Bounce, o disco que me fez gostar de Bon Jovi de novo…

Publicado: 22 de julho de 2014 em Fila Benário Fala
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bon_jovi_-_bounceSe você nascesse nos anos 80 ou no início dos anos 90 uma coisa era fato concreto, você iria gostar de Bon Jovi, isso era fato, foi o que aconteceu comigo e com a grande maioria dos meus amigos na época. Toda casa que se preza tinha uma cópia do clássico Slippery When Wet (1986) – eu no caso tinha um K7 pirata – hinos como Wanted Dead Or Alive, Livin’ On A Prayer e You Give Love A Bad Name eram repetidos a exaustão nas Fm’s da vida, e com a chegada dos anos 90 mais discos antológicos lançados (Keep The Faith e These Days) e uma enxurrada de hits, com canções fazendo parte até de trilha sonora de novela global, como esquecer de Always embalando o romance estrambelhado de Babalu e Raí em Quatro por Quatro? enfim era uma década totalmente dedicada ao Bon Jovi e todos éramos engolidos por essa avalanche.
Porém foi no mesmo anos 90 que eu tive a oportunidade de redescobrir o Punk Rock graças ao surgimento de bandas como Offspring, Green Day, Rancid, NOFX, Pennywise, Face To Face, além do Bad Religion que na ocasião assinava com a major Atlantic Records e passava a ficar mundialmente conhecido, daí foi um pulo para eu aderir a moda punk, montar a minha primeira banda do gênero e ter imensa vergonha de ter ouvido Bon Jovi um dia na vida. É claro que a banda naquela época enfrentava uma intensa crise criativa e não lançava nenhum material inédito, além de Jon Bon Jovi e Richie Sambora terem aventurados em carreiras solo, sendo que o segundo obteve mais exito musical que o Joãozinho Bongiovi, mas isso não importava, para o “rebelde” Fila Benário (já era chamado de Fila nessa época, o Benário veio depois) Bon Jovi era um lixo e banda de/e para maricas.
Porém a nossa história dá um salto para 2002, eu estava na oitava série e em uma das nossas discussões musicais em sala de aula um grande amigo meu que posteriormente eu cheguei a ter um banda com ele, o Reinaldo, começa a exaltar o novo cd do Bon Jovi, lançado naquele mesmo ano o Bounce e antes mesmo dele concluir a sua rasgação de seda eu já interrompi dizendo:
– Aff, Bon Jovi? banda de mocinha isso ai…
A discussão encerrou ali (até porque a professora havia entrado na sala), porém no dia seguinte antes mesmo das aulas começarem o Reinaldo se dirigiu até mim com a mão dentro da mochila e retirou lá um cd e praticamente arremessou na minha mesa dizendo:
– Ouça ai e depois me fala o que achou.
Era o Bounce, peguei o cd e “escondi” rapidamente na minha mochila, chegando em casa tomado de curiosidade coloquei o disco pra rolar no cd player e fui surpreendido com pesadíssimo riff de guitarra, confesso que passei anos tentando descrever tal sentimento ao ouvir aquilo mas não consegui, era um riff pesado em cima de uma bateria tribal também pesada, fiquei atônito repetindo pra mim mesmo: “caraca, isso é Bon Jovi?”, a canção citada era Undivided responsável pela abertura do cd e que trazia um Bon Jovi em águas jamais navegadas, uma banda coesa segura de si exibindo uma sonoridade pesada e moderna, e no refrão somos presenteados com uma das melhores performances vocais de Jon Bon Jovi e Richie Sambora.

Fiquei perplexo ouvindo aquilo, foi um nocaute e tanto, porém o disco ainda me reservava algumas surpresas como o próprio single na época, Everyday, que se tocado nas rádios parecia uma canção comum e pasteurizada, no cd após a pancada sônica da música anterior, também se fazia uma canção poderosa e pesada dentro do contexto que Bounce apresentava.
Hook Me Up a sétima faixa do álbum mantinha o mesmo pique das duas já citadas, com destaque novamente para as guitarras pesadas de Sambora, que no meio da canção faz um solo extraordinário além é claro dos backing vocals precisos e essenciais. Quando olho para o Bon Jovi de hoje que tem feito turnês sem a presença do guitarrista por motivos ainda não revelados, sinto um vazio imenso.

Richie Sambora e Jon Bon Jovi, peças fundamentais de Bounce

Richie Sambora e Jon Bon Jovi

Outro grande destaque de Bounce é a própria faixa título que parece ter sido retirada do tracklist de Slippery When Wet porém carregando uma modernidade em si. Genial.
Claro que as baladas, o grande trunfo da banda estavam presentes em Bounce e em grande numero alias, porém não comprometeu o restante do trabalho, pelo contrário, The Distance e Love Me Back To Life por exemplo contam com os fortes riffs de guitarra que permeiam durante todo álbum. Não podemos negar a grandiosidade pop de Misunderstood que se tornou single depois e fez bastante sucesso no Brasil na época chegando a fazer parte de mais uma trilha sonora de novela (se não me falha a memória era na novela “Mulheres Apaixonadas”). Dentro do disco ela cumpre o seu papel e não deixa a peteca cair. Além de possuir um videoclipe muito divertido.

Para os fãs dos duetos de Sambora e Bon Jovi as baladas Joey, All About Lovin YouRight Side Of Wrong são um grande deleite.
Porém o grande destaque de Bounce, muito mais do que as guitarras pesadas e união vocal de Bon Jovi e Sambora, são as letras que em sua maioria fora inspirada no atentado terrorista que ocorreu no mítico dia 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. Importante ressaltar também que a produção do disco ficou novamente por conta de Luke Ebbin que já havia produzido o álbum anterior da banda o multi-platinado Crush (2002).
Após a audição completa do disco, eu já tomado por arrependimento por conta de um radicalismo gratuito e sem noção peguei uma fita K7 qualquer na minha prateleira e gravei Bounce todo e passei a ouvir religiosamente, porém ao devolver o álbum para o meu amigo que havia me emprestado eu não quis dar o braço a torcer e disse ser apenas um “álbum comum sem nenhuma novidade”.
Para muitos Bounce não é nem de longe o melhor álbum da discografia do conjunto e talvez até eu mesmo concorde que não seja, mas tenho uma grande predileção por ele pelos motivos citados acima e também por ter moldado e estabilizado a carreira da banda nos anos 2000 levando em consideração a grande crescente de bandas sub-grunge clones de Eddie Vedder e do New Metal de Limp Biskit e companhia ltda surgidos na época, Bounce se fez notar e cumpriu o seu papel. Além de ser ao lado de Have a Nice Day (2005) o último grande disco lançado pela banda, já que a trinca Lost Highway (2007) The Circle (2009) e What About Now (2013) apresentam um Bon Jovi há quilômetros de distancia da criatividade musical.
E foi graças a Bounce que eu quebrei o radicalismo burro que existia em mim e voltei a ouvir não somente Bon Jovi mas inúmeras bandas e artistas que eu havia sepultado dentro da minha ignorância.

Ao som de Bon Jovi – The Distance

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