Foo Fighters, Shows

Cinco pontos negativos e positivos do show do Foo Fighters em São Paulo

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Todos já estão carecas de saber como foi o show da primeira turnê solo do Foo Fighters em terras paulistanas na última sexta-feira dia 23 de Janeiro no estádio do Morumbi. Os fãs mais “ardosos” ou até mesmo aquele mais coxinha que ouve Coldplay e Arctic Monkeys e que só conhece as canções Everlong e Best Of You classificou o show como épico. Os portais de notícias fizeram mais alarde com o pedido de casamento de um fã no palco durante o show do que a própria apresentação em si. E quem assistiu ao show em tempo real pelo site da Sky disse que tudo estava perfeito e som ótimo.
Mas In loco? Será que aconteceu exatamente tudo que andam propagando por ai? Na minha humilde opinião, apesar de ter gostado sim do show, ficou bem aquém do esperado, ainda mais comparado com apresentação emblemática que a banda fez há exatos três anos no festival Lollapalooza no Jockey Club.
Portanto listarei abaixo os cinco pontos negativos e positivos do tão esperado show do Foo Fighters na terra do samba:

PONTOS NEGATIVOS

1 – SOM BAIXO
O grande vilão da noite com certeza foi a equalização do som. Logo na primeira canção era perceptível o quão estava baixo, pensei ser uma pequena falha que seria solucionada em breve, porém o baixo som permaneceu durante toda apresentação do conjunto, havia momentos que a voz da plateia encobria os instrumentos, e era possível conversar com a pessoa ao lado sem a necessidade de levantar a voz.
Muitos culparam o estádio, afirmando que a acústica do Morumbi é péssima, discordo, já estive no estádio em outras duas oportunidades (para assistir o Metallica em 2010 e o U2 em 2011) e o som estava perfeito e alto como em todo show em arena deve ser. E fora isso o shows de abertura, tanto do Raimundos como o do Kaiser Chiefs principalmente estavam com o som em excelente volume.
Sem sombra de duvidas foi a grande baixa da noite.

2 – COMEÇO COM SOMETHING FROM NOTHING
A escolha do single Something From Nothing para abertura do show foi infeliz. Compreendo que tratava-se de uma turnê onde se divulgava o mais recente disco do conjunto, Sonic Highways e que a canção é o principal carro chefe do álbum e uma das melhores de todo disco, porém é uma canção de melodia arrastada, rebuscada, e que leva um certo tempo a engrenar, não incendiou a plateia.

3 – IMPROVISAÇÕES EXCESSIVAS EM MONKEY WRENCH
O Foo Fighters é conhecido por prolongar demais as canções ao vivo, quem esteve presente na apresentação do conjunto no Lollapalooza em 2012 presenciou uma versão estendida da canção Stacked Actors que durou dez minutos com intermináveis jams e até uma citação de Feel Good Hit of the Summer do Queens Of The Stone Age. No entanto a banda tem exagerado demais nessas improvisações o quem tem transformado esses momentos em puro tédio, e o momento onde isso ficou mais evidente foi durante a canção Monkey Wrench. No meio da canção a banda embarcou em uma Jam improvisada cheia de solos desconexos e com a luz do palco toda apagada, o tédio e impaciência tomou conta de todo o estádio que em “medida de protesto” acenderam as luzes dos celulares como se estivessem chamando a atenção da banda.

4 – IN THE CLEAR PICOTADA
A coisa mais inexplicável do show foi o veto da música In The Clear, eleita por muitos a melhor canção do Sonic Highways, ela teve a sua introdução tocada pela banda, porém logo foi interrompida por sinal do Dave Grohl que imediatamente trocou de guitarra. Falha técnica? A corda da guitarra arrebentou? As perguntas eram muitas, até a banda simplesmente começou a tocar Monkey Wrench no lugar. Como assim???

5 – AUSÊNCIA DE CLÁSSICOS
É claro que uma banda do porte do Foo Fighters com exatos vinte anos de carreira e oito discos lançados iria acabar deixando um clássico ou outro de fora, mas no caso desse show foi algo vergonhoso. Canções como Generator, Rope, Big Me, Long Road To Ruin, Hey Johnny Park e até mesmo o primeiro single lançado pelo conjunto This Is a Call ficaram de fora do repertório.
Levando em consideração que a tal Jam insuportável no meio de Monkey Wrench durou cerca de sete minutos (!!!) daria tempo de sobra de tocar pelo menos duas das canções citadas acima.

PONTOS POSITIVOS

1 – O RESGATE DE I’ll STICK AROUND
Sem sombra de duvidas esse foi o meu momento mais especial do show, o resgate desse petardo sonoro no repertório, I’ll Stick Around um dos primeiros single do álbum de estreia da banda que em 2015 completa 20 anos de lançamento.
O que me assustou foi o estádio inteiro ter se calado nesse momento…

2 – APRESENTAÇÃO DOS INTEGRANTES
A interação da banda – principalmente de Dave Grohl – com a plateia foi o ponto máximo do show, e a apresentação dos integrantes foi um verdadeiro show a parte com direito a cada um tocar um trecho da seminal Tom Sawyer do Rush e depois um bom trecho da clássica War Pigs do Black Sabbath.

3 – ALL MY LIFE É DEFINITIVAMENTE A MELHOR MÚSICA DA BANDA
No documentário lançado pela banda em 2011, o Back and Forth, o guitarrista Chris Shiflett diz que a sua canção favorita do Foo Fighters é All My Life e ele revela: “Podemos estar fazendo a nossa pior apresentação, quando tocamos essa música o show se transforma” E fui justamente isso que aconteceu durante a execução da canção, a plateia incendiou e foi ao delírio, pulou e cantou como se não houvesse amanhã.

4 – O ACÚSTICO DE DAVE GROHL
Dave Grohl vai pra beira do palco empunhando um violão e executa Skin and Bones e Wheels, o que poderia ser o momento mais morno e apático do show tornou-se o mais especial, Dave mostrou ter magnetismo, carisma e rojão de sobra para segurar toda a plateia em um momento tão intimista como foi esse.

5 – O BUTECO DO FOO FIGHTERS
Depois da execução de Times Like These com a primeira parte sendo cantada pelo Dave em voz e violão e a segunda com a banda completa em um palco pequeno montado no meio do estádio, o show virou um Pub, um verdadeiro boteco do Foo Fighters, onde os integrantes se mostravam bem a vontade e tocando grandes clássicos do Rock. Detroit Rock City do Kiss, Stay With Me do Faces além de uma versão pesada de Tie Your Mother Down do Queen com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais encantaram o público. Uma versão de Under Pressure clássico de Queen com David Bowie fechou esse set mais que especial. E um importante detalhe: O som ali estava PER-FEI-TO!!!

SALDO FINAL: Foi muito longe de ser o show épico, histórico e inesquecível que muitos cantaram a bola nas redes sociais, o som baixo e o excesso de improvisações acabou tirando o brilho da apresentação, quem esteve no Lollapalooza 2012 e presenciou o show da última sexta-feira com certeza achou apresentação da banda no festival do Perry Farrell muito melhor em termos de repertório, som e dinamismo.
Mas não foi um show ruim, pelo contrário, a banda mostrou estar na mais plena forma, tocando como nunca em um entrosamento fantástico. Chris Shiflett é de longe o melhor guitarrista dos três com muita agilidade e precisão nos solos, a cozinha de Taylor Hawkins e Nate Mendel é perfeita em total sincronia. Pat Smear é um artigo de luxo e histórico, e Dave Grohl… bem esse cara é o regente dessa orquestra que se peca pelo excesso, faz história com diversão e muito Rock n’ Roll.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES: A respeito dos shows de abertura, quando eu entrei no estádio do Morumbi os Raimundos já estavam no palco tocando Palhas do Coqueiro, ainda deu tempo de ver mais duas músicas do quarteto de Brasilia: I Saw You Sawing e Me Lambe que fechou a curtíssima apresentação do grupo. Essa é a segunda vez que vejo o Raimundos nessa nova formação e não tenho do que reclamar, é muito peso, velocidade e hits que estarão eternamente cravados na história do Rock Brasileiro.
Agora a grande surpresa ficou por conta dos ingleses do Kaiser Chiefs, não escondo de ninguém a falta de simpatia que tenho com a banda, e de toda discografia do conjunto eu acho apenas o primeiro álbum interessante e dos demais discos sobram algumas canções, porém ao vivo eles são eletrizantes, o grupo abriu a apresentação com a enérgica e quase punk Everyday I Love You Less and Less jogo ganho, ainda rolou The Angry Mob, Everything Is Average Nowadays e Ruby o grande sucesso do conjunto aqui em terras tupiniquins e que colocou o Morumbi abaixo debaixo de enorme temporal. O single I Predict A Riot uma das minhas poucas favoritas do conjunto veio também de forma brilhante, a apresentação foi encerrada com Oh My God. Showzão.

E assim foi a passagem do Foo Fighters em São Paulo em sua primeira turnê solo, esperamos a banda em breve.

Em Tempo: Ontem o canal Multishow exibiu na integra apresentação da banda no estádio do Maracanã, do pouco que eu vi (afinal uma forte chuva derrubou o sinal da minha TV) teve alguns pontos que se destacaram mais em relação a SP. No Rio rolou uma versão slow de Big Me, o clássico This Is a Call entrou no lugar de I’ll Stick Around, e In The Clear foi tocada. E no set de Cover, Tom Sawyer foi tocada na integra, porém a interminável e tediosa Jam em Monkey Wrench estava lá presente firme e forte. Agora só nos resta saber se o som lá estava bom, porque em casa estava excelente.

Abaixo uma singela homenagem a galera que foi comigo a esse show tão especial
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