Clássico de Pink Floyd transformado em sertanejo vira trabalho de faculdade

Publicado: 26 de novembro de 2014 em Fila Benário Fala
Tags:, , ,

pink-floyd-dark-side-of-the-moon-lyrics1

Esses dias na faculdade fui surpreendido por um trabalho nada ortodoxo sugerido pela minha professora de Comunicação e Língua Portuguesa, elas nos pediu uma resenha-critica de um determinado tema, até então não havia problemas… só que o tema da resenha era nada mais nada menos que comentar a horrenda e desrespeitosa versão que a duplinha sertaneja Max & Luan fez do clássico Another Brick In The Wall do Pink Floyd.
Calma ai, você não sabia da existência disso? calma que faço questão de apresentar esse excremento:

Enquanto a professora ria sarcasticamente da tarefa em nós aplicada, eu muni de balas e disparei a minha metralhadora giratória em uma resenha que você pode ler abaixo na integra:

Max & Luan – Até o Céu
Em 1979, com a efervescência do movimento Punk na cinzenta Inglaterra, a música despretensiosa de três acordes alcançava o gosto popular. E foi nesse período que quatro cabeludos de Cambridge, que já faziam sucesso com o seu chamado Rock Progressivo, criaram aquela que seria não somente a obra prima do gênero, mas de toda música a nível mundial.
Roger Waters (Baixo e Voz), David Gilmour (Guitarra e Voz), Nick Manson (Bateria) e mais o tecladista Richard Wright, o Pink Floyd, lançavam o arrasador disco duplo The Wall.
The Wall era um grito libertador do seu autor Roger Waters, que documentou nas letras do álbum as suas dramáticas experiências pessoais, como a perda do pai, que falecera na Segunda Guerra Mundial, o conturbado relacionamento com a mãe super-protetora, além do abuso sofrido pelos professores tiranos. E foi justamente a última experiência que resultou na anárquica canção Another Brick In The Wall, divida em três partes, sendo a segunda a mais emblemática que com muito louvor tornou-se cultuada no mundo inteiro.
Passados 35 anos, o local não é a distante, fria e cinzenta Inglaterra, mas sim o Brasil, de “palmeiras onde cantam os sábias”, e a música rebelde, ultrajante, que fora tocada por gênios do Rock Progressivo, ganhou batidas regionalistas e até mesmo uma intrometida sanfona que emula o refrão cantado por Waters.
O trecho inicial do refrão é até cantado, porém em um inglês aprendido com o Professor Joel Santana, mas logo ele é abafado pela frase:
“Eu te amo, mas você nem tanto
Vou te seguindo, até o céu”
E o grito libertador “Hey, Teacher, leave them kids alone” se reduziu à “Hey, menina, me mande um sinal”.
Nem o mais lisérgico ser humano seria capaz de imaginar algo do gênero, mas infelizmente isso é real, e os responsáveis da morte silenciosa de um dos maiores clássicos da música mundial são a dupla de Sertanejo Universitário de Minaçu (GO) Max e Luan. E o grande hino contestador Another Brick In The Wall virou na mão da dupla: Até o Céu.
Com um vídeo clipe super produzido, exibindo uma platéia formada em sua maioria por jovens belas modelos obviamente contratadas com intuito de embelezar o vídeo. O mesmo ultrapassou a marca de um milhão de visualizações na internet e virou assunto nas principais redes sociais.
Se Pink Floyd soou ultrajante com o lançamento de Another Brick In The Wall, Max e Luan soam ainda, porém no mau emprego da palavra, ao apropriar-se de uma canção que é um verdadeiro patrimônio histórico e cultural, e reduzir a pó tais gratificações, com uma versão que beira o inaudível e demonstra claramente a falta de conhecimento e respeito com a obra alheia.
E mesmo com o alto número de visualizações do vídeo, as notas negativas somadas aos comentários de pessoas incrédulas com o sacrilégio cometido pela dupla, reflete claramente que a tal versão não passa de um equívoco e, sobretudo um insulto a obra composta por Roger Waters.
Parafraseando o segundo mandamento da lei de Deus, que fique a lição para Max e Luan para nunca mais mencionar “Santa obra prima do Pink Floyd em vão”.

O trabalho em si me rendeu uma nota razoável e um pequeno puxãozinho de orelha da professora que me alertou escrevendo na capa do trabalho:
“Vinícius, a resenha está muito bem escrita, mas faltaram argumentos um tanto mais consistentes. Até entendo a sua indignação, mas você não expôs com dados o motivo de tanta revolta”.
Concordei e ainda concordo muito com ela em numero gênero e grau, afinal de contas escrevi o texto como um fã e admirador da obra do Pink Floyd que não aceitou o sacrilégio feito com a sua canção mais popular e cultuada, porém não apresentei argumentos sólidos. Escrevi com a emoção, e na futura profissão que irei seguir, isso não pode acontecer.
Ficou o aprendizado e serei eternamente grato a essa querida e estimada profissional.

Mas que foi bacana escorraçar  essa duplinha infernal e ainda tirar algumas gargalhadas da professora, como ela mesma descreveu na correção do trabalho, isso foi:

"Ri muito aqui" escreveu a professora.

“Ri muito aqui” escreveu a professora.

Anúncios
comentários
    • fbenariomusic disse:

      Que notícia maravilhosa Sâmela, seja muito bem vinda e fique a vontade para conhecer o nosso trabalho e sugerir pautas para as próximas matérias.

      Beijão =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s