titãs-nheengatu-capa
O novo Cabeça Dinossauro? A Volta as Origens? Um disco de Punk Rock?
Não, não e NÃO!!!
Nheengatu o décimo quarto álbum de estúdio dos paulistas dos Titãs é um disco que capta o melhor momento daquela que já foi um octeto mas continua sendo a mais importante banda de rock do País, Nheengatu chega pesado, coeso e com letras primais abordando os constantes problemas de nossa sociedade, talvez tais comparativos assemelha sim com o clássico álbum da banda de 1986, mas o disco vai muito mais além dessa simples comparação.
Fardado a primeira canção desse petardo já chega pesada e com uma letra que nos remete a uma versão atualizada de Polícia, grande clássico da banda presente no supracitado álbum Cabeça Dinossauro:

“Você também é explorado, fardado
Você também é explorado, aqui”

O grito dilacerante de Sérgio Britto o compositor da canção revelou em uma entrevista que a inspiração para mesma veio dos míticos protestos realizados no ano passado pelo país, onde um manifestante carregava um cartaz com esses dizeres. Início melhor impossível.
Nheengatu segue com Mensageiro da Desgraça cantada com maestria por Paulo Miklos que trás uma letra fortíssima retratando o drama urbano dos moradores de rua que convivem diariamente com a fome, as drogas e são testemunhas vivas dos vários tipos de violência, porém nenhuma letra é tão forte e impactante como a de Pedofilia composta e cantada por Britto que narra em primeira pessoa esse repudiante drama ainda vivido por muitas crianças em  nossa sociedade.
Branco Mello que nessa nova incorporação dos Titãs assumiu de vez o contrabaixo tocando em dez das quatorze faixas do álbum também aparece em Nheengatu com a sua característica voz em canções como República dos Bananas, no Punk Rock Senhor, na versão de Canalha música de Walter Franco e na genial Chegada Ao Brasil (Terra à Vista) que conta a chegada de Cabral e os Portugueses ao Brasil mostrando o início da corrupção em solo nacional.
Outros temas abordados no disco que merecem destaques é a violência contra mulher (Flores pra Ela), a fofoca (Fala, Renata) além da homofobia e o preconceito racial assuntos que sempre vem a tona em muitas discussões e ambos são abordados com muita genialidade na canção Quem São os Animais? que fecha o álbum.
Musicalmente falando o disco é magnifico, sem as pirações eletrônicas do álbum anterior o bacana mas questionável Sacos Plásticos (2009), Nheengatu trás um Titãs robusto, tocando rock pesado e sem canções de apelos radiofônicos, destaques para Tony Bellotto e os seus inconfundíveis fraseados de guitarra e para o baterista Mário Fabre que em sua primeira gravação em estúdio com a banda esbanjou muita técnica e deu tônica as canções velozes e pesadas do disco.
Em resumo, Nheengatu que carrega em seu título a língua criada pelos jesuítas no Brasil para facilitar a comunicação entre os Índios e os Portugueses e estampa em sua capa a arte da Torre de Babel, torre criada pelos homens para alcançar o céu mas que acabou dispersando os mesmos pela terra que criaram diferentes idiomas e nunca mais se entenderam, os Titãs acabam metaforicamente trazendo a linguagem contestadora em um mundo em total desentendimento.
Muito mais que um novo Cabeça Dinossauro, Nheengatu é o Titãs em sua melhor forma, uma pena são as letras continuarem tão atuais como no citado disco de 1986.

O disco é dedicado a Rachel Salém esposa de Paulo Miklos que faleceu no ano passado em decorrência de um Câncer no Pulmão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s