Rosa de Saron – Cartas ao Remetente

Publicado: 23 de maio de 2014 em Lançamentos e Novidades, Resenhas, Rock Católico
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Rosa de Saron
E muito antes do lançamento oficial (programado para o inicio do mês que vem) nós do Fila Benério Music graças aos amigos Wellington Rodrigues e Isah Dorneles  tivemos o privilégio e a oportunidade de ouvir na integra o mais novo álbum da super banda de Rock Católico Rosa de Saron.
Cartas ao Remetente o oitavo álbum de estúdio da banda que nesse ano completa 25 anos de carreira vem sem diferencial nenhum em relação ao trabalho anterior O Agora e o Eterno (2012), segue a mesma formula, o mesmo roteiro: Canções pop, algumas flertadas com a música eletrônica somadas as guitarras de inicio dedilhado e riffs pesados no refrão, além de faixas acústicas um dos grandes trunfos da banda ao lado é claro da poderosa voz do mítico Guilherme de Sá que exorcizou de vez os graves cavernosos á Marcus Mena (LS Jack) do álbum Horizonte Distante (2009) e vem provando a cada trabalho ser um dos melhores vocalistas em atividade no Brasil, além de exímio compositor também já que das 14 faixas do álbum 12 são de sua autoria.
Apesar da mesmice alarmante em relação não somente ao álbum anterior mas aos demais álbuns da discografia pop mainstream da banda, Cartas ao Remetente vem recheado de boas músicas que com certeza pincelarão no repertório da banda de agora em diante, como é o caso da abertura com Reis e Princesas, uma canção absurdamente pop com batidas eletrônica, mas igualmente empolgante. Solte-me vem na sequencia com a certeza que será o single do disco, levada pop com refrão pegajoso, tudo dentro do padrão Rosa de Saron de qualidade, com destaque para a surpreendente linha de baixo do competente Rogério Feltrin e também para letra impactante que fala sobre liberdade.
As letras alias seguem a normativa adotada pela banda desde a entrada do Guilherme de Sá no grupo há mais de 10 anos, retratam Deus, o evangelho e os demais dogmas da fé de forma poética e figurada e inseridos nos problemas cotidianos, sociopolíticos e psicológicos, como é o caso da faixa-título que acompanhada de belos violões e com a frase inicial “há quem amou demais” já toca o ouvinte logo na primeira audição. A título de curiosidade na introdução da música o violão faz uma frasesinha semelhante ao refrão da canção Do Alto da Pedra, um dos maiores sucessos do Rosa de Saron, sendo possível até cantar junto, ouça e confira.
Mantendo o pique acústico Quando Tiver Sessenta tem uma das letras mais belas da banda, onde trás uma reflexão sobre a velhice, com os desejos de que a visão continue funcionando perfeitamente, que tenha o prazer de buscar os netos na escola e pescar com os amigos com a mesma juventude e vivacidade de anos atrás, belíssima.
Outro destaque de Cartas ao Remetente fica por conta de Algoritmo que é muito parecida com Acenda a Luz do cd anterior, mas apesar da irmandade é uma canção de refrão forte graças aos poderosos riffs de guitarra de Eduardo Faro que tem acertado como nunca nos timbres das distorções, destaque também para os sutis violinos presentes no decorrer da canção.
Neumas d’ Arezzo é a canção mais pesada do disco dentro do padrão de qualidade da banda e com certeza será presença obrigatória nos shows da recente turnê, título faz uma alusão ao monge italiano Guido d’ Arezzo do século 10 que tinha o seu trabalho voltado à música, e a letra uma das mais diretas da banda serve como uma resposta a aqueles que criticam o trabalho de evangelização do Rosa de Saron. E Verdade/Mentira acaba sendo uma das melhores e surpreendentes do álbum, começa com uma levada Pop Rock e na estrofe se entrega a uma melodia “Techno-Punk” no melhor estilo Atari Teenage Riot (Importante banda alemã dos anos 90 que mistura Punk Rock com Música Eletrônica), além de possuir uma letra fortíssima que fala sobre mentira e cabendo uma reflexão para aqueles que mentem e juram pelo Santo nome de Deus.
O restante do álbum segue padronizado, canções suaves com apelo radiofônico e acústicas como o caso de Invernia acompanhada apenas por violões e violinos, e o encerramento belíssimo com Fleur de Ma Vie que em português significa Flor da Minha Vida e é uma homenagem do vocalista Guilherme de Sá a sua filha recém nascida.
Após uma audição completa de Cartas ao Remetente chegamos a conclusão de que se trata de um grande álbum que vem coroar a carreira de uma das bandas mais bem sucedidas dos últimos tempos. O Rosa de Saron consegue fazer música de qualidade agradando quem tem vinculo com a igreja e atraindo atenção de quem não tem religiosidade alguma, mas se identifica com as mensagens positivistas de suas canções.
Na época do lançamento do álbum Horizonte Distante publiquei uma resenha aqui no blog com ácidas criticas ao rumo musical que a banda estava tomando, afinal era eu um jovem fã do Rosa de Saron de sonoridade Heavy Metal do inicio da carreira e não aceitava de forma alguma a mudança drástica que a banda passava, porém hoje me permiti a ouvir a banda com mais atenção e reflito que se trata de duas bandas diferentes, de diferentes épocas, de diferentes formações e principalmente de diferentes propostas. E aberto a essa aceitação é possível ver beleza, qualidade e principalmente religiosidade dentro desse “novo” Rosa de Saron, e Cartas ao Remetente é uma prova fiel desse resultado.

Ao som de Rosa de Saron – Solte-me

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comentários
  1. Linaldo B disse:

    Falou bastante besteiras.

  2. Daniel disse:

    Muito boa a critica, eu que conheci a banda através do acústico preto, não voltei para os álbuns anteriores (fiz isso recentemente quando li o livro rock, fé e poesia), essa questão de “origens” ronda o rosa de saron desde que o guilherme chegou, eu não me importo com isso, ouvi os álbuns anteriores e minha opinião é que passado é passado, gosto de todos os álbuns da “nova fase”, quando eles vem para bh sempre vou aos shows, fui a gravação do dvd, enfim sou o fã padrão, e ao ouvir esse novo trabalho, notei uma diferença com relação ao ultimo de inéditas “O agora e o eterno” não vi muitas musicas que podem ser interpretadas como de “casalzinho” como sem você, meu abandono, metade de mim, acho que esse novo álbum é o divisor de águas do rosa, o álbum que vai separar fãs de verdade daquela galera que costuma ir aos shows somente para fazer uma declaração de amor ao namorado(a), admito que estranhei na primeira vez, sinto que o cd vai muito bem de 1 a 8, e depois da uma leve caída, mas estou ouvindo muito e aprendendo a gostar desse novo trabalho.

    Grande abraço!

    • fbenariomusic disse:

      Grande Daniel.
      Que belo comentário e analise sua, meus parabéns!!!
      Também tive essa sensação ao ouvir o álbum “Cartas ao Remetente” ele funciona bem até uma certa parte, depois as músicas seguem um padrão único musical, mas em termos de letras é um dos melhores sim.
      Você disse tudo, só tenho que concordar com cada palavra escrita.

      Um forte abraço e sejam bem vindo ao Blog!

  3. Julio Cesar disse:

    Ótima resenha de um ótimo blog, que aliás, conheci através da resenha do CD Horizonte Distante (que eu procurava ler antes de escutar). É interessante ver como algumas conseguem mudar de opinião à respeito de algumas coisas (isso foi um elogio). E você não falou nenhuma besteira (só na outra resenha).

    • fbenariomusic disse:

      Olá Julio Cesar
      Muito obrigado pelo carinho e pelo comentário.
      Pois bem… na época que o Horizonte Distante foi lançado eu ainda era obcecado pelo “antigo” Rosa de Saron, aquele de sonoridade Heavy Metal e das letras menos poéticas. Custei aceitar essa drástica mudança na sonoridade e conceito da banda, por isso que na primeira audição do álbum eu já o “achincalhei” daquela forma.
      Hoje o Horizonte Distante ainda não é o meu álbum favorito da banda, mas tenho um apreço maior do que na época do lançamento, e graças a ele eu passei a aceitar melhor esse “novo” Rosa de Saron.
      Obrigado pelo carinho mais uma vez e seja sempre bem vindo ao blog.

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