Assistimos todos os episódios de Sonic Highways

Publicado: 17 de dezembro de 2014 em Foo Fighters

Dave GrohlEnquanto o canal BIS exibe todos os domingos a série Sonic Highways, que conta a origem do novo álbum do Foo Fighters de mesmo título, nós do Fila Benário Music, tivemos o prazer de assistir todos os episódios – alguns inclusive, já comentamos aqui e aqui – e vamos passar o review geral dos episódios restantes e o que se pode esperar desse ousado projeto capitaneado pelo mestre Dave Grohl.

AUSTIN É UMA CONTINUAÇÃO DE NASHVILLE
Foo Fighters em Austin
Após a parada em Nashville, a banda segue para cidade de Austin, a capital do Texas, e o cenário não é muito diferente do episódio anterior, levando em consideração que o local também é considerado a Meca da Country Music.
Se no episódio anterior eu reclamei do pouco tempo que foi dado para a trajetória do cantor country Willie Nelson, aqui ele é o astro principal, já que o mesmo abandonou Nashville e fez a sua vida e sucesso na capital do Texas.
3 - Willie Nelson
Outros gênios locais são recordados nesse episódio, como o trio de Rock n’ Roll ZZ Top, além do jovem bluesman Gary Clark Jr.
Porém o ponto de apoio do capitulo é o tradicional programa musical Austin City Limits que há exatos 40 anos apresenta o que há de melhor na música mundial, com os mais aclamados artistas tocando ao vivo no estúdio, já passaram por lá nomes como Sonic Youth, Pixies, Buddy GuyWillie Nelson e o próprio Foo Fighters na época do lançamento do álbum Echoes, Silence, Patience and Grace, tocando o single The Pretender.
Foo Fighters ACL
E é justamente no estúdio do programa que a banda grava a faixa (alias as faixas) dedicada a cidade, o medley What Did I Do?/God as My Witness.
Com certeza o melhor momento desse episódio é logo na cena inicial, onde a banda já está no estúdio para as gravações da canção, e de repente eles começam a tocar famosos hinos do rock dizendo que são novas composições do Foo Fighters para o novo álbum, Dave Grohl dedilha Stairway To Heaven do Led Zeppelin, o guitarrista Chris Shiflett por sua vez manda o riff mortal de Smoke On the Water do Depp Purple, já Pat Smear dedilha a introdução de Bohemian Rhapsody do Queen, e até o tecladista Rami Jaffee entra na brincadeira tocando um trecho de Layla do Eric Clapton. Isso até Dave Grohl ressurgir e tocar um certo riff que arranca gargalhada de todos na sala e com certeza emocionará quem assiste.
Domingo agora esse episódio vai ar no BIS e se eu fosse você, eu não perderia.

LOS ANGELES E SUA PRINCIPAL ESTRELA… PAT SMEAR
Pat Smear Los Angeles

Já o episódio feito na glamorosa Los Angeles, tem como estrela principal e ponto de partida o guitarrista Pat Smear, já que o mesmo na nasceu na cidade, viveu toda sua vida ali, e fez parte de uma das bandas mais icônicas e influentes do cenário punk local: The Germs.
Em termos musicais, o episódio é riquíssimo, levando em consideração as bandas surgidas na terra do cinema: The Mamas and The Papas, The Doors, The Runaways, Mötley Crüe, Red Hot Chili Peppers, Beck e Guns n’ Roses só para citar algumas.
Entre os entrevistados estão John Densmore e Robby Krieger, baterista e guitarrista respectivamente do The Doors; Slash e Duff McKagan eternos Guns n’ Roses, o radialista Rodney Bingenheimer, que teve um papel fundamental na proliferação do rock e da música independente local, e a eterna musa, a belíssima e genial Joan Jett que por toda a sua história foi merecidamente retratada em Sonic Highways, afinal de contas ela foi responsável pela primeira banda feminina de toda a história da California as estupendas The Runaways.
Joan Jett
Para Pat Smear, elas foram a sua principal influência, chegando a acompanhar todas as apresentações das garotas na cidade. Smear confessou que o mais atraia era o fato de elas serem da mesma idade que ele (na época 16 anos), e relembrou que na contracapa do disco delas trazia uma foto de cada integrante com o nome e a idade, e Dave Grohl diz de forma hilariante:
– Vamo fazer isso no nosso também: “Dave Grohl, 46 anos”.
A obsessão pelas as Runaways era tanta que, em 1978, Joan Jett produziu o primeiro disco do The Germs (GI) a banda de Pat Smear com o insano vocalista Darby Crash. E para Duff McKagan, foi o disco que o fez querer ser músico.
Porém a intenção do episódio é fugir de todo luxo e glamour de Hollywood e ir para o deserto, e é lá onde está localizado o estúdio Rancho De La Luna que foi cenário das gravações da canção Outside, dedicada a cidade e que contou com a participação do lendário guitarrista Joe Walsh (James Gang e The Eagles), a cena que conta com Walsh é o momento mais pessoal do baterista Taylor Hawkins que é fã confesso do guitarrista e chega a se emocionar durante as gravações.

Taylor Hawkins emcionado pós as gravações de Joe Walsh

Taylor Hawkins emcionado pós as gravações de Joe Walsh

E se você sempre quis saber de onde surgiu a amizade quase irmandade de Dave Grohl e Joshua Homme (líder do Queens Of Stone Age) a ponto de um colaborar sempre com o projeto do outro e de terem formado o supergrupo Them Crocked Vultures junto com John Paul Jones (Led Zeppelin), esse episódio é a resposta.

NEW ORLEANS, O MELHOR DE TODOS!!!
Dave Grohl New Orleans

É de longe para mim o melhor episódio de toda a série, e faz jus In The Clear, a canção gravada na cidade e dedicada à mesma, ser a melhor música de Sonic Highways.
Em New Orleans não tem entrevistas com figurinhas carimbadas como Slash, Josh Homme, Joan Jett, Willie Nelson, Dolly Parton e Zac Brown. Mas tem música de verdade correndo nas veias de cada cidadão daquele patrimônio histórico e cultural em forma de cidade.
Conhecida como a capital do autêntico Jazz e dos tradicionais desfiles musicais de rua, New Orleans foi berço de grandes nomes do gênero como: Louis Armstrong, Fats Domino e passando pelo pirado Dr. John. Também foi berço do rock com o grandioso Little Richard, se estendendo até o funk-rock dos geniais The Meters, banda que foi inspiração do Led Zeppelin. Isso sem contar a soul music de Aeron Neville e Harry Connick Jr e o hip hop de Juvenile.
O local escolhido para as gravações de In The Clear foi a tradicional casa de shows Preservation Hall, que começou como uma taberna espanhola, depois virou um estúdio de fotografia de aristocratas até se tornar a principal casa de shows de jazz da cidade, sendo até hoje o principal local do gênero. Hoje o Preservation Hall é mantido por Ben Jaffe como herança do seu falecido pai e amante da boa música. Ben também é líder da Preservation Hall Jazz Band, que fez uma participação mais do que especial na canção In The Clear.
Ben
Outros dois grandes nomes desse episódio é o músico e compositor Allen Toussaint, criador de um dos maiores hits já feitos em New Orleans a canção Southern Nights e o músico Troy Andrews, mais conhecido como Trombone Shorty, um jovem que começou na música ainda garoto, com apenas 5 anos, dividindo o palco do tradicional Jazz Festival com o guitarrista Bo Diddley e hoje se tornou um dos maiores e mais respeitados músicos da nova cena musical de New Orleans.
Trombone Shorty
Apesar de retratar o drama vivido pelos moradores New Orleans com a passagem do furacão Katrina em 2005, todo o tom do episódio de pura alegria e diversão, e entre tantas cenas divertidas e importantes eu escolho duas como minhas favoritas, a primeira é a gravação da bateria de In The Clear, em que Taylor Hawkins vai buscar Dave Grohl no bar em frente ao estúdio para que o mesmo confira o resultado final da canção, e enquanto Dave ouve, um empolgado Taylor dança de forma engraçada ao som da música.

Taylor Hawkins "despirocando" para a vergonha alheia de Dave Grohl

Taylor Hawkins “despirocando” para a vergonha alheia de Dave Grohl

E a outra é quando o baterista da Preservation Hall Jazz Band convida todo alegre e feliz os Foo Fighters para ir no dia seguinte a noite na casa da sua tia para uma Jazz Session regada a muita música e comida.

Chris Shiflett participando da Jazz Session

Chris Shiflett participando da Jazz Session

O episódio encerra da melhor forma possível, com o Foo Fighters se apresentando no Preservation Hall de portas abertas e com a rua tomada de gente, com a participação da Preservation Hall Jazz Band e de Trombone Shorty.

Show no Preservation Hall

Show no Preservation Hall

Assista e você terá presenciado o melhor episódio de toda a série.

O RENASCIMENTO EM SEATTLE
Dave deitado

Apesar de toda carga emocional existente em Seattle, afinal de contas a cidade foi berço de uma das maiores bandas existentes do rock mundial, o Nirvana, onde Dave Grohl, hoje líder do Foo Fighters fez parte, e que perdeu o seu líder Kurt Cobain de forma trágica. O episódio lá feito que deu a origem a música Subterranean, pra mim teve mais valor histórico do que emocional, e já explico o porquê.
Durante toda a existência do Nirvana, Dave Grohl sempre compôs inúmeras canções, e foi até o Robert Lang Studio com a ajuda do produtor Barrett Jones e registrou todas gravando todos os instrumentos e vocais. Muitas delas são conhecidas, pois integraram o primeiro álbum dos Foo Fighters, o auto-intítulado de 1995, porém as demais – com exceção de Marigold que foi gravada pelo Nirvana – ficaram perdidas no tempo, é justamente nesse episódio que muitas canções até então inéditas aparecem, e fica aquela sensação que elas deveriam um dia ser aproveitadas pelos Foo Fighters.
Quando o Barrett mostra a gravação do funk-rock Hooker On The Street, Dave Grohl quase cai na cadeira de tanta vergonha, a mesma cena se repete com a Watered It Down, com o seu refrão repetido a exaustão, porém as demais canções apresentadas empolgam Grohl. Torcemos para que elas vejam a luz do sol um dia.

Dave Grohl com vergonha do seu passado.

Dave Grohl com vergonha do seu passado.

No mais, o restante do episódio é um apanhado geral na cena musical de Seattle, que foi fortemente influenciada pelos The Sonics uma das primeiras bandas a fazer rock n’ roll selvagem nos anos 60. Depois voamos para os anos 70 e lá temos as irmãs Wilson com icônico Heart.
Nancy
E obviamente a cena Grunge no final dos anos 80 que catapultou uma série de bandas para o cenário musical Mudhoney, Soundgarden, Pearl Jam, Alice In Chains e Nirvana.
A criação do selo Sub-Pop, a moda Grunge, o sucesso meteórico do Nirvana e o suicídio de Kurt Cobain, tudo está lá. E a cena mais emocionante sem sombra de duvidas é na entrevista com o baixista Duff McKagan em que ele pede desculpas publicamente ao Dave Grohl por nunca ter ligado para ele após a morte de Cobain.
Duff
Subterranean continua sendo a pior música de Sonic Highways, mas dentro de contexto do episódio ela se faz notar, e a participação de Ben Gibbard do Death Cab For Cuties, o principal nome hoje da cena musical de Seattle, sendo ele um grande fã de Kurt Cobain, teve o seu valor.

NEW YORK, O GRANDE FIM NA CIDADE GRANDE
Chris

E a fim da jornada musical de Dave Grohl e os Foo Fighters chega à maior cidade da América: New York.
A terra do Punk Rock dos Ramones, do Hard Rock do Kiss, do Alternative Noise Rock do Sonic Youth, do Rap do Public Enemy e do herói Homem Aranha.
Paul Stanley
Durante os 60 minutos de episódio, tudo foi muito bem apresentado, os icônicos estúdios locais: Electric Lady Studios criado por Jimi Hendrix, o Record Plant e por fim o Magic Shop de propriedade do produtor Steve Rosenthal e o local escolhido por Dave Grohl para as gravações de I’Am a River.
Os entrevistados desse episódio eram um show a parte: Paul Stanley (Kiss), Chuck D (Public Enemy), L Cool JJ, Joan Jett, além do Editor Sênior da Revista Rolling Stone (e quem sabe um dia meu chefe) David Fricke, o produtor Rick Rubin, e o líder guitarrista e vocalista do Sonic Youth Thurston Moore, que reverenciou a NY dos anos 70 de bandas como Dead Boys, Patty Smith, Television e New York Dolls. Falou também da importância do Kiss para ele, já que a imagem de uma banda como o Led Zeppelin era algo inatingível, e o Kiss fascinava qualquer criança. E também mencionou o impacto causado pelos Ramones, já que o Rock era formado por homens atléticos e sensuais com Roger Daltrey e Robert Plant, e ele se identificava com Joey Ramone que era tão alto e magrelo como ele.
Thurston Moore
Falando em Ramones, para o produtor Rick Rubin, o quarteto era semelhante ao Beatles, não eram apenas quatro pessoas, mas sim algo muito maior.
O tradicional clube CBGB, palco de bandas como Talking Heads, Blondie, Ramones e Richard Hell and the Voddois foi também lembrado em Sonic Highways, como um lugar pequeno, fedido, mas adorável, segundo Joan Jett. E o próprio Dave Grohl confessou a façanha de ter sido expulso do local certa vez.
Por ser o último episódio da série de certa forma ele teria que se interligar com os demais, e ele conseguiu, e o arco principal foi sem sombra de dúvidas a entrevista com o Presidente Barack Obama, curta, porém eficiente, e que fechou de forma sublime essa grande série que foi nada mais que uma verdadeira declaração de amor a música americana.
Barack Obama
Em Tempo:
– 
Os jornalistas André Barcinski (aqui) e Regis Tadeu (aqui) fizeram uma matéria especial sobre o Foo Fighters e a série Sonic Highways que também merece ser conferida.
Minha resenha faixa-a-faixa do Sonic Highways foi publicada também no site Whiplash e já está com cerca 2888 visualizações (aqui).
O fã clube oficial do Foo Fighters no Brasil, o Foo Fighters BR disponibilizou em sua página oficial três bootlegs referente a três shows realizados na mini-turnê de divulgação do série. Os shows são nas cidades de Chicago (aqui), Seattle (aqui) e New York (aqui).
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