tim-maia-filme-cenaFinalmente assisti Tim Maia e só tenho uma coisa a dizer: É de longe a melhor cinebiografia musical já feita no cinema nacional. Exagero? Vai lá e comprove você mesmo.
Como já dito aqui, o roteiro do filme segue o livro Vale Tudo de Nelson Motta (se você não teve a oportunidade de ler, por favor, leia o quanto antes, se possível antes mesmo de assistir ao filme), é claro que no livro tem muito mais emoção e principalmente muito mais fatos que seria possível colocar em duas horas de filme, mas o que se passa em cena é muito satisfatório.
O fato da história ser narrada pelo seu amigo Fábio – famoso cantor da década de 70 e parceiro de Tim em varias empreitadas musicais como essa – interpretado no filme pelo global Cauã Reymond tornou a trama interessante e divertida, já que os dois juntos tiveram muitas histórias hilárias, principalmente no período que Tim Maia morou de favor por uns tempos no sofá da sala do apartamento de Fábio, antes da fama.
A sua infância como entregador de marmita, a adolescência já como membro do grupo vocal The Sputniks, ao lado do Roberto Carlos, a sua frustrada estádia nos Estados Unidos, tudo está muito bem registrado e interpretado por Robson Nunes que faz Tim na juventude.
A cena em que Tim e a galera dos Sputniks, junto com o empresário Carlos Imperial, vão assistir uma apresentação da Nara Leão (interpretada fielmente pela cantora Malu Magalhães) seria a única bola fora do filme, já que na cena Tim e a sua gangue não gosta do que ouve, sendo que no livro fica bem evidente que Tim, Roberto, Erasmo e até mesmo Jorge Ben ficaram de queixo caído quando se depararam com a Bossa Nova e se tornaram fãs de carteirinha do gênero, a ponto de Tim Maia gravar no começo dos anos 90 um álbum interpretando as suas canções favoritas do gênero musical, e outro em parceria com o grupo vocal Os Cariocas. Porém a cena é tão divertida que essa falha passa batida.
Babu Santana dá um show de interpretação na pele do Tim Maia na vida adulta e ainda mais bonachão e desbocado. Os trejeitos, o modo de falar, as gírias e as famosas frases de efeito do grande síndico estavam presentes de forma tão viva, que eu pensei que estava vendo o próprio Tim Maia em cena.
Os números musicais são outros grandes destaques do filme, Festa de Santo Rei, Sossego e Imunização Racional (Que Beleza) te faz balançar os pés no cinema e matar as saudades de quando no palco ninguém era maior do que Tim Maia no Brasil. Isso quando ele ia aos compromissos.
A sua entrada e posterior saída da seita Universo em Desencanto, que gerou os seminais álbuns Tim Maia Racional Vol 1 e 2, é uma das partes mais divertidas do filme.
O amor bandido de Tim Maia pela sua amada esposa Janete, também está presente no filme, interpretada pela belíssima Alinne Moraes em uma atuação correta, agora o que é um grande mistério foi a personagem no filme se chamar Janaína… A atriz Laila Zaid por sua vez estava impecável e divertida como sempre (como é da sua natureza) no papel da namorada de Fábio.
Outra pequena bola fora do filme é a atuação caricata do ator George Sauma que interpretou um Roberto Carlos lisérgico e muito caricato, parecendo mais um Hermes e Renato. Fora isso o filme é genial e a sua cena final – que inclusive conta coma participação “Roberto Carlos” – é fantástica.
Figurinos perfeitos, atuações memoráveis, diálogos bem sacados e divertidos, drama bem dosado e trilha sonora perfeita, assim é Tim Maia, a cinebiografia do maior artista da música popular brasileira, que se não foi um bom exemplo de vida no aspecto pessoal, foi pelo menos um artista imensurável e insuperável.

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