Os 20 Melhores Discos Lançados em 1994 Por Fila Benário

Publicado: 29 de agosto de 2014 em Especial

1994 com certeza foi um ano importante e extremamente movimentado dentro da cultura pop de modo geral, foi nesse mítico ano que o melhor filme da história do cinema foi lançado, o genial Pulp Fiction do também genial diretor Quentin Tarantino. Steven Spielberg não ficou atrás e ganhou no mesmo ano o Oscar pelo filme mais importante da sua carreira o dramático e verídico A Lista de Schindler.
Ia ao ar em 1994 o primeiro episódio daquela se tornaria a melhor série de comédia de todos os tempos: Friends.
No Brasil enquanto comemorávamos a conquista do tetra da seleção brasileira de futebol, despedíamos dos nossos heróis nacionais como o piloto Ayrton Senna, o humorista Mussum, e um dos principais fundadores da Bossa Nova: Tom Jobim. Tivemos também a troca da moeda marcada pela inclusão do plano real.
E no mundo da música o ano de 1994 foi com certeza um ano bombástico e marcante, a começar pelo suicídio de Kurt Cobain, o líder do Nirvana, foi também em 1994 que o Hard Rock farofa foi sepultado pelo Grunge e esse por sua vez teve o trono ameaçado pelo Brit-Pop vindo da terra da rainha, o Heavy Metal que a mídia insistia em dizer que estava morto estava mais vivo do que nunca, e o Punk Rock básico dos anos 70 seria ressuscitado e eternizado nesse ano.
E foi justamente nesse ano que os maiores discos da história da música foram lançados e hoje completam 20 anos de história e merecimento. Separei aqui humildemente os meus vinte discos favoritos lançados em 1994, é claro que ficou bastante coisa boa de fora, mas os mais emblemáticos na minha humilde opinião estão abaixo na ordem decrescente.

Bora lá?

20 – Balls To Picasso – Bruce Dickinson
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Balls To Picasso foi o primeiro disco do Bruce Dickinson lançado após a sua saída do Iron Maiden, há quem o execra por esperar algo na linhagem do que era feito na sua ex-banda até então. Porém o que muitos não associavam era o fato da carreira solo de Bruce andar contra corrente do que o Iron fazia, em Tattoaded Milionarire (1990) que foi gravado quando Bruce ainda estava no Maiden temos um grande álbum de Hard Rock, em Skunkworks (1996) um grande disco com percebíveis inclinações Grunge, e Balls To Picasso é um grande disco de Heavy Metal flertando com modernidades, como é o caso da faixa de abertura Ciclops, além de Hell No, 1000 Points of Light e Fire.
Porém o bom Heavy Metal ressurge na clássica Laughing In The Hiding Bush, uma das melhores canções da carreira solo de Dickinson.
Em Balls To Picasso está o maior sucesso comercial de Bruce Dickinson a belíssima balada Tears Of The Dragon, que possuí até uma passagem Reggae após um grandioso solo, mostrando a liberdade artística de Bruce em seu trabalho solo ao flertar com estilos tão distantes do Heavy Metal.
Comparando com a genial discografia de Bruce Dickinson talvez seja Balls To Picasso mais incompreendido e difícil de digerir nas primeiras audições, mesmo assim é um grandioso álbum, um dos melhores lançado no já supracitado ano de 1994 e uma resposta direta para mídia especializada da época que cantava a bola que Heavy Metal havia morrido nos anos 90.
Up The Bruce.

19 – Youthanasia – Megadeth
Megadeth
Youthanasia é a última parte da trilogia de sucesso do Megadeth nos anos 90 que inciou-se com Rust in Peace (1990) e com o clássico absoluto Countdown to Extinction (1992). Dos três Youthnasia é o mais melódico porém não menos importante na discografia do quarteto de Dave Mustaine, pelo contrário, Reckoning Day e a belíssima A Tout Le Monde são dois grande hinos da banda presentes em Youthanasia.
Outros principais destaques do disco são a quase glam Blood Of Heroes, Family Tree, The Killing Road, Train Of Consequences, Addicted To Chaos além da faixa título. Alias o disco chama Youthanasia por se tratar da união das duas palavras Youth (Juventude) + Euthanasia (Eutanásia), como se o mundo atual estivesse matando os jovens.
Outro grande destaque de Youthanasia é a capa feita pelo fotografo Richard Avedon, considerada por muito uma das melhores capas da história do Rock.

18 – Superunknown – Soundgarden
Superunknown

Superunknown não é apenas o álbum que contém Black Hole Sun, o maior sucesso da carreira do Soundgarden, mas é o melhor álbum do grupo mais técnico e eficiente vindo da gelada e chuvosa Seattle.
Bebendo da fonte de Black Sabbath e Led Zeppelin, o Soundgarden incorporou esses elementos a sua música arrastada e sombria e assim tornou uma das bandas mais queridas da cena Grunge.
Quem assina a produção do disco é Michael Beinhorn que já havia trabalhado com o Red Hot Chili Peppers nos seminais The Uplift Mofo Party Plan (1987) e Mother’s Milk (1989) e ele soube extrair o que havia de melhor na banda e fez Superunknown emplacar logo de cara quatro singles além da já citada Black Hole Sun. Spooman, The Day I Tried to Live, My WaveFell on Black Days foram sucessos instantâneos e elevou o Soundgarden para outro patamar, além de classificar Chris Cornell como um dos melhores vocalistas da década.
O disco ainda conta com o Punk Rock Kickstand e a genial faixa título.

17 – Pisces Iscariot – Smashing Pumpkins
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Depois do sucesso estrondoroso de Siamese Dream (1993), o Smashing Pumpkins preparava um álbum a altura do mesmo, o que viria ser também estrondoroso: Mellon Colie And Infinite Sadness (1995), porém como a produção dele estava longe do fim e com a premissa da banda de lançar um álbum por ano, Billy Corgan reuniu varias gravações demo e outros B-Sides e compilou tudo em único álbum intitulado de Pisces Iscariot. E se a intenção do disco era apenas ser um aperitivo para o que estava ainda por vir, ele acabou se tornando um dos álbuns mais queridos dos fãs do Smashing Pumpkins.
Longe da produção pomposa dos discos anteriores e até mesmo de Mellon Colie, Pisces traz um Smashing Pumpkins visceral, com sonoridade de ensaio de garagem, e justamente tal crueza que o faz um disco especial.
Soothe abre o disco de forma intimista, apenas a voz e violão, gravada na casa de Corgan, com uma audição mais cuidadosa você consegue ouvir o barulho dos carros passando na rua.
Frail and Bedazzled a próxima canção, encaixaria perfeitamente no Track-list de qualquer outro álbum oficial do Pumpkins graças a sua pegada Rock n’ Roll pesado com bateria jazzística, Plume peca na falta de produção mas ganha na potencia e distorção.
Há espaço para o guitarrista James Iha soltar a sua tímida voz na balada singela Blew Away. A epopeia musical Starla prende o ouvinte em seus mais de onze minutos de música alternando entre a calmaria e o peso. Peso alias que permeia durante todo álbum como no Heavy Metal Pissant, em Hello Kitty Kat, e em Blue.
Em Pisces Iscariot há também dois covers, uma versão para Landslide do Fleetwood Mac, além de Girl Named Sandoz do The Animals que aparece em uma versão ao vivo.
A única coisa que me incomoda em Pisces Iscariot é maneira como ele é tratado como um álbum não oficial e fora da discografia do grupo, sendo que é mais autentico que o próprio Adore lançado anos depois.

16 – Far Beyond Driven – Pantera
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A capa original e censurada de Far Beyond Driven já denunciava o que esperar do disco, o Pantera literalmente “currando” os nossos ouvidos, no bom sentido é claro.
São onze faixas (fora o cover de Planet Caravan do Black Sabbath) de pura porradaria, peso, com os berros insaidecidos de Phil Anselmo e os riffs de uma tonelada de Dimebag Darrell.
Precursores do chamado Groove Metal, canções como a clássica 5 Minutes Alone mostra uma banda tocando um metal ríspido e agressivo porém de forma suingada. A guitarra gritante de Dimebag na introdução de Becoming é outro grande destaque, além das pesadas I’m Broken, Slaughtered, Use My Third Arm e a veloz Strength Beyond Strength que abre o disco já dando o seu recado.
Far Beyond Driven foi o álbum que fez o Pantera se tornar uma unanimidade entre os headbangers já que os primeiros discos do conjunto carregava uma sonoridade glam, e Cowboys From Hell (1990) e Vulgar Display of Power (1992) apesar de pesados e extremamente violentos, não eram aceitos pelos fãs mais ortodoxos do genero metal devido ao toque grooveado.

15 – Monster – R.E.M.
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Depois de dois álbuns arrasadores: Out of Time (1991) e Automatic for the People (1992), o R.E.M. volta ao estúdio mais uma vez sob a produção de Scott Litt e lança Monster, que já difere dos dois álbuns anteriores pela pegada mais roqueira com guitarras distorcidas e forte influencia do Grunge de Seattle.
De sucesso temos What’s the Frequency, Kenneth? um rock rural e enérgico que só o R.E.M. sabe fazer, mas o restante de Monster é genial com as canções King of Comedy, I Don’t Sleep I Dream, TongueCrush with Eyeliner que conta com a participação especial de Thurston Moore do Sonic Youth nas guitarras e vocais.
Michael Stipe amigo pessoal de Kurt Cobain, chegando a ser padrinho da sua filha Frances Bean, sentiu muito pela morte do vocalista do Nirvana e compôs a fortíssima Let Me In em sua homenagem. E a canção foi gravada justamente com a guitarra de Cobain que lhe foi dada pela viuva Courtney Love.

14 – No Need To Argue – The Cranberries
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Se no disco de estréia do The Cranberries havia hits do tamanho de Dreams e Linger, no seu Segundo trabalho os irlandeses se superaram não apenas na quantidade de hits, mas também na maturidade e ousadia.
Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We? (1993) É um excelente disco, mas surge contido sem muitas variações, diferente de No Need To Argue que não tem medo de ousar e transita durante as 14 faixas do disco entre o peso e a melodia.
De hits temos Ode To My Family logo na abertura, além de I Can’t Be With You, Ridiculous Thoughts, Dreaming My Dreams e a clássica Zombie, onde se usa e abusa do peso da guitarra criando uma das canções mais icônicas dos anos 90. Porém o disco ainda conta com a peculiar voz de Dolores o’ Riordan interpretando canções estupendas como a balada Twenty One, So Cold In Ireland e Daffodil Lament.
Apesar de eu ter uma predileção pelo álbum Bury The Hatchet, reconheço No Need To Argue como a grande obra prima do The Cranberries.
Na duvida ouça.

13 – Parklife – Blur
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Parklife sem sombra de duvidas é o maior exito musical na carreira do Blur. Ao contrario dos dois primeiros álbuns (Leisure – 1991 e Modern Life is Rubbish – 1993) que traz uma sonoridade psicodélica a lá  Stone Roses, Parklife é um registro verdadeiro daquele que seria um dos expoentes da expansão do Pop Britânico para o mundo na década de 90.
Considerado por muitos o masterpiece de sua carreira, o tracklist de Parklife parece mais um Greatest Hits pela infinidade de sucessos que ali se encontra: a eletrônica Boys and Girls, a contemplativa e belíssima End Of A Century, a além da enérgica e genial faixa título são grandes exemplos, tudo é jogo ganho em Parklife.
É nesse álbum que fica também evidente a inclinação punk que a banda sempre teve, músicas como Trouble In The Message Centre, Bank Holiday e a pulsante Jubilee demonstram isso, a última alias é possível perceber uma semelhança entre os vocais de Damon Albarn com o desbocado Johnny Rotten do Sex Pistols.
De destaque ainda temos a baladaça sessentista Badhead, a pop dançante London Loves e o trip-hop Magic America.
As linhas bem sacadas do baixista Alex James somadas as guitarras marcantes de Graham Coxon faz do Blur uma das bandas mais queridas e Parklife o seu disco mais emblemático.
Tinha tudo pra ser o lançamento britânico do ano, se não fosse “ofuscado” pela volta da maior banda de rock da Inglaterra e pelo nascimento daquele que seria o novo Beatles e futuro desafeto do Blur pro resto da vida.

12 – Punk in Drublic – NOFX
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Para muitos o maior disco da história do Punk/Hardocore na década de 90, para outros o melhor disco do NOFX, exageros a parte uma coisa é inegável, Punk In Drublic é um disco histórico e dos mais importantes da carreira do conjunto de Fat Mike.
Há quem diga que Punk In Drublic fui impulsionado graças ao estouro do Punk Revival no ano de 1994 e “surgimento” de bandas como The Offpring, Green Day, Rancid, Blink-182 entre outras, porém tal afirmação é tamanha hipocrisia, o que forma a grandeza de Punk In Drublic são as músicas que o integra.
Nas 17 faixas do álbum são pauladas históricas mostrando o melhor do Punk Rock com muita velocidade, melodia, peso e bastante ironia nas letras, desde a abertura com o clássico veloz: Linoleum, passando pelo hit Leave It Alone e pela marcante Don’t Call Me White, faz de Punk In Drublic um verdadeiro petardo sonoro. The Cause, DigJeff Wears Birkenstocks e The Brews são outros grandes destaques.
O disco ainda conta com as participações mais do que especiais de Mark Curry do extinto Crystal Sphere no cover de Perfect Government do próprio Crystal, e da genial, maluca e destrambelhada Kim Shattuck do The Muffs na sensacional Lori Meyers.
Diz que curte Hardcore mas nunca ouviu esse álbum? Volte a ouvir Fresno e vá ser infeliz pro resto da vida.

11 – Live Through This – Hole
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Tenho total convicção de que todas pessoas que apedrejam Courtney Love e a acusam de interesseira, de desequilibrada e principal suspeita da morte do seu ex-marido Kurt Cobain, nunca ouviram esse disco na vida, porque se tivesse ouvido com certeza maneirariam na birra eterna e passariam a admirar como compositora e líder de um conjunto.
Lançado semanas antes do suicídio de Cobain, Live Through This trás um Hole mais maduro e melhor produzido em relação ao trabalho anterior o tenso e gritante Pretty On The Inside (1991).
Live Through This é um disco de Punk Rock pesado, gritado, desesperador, mas embasado em cima de uma melodia ora densa, ora selvagem, ora pop. Se não fosse a eterna birra da população mundial com a madame Love Cobain canções como Violet, Miss World, Rock Star teriam o alcance mainstream e seriam hinos absolutos.
Outros destaques de LTT ficam por conta da claustrofóbica Asking For It que começa singela e depois se transforma em uma canção insana, e os punk rock Plump e Gutless.
Reza uma famosa lenda que 1993 enquanto o Nirvana esteve no Brasil se apresentando no festival Hollywood Rock, a banda alugou um estúdio no Rio de Janeiro e gravou muitas canções, boa parte desse material foi utilizado no próximo da banda na época, o In Utero, porém há quem diga que muita coisa ali serviu de base ou até mesmo entrou em Live Through This, se é verdade ou intriga da oposição não se sabe, porém é verdade que a bateria de Jennifer’s Body a canção mais bacana do álbum foi gravada por Dave Grohl.
Larga a mão dessa birra gratuita e ouça de uma vez Live Through This, e deixa o possível assassinato de Kurt Cobain para a polícia resolver, crime é você ficar sem conhecer essa obra prima.

10 – Stranger Than Fiction – Bad Religion
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O disco que marca a saída do Bad Religion da Epitaph, gravadora de propriedade do guitarrista Brett Gurewitz, para a major Atlantic. Na época do lançamento ele veio repleto de desconfianças, mas basta apenas uma audição para constatar que os elementos que fazem do Bad Religion uma das melhores bandas de Punk Rock de todos os tempos estão ali intactos.
Há uma contextura pop por trás das canções, mas nada diferente do que a banda já mostrava nos álbuns anteriores como em Generator (1992) e Recipe For Hate (1993).
O principal hit do álbum com certeza é o hino Infected, uma das melhores canções da história da banda, densa, climática e consistente. Outros grandes destaques de Stranger Than Fiction ficam por conta da própria faixa título além de Incomplete, Better Off Dead, Hooray For Me, a belíssima Slumber e a regravação do clássico 21st Century (Digital Boy).
A “nova guarda” do Punk Rock está presente em STF com as participações especiais de Jim Lindberg (Pennywise) e Tim Armstrong (Rancid) nas canções Marked e Television respectivamente, sendo essa última a melhor do álbum.
Uma pena que na época por mais que tenha vendido bem os fãs do Bad Religion não aceitaram esse álbum e a banda passou por enorme período de rejeição em sua estada no mainstream sendo obrigado a voltar para meio independente em 2002, mas isso já é história para outro post.

9 – File Under: Easy Listening – Sugar
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Depois da estreia arrasadora dois anos atrás com Cooper Blue, o Sugar, a nova empreitada de Bob Mould após o fim do antológico Hüsker Dü surge com mais um grande álbum, o genial File Under: Easy Listening, e se ele não teve o mesmo alcance comercial do seu antecessor, pelo menos não feio na discografia da banda trazendo aquela mesma formula não desgastada e genial de fazer Punk Rock com pop.
A estrutura do álbum é a mesma de Cooper Blue, 10 canções, um começo arrasador com Gift, canções adocicadas com guitarras distorcidas até o talo como é o caso de Your Favorite Thing, Granny Cool e Company Book, essa última é a única composição do baixista David Barbe na banda.
Continuando o “comparagrama” com o álbum anterior, What You Want It to Be tem a mesma potencia emocional de Hoover Dam do álbum anterior porém ainda melhor com ausência dos teclados que impera na canção do disco de estreia. Can’t Help You Anymore é tão pop quanto If I Can’t Change Your Mind, mas mesmo assim tais comparações não desmerece o File Under e nem o taxa de sem inspiração, pelo contrário, ouvir o disco hoje onde tanta mediocridade é produzida a exaustão dentro do rock é um grande alento e a prova que Bob Mould é um excelente compositor e deveria servir de inspiração obrigatória para qualquer pessoa que pensa em montar uma banda nos dias de hoje. E prova disso fica por conta de Gee Angel, o único single do álbum que tem uma velocidade e espírito punk aliado á uma candura angelical adocicada sem soar piegas.

8 – Voodoo Lounge – Rolling Stones
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Após cinco anos sem lançar material inédito e ainda amargando a saída do baixista Bill Wyman, o Rolling Stones ressurge nos anos 90 lançando um dos melhores discos da sua carreira o genial Voodoo Lounge. Se na década de 60 e 70 o grupo tinha fortes raízes bluseiras e na década de 80 uma forte inclinação a Disco Music e o R&B, em Voodoo Lounge lançado no icônico 1994 os Stones unem todas essas sonoridades somadas às modernidades da época fazendo um álbum clássico.
A trinca de abertura de Voodoo Lounge formada por Love Is Strong, You Got Me Rocking e a quase punk Sparks Will Fly já faz valer o disco todo, porém o álbum ainda nos reserva muitas surpresas como o caso da balada The Worst cantada pelo guitarrista Keith Richards, o folk rock Moon is Up, a animada I Go Wild, o Soul dançante Suck on the Jugular, e as belas baladas New Faces, Out of Tears e Blinded by Rainbows. Além do final visceral com o Rock n’ Roll Mean Disposition.
O disco marca também a estreia do genial baixista Darryl Jones na banda no lugar de Bill Wyman, Darryl já tocou ao lado de feras como Miles Davis e Eric Clapton, porém o mesmo não é mencionado como um membro oficial da banda, mas sim um músico de apoio.
E foi com a turnê Voodoo Tour que o Rolling Stones desembarcou pela primeira vez no Brasil se apresentando em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Se o vinho melhora com o tempo eu já não sei, mas quando se trata de Mick Jagger e o seu Rolling Stones essa frase tem o emprego certo.

7 – Purple – Stone Temple Pilots
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Depois de ter sido colocado no mapa com a estreia grandiosa em Core (1993) o Stone Temple Pilots quarteto dos irmãos DeLeo com o icônico e eternamente junkie Scott Weiland lançaram no ano seguinte o álbum que catapultou a banda ao estrelato e consolidou ainda mais a mesma na história do Rock, trata-se de Purple o segundo álbum carreira do STP que soa mais maduro e eficiente que o álbum de estreia.
Apesar de carregar consigo a alcunha Grunge, o STP é muito mais que isso e em Purple fica explicita as demais influencias e inclinações sonoras do conjunto, o Hard Rock é a estrutura sonora predominante de Purple com as canções: Interstate Love Song, Silvergun Superman, Still Remains, Big Empty e o grande hit Vasoline, porém há espaço para o punk nervoso de Unglued e o Grunge Meatplow.
A produção ficou a cargo novamente de Brendan O’Brien que já havia produzido o álbum anterior da banda além do clássico Spy do Pearl Jam. Porém dessa vez a produção em relação a Core soa mais cristalina e límpida, e eliminando os excessos do álbum anterior com as suas entediantes vinhetas instrumentais.
Purple é o Stone Temple Pilots em sua melhor forma.

6 – Definitely Maybe – Oasis
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O disco de estreia mais vendido no Reino Unido, os novos Beatles, Noel Gallagher o novo John Lennon? Essas típicas frases carregavam Definitely Maybe consigo, o álbum de estreia de uma das bandas mais icônicas do rock britânico, o Oasis.
Foi em Definitely Maybe que canções do tamanho de Live Forever e Supersonic deram as caras e formas ao mundo que se recuperava de um furacão Grunge vindo da gelada e chuvosa Seattle.
O álbum de estreia da banda dos irmãos Gallagher traz os famosos elementos que os fariam conhecidos pelo mundo todo, o Brit-Pop, o pop britânico que une a selvageria displicência do rock n’ roll básico com a suavidade melodiosa do pop com alcance mainstrem, e podemos destacar canções como Shakermaker, Columbia e Slide Away.
Do lado mais roqueiro temos Rock ‘N’ Roll Star, Up In The Sky e Cigarettes & Alcohol que a introdução copia descaradamente Get It On do T-Rex. Todas as canções casam perfeitamente com o vocal anasalado à Johnny Rotten de Liam Gallagher.
Hoje com o fim das atividades do Oasis, desde 2009, seria perfeito se eles voltassem para comemorar os 20 anos dessa obra prima chamada Definitely Maybe.

5 – MTV Unplugged in New York – Nirvana
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O programa que foi ao ar em dezembro de 1993, virou disco no ano seguinte em virtude da morte de Kurt Cobain.
Elogiadissímo pela crítica especializada sendo citado inúmeras vezes como o melhor disco acústico já lançado na história da música, o Unplugged do Nirvana traz uma banda na crista da onda fazendo releituras intimistas dos seus maiores sucessos. É claro que para todo bom fã sempre falta algo, Nevermind (1991) o disco mais aclamado da discografia da banda teve apenas 4 musicas revistadas: Polly, On a Plain, Something in the Way e o clássico absoluto Come as You Are, mas se o álbum peca pela ausência do óbvio ele acerta pelo excesso de novidades como é o caso dos covers escolhidos a dedo por Cobain: Jesus Doesn’t Want Me for a Sunbeam do The Vaselines, The Man Who Sold The World do camaleão David Bowie, além de Plateau, Oh, Me e Lake Of Fire dos Meat Puppets com a participação especial dos integrantes da banda os irmãos Curt e Cris Kirkwood.
Do mais ainda temos o resgate histórico de About a Girl do disco de estreia da banda o Bleach (1989) as versões tocantes de Dumb e Pennyroyal Tea e o final apoteótico com Where Did You Sleep Last Night? Versão para o clássico do bluesman Leadbelly, impossível não se emocionar ouvindo essa canção.

4 – Let’s Go – Rancid
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Foi a partir desse álbum, o segundo da sua discografia, que o Rancid deixou todas as desconfianças de lado e se portou realmente como uma banda de verdade.
Formada das cinzas do finado Operation Ivy, grande banda de Ska Core dos anos 80, o Rancid chegou amordaçando todos com o seu Punk Rock enérgico e desbocado.
Let’s Go vem com o mesmo pique do seu antecessor auto-intitulado, porém com o adicional de Lars Frederiksen (ex-UK Subs) nas guitarras e vocais, contribuindo ainda mais para a rispidez (no bom sentido) da banda.
De hits instantâneos temos Salvation e Radio, essa última co-escrita com Billie Joe do Green Day, que já chegou a fazer segunda guitarra para banda antes da entrada de Lars. Porém Let’s Go tem muito mais a nos oferecer com Nihilism, Side Kick, I Am the One, Tenderloin cantada pelo baixista Matt Freeman e St Mary cantada por Lars.
Produzido pelo mestre Brett Gurewitz (Guitarrista do Bad Religion), Let’s Go ajudou a consolidar ainda mais o nome do Rancid na cena na época e serviu de preparo para a grande cartase que seria o próximo álbum do conjunto, o multiplatinado e bombado …And Out Come the Wolves (1995), porém de Let’s Go que vem a predileção de muitos já que é um álbum integro, direto, e visceral diferente do rumo que o Rancid tomaria nos álbuns a seguir.

3 – Blue Album – Weezer
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Com a morte de Kurt Cobain e o fim do Nirvana, foi no Weezer que o público alternativo encontrou refugio e consolo, e tudo isso se deve ao seu primoroso álbum de estreia, auto-intitulado, mas que graças a simplória capa azul ficou eternizado como Blue Album.
Mesclando melodias da década de 60, com Punk Rock, Surf Music e riffs de guitarras absurdamente distorcidos o Weezer criava uma formula única que hoje milhares de bandas indies tentam copiar erroneamente mas jamais conseguirão.
De My Name Is Jonas passando pelas singelas No One Else e The World Has Turned And Left Me Here, até chegar na cartase de Buddy Holly, Blue Album é jogo ganho.
Mas o álbum ainda tem perolas do tamanho de Undone (The Sweater Song), Surf Wax America (a favorita desse blogueiro), In The Garage, e o hit Say It Ain’t So, coverizada por Deus e todo mundo e chegou a inspirar Jon Bon Jovi a compor uma canção com o mesmo título para sua banda no álbum Crush em 2000.
O encerramento com épica e longa Only In Dreams faz de Blue Album não só um dos melhores álbuns lançado no ano de 1994 com também o único notável da discografia do Weezer que infelizmente foi se perdendo pelo caminho e flertando com melodias nada agradáveis.

2 – Dookie – Green Day
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O Punk Rock teve três grandes picos dentro da história da musica, em 1977 com o surgimento simultâneo dos Ramones nos Estados Unidos influenciando os Sex Pistols e The Clash na Inglaterra. Em 1991 com o estouro do Grunge de Seattle foi a vez de Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam tomarem o mundo de asfalto. E em 1994 uma nova estética Punk surgia e foi o Green Day com o seu masterpice Dookie os principais precursores dessa nova onda.
Tido até hoje como o melhor disco e mais vendido do trio californiano, Dookie é um verdadeiro desfile de hits tudo bem tocado e preso nas amarras dos característicos três acordes.
Burnout, Welcome to Paradise, Basket Case, When I Come Around e She são clássicos absolutos, isso sem mencionar Longview o primeiro single do álbum e verdadeira voz de uma geração presunçosa, irônica e sem perspectivas.
Antes do Green Day se tornar esse troço chato, pseudo cool e hipster após a virada do milênio, Billie Joe e sua trupe já foi uma grandiosa banda e graças à Dookie.

1 – Smash – The Offspring
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Se um dia eu tivesse a oportunidade de listar os melhores discos lançados na década de 90 com certeza Smash figuraria as primeiras posições.
Um disco arrasador, um hino atrás do outro, um verdadeiro ode ao Rock simples básico mas igualmente genial e genioso.
Joey Ramone chegou a declarar em entrevistas ter um apreço pelo álbum, nomes como Daniel Johns do Silverchair são fãs confesso de Smash.
O Tracklist do álbum repleto de hits nos remete a um Greatest Hits da banda, que de certa forma não deixa de ser, desde a abertura pesada e veloz de Nitro, passando por Bad Habit, Gotta Get Away, a clássica guitarra pesada de Genocide, além dos hinos de toda uma geração Come Out and Play (Keep ‘Em Separated), Self Esteem e o Ska Core What Happened To You, isso sem contar a versão primorosa para Killboy Powerhead clássico do The Didjits.
Enfim Smash é um clássico absoluto não só do ano de 1994 mas de toda história do rock, e não ouviu ainda porque???

E você? quais são os seus discos favoritos lançado no ano de 1994? Deixa abaixo nos comentários

Ao som de At The Drive-In – Invalid Litter Dept.

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comentários
  1. […] 20 MELHORES DISCOS DE 1994 1994 foi definitivamente o ano da música, e o FBM fez uma gigantesca lista com os vinte melhores álbuns lançado nesse ano […]

  2. […] feita aqui no FBM onde saudamos os discos que comemoram 20 anos de existência, conforme fizemos aqui sobre o ano de […]

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