Rise Against – The Black Market

Publicado: 24 de julho de 2014 em Lançamentos e Novidades, Resenhas
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Tive a leve impressão de que com a exceção da excelente coletânea de B-sides lançada no ano passado (Long Forgotten Songs: B-Sides & Covers (2000–2013)) o último grande álbum de estúdio que ouvi do Rise Against foi o seminal The Sufferer & the Witness lançado em 2006. E após uma audição cuidadosa de The Black Market o mais novo lançamento do já citado quarteto de Chicago chego a conclusão de que minhas tais impressões não passa de um fato concreto, o Rise Against vem decaindo a cada álbum, e isso é muito triste.
The Black Market carrega em sua sonoridade os experimentos musicais que o Rise Against vem insistindo nos últimos tempos, uma mescla de Poppy Punk, com Rock de arena e com uma leve pincelada de Hardcore melódico (com uma pincelada maior no melódico) além de corinhos, suspiros e demais artifícios fofos imagináveis em uma banda que já lançou álbuns no quilate de Revelutions Per Minute (2003) e Siren Song of the Counter Culture (2004).
Desde a abertura com The Great Die-Off o que se ouve é uma banda muito bem produzida mas que não convence, não cativa e muito menos emociona como outrora. A faixa título mesmo começa com um Punk Rock inofensivo e nos refrões se transforma em uma melodia pasteurizada que cairia como uma luva na programação de rádios Hit Parades ou até mesmo no repertório do Paramore.
Após uma audição mais cuidadosa é possível pinçar algumas boas faixas que tentam erroneamente resgatar o frescor dos velhos tempos como é o caso de The Eco-Terrorist In Me que é a unica do álbum em que Tim McIlrath solta os seus característicos berros e Awake Too Long que sustenta uma boa e veloz pegada Hardcore na introdução mas depois se perde em melodia excessiva.
O restante de The Black Market é dominado por melodias pop como é o caso das canções Sudden Life, Tragedy + Time, MethadoneA Beautiful Indifference que são boas músicas mas que encaixariam perfeitamente no repertório do Jimmy Eat World, do The Gaslight Anthem, do The Loved Ones, do We Are The In Crowd e não de uma banda que já compôs canções do quilate de Ready To Fall, Prayer of the Refugee, Give It All, State of the Union e Heaven Knows.
Lá pelas tantas temos Zero Visibility que se parece demais com Broken Mirrors do cd anterior Endgame (2011), o que transparece claramente uma imensa falta de criatividade da banda em termos de composição.
Poderia colocar toda culpa do baixo rendimento do Rise Against em The Black Market nas costas da produção, porém o disco ficou a cargo de Bill Stevenson nada mais nada menos que o baterista do Descendents e ex-baterista do Black Flag e renomado produtor que já gravou nomes como NOFX, Hot Water Music, Puddle Of Mudd, Lagwagon e produziu inclusive os dois melhores cds do Rise Against, os já citados Revolutions Per Minute e The Sufferer & the Witness. Poderia citar também a entrada do guitarrista Zach Blair na banda no lugar do Chris Chasse, já que a estréia dele foi justamente no álbum onde inicia o declino artístico do Rise Against o incompreendido Appeal to Reason (2008), mas quem esteve presente no primeiro show da banda em terras brasileiras em 2011 testemunhou um músico técnico, em forma e cheio de carisma, impossível ele mudar sozinho o direcionamento de uma banda do porte do Rise Against.
O que acontece com o Rise Against é o que ocorre de mais comum dentro do mundo do Rock: a banda surge e lança dois cds maravilhosos e já é proclamada como a “salvação do rock”, passado um tempo ela lança um álbum com uma sonoridade diferente alegando “amadurecimento musical” e insiste nesse caminho tortuoso até cansar de ser achincalhada pela mídia e pelos próprios fãs e lança um disco apelidado de “a volta as origens” e assim faz as pazes com o seu público, foi assim com o Metallica, com o Blink 182, Oasis, Foo Fighters, Pearl Jam e muitos outros. A história se repete ano a ano, só muda os protagonistas.
Esperamos que The Black Market seja o último ato desse amadurecimento desnecessário do Rise Against.

Ouça abaixo Sudden Life por conta e risco:

Ao som de Ramones – Rockway Beach

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comentários
  1. […] 2014 a banda lança o seu mais recente trabalho The Black Market (também resenhado aqui), que afastou de vez o espírito pulsante e enérgico de […]

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