo, mas já planejando a gravação mesmo assim. Vamos ver se isso tudo se concretiza e se conseguimos realizar mais esse sonho.

Hateen

Hateen – Da esq para dir. Fábio Sonrisal (Guitarra), Rodrigo Koala (Vocal e Guitarra), Ricardo Japinha (Bateria), Leon Luthier (Baixo)


Como está a preparação do sucessor de Obrigado Tempestade, o último disco da banda? já tem músicas prontas?
Temos músicas prontas sim, eu na verdade não fiz muitas músicas ainda, mas tenho algumas guardadas que quero usar, e já estamos ouvindo e escolhendo algumas músicas. É claro que teremos que fazer ainda algumas músicas, rearranjar outras, mas estamos no caminho.

Seria possível explicar o porque do Hateen demorar tanto para lançar discos? Levando em conta que do primeiro álbum (Hydrophobia ) para o segundo (Dear Life) ouve um hiato de seis anos, e o mesmo aconteceu entre o Procedimentos de Emergência e o Obrigado Tempestade que levou cerca de cinco anos pra ser lançado.
Somos uma banda que faz música por que gosta mas também temos vida própria, então como não vivemos exclusivamente da banda, não podemos focar 100% nisso, e também já passamos da fase de pensar assim. Temos um ritmo próprio para fazer as coisas, compor,etc…

Em relação à transição das letras da banda para o Português, o Hateen se tornará definitivamente uma banda que canta em português, ou podemos esperar algo em inglês nos próximos trabalhos?
Se gravarmos algo em inglês será surpresa, algo como um presente, pois hoje adotamos a postura de cantar em português em definitivo.

Em 2004 na época do lançamento do Loved, o terceiro álbum do Hateen, a banda gravou um DVD no Hangar 110 com as participações especiais de Rodrigo Lima (Dead Fish), Badauí (CPM 22) e Léo (Street Bulldogs) além dos ex-integrantes da banda (Boris Fratogianni – Guitarra e Cesinha Santisteban – Baixo) porém o DVD nunca foi lançado, essas gravações ainda existem? E há planos desse show ser disponibilizado para os fãs da banda?
O DVD na real está pronto, e o que nos impede de lançar é o fator apenas de grana mesmo. Sentimos que o DVD ficou um pouco desatualizado hoje, no nosso contexto, mas já conversamos à respeito de lançar mesmo assim, ou incluir de bônus no nosso DVD de 20 anos, quem sabe até disponibilizar de graça na internet…ainda não sabemos…

O ano de 2006 ficou marcado pela entrada do Hateen no mercado Mainstream, quais foram as glórias e as lamas desse período?
Foi muito legal fazer shows grandes em grandes casas e para públicos até então inimagináveis, mas também houveram os percalços de toda essa história de mainstream e tudo mais, afinal nem tudo foram flores. Houveram quedas de braço com a gravadora, onde tentamos explicar o motivo de nossa insatisfação, e isso é muito estressante e cansativo, acabou minando nossa energia e por isso o Obrigado Tempestade demorou ainda mais para ficar pronto.
Acho que nunca seremos uma banda mainstream por que não nos comportamos como tal e não temos o perfil que o mainstream quer saca? de ser bonitinho, arrumadinho, fazer um som mais polido…a gente gosta de tocar e fazer nossa música e hoje não faz diferença pra mim se é mainstream ou independente, o que importa é que continue sendo um prazer tocar do lado desses caras e me divertir fazendo isso.

Em 2011 no seu Twitter você fez a seguinte publicação: 
“meus ídolos máximos na música são Kurt Cobain, Dave Grohl, Greg Dulli, Jeremy Enick, Bob Mould, Billy Corgan, Johnny Cash entre outros”
Gostaria que você falasse um pouquinho da importância de cada um deles em sua formação musical e até mesmo como fonte de inspiração no seu processo de composição.
Gosto desses caras por que eles me inspiram confiança. Gosto de ouvir um cara cantando e sentir que aquilo é real, que é de verdade. Acho que a coisa mais importante de um músico é a sua verdade e o modo como ele consegue transmitir isso em sua música. Sou apaixonado pela música que vem do coração, seja punk, rock, hardcore, seja o que for…a gente consegue sentir quando algo é real de verdade.

Na mesma publicação você completou com o seguinte desabafo:
“por mim eu voltava pros anos 90 e ficava lá pra sempre a mulecada de hoje que se f*** com suas modas que odeio!”
Comente sobre essa postagem.
Acho ela bem auto explicativa mesmo. Precisa dizer mais? Eu estava desabafando sobre o saudosismo de viver uma época diferente…

Em 20 anos de carreira o Hateen teve ao todo 10 formações – isso contando as idas e vindas do baixista Fernando Sanches – como é possível administrar tamanhas mudanças sem afetar no processo criativo da banda?
Foram tantas assim? Nem eu sabia quantas haviam sido na real hahaha Cara na boa, o Hateen sempre vai ser 50% ao menos eu. Sem querer criar polêmica, a real é que eu nunca mudei, o resto todo já mudou, e isso faz com que muita da responsabilidade de tudo fique em meus ombros na maior parte do tempo.
Hoje eu vejo o Hateen numa formação muito bacana e espero que seja a última, por que esses caras são muito amigos, são grandes músicos e a gente se gosta e se respeita, acho que chegamos numa formação madura e ideal, mas pra isso tivemos que passar por outras onde existiram conflitos de ideais e tudo mais.

Em relação aos ex-integrantes do Hateen há ainda um bom relacionamento? Em virtude das comemorações dos 20 anos de banda, seria possível ver todos reunidos em um possível show comemorativo?
Sim, acho que estamos em paz com todos, por que não adianta ficar de cara fechada, brigar, afinal já dividimos tantas coisas juntos né? Não descarto a participação de algumas pessoas de outras formações da banda num show, como já fizemos várias vezes inclusive.

Falando em show comemorativo, em 2012 o Hateen se apresentou no Hangar 110 (SP) tocando na integra um dos seus maiores álbuns, o Dear Life,como foi revistar esse álbum que para muitos é a uma espécie “bíblia” do Rock alternativo no Brasil?
Foi muito legal e tivemos que reaprender á tocar muitas músicas. Eu já havia esquecido o quanto algumas delas eram boas e a gente nunca tocava. Foi um prazer rever essas músicas e me admirei o quanto elas ainda soam atuais.

Se hoje você pudesse escolher outro álbum da discografia da banda para fazer um show especial, qual seria?
O Loved com certeza, e esse ano ele faz 10 anos, e já estamos pensando num show só com músicas dele para muito em breve.

Além do Hateen, você teve o privilégio de integrar uma das mais celebres e cultuadas bandas de Hardcore

Street Bulldogs

Street Bulldogs

nacional, o Street Bulldogs, defina em poucas palavras o sentimento de ter feito parte dessa história.
O maior prazer do mundo que foi me dado pela oportunidade de fazer parte dessa banda maravilhosa que eu vou amar para sempre como fã que sempre fui! Nunca vou poder agradecer o suficiente ao Léo, Guilherme e toda galera por ter me convidado para fazer parte disso tudo. Um dos maiores orgulhos da minha vida sempre vai ser o Street Bulldogs!

Há possibilidade de presenciarmos outra reunião do Street Bulldogs um dia?
Eu não diria que é impossível, mas se houver será bem inesperado e eu vou adorar!

Hoje o Hateen conta com o retorno do Japinha (também do CPM 22) na bateria substituindo o Xim que ficou no grupo até 2011, porém com a dupla função do músico, a banda tem contado com suporte do excelente baterista Thiago Carvalho em alguns shows, já pensou em efetivá-lo no cargo? 
Cara o Thiago é um Hateen com certeza. Ele é um puta batera e eu quero ele na banda. Eu quero colocar 2 bateras e colocar ele e o Japinha tocando ao mesmo tempo haha mas isso é bem difícil de administrar.
Considero o Thiago da banda tanto quanto me considero também, e já falei isso para ele. Pra mim ele não é quebra galho ou substituto não, pra mim ele é um dos 2 bateras da banda.

Os shows do Hateen são conhecidos por muita irreverência e humor por parte dos integrantes, de onde surgiu a ideia de unir música com humor?
Acho que com a idade heheh a gente nunca fazia piadas antes agora estamos virando comediantes depois de velhos hahah
Na real as piadas ajudam à quebrar o gelo na hora de afinar os instrumentos ou quando algo dá errado e desliga no palco, mas sempre acontecem muitas piadas internas também por que a gente vive se sacaneando no palco.

Quais bandas você tem escutado atualmente?
Tenho ouvido muito Chuck Ragan, Afghan Whigs, Metz, Pogues, Down By Law, Social Distortion, Ramones,etc…ouço de tudo o tempo todo

Você é considerado hoje um dos maiores compositores dessa geração, e autor de diversos hits de bandas como CPM 22, NX Zero e até mesmo o Ira! Você conseguiria listar quantas músicas você já fez para outros artistas e dentre todas elas quais você se sente mais orgulhoso?
Gosto de todas elas e me orgulho muito de 1 Minuto Para o Fim do Mundo (CPM 22) e Eu Vou Tentar (Ira!)

No ano passado você ao lado de outros ícones da cena Underground brasileira dos anos 90 participaram do Documentário “Do Underground ao Emo”, como foi participar desse material?
Muito legal poder contar um pouco das coisas do jeito que eu vi e vivi para aqueles que não conheceram muito bem a história e como tudo aconteceu.

Uma pergunta de fã agora, ao longo da carreira o Hateen gravou três covers em álbuns oficiais: Ode To My Family do The Cranberries e Destination Zero do Pinheads no Hydrophobia, e Don’t Want To Know If You Are Lonely do Hüsker Dü no álbum ao vivo More Live Than Dead, existe algum outro cover que você gostaria de gravar?
Existem muitos, Pixies, Afghan Whigs, Seaweed, mas gravar covers é algo que fica cada vez mais difícil por causa das questões burocráticas de direitos autorais e etc…

O guitarrista do Hateen, Fábio Sonrisal, está com um novo projeto musical a banda Anzol, que inclusive lançou

Anzol

Anzol

um excelente cd no ano passado (O Preço do Mesfito), primeiramente gostaria de saber o que você achou do produto final, e também se dentro do Hateen há espaços para projetos paralelos dos demais integrantes, ou se ainda há aquele resquício de desconfiança de tal projeto atrapalhar o andamento da banda?
Jamais. Eu acho que o Sonrisal é um cara muito talentoso e precisa expor seu talento mesmo. Sou amigo e admirador da banda e torço muito por eles o tempo todo. O cd de estréia realmente ficou ótimo e foi uma grata surpresa na cena.

Pra finalizar, defina os 20 anos de carreira do Hateen, há algum sonho ainda não realizado?
Um sonho que eu ainda estou vivendo ao lado dos meus amigos.E ainda quero realizar esse sonho por muito tempo,o que vier será bem vindo e agradecido de coração.

Eu tietando o Koala em 2005, no show do Street Bulldogs em Jundiaí

Eu tietando o Koala em 2005, no show do Street Bulldogs em Jundiaí – SP

 

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comentários
  1. […] ENTREVISTAS COM GRANDES NOMES DA MÚSICA BRASILEIRA E foi em 2014 que o Fila Benário Music realizou o maior numero de entrevistas com grandes nomes da música da nossa música. Algo até então impensável há exatos cinco anos. A primeira do ano foi com um grande nome da música independente e um dos maiores compositores do Brasil, o genial Rodrigo Koala, o líder do Hateen, que há exatos vinte anos comanda a cena underground com o seu Rock Emotivo. Fiz o contato com o Koala através do Facebook, o mesmo foi super solicito e topou responder por e-mail todas as perguntas enviadas a ele. Veja a Entrevista completa aqui. […]

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