Especial Fistt 20 Anos (Parte II) – O Fistt e Eu

Publicado: 12 de agosto de 2014 em Especial Fistt 20 Anos
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Fistt INessa semana que a banda Jundiaiense de Hardcore melódico, Fistt, comemora 20 anos de carreira, nós do Fila Benário Music teremos a honra de esmiuçar a trajetória do quarteto em sete partes, e hoje vamos falar sobre o surgimento da banda, e o primeiro contato da mesma com esse que vos escreve. Bora tampar o nariz porque a o cheirão de naftalina vai subir por aqui:

O Fistt começou a sua trajetória na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo precisamente no ano de 1994, quando o jovem Fabiano Dariva, apaixonado por Ramones e mais três amigos resolveram montar uma banda para sucumbir o entediante marasmo que rondava os adolescentes da época, mesmo sem saber tocar absolutamente nada, mas movidos por uma paixão musical a banda se formou com Alê na Bateria, Favela no Baixo, Emer na Guitarra e Fabiano nos vocais, e o critério para a escolha do nome da banda foi simples: “o integrante que tivesse o sobrenome mais engraçado” é óbvio que sobrou para Fabiano Dariva, portanto a banda passou a se chamar Os Darivas em alusão aos seus heróis Ramones.
Com essa formação a banda fez o seu único show em uma tradicional escola em Jundiaí, o Geva, mas o show foi um verdadeiro desastre, afinal de contas ninguém realmente sabia tocar e a banda acabou sendo expulsa do palco pela diretora da escola.
Em 1995 Fabiano se muda com a família para a cidade de Santa Barbara d’ Oeste (Interior de SP) devido ao novo serviço do seu pai, e os Darivas obviamente deram uma pausa em suas atividades. E foi explorando o Underground da nova cidade que Fabiano parou no bar Hitchcock e assistiu a apresentação do Muzzarelas, grande banda do circuito independente também do interior de São Paulo (Campinas), e a sua sonoridade que variava entre o Punk Rock clássico e o Rock n’ Roll de garagem unidos a letras non sense pegou o jovem Fabiano de jeito afim de querer retomar as atividades da banda mesmo a distancia.
Um dia ouvindo Toy Dolls, basicamente a canção Fisticuffs in Frederick Street, Fabiano teve uma luz e resolveu trocar o nome da banda de Darivas para Fisttcuffs.
De volta oficialmente para Jundiaí o Fisttcuffs teve a sua primeira troca na formação, sai o guitarrista Emer e entra o icônico Mirtão, amigo de escola de Fabiano e realizador de proezas como “usar o mesmo moletom preto por quarenta dias seguidos”, com essa formação que o Fisttcuffs grava a sua primeira demo tape, naquela que passaria ser a casa da banda o estúdio Happy Sound de propriedade do também icônico Paulão Maltauro, o Paulão. Çonzeira (escrita assim mesmo) foi lançada no ano de 1996 e já trazia os primeiros sucessos do grupo como Não, Quartel e Spok. A fita virou um sucesso instantâneo e a banda passou a ser figurinha carimbada na região ao lado de outras bandas do Underground Jundiaiense como No Deal, Charlieroad e R14 Radial.
Em 1998 a banda lança a demo tape Paraotempo trazendo de sucesso a própria faixa título e o hino Hardcore na Veia, e foi justamente nesse ano que a minha história com o agora chamado Fistt (cortando de vez o Cuffs) se difunde. Na época eu tinha apenas 10 anos, mas já era um garoto louco por Rock, e a primeira vez que ouvi falar no conjunto foi em show que a rádio paulistana Dumont FM estava organizando na época na cidade de Jundiaí, o “Ska Dumont” que além do Fistt contaria com a presença do Skuba e o Skamundongos, ambas de SP, pra mim que nunca tinha ido a um concerto de Rock, aquela era a possibilidade, porém meu pai não foi nada favorável e vetou a minha ida.
No ano seguinte eu estava no segundo módulo do ensino fundamental (leia-se quinta série) e tinha um amigo meu na sala, o Rodrigo, que era tão fã de rock quanto eu, e diariamente trocávamos cds e K7’s de rock na sala de aula, e eis que um dia ele surgiu com Cd-R com uma capa meio doida com um desenho de quatro caras com enormes pontos de interrogação na cara, era o Fistt, rapidamente peguei o cd trouxe pra casa e surtei ouvindo-o repetidamente, pra mim foi um verdadeiro choque, o som era semelhante as minhas bandas favoritas Ramones, Sex Pistols, Misfits, Face To Face, Bad Religion, Green Day e até um quê de Minor Threat ali tinha, porém era tudo cantado em português, eu entendia claramente o que F. Nick (conforme vinha escrito no encarte do cd) cantava e as letras por sinal carregava uma ironia sem tamanho.
Esse cd que foi feito para ser comercializado nos shows da banda era um ensaio do que viria ser o próximo cd, alias o primeiro grande cd do Fistt, o clássico Pamim, Panóis, Pocêis lançado em 1999 pelo seu próprio selo a Oba Records, o disco compilava as duas primeiras demo-tape da banda: Çonzeira e Paraotempo. O título era uma provocação direta aos veículos de comunicação na época que discriminavam o Fistt por ser do interior e diziam que jamais a banda alcançaria sucesso nas capitais, o disco foi um sucesso e rapidamente saiu fora de catalogo.
Na mesma época o Fistt passou por mais alterações em sua formação, Nick acabou assumindo a segunda guitarra, e Favela acabou saindo da banda e o baixo ficou a cargo de Fabrízio Martinelli, porém ensaios depois ele acabou se tornando o guitarrista da banda e Nick oficialmente o baixista, passado um tempo Alê também desiste da banda e para o seu lugar entra o baterista Juca e foi com essa formação que a banda gravou o grandioso Finais Iguais, Histórias Diferentes lançado em 2001, considerado até hoje pelos fãs da banda o Masterpiece do conjunto é nele que se encontra os maiores hits da história do Fistt: Vinteum, Minduim, Madrugada, Nada Por Você, New School 99, além das regravações dos eternos hits: Menininha, Paraotempo, a versão de A Turma tema do desenho Get Along Gang, e o hino supremo Hardcore Na Veia. No mesmo ano Juca e Fabrizio deixam a banda, esse último por sinal acabou ingressando no Street Bulldogs outra grandiosa banda do circuito independente paulistano e depois se tornou guitarrista do Hateen, ganhou por duas vezes consecutivas o prêmio de “Guitarrista dos Sonhos” da MTV e hoje integra a banda Vowe. O Guitarrista Adriano Bauer e o Baterista Birão ocupam os postos deixados.
Nessa época o jovem Fila Benário já era um fã incondicional do Fistt, lembro de ter comprado uma cópia de Finais Iguais… na extinta loja de cds Music Mix em Jundiaí logo quando saiu, e ouvia religiosamente, a discografia do Fistt é repleta de álbuns geniais, mas por história e nostalgia o Finais Iguais é o meu disco favorito da banda, simples, direto e objetivo.
No ano seguinte Nick organiza na cidade de Jundiaí o 1º Festival de Hardcore e foi um evento brilhante com line up de peso contando com o Fistt, as estreantes Cueio Limão e Self Defense, o emergente Dead Fish, e o já bombado e o hypado nas paradas de sucesso CPM 22, o show foi um sucesso, esgotou todos os ingressos e consolidou ainda mais o nome do Fistt no cenário nacional.
Em 2004 a banda lança o cd Vendo as Coisas Como Você, com Rudy Tiene (Ex- UTC) no lugar de Mirtão, e por mais que eu tenha uma predileção pelo FIHD, Vendo as Coisas classifico como o álbum mais importante da carreira do Fistt, um verdadeiro divisor de águas, aqui a banda surge com o dedo médio em riste para os puristas de plantão que taxava o conjunto de mais uma banda “engraçadinha”, aqui o Fistt surge pesado, coeso, veloz, fica a prova nas canções Medo, Vezes, F-15, Overdrive e Versos e Refrões. Acho que esse foi o período que eu mais vi o Fistt ao vivo então é a formação que eu mais tenho em mente quando me lembro da banda.

Da esq. pra dir: Birão (Bateria) Rudy (Guitarra), F. Nick (Vocal e Baixo) e Bauer (Guitarra)

Da esq. pra dir: Birão (Bateria) Rudy (Guitarra), F. Nick (Vocal e Baixo) e Bauer (Guitarra)

Na época eu já estava com “banda”, o intrigante Trakinage HC e eis que surgiu a possibilidade de dividirmos o palco, foi no festival Old School Fest, organizado pelo Diego Musselli da banda Outmind (hoje guitarrista do Taco Beer) no dia 20 de Novembro de 2004, aquilo era um sonho se realizando eu ia tocar junto com os meus heróis.
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Tava tudo perfeito se não fosse um simples detalhe: a nossa banda ser horrível!!! Não sei onde eu estava com a cabeça quando peguei as baquetas e resolvi ser baterista um dia, nunca toquei bateria na vida, não tenho coordenação motora, mas me achava o baterista, compus meia duzia de canções horríveis, todas com a mesma nota sem variação e achava que estava tudo lindo, mas a farsa caiu por terra quando começamos a tocar e percebi que Nick, até então meu grande herói na cena alternativa, entrou no recinto pra nos ver e não aguentou ficar até o fim da primeira música, se mandou… Aquilo foi frustrante, fiquei tão traumatizado com o ocorrido que meses depois eu saí da “banda” que logo em seguida acabou. No final das contas cada integrante do Trakinage (inclusive eu) montou a sua própria banda e todas deram muito certo, talvez o problema fosse nós juntos.

Em 2005 vem a noticia como uma bomba do tamanho do maracanã, o Fistt dá uma pausa nas atividades, aquilo foi um choque para todos os fãs do conjunto. No mesmo ano F. Nick aparece com um projeto intitulado de Snif! que contava com ele no Baixo e Vocais, além do seu próprio irmão Ricardo Dariva (que na época era guitarrista do Bett’s) nas guitarras ao lado de Crildo (Worms) e do baterista Conrado do Shileper High, a banda gravou apenas três sons, entre eles o hit Mallory e o cover de Going To Pasalacqua do Green Day.
Para nossa alegria o Fistt retorna as atividades no ano seguinte gravando o seu primeiro álbum ao vivo no tradicional Black Jack Bar em São Bernardo do Campo. Rudy e Bauer acabam deixando a banda amigavelmente para se dedicar a outros projetos, Mirtão volta para ocupar o posto de pior guitarrista e Crildo do Worms e Snif! enfim é efetivado ao cargo.

Da esq. pra dir: Mirtão, Birão, F. Nick e Crildo

Da esq. pra dir: Mirtão, Birão, F. Nick e Crildo

Com a produção de Paulo Anhaia (Hateen, CPM 22, Houdini) no estúdio Midas do Rick Bonadio o Fistt grava o álbum Como Fazer Inimigos, lançado em 2008 gratuitamente na internet o disco foi um verdadeiro sucesso, chegando a ganhar o prêmio de Download de ouro, o cd em si é um show a parte, trás uma mescla do Fistt coeso de Vendo as Coisas, com o Irônico de Finais Iguais, dessa vez com instrumental ainda mais eficiente graças ao tratamento de produção que o cd recebeu, os principais destaques são os singles Aquecendo e Meu Amigo Copo, além da divertida e singela homenagem ao vocalista em Pobre F. Nick, porém o principal destaque fica pra épica Carnaval com quase nove minutos de duração (!), contando com as participações especiais do ex- guitarrista Fabrizio Martinelli e Rodrigo Lima do Dead Fish, surreal.

Fabrízio Martinelli (Ex-Fistt) e Rodrigo Lima (Dead Fish) gravando as suas participações especiais em "Como Fazer Inimigos"

Fabrízio Martinelli (Ex-Fistt) e Rodrigo Lima (Dead Fish) gravando as suas participações especiais em “Como Fazer Inimigos”

Daí em diante o Fistt virou uma verdadeira dança das cadeiras, com incontáveis trocas de integrantes, o Baterista Birão saiu, dando lugar para o excelente Léia, mas depois voltou. Crildo saiu e no seu lugar entrou Karacol que na época era também baixista do Hateen, que por fim acabou saindo e dando lugar de vez para Dulino (da banda Perturbadores de Silencio), com essa formação o Fistt gravou o divertido single virtual Bom Dia lançado em 2011.

Duas das formações citadas: A primeira foto com Léia (Bateria) e Karacol (Guitarra). A segunda com a volta do Birão.

Duas das formações citadas: A primeira foto com Léia (Bateria) e Karacol (Guitarra). A segunda com a volta do Birão.

No ano seguinte Mirtão saí pela milésima vez da banda, dando espaço enfim para Ricardo Dariva irmão de Nick e também guitarrista do Sallys Home assumir as guitarras da banda, no mesmo ano a banda lança o sensacional EP Hasta La Vista, Junior! com o sensacional single Entre o Dia e a Noite com a participação especial de Reynaldo Cruz do Plastic Fire, além de uma versão surreal para a canção Todo Mundo Contra Mim da banda carioca ACK.

Fistt Atualmente: Ricardo Dariva (Guitarra), Birão (Bateria), F. Nick (Vocal e Baixo), Dulino (Guitarra)

Fistt Atualmente: Ricardo Dariva (Guitarra), Birão (Bateria), F. Nick (Vocal e Baixo), Dulino (Guitarra)

No ano passado uma noticia triste noticia pegou a todos de surpresa, que foi o falecimento do ex guitarrista Rudy Tiene que há seis anos lutava contra a leucemia. Tal noticia me afetou de tal forma que fiquei magoadíssimo, Rudy sempre foi sorridente, gente boa, além de um excelente músico, sua maneira rápida e pesada de tocar guitarra moldou a sonoridade do Fistt, algo que pode ser notado no álbum Vendo as Coisas Como Você. Naquele bisonho show que a minha banda o Trakinage HC tinha feito com o Fistt, eu fiquei arrasado após o péssimo show que fizemos, e Rudy chegou com aquele largo sorriso me deu um abraço e disse:

– Não desiste não velho, você tem potencial!!!
Fistt III

E assim segue o Fistt completando 20 anos de trajetória, repleta de altos e baixos, de lama e glória de inúmeras roubadas, mas sem esquecer principalmente de suas origens, de onde veio.
Atualmente além do blog eu faço parte de um canal recém formado chamado DiscBox onde teremos diversos programas falando sobre música, e recentemente tive a oportunidade de entrevistar o Fabiano Nick para o programa Disco3 onde cada convidado falará sobre os seus três discos favoritos, o que era pra ser uma simples entrevista se tornou um divertido bate papo de mais de quarenta minutos de duração, em nenhum minuto parecia que estava diante do proprietário da Oba Records, do homem que trouxe No Use For a Name pra tocar em Jundiaí, do que já havia dividido palco com Marky Ramone, Bad Religion, Millencolin e Down By Low, parecia que eu estava conversando com um grande amigo, e talvez seja, alias esse sempre foi o espírito que o Fistt transpareceu em suas apresentações, de intimidade, cumplicidade de amizade mesmo.

Eu entrevistando o F. Nick para o programa Disco3 do canal DiscBox

Eu entrevistando o F. Nick para o programa Disco3 do canal DiscBox

E no próximo sábado onde o Fistt estará se apresentando mais uma vez em Jundiaí, mas dessa vez comemorando os seus 20 anos, eu estarei lá aplaudindo os meus amigos.

Vida longa ao Fistt.

Amanhã tem mais…

Ao som de Fistt – Vendo as Coisas Como Você (Ao Vivo)

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comentários
  1. Diego Fernando Musselli disse:

    Parabéns pelo belo texto Fila e obrigado por citar o R14 Radial, Outmind, Tacobeer e meu nome hehe, você é um cara sensacional e merece todo meu respeito amigo! Pode ter certeza que tu irá longe e que tem a minha torcida! Abraço meu brother!!!

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