Especial, Fila Benário Fala

Feliz Dia do Samba

Cartola e Adoniran Barbosa, dois gênios máximos do Samba
Cartola e Adoniran Barbosa, dois gênios máximos do Samba

Hoje, dia 2 de Dezembro é comemorado o Dia do Samba, o som genuinamente brasileiro que canta e encanta multidões.
Mas você sabe a origem dessa data tão emblemática? A principio pensei que se tratava do dia que foi lançada a música Pelo Telefone, o primeiro samba feito no Brasil de autoria de Donga e Mauro de Almeida e interpretada pelo sambista Almirante, mas a canção foi registrada na biblioteca nacional do dia 27/11/1916.
O Dia do Samba surgiu por iniciativa de um político baiano, o vereador  Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Fã declarado do sambista, Luis decretou o Dia do Samba na primeira vez que Ary visitou Salvador que foi justamente no dia 2 de Dezembro. A data popularizou e hoje ela é comemorada em todo o Brasil.
O Samba é o autentico som do povo, com clara influência das batidas africanas vindas das senzalas, o Samba incorpora em suas letras as injustiças sociais, o lamento do trabalhador que mora no morro e sofre diariamente preconceito racial e social, além de repressão policial.
O som que era marginalizado, tachado como música de boêmio e malandro, ganhou atenção da turminha rica de Copacabana, que ao tentar tocar ele de forma diferente acabou criando outro estilo muito importante para a proliferação do gênero, a Bossa Nova.
A partir daquele momento, o Samba passou a ser uma musica sociável, ganhou atenção, ouvidos e os corações de todos os brasileiros, revelando grandes ícones do gênero, nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Ary Barroso, Monarco, Adoniran Barbosa, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, João Nogueira, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Demônios da Garoa, Originais do Samba, Fundo de Quintal e entre outros, são saudados como reis e rainhas dessa música que não existe em nenhum outro lugar do mundo.
Assim como o Rock que tem inúmeras vertentes e hoje se perdeu pelo caminho dentro de estilos que nada condiz com a proposta inicial do mesmo, o Samba também tem diversas ramificações, entre elas o pagode, que vai totalmente contra à proposta do autentico Samba, abusando de melodias repetitivas, letras vazias e “músicos” importando exclusivamente com o visual e comportamental do que com o próprio musical.

Então para o verdadeiro Samba, aqui vai a minha homenagem e toda reverencia.
Selecionei abaixo cinco canções, nas quais eu classifico como os melhores sambas de todos os tempos:

Preciso Me Encontrar – Cartola
Não poderia iniciar a minha lista sem antes exaltar a obra do grande sambista Cartola. Possuidor de um dom incrível de fazer letras poéticas, tocantes e emblemáticas. O carioca nascido Angenor de Oliveira foi fundador da tradicional escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Porém foi aos 65 anos de idade que Cartola gravou o seu primeiro disco, lançado em 1974.
Em 1976 o mestre Cartola lançou o seu segundo álbum, que se tornou um grande sucesso graças às canções: As Rosas Não Falam, o Mundo é um Moinho e Preciso Me Encontrar, essa última, de tom angustiante, sofrível e letra fortíssima – de autoria do compositor Candeia – é uma das mais belas canções já feitas em solo nacional.

Samba do Arnesto – Adoniran Barbosa
Conhecido como o estilo musical genuinamente carioca, foi nas mãos desse divertido Paulista que o Samba chegou à São Paulo.
Conhecido como o pai do samba Paulistano, Adoniran Barbosa trouxe o samba para a selva de pedra, e a sua maneira, fazia suas criticas e demonstrava o inconformismo com a situação social na época.
Dono de um humor inconfundível, chegando até ser humorista, Adoniran recheava as suas letras de ironias e sarcasmo, principalmente ao inserir nas mesmas as divertidas pronuncias do povo paulistano com severos erros gramaticais e de concordância.
Os seus principais sucessos foram as canções Trem das Onze, Saudosa Maloca, As Mariposas, Tiro ao Álvaro. Porém a minha favorita é sempre será a divertidíssima Samba do Arnesto, baseada em fatos reais, Adoniran narra a história de Ernesto (que na música ficou eternamente eternizado com a grafia errada) que o convidou para um samba no bairro paulistano do Brás, mas deu cano em todos.

Pecado Capital – Paulinho da Viola
Depois que a Bossa Nova de Nara Leão, João Gilberto, Tom e Vinícius popularizou o Samba, ele deixou de ser um estilo marginalizado e passou a ganhar espaço nas rádios, nos programas televisivos e passou a figurar na listas dos discos mais vendidos, com os seus principais artistas vendendo igual ou até mais que Roberto Carlos, o eterno maior vendedor de discos do Brasil.
E se tem uma canção que marca essa transição do Samba de gênero renegado à gênero aclamado é Pecado Capital de autoria e interpretação do grandioso mestre Paulinho da Viola.
No ano de 1975 a Rede Globo de Televisão estreava a sua mais nova novela, o folhetim Pecado Capital, que contava com um elenco de primeira com Francisco Cuoco no papel principal além de Beyty Faria, Lima Duarte, entre outros.  A trama precisava de uma canção de abertura, e foi nesse momento que o produtor Guto Graça Melo foi à casa do sambista Paulinho da Viola, que na época já era aclamado graças aos sucessos Foi um Rio que Passou em Minha Vida, Coração Leviano e Dança da Solidão, e ele compôs em tempo recorde essa maravilhosa canção.
Foi a primeira vez que um Samba foi tema de abertura de uma novela.

Tem Coca ai na Geladeira – Bezerra da Silva
O samba virou trilha sonora de novela, chegou a classe A, mas ele nunca deixou de ser a trilha sonora da periferia, dos morros, a música do malandro, e foi nesse período que novos sambistas apareceram enaltecendo a cultura do povo, foi a época de nomes como Martinho da Vila, Dicró e Zeca Pagodinho, e grupos como Os Originais do Samba e grandioso Fundo de Quintal que tinha um verdadeiro Dream Team na sua formação, que chegou contar com Arlindo Cruz, Sombrinha, Almir Guineto e Jorge Aragão.
E foi nesse período que surgiu um malandro muito folgado, vindo de Recife, Pernambuco, fez dos morros cariocas a sua morada e sua paixão, cantando ela em todas as suas canções, sendo eleito o Embaixador do Morro. Eu me refiro ao poeta Bezerra da Silva, a saudosa voz das favelas.
Músico nato, Bezerra estudou violão clássico e chegou a integrar a orquestra da Rede Globo, mas a sua grande vocação era o Samba Partido Alto, e foi compositor de eternos hinos do gênero como Cocada Boa, Sequestraram a Minha Sogra, Malandragem dá um Tempo, Se Leonardo Da Vinci, Medo de Virar Galeto, e o meu favorito de todos os tempos: Tem Coca ai na Geladeira.

Samba de Arerê – Beth Carvalho
O samba foi gênero musical onde mais revelou mulheres, e todas se tornaram damas e rainhas.
Desde Tia Ciata, passando por Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Jovelina Perola Negra, Alcione, Eliana de Lima, Leci Brandão e até as jovens e belíssimas sambistas como Roberta Sá, Nilze Carvalho e Teresa Cristina. Foi no samba que as mulheres fizeram morada e puderam cantar nas melodias sacolejantes as suas dores, magoas, esperanças, desejos e anseios.
Portanto não poderia deixar elas de fora da lista, e minha escolhida é a grande madrinha do samba, aquela que revelou para o mundo nomes como Zeca Pagodinho, Beto Sem Braço e o grupo Fundo de Quintal. A grandiosa Beth Carvalho, No samba desde os anos 60, Beth Carvalho ficou em terceiro lugar no Festival da Canção de 1968 interpretando o grande sucesso Andanças, e a partir daí Beth acendeu como um estopim de sucesso com as canções Vou Festejar, Goiabada Cascão e muitas outras.
A minha favorita da madrinha Beth Carvalho é a sua interpretação para Samba de Arerê de autoria de Xande de Pilares e Arlindo Cruz, o poderoso som do tantã que é mencionado na música é de tamanha empolgação que dá vontade de sair sambando junto.

Um feliz dia do VERDADEIRO Samba a todos, e que não tenhamos vergonha de prestigiar e valorizar o nosso maior patrimônio cultural.

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