Especial Fistt 20 Anos (Parte IV) – Review Histórico: Festival de Hardcore – Jundiaí – SP (13/04/2002)

Publicado: 14 de agosto de 2014 em Especial Fistt 20 Anos
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fistt_hangar_1_por_Marcela_Navia
Indo pra nossa quarta parte do especial em comemoração aos 20 anos da banda Fistt, hoje iremos relembrar o sensacional show organizado por F. Nick, Mirtão e o seu selo de propriedade da banda Oba Records que aconteceu no distante ano de 2002 em Jundiaí (SP) e que de certa forma abalou as estruturas da humilde cidadezinha.
O texto infelizmente carece imagens e vídeos até porque na época câmera digital era um sonho distante, celular só fazia ligação e eram poucos que tinham, resumindo não éramos escravos da tecnologia, mas a memória de quem estava lá, como esse que vos escreve, lembra muito bem de como foi tudo:

Era dia 13 de Março de 2002 quando Mirtão, então guitarrista da banda Fistt, organizou aquele que seria o evento que mudaria pra sempre a história da cidade de Jundiaí, o “1º Festival de Hardcore” chegava com os dois pés no meio do peito trazendo um Line-Up de peso contendo o que havia de melhor na cena independente e mainstream do Hardcore: o próprio Fistt, os donos da casa que na época havia recém lançado o álbum Finais Iguais, Histórias Diferentes e que já era um sucesso de vendas na região. Os veteranos capixabas do Dead Fish que causava um certo alarde na cena independente com o hypado cd Sonho Médio, e pra fechar a noite com chave de ouro, o grupo Paulistano CPM 22 que na época começava a gozar do sucesso mainstream graças ao lançamento do seu primeiro cd auto intitulado pela gravadora major Arsenal Music e com hits como Regina Let’s Go, Tardes de Outubro e O Mundo dá Voltas tocando incansavelmente nas FM’s da vida. Além das bandas das abertura, as estreantes: Cueio Limão e Self Defense. Enfim um show histórico e pra ninguém botar defeito.
O show aconteceu no tradicional clube jundiaiense Grêmio C.P, muito conhecido na época por suas tradicionais domingueiras e curiosamente citado na letra da música Não do Fistt, registrado no primeiro cd do conjunto Pamim, Panóis, Pocêis:

“Não, não tenho dinheiro
Não, não vou no Grêmio
Não, não gosto de mel, e é por isso eu não vou na Babel”.

Os ingressos obviamente se esgotaram com tremenda facilidade meses antes do show, e era possível analisar isso devido quão lotado estava os arredores do clube antes dos shows começar. A alegria entre os presentes era visível, afinal nunca um show desse porte havia acontecido com essa veemência em Jundiaí, alias corrigindo: no ano anterior a Oba Records já havia organizado um show do mesmo porte trazendo justamente o CPM 22 (mas sem a fama que o acercava no momento), os cariocas do Carbona e o Holly Tree (se não me falha a memória), além do Fistt.
Depois de uma pequena confusão do lado de fora onde alguns “vândalos” começaram a chutar os ônibus que passavam pela rua, e esses foram agredidos por “”punks”” que achavam que a paz se prega na porrada, esse mero detalhe ruim se esfarelou dentro de um Grêmio abarrotado de gente por todos os lados, e após uma discotecagem totalmente surreal que ia de Nirvana a Ultraje a Rigor e de Planet Hemp a Jimmy Eat World, eis que começaram os shows:
“Nós somos o Cueio Limão, viajamos 17 horas pra tocar aqui”
E foi com esses dizeres do guitarrista e vocalista Mano, que o Cueio Limão (de Dourados -MT) abriu a festa com a canção Prego, mostrando o seu Hardcore enérgico e divertido, e fazendo agitar uma multidão que não fazia ideia de quem eles eram, inclusive eu que fiquei perplexo com os garotos.
O repertório foi todo baseado na sua demo intitulada carinhosamente de Hardcore do Mato, com as canções: Maçarico Love Song, Simon’ Song, Cornélio, Amor do Cão e uma que graças ao seu refrão chiclete ficou grudado na cabeça dos presentes: Mário. Ainda houve tempo para as covers de NOFX (Muder The Government) e uma versão surreal de The KKK Took My Baby Away dos Ramones, já que na presente data fazia apenas um ano da morte do grande Joey Ramone.
Logo após o show dos garotos eu me lembro que corri na banquinha dentro do recinto e comprei a demo deles na qual eu guardo com muito carinho até hoje.

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Na sequencia veio o Self Defense de Curitiba, mantendo o pique enérgico do Cueio Limão, mas com letras e temáticas mais sérias comparadas aos garotos de Dourados. Fez uma apresentação muito boa, apresentando as canções do seu futuro disco (que mais tarde seria lançado pela Oba Records) e com direito a cover de Peaceful Day do Pennywise. Porém o momento surpresa da apresentação foi uma versão sensacional que eles fizeram de Little Respect do Erasuse, se você não sabe ainda que música eu estou falando ouça abaixo:

E eis que surge a hora do santo da casa fazer milagre: F. Nick (Vocal e Baixo), Mirtão (Guitarra), Bauer (Guitarra) e Birão (Bateria), o Fistt, subiram com status de heróis da roça no palco do Grêmio e colocaram toda galera pra cantar junto. Os primeiros acordes de Vinteum o grande clássico da banda fizeram ecoar o local e impressionante como a plateia cantava tudo uníssono.
O repertório foi o show a parte, tudo que era clássico estava lá: New School 99, Nada Por Você, Minduim, Paraotempo, 2 e 10, Quem Fica Por Último, Madrugada, Um Herói e claro o hino Hardcore na Veia.
Menininha foi dedicada “a toda galera que acompanhava a gente no Bar do Bilé”, tradicional boteco de Jundiaí onde o Fistt fez as suas primeiras apresentações. Ainda no clima honroso a memória de Joey Ramone o Fistt tocou o clássico Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio? dos Ramones.
E como time que joga em casa tem bonus point, a banda contou com a participação do ex-baixista Favela em duas das mais clássicas canções do grupo: Não e Se Todo Filho de Deus Fosse Maconheiro.
O Fistt foi ovacionado por todos os presentes e confesso que senti orgulho tremendo de saber que a minha cidade natal tem um representante tão impactante e genial como o Fistt na cena Hardcore Nacional.
E o festival continuou com as apresentações de Dead Fish e CPM 22, de um lado o Dead Fish fez um show burocrático e competente tocando de cabo a rabo as canções do seu clássico cd Sonho Médio causando histeria em uma horda de fãs apaixonados pela banda, e do outro lado o CPM 22 fez um show muito bom mas liberto das amarras da cena independente e com status de a nova sensação do Pop Rock Nacional, hits radiofônicos como Regina Let’s Go e O Mundo da Voltas se cruzavam com perolas do inicio da carreira do quinteto como Light Blue Night e Por Que?, além de dois covers muito bem escolhidos para agitar a galera: Territorial Pissings do NirvanaRock ‘n’ Roll High School dos Ramones (Joey Ramone homenageado mais uma vez).
Podemos definir a cena independente de Jundiaí como antes e depois desse imenso festival, afinal de contas foi absurdo o numero de bandas surgidas em Jundiaí e região após esse show: Anyway, Want One, Chemical X, Way For Out, Make Your Wish, Dwarf, além da ressurreição do clássico R14 Radial, só pra citar algumas. Eu mesmo me aventurei em duas bandas na época, a primeira foi o Quebrando o Silencio (que mais tarde se tornou Luck Bad) onde eu era guitarrista e tocávamos entre um milhão de covers o cd inteiro do Cueio Limão (aquela famosa demo que eu comprei na banquinha do show), e depois o “seminal” Só Falta Mais Um Pouco que anos depois se tornou o Trakinage HC e torturou os ouvidos de todos durante os três anos de existência, mas foi divertido.
Uma pena que Jundiaí nunca mais teve noites como essa.

Eu ainda não tive a oportunidade de agradecer o Mirtão e o F. Nick por esse show tão sensacional, então com 12 anos de atraso aqui vai o meu MUITO OBRIGADO.

Ao som de Ramones – I Wanna Be Sedated

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