Especial Fistt 20 Anos (Parte III) – Discografia Completa Comentada

Publicado: 13 de agosto de 2014 em Especial Fistt 20 Anos
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Continuando o nosso especial em homenagem ao 20 anos da banda Fistt, nesse capítulo nós vamos destrinchar toda a discografia do quarteto que há duas décadas sacode o Brasil com o seu Hardcore do interior.
Abaixo de cada resenha há um streming para que você possa ouvir os álbuns na integra e se deliciar com as delicias da Roça.
Optei por falar apenas da discografia em CD, deixando de fora as Demo Tape de inicio da carreira, já que todas foram compiladas e virando o primeiro cd oficial da banda.
Sem maiores delongas, com vocês Fistt:

Pamim, Panóis, Pocêis (1999)
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Formação: F. Nick: Vocal
Mirtão: Guitarra e Vocal
Favela: Baixo
Alê: Bateria

O que podemos chamar de primeiro cd do Fistt nada mais é que a união das duas primeiras demo tape da banda, a Çonzeira (1996) e Paraotempo (1998).
Clássicos não faltam nesse disquinho histórico: Hardcore na Veia, Menininha, Queria te Dizer, Paraotempo, Não, Spok e muitos outros.
O Quartel, mesmo simplora talvez seja a canção de maior cunho ativista da banda, no qual repudia claramente o alistamento militar obrigatório.
Do lado irônico (que o pessoal adora referir como “engraçadinho”) temos Maria e Joana (clara referencia a Marijuana) e Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro, canção que surgiu após um encontro de F. Nick com um velho conhecido chamado Tikinho, e após o bate papo o mesmo diz a Nick: “Se todo filho de Deus fosse maconheiro, seria festa o ano inteiro”. Ao contrário do que se pensa, ambas canções apesar de trazer a tona os conceitos “canabisticos” elas não fazem nenhum tipo de apologia as drogas, mas sim uma alusão irônica as bandas da época que só falavam nesse tema (leia-se Planet Hemp).
O título do cd é uma critica as revistas na época que discriminavam a banda devido ao fato dela ser do interior, que julgavam que a mesma não seria capaz de atingir o circuito paulistano.


Finais Iguais, Histórias Diferentes (2001)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Fabrízio Martinelli: Guitarra
Juca: Bateria

Definitivamente o grande masterpiece do Fistt, os principais sucessos da banda estão aqui, canções que marcaram gerações, que fizeram história e que levou toda temática do Hardcore do Interior para o Brasil inteiro.
São 16 faixas de pura nostalgia, de instrumental simples porém eficiente e letras que com uma certa ironia carrega alguns questionamentos, como é o caso de Vinteum que abre o disco e é considerada por muitos a musica mais importante da carreira do Fistt.
O disco segue com a pesada Nada Por Você, a sensacional New School 99 e com o grande hit Minduim inspirada no personagem Charlie Brown. Desenhos antigos alias são a inspiração direta de Finais Iguais… já que o disco ainda conta com Amigos de Infância (Namaguederaz) inspiradas nos seriados japoneses de super heróis e com a versão do tema do desenho The Get Along Gang, conhecido aqui no Brasil como “A Nossa Turma”, na canção A Turma.
Menininha, Hardcore na Veia e Paraotempo do cd anterior reaparece em Finais Iguais, com uma roupagem mais agressiva e dentro dos padrões do álbum. O Album ainda conta com um cover do Muzzarelas, grande influência de F. Nick, a canção The Buzz Guy que ficou tão sensacional quanto a original.
Enfim um disco genial e totalmente necessário pra quem se julga curtir Punk/Hardcore Independente.

Vendo As Coisas Como Você (2004)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Bauer: Guitarra e Vocal
Rudy: Guitarra
Birão: Bateria

Um Fistt como você nunca viu (e talvez nunca mais veja), esse é o sentimento após ouvir as 13 faixas de Vendo as Coisas Como Você, o disco mais incompreendido da discografia da banda.
Rápido, Pesado e reflexivo, Vendo as coisas, surge como um dedo médio em riste para os puristas que classificava o Fistt como mais uma banda engraçadinha na cena independente. O disco marca a estreia dos guitarristas Bauer e Rudy e é possível sentir guinada sonora que a banda teve com a entrada de ambos já que as guitarras pesadas são os grandes destaques desse disco.
De hits temos Medo que virou videoclipe com a participação do tatuador Jundiaiense Lacraia e foi exibido constantemente na MTV na faixa da madrugada. Garrafas que foi a primeira música do disco a ser liberada pra audição na internet, talvez seja a canção que mais se aproxima do Fistt do cd anterior, mas o restante do álbum é só “pedreira”: Versos e Refrões, Marginal, Agora, Vezes, Histórias Pra Contar e a filosófica F-15.
Mantendo a tradição de homenagear bandas do underground brasileiro, Fistt faz uma versão surpreendente de Ignorar do finado e genial Alternative System, no qual eu ouso dizer que ficou muito melhor que a versão original. Outros destaques de Vendo as Coisas é a própria faixa título que é uma das canções mais belas da banda, além do instrumental genial The Good ,The Bad ,The Bauer e de Overdrive que encerra o disco, mas se eu fosse você eu ficaria escutando o disco até o fim pra você se divertir com a surreal “faixa pós créditos”.
Depois de Finais Iguais é o meu disco favorito.

Viva! Ao Vivo no Black Jack (2006)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Bauer: Guitarra e Vocal
Rudy: Guitarra
Birão: Bateria

Me recordo até hoje, era um sábado a noite e eu estava curtindo o meu único dia de folga em casa descansando, quando de repente o meu telefone toca e era o Ricardo Dariva irmão do F. Nick me convidando pra ir na gravação do cd ao vivo do Fistt no dia seguinte, vontade não me faltou, mas teria que trabalhar no dia anterior, portanto recusei o convite. Me arrependo amargamente disso até hoje.
Viva! o único registro ao vivo do Fistt é a captação perfeita do que é a banda ao vivo, muito peso, velocidade, somados com espontaneidade e uma plateia insana, alias a plateia é o principal destaque e com certeza a maior participação especial desse disco, é inacreditável como todas as canções são cantadas em uníssono com tamanha paixão e empolgação. Nem a insossa platéia do Los Hermanos que dizem ser a mais fanática do Brasil chega perto da cartase que a galera faz nesse show, só o começo de Nada Por Você já vale o álbum todo.
O disco conta com todos os hits da carreira do quarteto (Vinteum, Minduim, Medo, Hardcore na Veia) e algumas surpresas, como Não e O Quartel do primeiro álbum, além da anárquica Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro que fecha o disco de forma sublime com a participação especial do Guitarrista Crildo da banda Worms, e que mais tarde se tornaria do Fistt, alias no campo de participações especiais ainda temos o ex-guitarrista da banda (na época) o Mirtão na canção Um Heroi.
New School 99 é merecidamente dedicada para o Baterista Nene da banda Paulistana FHA que um ano antes da gravação havia cometido suicídio vitima da depressão, e já Menininha o grande hit da banda é dedicada para todos os Emos presentes no local.
Um registro digno de uma banda digna!

Como Fazer Inimigos (2008)
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Formação:
 F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Crildo: Guitarra
Birão: Bateria

Com a produção de Paulo Anhaia e gravado no estúdio Midas de propriedade do produtor Rick Bonadio, Como Fazer Inimigos vem com nivel de qualidade lá em cima e talvez chegou até causar estranheza em quem já era acostumado com as tosqueiras (no bom sentido) da banda, mas ao contrário de quem achava que o Fistt havia se vendido e viria mais Pop nesse novo álbum, simplesmente caiu do cavalo. É Fistt na mais plena forma musical (porque na estética…) e isso já é um grande alento.
O disco começa com o single Aquecendo, escolha certeira, canção métrica e redondinha, genial. O resto do álbum eu ouso dizer que é uma mescla do Fistt coeso de Vendo as Coisas… com o irônico e hitmaker de Finais Iguais… Canções velozes e pesadas como Eu Não Faço Ninguém Feliz e Éssa é a Ultima Vez, recorda o cinzento disco de 2004. Já as divertidas Meu Amigo Copo, Pobre F. Nick, e Sad Rockstar cairia como uma luva no Tracklist de Finais Iguais.
Porém o disco ainda conta com a belissima balada Continuar que vem no estilo Baby I Love You dos Ramones, Todo Amor Morre Abandonado que Nick cita a sua querida cidade natal Jundiaí e além do resgate histórico de Mallory, canção do projeto Snif! de F. Nick e Crildo surgido em 2005 após a pausa que o Fistt deu na época.
O Fascínio de Nick pelo desenho do Snoopy aparece em Como Fazer Inimigos com a canção Carta Para a Garotinha Ruiva. Porém a maior surpresa do disco é a faixa Carnaval, um épico de mais de nove minutos de duração que mescla Punk Rock, Hardcore, Ska, com Reggae e música mexicana e ainda conta com a participação especial do ex-integrante Fabrízio Martinelli nas guitarras e do grande Rodrigo Lima do Dead Fish.

Bom Dia (2011)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Mirtão: Guitarra e Vocal
Dulino: Guitarra
Birão: Bateria

Após três anos sem lançar material inédito o Fistt reaparece com esse single virtual muito divertido, fazendo uma declaração a um amor ainda desconhecido, e com ânsia de saber quais as preferencias desse amor, se ela gosta de Ramones ou de bandas do Underground e até mesmo se ela torce para o Corinthians.
A canção serviu pra saciar os fãs que estavam sedentos por material novo da banda e também para apresentar para o mundo o mais novo guitarrista da banda, o grande Dulino também vindo da banda Perturbadores de Silencio (Várzea Paulista – SP).
A capa feita pelo artista jundiaiense Junior Scalav, alimenta ainda mais o fascinio de F. Nick pela turma do Charlie Brown, onde se vê o Minduim em cima de uma arvore abraçado com a sua Garotinha Ruiva.
Genial.

Hasta La Vista, Junior! (2012)
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Formação: F. Nick: Vocal e Baixo
Ricardo Dariva: Guitarra e Vocal
Dulino: Guitarra
Birão: Bateria

O EP vem apresentando a formação definitiva da banda, com o reforço de Ricardo Dariva na guitarra, e chega com o mesmo alto padrão de qualidade apresentado em Como Fazer Inimigos, graças a produção do grande Chapola e masterização do Lampadinha conhecido por trabalhar com as bandas Hateen, CPM 22 e entre outros.
O disquinho conta com 5 faixas: três inéditas e duas covers. Do lado autoral temos a abertura veloz com Consideração, e o single Entre o Dia e a Noite com a participação mais do que especial de Reynaldo Cruz o mais novo nome da cena independente a frente do Plastic Fire, na minha humilde opinião uma das canções mais sensacionais da banda nos últimos tempos. Fechando o lado próprio contamos com Tudo Bem? que traz um Punk Rock Melódico a lá Face To Face.
Mantendo a tradição de homenagear o underground brasileiro o Fistt faz uma versão sensacional de Todo Mundo Contra Mim do ACK, e o disquinho encerra com o sublime cover de I Just Want To Have Something To Do dos Ramones.

Amanhã tem mais…

Ao som de Fistt – Overdrive

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