Pitty – Setevidas

Publicado: 6 de agosto de 2014 em Lançamentos e Novidades, Resenhas
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Pitty-Setevidas
Se eu somar todas as canções que eu gosto da cantora Pitty talvez eu não conseguiria encher um lado de uma fita K7. Nada contra a pessoa Pitty, pelo contrário acho-a uma excelente cantora e uma letrista formidável , e confesso que me surpreendi com o seu projeto Agridoce lançado no ano de 2011 na companhia do seu parceiro de banda Martin, porém em sua carreira “solo” que Pitty descamba em inúmeras referencias mas no final das contas não nos apresenta nada concreto e convincente. Sabe aquela história dos cachorros de rua que saem correndo e latindo desesperadamente atrás do carro, mas quando você freia bruscamente eles fogem com a mesma velocidade? Assim são as canções de Pitty, e assim é Setevidas o seu novo álbum lançado após cinco anos sem material inédito.
O disco vem repleto de angustia, tristeza e sofrimento, com certeza foi o material mais confessional já lançado por Pitty, levando em consideração que nesse período ela perdeu o seu grande amigo o Peu (Ex-Guitarrista da banda e que cometeu suicídio no ano passado) e também uma batalha judicial movida pelo ex-baixista Joe, além do gatinho que ilustra essa capa.
É possível pinçar algumas boas canções, como é o caso da faixa título que já virou single e bomba nas principais rádios do país. Deixa Ela Entrar, a segunda faixa do disco, tem uma pegada Poppy Punk bem interessante, Pequena Morte vem logo na sequencia e apresenta para o mundo o mais novo integrante da banda o baixista Guilherme Almeida, em uma linha de baixo engordurada e que dá tônica a canção. Importante ressaltar que Guilherme Almeida foi baixista do projeto de Martin com o Baterista Duda, e também da banda Chá de Bebê que além dos integrantes de Pitty conta também com Chuck Hipolitho do Vespas Mandarinas.
Um Leão poderia ser facilmente um grande destaque de Setevidas, mas se por um lado ela tem contratempos desconcertantes por outro ela peca pelo o excesso de experimentalismo e vocalizes desnecessários nos refrões.
O restante do álbum é aquele mais do mesmo de sempre, Pitty enxota nas canções todas as suas referencias musicais, de Faith No More a Nirvana, de Mars Volta a Muse, de Queens Of The Stone Age a Rita Lee, tudo no mesmo caldeirão mas nada em conexão, guitarras pesadas em melodias densas, arrastadas com efeitos eletrônicos nos vocais, tentando soar nervoso e maduro mas não convence.
Setevidas foi gravado todo ao vivo no estúdio e produzido pelo figurinha carimbada Rafael Ramos (Titãs, Ultraje a Rigor, Raimundos, Matanza e Dead Fish) em parceria com a lenda britânica Tim Palmer que já trabalhou com Robert Plant, Ozzy Osbourne, U2, Pearl Jam entre outros, e mesmo com a produção primorosa e todos esses atributos de luxo não vem a somar com o conteúdo apresentado.
Setevidas não é um disco ruim é apenas a Pitty sendo ela mesmo, e ai que está o problema.

Ao som de Pitty – Pequena Morte

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