Assistimos também o segundo e o terceiro episódio de Sonic Highways

Publicado: 8 de novembro de 2014 em Foo Fighters, Lançamentos e Novidades, Televisão
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Sonic HighwaysComo já noticiamos aqui em alguns post’s atrás, o canal HBO tem exibido semanalmente (todas as sextas à noite) a série Sonic Highways, onde registra o processo de gravação do novo cd – de mesmo nome – dos Foo Fighters.
Já é do conhecimento de todos que o cd terá oito faixas e cada uma foi gravada em uma cidade americana diferente e assim registrado em cada capitulo.
No primeiro episódio tivemos a banda visitando a cidade de Chicago, onde foi força e inspiração para a canção Something From Nothing.
Nos dois últimos episódios exibidos a banda foi à Washington e Nashville.

Washington e o passado musical de Dave Grohl
Dave Grohl
O segundo episódio registra as gravações da banda no mítico estúdio Inner Ear Studio em Washington, estúdio que já foi cenário de gravações de grandes nomes da cena Hardcore da cidade: Rites Of Spring, Bad Brains, Minor Therat, além da antiga banda de Dave Grohl, o Scream, só para citar alguns.
A série inicia mostrando o conflito vivido em Washington com a morte do líder da luta racial Martin Luther King em 1968, nas palavras de Ian Mackaye, o eterno frontman, do Minor Threat “aquilo era uma guerra racial e nós (brancos) iríamos morrer”. Depois, Sonic Highways faz uma visão geral na cena musical de Washington, lar de grandes nomes da música negra americana como o Soulmen Marvin Gaye e o Jazzista Duke Ellington, além da então nova sonoridade que fervilhou a cena musical na década de 80, o GoGo, um Funk com mais ênfase ao groove e a percussão, gênero onde o saudoso Chuck Brown era rei e o Trouble Funk os príncipes. Alias o citado grupo teve uma imensa abordagem nesse episódio, com Dave Grohl acompanhando o ensaio do conjunto que exibe uma musicalidade acima da média.

Trouble Funk

Trouble Funk

Porém os verdadeiros astros desse segundo episódio é sem sombra de dúvidas o Bad Brains. Famoso grupo de Punk Rock formado apenas por negros, foi a banda mais cultuada e admirada do gênero em Washington, inspirando uma série de bandas posteriormente, entre elas o Teen Idles, formada pelo então baixista Ian Mackaye .

Dave Grohl entrevistando Dr. Know (esq) e Darryl Jenifer (dir) do Bad Brains

Dave Grohl entrevistando Dr. Know (esq) e Darryl Jenifer (dir) do Bad Brains

O episódio ainda conta o surgimento da Dischord Records, o selo fundado por Ian com 18 anos, onde o mesmo montava as capas dos discos a mão, e que no total vendeu cerca de 4 milhões de álbuns e lançou as bandas mais emblemáticas do gênero.
E também aborda a vida de Mark Andersen, um ativista político engajado em causas sociais e humanitárias que ao chegar em Washington revolucionou literalmente a vida dos jovens daquela cidade com o movimento Positive Force que unia shows de Punk Rock com bandas locais à protestos em frente a embaixada da Africa do Sul pedindo o fim do Apartheid.
Mark Andersen
Nascido e criado em Washington, o episódio faz Dave Grohl relembrar toda sua adolescência agridoce, mostrando uma cena inédita do então jovem e alucinado Grohl tocando bateria com a banda Mission Impossible.

O jovem Dave Grohl circulado

O jovem Dave Grohl circulado

No final do episódio a banda toca a selvagem faixa The Feast and the Famine que em sua letra retrata a “Revolution Summer” criada por Andersen e faz referências ao Bad Brains, Ian Mackaye e até aos discos gravados pelo Foo Fighters em Washington, o There Is Nothing Left To Lose e One By One.

 

Nashville e um estranho no ninhoDave Grohl Nashville
De todos os episódios que foram ao ar, esse é mais fraco, não significa que seja ruim, mas não é tão emblemático quanto os dois anteriores (principalmente o de Chicago).
Nashville é conhecida como a capital da Country Music americana, foi justamente de lá que saiu os principais nomes de música caipira: Johnny Cash, Dolly Parton, Willie Nelson. E ainda produz o gênero em exaustão, porém com forte apelo comercial, e essa que acaba sendo a parte mais interessante desse episódio, a crítica feita aos novos artistas do gênero que acabou transformando a belíssima e tocante musica caipira em música de balada, com forte apelo pop e sexual vide as letras apelativas e vazias (do mesmo mal sofremos nós brasileiros com o execrável Sertanejo Universitário).
Apesar das excelentes entrevistas com a “esticada” Dolly Parton e principalmente com o pianista Tony Brown e o cantor/guitarrista Tony Joe White, o terceiro episódio de Sonic Highways não veio tão impactante como os demais e chega a ser exaustivo na metade pro final, e muito se dá pelo fato dos próprios Foo Fighters não serem amantes do gênero musical. Minto, o guitarrista Chris Shiflett é grande conhecedor e admirador da Country Music chegando a ter um projeto solo no gênero, o Chris Shiflett & the Dead Peasants, que lançou inclusive dois CDs muito bons – Chris Shiflett & the Dead Peasants (2010) e All Hat No Cattle (2013) – mas isso em momento algum foi citado… uma grande falha.

Por mais que Chicago fosse considerada a capital do Blues e Washington a metrópole da música negra em formato de Soul e GoGo, os episódios anteriores fizeram questão de mostrar o cenário Rock de ambas cidades, e nesse episódio em que ficou calcado apenas no Country, a banda perdeu a oportunidade de mostrar a cena rock da capital que mesmo minúscula, é latente e tem com o seu representante o grupo Paramore, que já provou inúmeras vezes ter uma imensa admiração pelo quinteto de Dave Grohl ao tocar a canção My Hero em diversos shows.

Do mais o episódio mostra – brevemente – as gravações da canção Congregation, que das três músicas lançadas de Sonic Highways, por incrível que pareça é a mais se assemelha com tudo que o Foo Fighters já lançou. A canção foi gravada no clássico estúdio Southern Ground Studio que hoje pertence ao cantor Zac Brown, líder da Zac Brown Band, e acaba sendo ele o ponto de apoio do episódio, já que Dave Grohl sem ao menos ter ouvido uma canção sequer da banda produziu o EP intitulado de The Grohl Sessions Vol. 1, e ali iniciou-se uma grande amizade entre ambos, a ponto de Dave Grohl tocar com a banda na premiação famosa premiação da música Country de Nashville: CMA Awards.

Zac Brown Band com Dave Grohl no CMA

Zac Brown Band com Dave Grohl no CMA

Porém a serie foca demais em Zac Brown cometendo o pecado mortal de reduzir a entrevista de Willie Nelson, além de pouco falar sobre Johnny Cash, o músico mais influente e importante de toda Nashville.
Por fim o que salva do episódio mesmo é canção Congregation que entre muitas referências encontradas no episódio, fala sobre a ligação que todos os artistas de Nashville tem com a fé, já que todos começaram cantando na igreja.

Não foi ruim, mas poderia ser melhor.
Próxima parada: Austin, espero que esse faça valer a pena e mantenha o tom emocionante dos anteriores.

PS: Já estou ouvindo o Sonic Highways e segunda-feira terá resenha dele aqui, fiquem ligados.

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comentários
  1. […] Music, tivemos o prazer de assistir todos os episódios – alguns inclusive, já comentamos aqui e aqui – e vamos passar o review geral dos episódios restantes e o que se pode esperar desse ousado […]

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