Fila Benário entrevista Hateen + Review completo do show especial Loved no Inferno Club 28/02/2015

Publicado: 1 de março de 2015 em Entrevistas, Shows
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O tradicional Inferno Club situado na rua augusta, bairro boêmio de São Paulo, foi palco de um show histórico, a comemoração dos 10 anos de lançamento do álbum Loved da banda Hateen. Com exatos vinte anos de serviços prestados ao rock, uma legião de fãs ardosos e uma carreira fiel aos seus princípios, o grupo capitaneado por Rodrigo Koala (Vocal e Guitarra) que conta com Fabio Sonrisal (Guitarra e Vocal), Leon Luthier (Baixo) e Thiago Carvalho (Bateria) fez um show antológico e nostálgico naquela noite. Mas antes, Koala e Sonrisal bateram um papinho com a gente relembrando os momentos especiais durante as gravações do Loved, falando da importância do álbum na discografia do conjunto, além de nos revelar sobre os novos projetos da banda.

Qual foi o momento mais marcante durante as gravações do Loved?
Rodrigo Koala: O que ficou marcado foi que o Boris (Fratogianni) o antigo guitarrista ele largou a banda no meio das gravações, e o Fabrizio (Martinelli) que ia em todas as gravações porque morava na frente do estúdio falou: “Olha, vou entrar na banda”, ai ele entrou na banda no meio do disco.

Mas no cd apesar de ter a foto do Fabrizio e ele ser apresentado como integrante da banda, as guitarras gravadas são creditadas ao Boris, não é?
Koala: O Boris gravou umas bases e tal, ai o Fabrizio entrou e gravou alguns solos e entrou na banda. E o Boris foi tocar com o Supla (risos).

Na época o Hateen contava com o baixista André Abreu, o Dé. O que houve com ele?
Koala: O Dé eu acho que ele não aguentou o Bullying, a gente brincava muito com ele, rolava um bullying assim. Diz a lenda, até hoje eu não sei, que ele deixou a banda por causa do bullying mas sei lá. Ele tava trabalhando para caralho na época… Eu não tenho certeza se foi o bullying ou se contaram isso pra mim só pra me fuder (risos), mas dizem que foi isso. Mas eu acho que foi uma mistura de bullying com trabalho (risos)

Rodrigo Koala

Rodrigo Koala

Sonrisal, na época que o Hateen estava lançando o Loved você estava lançando o primeiro álbum do Aditive, como foi a sua relação com a banda e principalmente com esse lançamento?
Fábio Sonrisal: Eu conheço o Hateen desde sempre, as bandas sempre foram bem parceiras, não apenas por causa do Aditive, mas também pelo Street Bulldogs. Eu fui no show de lançamento do Loved, e o Hateen já tinha o lance do Japinha tocar no CPM 22, então a gente brincava que era a banda de quinta-feira do Hangar 110, e era um lance muito louco, porque as baladas de quinta do Hangar que tinha os shows do Hateen eram sempre do caralho.
Eu fui no show do Loved, eu fui no show de lançamento do Dear Life, eu fui em bastante show do Hateen antes de entrar na banda. O show de lançamento do Hydrophobia eu não me lembro, talvez eu estava (risos).

E qual é a sua canção favorita do disco?
Sonrisal:
Eu gosto de Silence Be My Friend

Fábio Sonrisal

Fábio Sonrisal

Pra vocês qual é a importância do Loved dentro da discografia do Hateen?
Koala: O Loved ele tira um pouco o pé do fosso, o Dear Life é bem deprê e tal, e no Loved a gente havia saído dessa praia, misturando mais com elementos de Hardcore melódico. E o Hateen hoje se parece muito mais com o Hateen do Loved do que com o do Dear Life, eu acho que é o começo do que deveria ser o Hateen hoje.

Sonrisal:
Eu tenho uma opinião até um pouco diferente do que a galera tem, o disco clássico do Hateen é o Dear Life, mas o Dear Life se você for parar pra prestar atenção ele é um disco diferente. O Hydrophobia ele é mais parecido com o Loved, que por sua vez é mais parecido com o Procedimentos de Emergência e com Obrigado Tempestade. O Dear Life é um disco separado.
Então a minha opinião é assim, eu gosto bastante do Loved, acho o melhor disco da fase inglês, mas por um outro lado eu acho o Dear Life um disco “diferentaço” e talvez seja por isso que ele tenha esse sabor especial por ser um disco totalmente diferente. Mas o Loved é a cereja do bolo da fase inglês do Hateen

Teve alguma música do Loved que nunca foi tocada ao vivo e será tocada pela primeira vez hoje?
Koala: Não, eu já toquei todas.

Sonrisal: Eu acho que não só eu, mas eu o Thiago e o Leon nunca havíamos tocado Girls Greatest Hits e Wasted My Youth. Mas o resto eu já havia tocado, a gente sempre toca uma coisinha o outra do Loved.
Nos shows de natal, aqueles que a gente faz em inglês a gente sempre toca algo assim, mas Wasted My Youth e Girls Greatest Hits eu não havia tocado.

Mas e o Hateen do presente? Tem previsão de disco novo?
Koala: A gente quer lançar até o meio do ano, já temos algumas músicas prontas, estamos fazendo mais. Até o meio do ano teremos um material novo

Sonrisal: A gente está fazendo, temos umas sete músicas prontas, o planejamento é que esse ano saia, em 2015 é certeza, a gente tem até prazo pra cumprir ainda de um esquema bacana que está rolando mas que eu não posso falar, mas até setembro sai.

Koala e Fila Benário

Koala e Fila Benário

Fila Benário e Sonrisal

Fila Benário e Sonrisal


 

Antes do Hateen subir no palco do Inferno Club e botar a pequena plateia para cantar, chorar e se emocionar com as canções do Loved, a noite foi esquentada pelas bandas Taunting Glaciers, Hurry Up, CHCL e Dinamite Club. Cheguei  a tempo de conferir as duas últimas e presenciei dois shows fantásticos, a CHCL é calcada em peso e berros aliados com melodia, um casamento perfeito entre The Germs com Mudhoney. A canção Sufoco, que narra o acidente de carro sofrido pela banda a caminho de um show em Belo Horizonte, é uma porrada curta e grossa. Já a banda Dinamite Club que era bastante aguardada por muitos presentes ali, faz a linha Hardcore melódica de Pulley, Millencolin e Face To Face. Sangue novo e necessário na nova cena underground.
Não era nem 22h quando o Hateen subiu ao palco e fez um show histórico tocando na integra o seu último álbum em inglês lançado há 10 anos e cultuado até hoje.
Seguindo o tracklist original a apresentação começou com a trinca matadora: I Wanna Change, Day After Day e A New Way To Die, sensacional. Silence Be My Friend veio na sequencia, seguida de Girls Greatest Hits. Koala caçoou a letra da canção, justamente o trecho em que diz “Eu não saio da sua casa essa noite enquanto você não me beijar”, dizendo que nos tempos atuais ele não escreveria uma letra assim. Alias, o despojamento e humor dos integrantes durante o show é algo surreal e divertido. Sonrisal e Koala se divertem o tempo todo, contam piada, intertem a plateia e quebram o protocolo seja ironizando as próprias composições, ou até mesmo esquecendo as letras e as notas.
O show segue com Divide Us, canção apresentada pela primeira vez no único disco ao vivo da banda, o More Live Than Dead de 2002. As duas canções seguintes era um deleite para os fãs já que foram tocadas pouquíssimas vezes ao vivo, Wasted My Youth carrega todo o lirismo e sentimentalismo pop, já I Don’t Wanna Hear traz a displicência punk com um dos mais belos e incrementados solos de guitarra de Rodrigo Koala.
A trabalhada Blind For You começa a desenhar o fim de Loved e da nostálgica apresentação que ainda contou com a acústica Give Me a Call, a pesada Radio 99, a melódica Days of Letting Go e o fim apoteótico com Stupid Sad Things com todos os presentes cantando o tradicional “Hey-na-na-na-na-na”.
Uma versão de Danger Drive, o principal sucesso do Hateen, presente no antológico Dear Life, fechou a histórica noite com chave de ouro.
Estar presente no Inferno Club, foi reviver uma época de ouro, foi relembrar de uma cena fortalecida, de uma época aonde tínhamos Fullheart, A-OK, Noção de Nada e Colligere.
No mesmo ano que nasceu Loved, o Fistt lançava o pesado Vendo as Coisas Como Você, o Street Bulldogs o Tornado Reaction, Dance Of Days mudava da água para o vinho com o clean Valsa das Aguas Vivas, e o Dead Fish acusado de vendido assinava com a Deck Disc e enfiava barulho a goela abaixo do mainstream com o Zero e Um.
Mas muito mais que uma simples volta no tempo, que reviver uma época dourada, foi poder presenciar a história viva (e se mexendo) ali tão próxima, o Hateen continua no mesmo patamar há 20 anos, sendo a banda mais notória do underground, o Rodrigo Koala continua o mesmo compositor de mão cheia e completamente dedicado no que faz. A nova formação do Hateen em nada deve a todas as outras que a banda teve no decorrer da carreira, Fábio Sonrisal que já tocou em inúmeras bandas importantes da cena independente, parece finalmente ter encontrado o seu lar no Hateen, vide a forma despojada e livre que o mesmo toca no show.
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Parabens Hateen, agradecemos pela noite histórica.

Fotos: Vinícius Gut

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