O Dia que eu conheci o André Barcinski

Publicado: 20 de agosto de 2014 em Fila Benário Fala
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A primeira vez que eu li o nome André Barcinski na minha vida foi no ano de 1999, eu devia ter uns 10 pra 11 anos na época e eu era um leitor assíduo da Revista Rock, extinta publicação bimestral da 89 A Radio Rock. E teve uma edição que saiu uma matéria especial falando sobre o Nirvana, na época (e até hoje) a minha banda favorita, a matéria era riquíssima de detalhes, contava toda trajetória da banda, traçava um perfil dos integrantes, trazia a discografia comentada e lá no finalzinho havia um texto retirado do livro Barulho – Uma Viagem ao Underground do Rock Americano que contava o histórico show que o Nirvana fez em 1991 logo após o lançamento do álbum Nevermind no Teatro Paramout. O texto era riquíssimo em detalhes, se eu fechasse os olhos eu imaginaria Kurt Cobain com o surrado suéter marrom empunhando a sua fender com o imenso adesivo escrito: Vandalism Is Beautiful As a Rock In a Cop’s Face (Vandalismo é tão bonito quanto uma pedra na cara de um tira) e abrindo o show com Jesus Doesn’t Want Me For A Sunbeam do The Vaselines com era descrito ali com tamanha vivacidade.
O Texto era assinado por André Barcinski, o autor do livro, e eu simplesmente pirei, eu tinha que ter aquele livro a qualquer custo, passei anos e anos buscando e infelizmente não encontrei, até porque o mesmo que foi lançado no ano de 1992 já estava fora de catalogo, porém passei a acompanhar de perto desde então todos os trabalhos do genial André Barcinski, suas resenhas de álbuns e shows feitas no jornal Folha de São Paulo eram sempre as melhores. Com a proliferação da Internet, Barcinski se rendeu a era digital e passou a ter um blog postando diariamente as suas principais paixões: Música e Filme, e eu era seduzido dia-a-dia por aquela escrita simples, metódica e sincera. Alias até hoje ele mantém o blog no qual eu leio diariamente.
Nas minhas brincadeiras de criança na infância, entre jogar uma bolinha, brincar com os bonequinhos de super-herói e carrinhos, eu adorava fabricar as minhas próprias revistas musicais, onde eu entrevistava fantasiosamente grandes nomes da música como Rancid, Iron Maiden, os integrantes remanescentes do Nirvana e entre outros que tiveram o prazer de serem entrevistados na minha imaginação, sem ao menos imaginar eu já estava trilhando pro caminho do jornalismo e a minha principal influencia na escrita era o Barcinski.
E eis que na quarta-feira da semana passada, dia 13 de Agosto na Livraria Cultura da Avenida Paulista em São Paulo, André Barcinski lança o seu mais novo livro, o sensacional Pavões Misteriosos que narra a cena pop musical brasileira entre os períodos de 1974 á 1983, um período que ficou completamente esquecido nos registros oficiais da música brasileira, porém de maior vendagem de discos e principalmente de lançamentos de álbuns espetaculares da nossa música como: A Tabua de Esmeralda (Jorge Ben), Racional (Tim Maia), Gita (Raul Seixas) e o debut álbum dos Secos & Molhados entre muitos outros.
Após duas horas de viagem de trem/metrô do interior de SP onde moro para a capital (a mesma viagem que faço diariamente para faculdade há exatos seis meses) eis que chego na requintada livraria cultura e avisto de longe uma tímida fila que se formava em frente à uma mesa onde estava sentado o mestre dos magos: André Barcinski. Me dirigi pra fila com o livro em mãos, a ansiedade era tremenda, e eis que chegou a minha vez, André levantou da mesa todo sorridente pegou na minha mão tremula me deu um abraço e eu entre um misto de nervosismo e emoção falei:
– É como conhecer um Beatle
Ele gargalhou alto e disse:
– Imagina
Quando ele pegou o livro das minhas mãos para autografar eu comecei a narrar (gaguejando fortemente) como eu o conheci, falei do artigo na revista, falei que o meu sonho era ler o livro Barulho, falei o quanto ele me inspirou e me inspira a escrever, que eu brincava de Barcinski na infância e que tardiamente eu me ingressei na faculdade de jornalismo pra um dia ter a capacidade de escrever algo como ele. Com muita ternura no olhar ele agradeceu pelo carinho se sentiu honrado e ainda me disse:
– O Barulho infelizmente está fora de catálogo, mas tem ele em PDF pra baixar na internet, faça assim, me manda o seu e-mail que eu mando ele pra você, pode ser?
Sim, eu respondi com a cabeça já emocionado, ai ele autografou o meu livro, tirou a foto que ilustra esse post e me desejou sorte na caminhada jornalística, quando eu já estava quase longe, ainda pude ouvir a voz dele me dizendo:
– Você não esquece de me mandar o seu e-mail?

Não esquecerei André, assim como também não esquecerei dessa noite que eu tive a oportunidade de ficar frente a frente com o cara que me inspirou não desistir dos meus sonhos.

Valeu André.

Ao som de Ecliptyka – Embrace The Pain

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comentários
  1. que bonita historia 🙂 boa sorte na sua trajetoria! abçs

  2. Renata Quirino disse:

    Olá Fila Benário! Cheguei a esse link através do seu comentário lá no blog do Barça uns dias atrás. Só passei aqui pra dizer que também compartilho dessa admiração pelo André e, pasmen, acredito que o conheci na mesma época e com a mesma idade que você tinha.

    Os textos dele na Bizz, o Garagem (<3), a biografia do Sepultura (que foi a primeira biografia que comprei na minha vida, da minha banda predileta na época, escrita pelo meu jornalista predileto) e, claro, o Barulho, que eu achei em um sebo no centro de São Paulo (e é assim: não dou, não empresto, não vendo, ninguém toca rsrsrs).

    Adoraria ter ido na Livraria Cultura e também no debate que ele participou no MIS com o Forastieri, mas não rolou porque estava trabalhando =(

    Ainda encontro ele por aí (quem sabe na festa do Garagem) pra trocar umas ideias com ele.

    Beijos e sucesso na sua carreira!

    Renata Quirino

  3. […] QUANDO A CRIATURA ENFIM ENCONTRA O CRIADOR Se hoje eu tenho o blog, se hoje eu tenho essa compulsão por escrever sobre a grande paixão da minha vida que é a música, e se hoje eu ingressei na tão sonhada faculdade de jornalismo, é porque lá atrás eu fui influenciado por um cara sensacional que escreveu os melhores textos musicais, fez as melhores entrevistas e escreveu os melhores livros a respeito do assunto. Estou falando do jornalista André Barcisnski, que nesse ano eu tive o privilégio de conhece-lo e é claro que essa experiência não ficaria de fora do FBM. Veja aqui. […]

  4. Meu amigo, estou atrás desse livro por essa internet afora. Teria como compartilhá-lo comigo?

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