Fila Benário Entrevista “Margareth Menezes”

Publicado: 15 de junho de 2014 em Entrevistas, Shows
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Foto por Ariana Strublic

Foto por Ariana Strublic

No dia 8 de Junho (Domingo) aconteceu em Jundiaí (Interior – SP) a primeira edição do Trançando Arte Brasil, evento que reuniu trançadeiras de todo país, responsáveis pelo belíssimo penteado trançado. O evento ainda contou com apresentação de bandas de Samba-Rock além de desfile de moda afro e a presença de diversos estandes de camisetas, joias e outros artesanatos voltados para cultura afro. Marcas conhecidas e cultuadas pelo público negro como Africanidade e Nega Fulô estiveram presentes no evento.
E para fechar com chave de ouro o Trançando Arte Brasil contou com super show da Cantora Margareth Menezes, com mais de 26 anos de carreira Margareth é uma das artistas mais plurais da música baiana, flertando a mesma com as batidas africanas e a melodia da música popular brasileira.
Com mais de uma hora de atraso, Margareth Menezes e sua banda subiu no palco do pavilhão interno do Parque da Uva e fez um show totalmente voltado a obra de Gilberto Gil e Caetano Veloso, projeto que ela tem trabalhado recentemente e lançará o DVD no final do ano.
Desde a abertura com Refazenda, clássico de Gilberto Gil, Margareth ganhou o público Jundiaiense que ainda dançou e cantou muito ao som de clássicos como Tempo Rei, Vamos Fugir, Esotérico, Buda Nagô e Expresso 2222 compostos por Gilberto Gil, e as canções marcantes e atemporais de Caetano Veloso como O Quereres, Eclipse Oculto, Como Dois e Dois e Reconvexo. Além é claro da primeira parceria histórica de Gil e Caetano Panis Et Circenses que foi eternizada pelos Os Mutantes.
O show ainda contou com a participação do violonista Alexandre Leal nos vocais cantando as canções Força Estranha e Na Baixa do Sapateiro, e o encerramento ficou por conta da canção É Hoje de Caetano Veloso.
Após o show Margareth Menezes recebeu nos recebeu em seu camarim e bateu um papo conosco dando uma verdadeira aula sobre a música baiana.
O resultado você confere abaixo:

Margareth Menezes, essa foi a sua primeira apresentação em Jundiaí, o que você achou da sua apresentação nesse 1º Trançando Arte Brasil?
Foi bom, foi bacana, participar de um evento, uma proposta bacana de divulgar a coisa da trança, tem muita gente que trabalha com isso no Brasil inteiro, na Bahia especialmente temos muitas pessoas que trançam, que trabalham e que fazem sucesso com isso, então isso é muito bom, esse projeto, e essa é a primeira vez que eu canto em Jundiaí né? Então eu gostei, gostei muito, vim com esse projeto só com músicas de Caetano e Gil, um projeto que nós fizemos no ano retrasado e que estamos caminhando com ele que já virou DVD e vamos lançar no final do ano e espero voltar aqui de novo, outras vezes, para cantar aqui para o povão de Jundiaí, eu adorei.

Margareth, conte para nós um pouco sobre esse projeto com as músicas de Gil e Caetano, de onde surgiu a ideia?
A Ideia foi minha, surgiu em 2012 e já caminhou sozinho e na semana passada nós gravamos o DVD com a participação de Gilberto Gil, de Rosa Passos, Saulo Fernandes, Preta Gil, além de Moreno Veloso que fizeram participações também, foi muito lindo gravamos no Vivo Rio a casa estava cheia, lá no Rio de Janeiro eu tenho um publico legal, e o DVD vai sair no final do ano com produção da Estrela do Mar que é a minha produtora junto com o Canal Brasil, e nós esperamos voltar aqui com ele e com outros projetos também. Acabei de fazer esse show no Sesc da Vila Mariana, já é a segunda vez que estamos em São Paulo com esse projeto, então ele tem vida própria caminha sozinho e eu recebi esse convite do Canal Brasil para gravar, Caetano curtiu o Gil também, isso daí pra mim tem sido bom.

Você tem a sua própria produtora a Estrela do Mar, quais são as vantagens de ser uma artista independente após muitos anos em uma gravadora?
Eu tenho a produtora Estrela do Mar há 12 anos e sou independente há muito tempo.
Acho que quando você entende o que é esse filão da música independente você pode fazer colaborações com gravadoras, você tem o domínio do seu trabalho, então isso é uma coisa muito bacana. São 12 anos de trabalho, vários CDs e DVDs produzidos e co-produzidos com a Estrela do Mar e isso pra mim é uma maravilha. Estamos produzindo, temos vários projetos para o ano que vem, pra 2016, vamos caminhando ai, é uma boa ideia.

Você é uma artista plural, você é considerada uma das matriarcas do Axé Music…
(Interrompendo) Não, não sou, não sou matriarca da Axé Music…

…Tem esse flerte com a MPB
(Interrompendo indignada) Não sou…

…E em 2011 você fez uma parceria inusitada em um programa de TV (na ocasião o Programa Altas Horas da Rede Globo) com os Titãs uma das maiores bandas de Rock Nacional, então qual a sua proximidade com o Rock Nacional?
O trabalho que eu faço é o Afro Pop Brasileiro, é um trabalho de pesquisa da percussão com as tendências com as sonoridades e isso é desde 1992, não sou matriarca da Axé Music, acho que a música Baiana ela tem uma variedade muito grande e a Axé Music é um rotulo para as músicas carnavalescas, a música de carnaval da Bahia é muito bacana mas o meu trabalho já há muitos anos envolvem coisas que vão muito mais além. Eu até entendo, mas eu não sou a pessoa que foi pioneira da Axé Music, tiveram outros artistas antes de mim. Eu gravei o Samba-Reggae Faraó há 25 anos, fui a primeira artista a registrar o Samba-Reggae, e o Samba-Reggae é uma variação de outra raiz que não é a raiz exatamente do Carnaval, é uma produção que vem da fonte dos blocos afros, dos artistas dos blocos afros, da percussão afro baiana, é uma coisa muito mais profunda, representa também o carnaval, mas é uma coisa muito mais profunda. Então é por isso que eu não me considero e não me comprometo tanto com esse nascedouro da Axé Music que é só mais uma tendência que eu sigo dentro do meu trabalho.

Sim, e a parceria com os Titãs…
(Interrompendo) Eu conheço os meninos há muitos anos e o Rock faz parte do meu trabalho, a minha música é Afro Pop, to em todas ai.

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comentários
  1. […] No mês de Julho, Jundiaí sediou o evento Trançando Arte Brasil, uma verdadeira festa da cultura afrodescendente, e para coroar essa celebração, a cantora Margareth Menezes fez um grandioso show de encerramento, em uma apresentação digna interpretando apenas canções de Gil e Caetano. Como o evento foi no mesmo lugar da Virada Cultural Paulista, a equipe de segurança era a mesma, ai entrei com muita facilidade no camarim da Diva Baiana, mas a entrevista porém foi um imenso desafio, Margareth parecia não estar nos melhores dias e respondeu as perguntas com uma notável má vontade, e se mostrou bastante irritada quando eu me referi a ela como a “matriarca da axé music”. Ficou o aprendizado de eu nunca mais citar essa palavra em sua presença. Leia a entrevista completa aqui. […]

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