Grammy e a velha história do bingo que virou show de prêmios!!!

Publicado: 9 de fevereiro de 2015 em Fila Benário Fala, Notícia
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Beck, o vencedor do prêmio mais cobiçado da noite: "Álbum do ano"

Beck, o vencedor do prêmio mais cobiçado da noite: “Álbum do ano”

Aconteceu na noite de ontem mais uma edição do prêmio Grammy. Foi se o tempo onde considerávamos os vencedores da noite os maiores nomes da música, hoje se tornou um prêmio da indústria musical, onde ganha quem vendeu mais, quem emplacou um grande hit no ano anterior ou o vídeo com o maior numero de visualizações.
Duvida? É só você pegar a lista dos vencedores dos últimos três anos e comprar com o imbatível Grammy de 1975 que teve Stevie Wonder como o vencedor concorrendo com Paul McCatney, Joni Mitchel e Elton John.
E talvez percebendo a decadência da musica contemporânea que o Grammy hoje apresenta um novo formato, abdicando parcialmente as premiações e investindo mais nos shows. As apresentações são literalmente um show a parte, já dizia o jornalista musical Felipe Machado que “O Grammy é um lugar onde até as cantoras ruins cantam bem”. Tudo envolto de uma super produção de brilhar os olhos.
Mas ai eu lhe pergunto? Não se trata de Grammy? A premiação da musica? E porque tirar o que tem de mais importante que são justamente os prêmios? Isso me levou de volta há uma época onde igrejas, instituições de caridades e demais ONGs organizavam bingos em prol da causa defendida, depois que a palavra bingo ficou associada ao cartel criminoso e vicioso, os eventos dessa natureza passaram a ser chamados de “Show de Prêmios”, e é justamente isso que virou o Grammy, um verdadeiro show de prêmios, onde o foco é uma apresentação muito bem estruturada e produzida, e que lá no meio se entregam alguns prêmios nos quais a academia julga ser de destaque. Para se ter uma ideia de como está corrompida a importância da premiação na festa, o prêmio de Álbum do Ano, o mais importante da noite, que sempre foi entregue no final da festa, nessa edição foi entregue no meio, sem nenhum alarde ou destaque, seguido de mais uma tonelada de shows e de dois prêmios da mesma natureza: Música do ano e Gravação do ano.
Mimimis a parte, vamos ao que interessa, ao melhores (e piores momentos) da noite de gala da música mundial:

AC/DC DEU UMA VERDADEIRA AULA DE MÚSICA
Foi de tamanha esperteza do Grammy colocar o AC/DC para abrir a festa. Apesar do Line Up esfarelado, sem a presença do guitarrista Malcoln Young afastado da banda desde o ano passado por demência, e do baterista problema Phill Rudd, os australianos mandaram ver no seu Hard Rock mágico ao som do mais novo sucesso Rock or Bust, e do clássico levanta multidões Highway To Hell, que fez o Sir. Paul McCartney levantar da cadeira e um emocionado e animado Dave Grohl cantar da plateia a canção à plenos pulmões.
Acho muito engraçado quando algum crítico diz que a salvação do Rock está nas mãos de grupelhos como Arcade Fire, Strokes e Arctic Monkeys. Enquanto existir Angus Young, o rock não precisa de salvação.

Angus Young dando uma aula de Rock no Grammy

Angus Young dando uma aula de Rock no Grammy

MIRANDA LAMBERT CALOU A MINHA BOCA
A cantora Pop Country Miranda Lambert também se apresentou no palco do Grammy, e muito mais do que fazer um simples show, ela simplesmente calou a minha boca e reduziu à zero o preconceito que eu tenho com a atual Country Music.
A banda da jovem Miranda é um espetáculo, toca muitíssimo bem, e faz linhas pesadas em momentos frenéticos. Um verdadeiro Country n’ Roll.
Não é a toa que a musa foi contemplada com um prêmio de melhor álbum country com o seu lançamento Platinum.
Vou dar mais ouvidos para o trabalho da moça.

KAYNE WEST TENTA SER RELEVANTE, MAS SÓ TENTA…
A critica endeusa demais o trabalho de Kayne West, já cheguei a ler sacrilégios do tipo “o John Lennon do Rap”, mas pra mim não passa de um cara amarrada que sampleia até musica de comercial de pasta de dente em sua canção e tenta demasiadamente soar Avant-garde, mas não cola…

Kayne West em sua pífia apresentação

Kayne West em sua pífia apresentação

MADONNA ARRASA… NO PLAYBACK
Com 56 anos de idade, uma carreira espetacular, a rainha da pop music e uma das mais ultrajantes artistas de todos os tempos, precisava a Madonna subir no palco do Grammy e se apresentar em um descarado Playback? Que ela sempre foi uma entretainer, que valorizou a super produção, a coreografia, cenários e figurinos, é do conhecimento de todos nós, mas sei lá né? Poderia ela soltar a sua própria voz, era o mínimo…

SE TINHA TUDO PARA O ED SHEERAN PASSAR BATIDO, NÃO PASSOU
Já que os netos dos Bluesman, dos Jazzistas e dos reis da Soul Music optaram pelo Hip Hop, os brancos invadiram de vez a música negra e tentam do seu jeito fazer a coisa acontecer, já tivemos Amy Winehouse, Adele, Duffy, ainda temos o bacaníssimo Mayer Hawthorne. E agora temos o mais novo representante da Soul Pop Music Branca, o simpático Ed Sheeran. E quem achou que ele passaria despercebido, o mesmo fez um show pulsante contando com as participações mais do que especiais do pianista e gênio do Jazz Herbie Hancock ao lado do outro “ícone” da soul branca, o guitarrista John Mayer.

JEFF LYNNE EMPOLGOU MACCA
O veterano Jeff Lynne dispensa qualquer tipo de apresentação, quando ele empunha a sua guitarra, a mágica acontece, e a sua apresentação fez Paul McCartney levantar da cadeira para bater palmas, dançar e cantar com tamanha empolgação que só foi contida quando o mesmo percebeu que estava sendo filmado e sentou-se timidamente.

ANNIE LENNOX AINDA CANTANDO COMO NUNCA
Nunca tinha ouvido falar no tal cantor Hozier, descobri após algumas pesquisas que o magrelo é Irlandês e tem sete anos de carreira. A apresentação do cara tava lá numa certa monotonia, estava, até Annie Lennox adentrar no palco. A eterna líder do Eurythmics roubou a cena com o seu vozeirão poderoso e foi ovacionada de pé na interpretação do clássico I Put a Spell On You que ficou imortalizado na voz da eterna diva Nina Simone.

BECAUSE SO HAPPY…
Ela já enjoou? É irritante? Ninguém mais aguenta ouvir? Sim, sim e SIM!!! Mas inegável que Happy, o grande sucesso de Pharrell Williams foi a música do ano.
Merecido o prêmio de melhor Performance Pop Solo e a sua apresentação no palco do Grammy.

DEPOIS DO AC/DC O MELHOR SHOW FOI DA LADY GAGA
Já exaltei aqui no blog a figura da Lady Gaga, acho ela uma artista incrível, corajosa, ousada e que além de tudo canta muitíssimo bem. E ontem ela foi simplesmente um espetáculo, se apresentando ao lado do genial e vanguarda Tony Bennett, divulgando o recém trabalho lançado pela dupla, o sensacional disco Cheek To Cheek com regravações de grandes clássicos do Jazz. Bennett e Gaga apresentaram justamente a canção Cheek To Cheek que ficou um espetáculo, com Lady Gaga arrasando nos vocais.
Gaga anunciou uma turnê mundial da dupla e o anuncio de mais um disco, dessa vez com releituras de Cole Porter. Torço fervorosamente para que ambos os projetos se concretizam.
Enquanto isso a tal cantora Sia, que copia descaradamente a esquizofrenia de Gaga, continua não mostrando o rosto aos fãs e fez uma apresentação estranha e teatral, e saiu da festa sem nenhum prêmio.

Lady Gaga e Tony Bennett

Lady Gaga e Tony Bennett

RIHANNA E KAYNE WEST COM PAUL MCCARTNEY DE ARTIGO DE LUXO
O velho Macca (assim com o Dave Grohl) já virou presença obrigatória no Grammy, se há três anos ele fechou a noite se apresentando ao lado de Bruce Springsteen, Dave Grohl, Joe Walsh, Rusty Anderson e Brian Ray tocando o medley final do álbum Abbey Road dos Beatles, assim como no ano passado que tocou ao lado do ex parceiro de Beatles Ringo Starr. Dessa vez ele foi um artigo de luxo tocando violão na apresentação da cantora Rihanna ao lado do todo poderoso (SÓ QUE NÃO) Kayne West, na mais nova canção da cantora, o single FourFiveSeconds.

QUANDO DEUS PISA NO PALCO DO GRAMMY, NEM QUE SEJA PRA TOCAR GAITA
Stevie Wonder foi o grande homenageado do Grammy desse ano, com direito a uma festa onde grandes nomes da música atual irão interpretar clássicos da sua brilhante carreira.
Porém ontem o Grammy tratou de antecipar as homenagens com a apresentação do rapper Usher fazendo uma emocionada interpretação do clássico If It’s Magic, ai Stevie sobe ao palco para tocar gaita no final da canção, precisa dizer algo?

E O GRAMMY VAI PARA???
Já que a própria instituição deixou a premiação para segundo plano, deixamos por último os vencedores da noite.
Beck me surpreendeu por duas vezes, confesso que não dou grande fã do seu trabalho, me recordo de nos anos 90 ouvir as suas canções mais populares como Loser e Devil’s Haircut, mas fora isso nunca acompanhei com atenção o trabalho do cara, porém inevitavelmente ouvi o mais recente trabalho do moço graças as aclamadas criticas da mídia especializada, e Morning Phase é sim um excelente disco, trazendo um Beck menos dançante, mais introspectivo e musical. Só não imaginava que ele faturaria o Grammy de Melhor Álbum Rock desbancando U2 e Tom Petty, além do prêmio mais cobiçado da noite, o de Melhor álbum do ano, desbancando a favorita Beyoncé. Engraçado foi Kayne West simulando invadir o palco igual fez no VMA durante a premiação da cantora Taylor Swift.
Sam Smith – mais um nome da Soul Branca – foi o grande vencedor da noite, ganhando ao todo 4 prêmios: Melhor Revelação (desbancando a bunduda Iggy Azalea), Álbum Vocal Pop, Música do Ano e Gravação do ano com a canção Stay With Me.

Sam Smith, o grande vencedor da noite

Sam Smith, o grande vencedor da noite

O Casal mais importante da industria fonográfica, Beyoncé e Jay Z faturaram um gramofone de melhor performance R&B pela parceria na canção Drunk In Love.
Das premiações que não foram televisionadas, as que eu mais gostei foi do (agora) trio de Nashville Paramore na categoria Melhor Canção Rock, com a música Ain’t It Fun, já destilei aqui o meu veneno a respeito do último trabalho do conjunto que não chega ao pés de tudo que já foi feito pela banda, mas essa música em si é sensacional.
Lady Gaga e Tony Bennett faturaram o prêmio de melhor Álbum tradicional pop vocal com Cheek to Cheek. Merecidíssimo.

A dupla Gaga e Bennett fatura um Grammy e anuncia turnê mundial

A dupla Gaga e Bennett fatura um Grammy e anuncia turnê mundial

Rosanne Cash, a filha do Men In Black Johnny Cash, fez jus ao sobrenome e faturou de cara três gramofones Melhor Performance Roots Norte-Americano, Melhor Canção Roots, Melhor Álbum Americana.
Gosto muito do duo Tenacious D formado pelos atores e comediantes Jack Black e Kyle Gass, e já citei diversas vezes o quanto ficou bacana a versão da dupla para o clássico The Last In Line do Dio, mas agora eles ganharem a categoria de Melhor performance Metal desbancando o Motörhead com a canção Heartbraker foi uma tremenda sacanagem.
Do resto foi aquele mais do mesmo de sempre: Eminem ganhando de melhor álbum Rap, o rapper Kendrick Lamar ganhando mais algum ali, a Carrie Undewood faturando mais outro ali, e “lerigo” ganhando de melhor trilha sonora.

Um verdadeiro Bingo transvestido de SHOW DE PRÊMIOS!!!

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