Fila Benário Fala

Há limites para liberdade de expressão, Sinead ‘O Connor sabe bem disso!!!

Sinead

Nunca o assunto “Liberdade de Expressão” veio tão a tona como atualmente, principalmente após os episódios recentes com o jornal francês Charlie Hebdo e com o texto preconceituso publicado pela “jornalista” (se é que pode ser considerada uma) e cronista Silvia Pilz onde esculachava sem piedade a classe pobre, e depois veio a público dizer que se tratava apenas de humor e obviamente fez uso do genérico discurso de Liberdade de Expressão.
Mas afinal há limites para liberdade de expressão?
Recentemente o humorista Renato Aragão, famoso pelo papel de Didi Mocó de Os Trapalhões, deu uma entrevista dizendo que antigamente os negros, gays e a classe feia não se incomodava com as piadas feitas na TV. Será mesmo que não se incomodava Renato? Ou será que eles não tinham meios para expressar a sua revolta como tem hoje?
A bola cantada pela tal jornalista de quinta Silvia Pilz depois de alegar ser uma piada, e afirmar que as pessoas não tem senso de humor, acabou entregando que a “Verdade Dói”.
Quem não colabora com essa linha tênue de raciocínio onde o humor desenfreado é fruto da liberdade de expressão é intitulado de “politicamente correto” como se fosse crime eu não comungar de piadas xenofóbicas, homofóbicas, machistas e que ferem a liberdade de religiosa de cada um.
Mas para provar que desde sempre se há um limite para tudo, cito o famoso caso da cantora irlandesa Sinead O’ Connor.
Nos anos 90 Sinead estourou com o seu segundo álbum I Do Not Want What I Haven’t Got, graças ao sucesso do single Nothing Compares 2 U, composta pelo cantor Prince e que tocava incansavelmente nas rádios do mundo todo.

De repente Sinead virou um enorme fenômeno musical, tudo que a mesma tocava virava ouro, e se tornou uma resposta mais roqueira e sensata a popstar e polêmica Madonna.
Tudo ia bem até o fatídico ano de 1992 em que Sinead O’ Connor se apresentou no popular programa Saturday Night Live, famoso programa americano de esquetes de humor e apresentações dos mais diversos artistas, porém chocou toda a extensão do planeta terra ao rasgar ao vivo a foto do então Papa João Paulo II durante a uma apresentação à capela da música War do Bob Marley.

Segundo Sinead o’ Connor o ato simbólico foi em medida de protesto pelos crimes de pedofilia cometidos pela igreja católica. Porém o tal evento casou uma repulsa tão grande por parte de todos, que de queridinha da música pop, Sinead passou a inimiga do mundo.
Convidada para participar de uma homenagem ao célebre cantor Bob Dylan, ao ser anunciada, Sinead recebeu uma sonora vaia de todos os presentes, impedindo que a mesma se apresentasse. Antes de abandonar o local aos prantos ela fez corajosamente a mesma versão à capela de War, a trilha sonora da foto rasgada.

O álbum seguinte, Universal Mother (1994), foi um verdadeiro fracasso de vendas, e com essa atitude Sinead foi condenada ao ostracismo musical, tentando ora outra voltar aos holofotes mas sempre lembrada como a louca careca que rasgou a foto do Papa.
Muitas vezes questionadas a respeito da ação perturbadora, Sinead diz:

“Muitas pessoas não entenderam o protesto. Eu sabia que minha ação poderia causar problemas, mas eu queria forçar uma conversa onde houve a necessidade de uma […] Tudo o que eu lamentava era que as pessoas supunham que eu não acreditava em Deus. Esse não é o caso. Sou católica de nascimento, e seria a primeira à porta da igreja se o Vaticano oferecesse reconciliação sincera.”

Concordo que o polêmico assunto da igreja católica tem que sim ser debatido, discutido e extinto. O próprio Papa Francisco, hoje chefe da igreja católica, já veio a publico reconhecer essa grande mancha dentro da instituição, pediu perdão e prometeu ele próprio combater esse mal. Porém Sinead usou a grande arma da mídia para apontar para si e atirar na própria cabeça ao rasgar a foto de uma pessoa tão admirada por mais da metade da população mundial e que também não se conformava com os escândalos envolvendo a sua igreja. Se a mesma garantiu professar a mesma fé, então porque ela não utilizou o espaço para dialogar, dizer: “Como católica, me sinto envergonhada com todos os escândalos que ridiculariza a minha igreja, e quero me solidarizar para acabar de uma vez por todas com esse mal”, ela teria aberto os olhos de todos, ganharia a simpatia e fortes aliados. Porém indo na contramão, e abusando do escárnio e da necessidade de chocar – que é justamente o que os “humoristas” fazem – ela se naufragou.
As pessoas ainda não se incomodavam antigamente?

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