A música do Rappa é uma das poucas coisas que salva em Trash

Publicado: 20 de outubro de 2014 em Cinema
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No último final de semana assisti acompanhado da minha noiva ao filme Trash – A Esperança Vem do Lixo, no qual a imprensa especializada e o público de modo geral têm elogiado bastante.
O filme dirigido pelo diretor britânico Stephen Daldry (O Leitor, As Horas e Billy Elliot) e feito no Brasil, narra a história de dois garotos que vivem e trabalham no lixão, Gardo (Eduardo Luís) e Rafael (Rickson Tevez), e encontram uma carteira que além de conter uma farta quantia em dinheiro, possui um código e uma chave de armário, porém a tal carteira passa a ser procurada pelo policial Frederico – interpretado pelo figurinha carimbada do cinema nacional, Selton Melo – à mando do Santos, candidato a prefeito da cidade, vivido pelo veterano Stepan Nercessian.
Gardo e Rafael agora unidos ao garoto que atende pelo “nome” Rato (Gabriel Weinstein), descobrem que a carteira pertence à José Ângelo – vivido pelo genial Wagner Moura – e embarcam em uma aventura eletrizante para descobrir qual o segredo por trás do objeto achado no lixão.
Na teoria tinha tudo pra ser um grandioso filme, ainda mais levando em consideração o elenco formado por dois dos maiores atores do cinema nacional, um verdadeiro encontro do século. No entanto, na prática o filme não funciona, e é tudo culpa de um roteiro mal escrito que muito colaborara para uma trama fraca com diversos furos. Richard Curtis, também britânico, responsável pela empreitada, é conhecido por escrever comédias românticas (Questão de Tempo) e comédias pastelão como As férias de Mr. Bean, e em Trash, o desafio era desenrolar uma trama dramática, com ação e algumas pitadas de humor, porém não sai como planejado.
E o tal encontro do século do cinema nacional ficou para outra ocasião, já que em Trash ele não acontece, Selton Melo faz um dos piores papeis de sua carreira, na pinta do policial canastrão Frederico, totalmente engessado, ele não transparece aquele ar truculento, irônico e sádico que pede o personagem, ficou semelhante a um policial de novela global. E Wagner Moura por sua vez mal aparece no filme, acredite! Se somar todas as cenas em que ele atua em Trash não dá dez minutos. Deprimente.
Porém o que torna o filme um pouco mais agradável é a participação dos adolescentes heróis da trama, que mesmo sem serem atores profissionais deram um banho de interpretação, principalmente Gabriel Weinstein, que vive o Rato, o personagem mais divertido e racional do filme, não me assustarei em ver o garoto brilhando em mais filmes por ai, até mesmo no circuito internacional. A participação da bela Rooney Mara (A Hora do Pesadelo e Millenium, Os Homens que não Amavam as Mulheres) e do veterano e genial Martin Sheen, veio a acrescentar positivamente no filme, o último principalmente estava excelente no papel de um Padre Missionário americano, dando um show de interpretação e emoção e reduzindo a pó as pífias participações de Moura e Melo. A curta participação de Leandro Firmino da Hora, o eterno Zé Pequeno de Cidade de Deus, teve o seu valor e serviu como um alento.

Martin Sheen cercado pelo jovem trio que fez um pouco o filme valer a pena

Martin Sheen cercado pelo jovem trio que fez um pouco o filme valer a pena

Porém nada foi mais preciso em Trash do que a canção Lado A Lado B do grupo O Rappa, embalando uma eletrizante cena de perseguição envolvendo Gardo, Rato e Rafael, a canção de composição de Marcelo Yuka (Ex-baterista) em parceria com o vocalista Falcão, lançada no terceiro álbum da banda de mesmo título, no ano de 1999, tem um punch, uma agressividade e uma sonoridade descomunal, e funcionou perfeitamente na citada cena, sem contar a sua letra com forte apelo social.

O nosso cinema nacional já conquistou o mundo com grandes filmes: Cidade de Deus, Tropa de Elite, O Que é Isso Companheiro?, Central do Brasil e entre muitos outros são exemplos claros, não havia a necessidade de trazer um diretor e roteirista estrangeiro com a premissa de conquistar o mercado internacional.
No final das contas, Trash não passa de um filme brasileiro, feito pra inglês ver…

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