Whiplash: Em busca da “perfeição” do ego ou da frustração?

Publicado: 6 de março de 2015 em Bruno Vieira Fala

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É com muita alegria que o Fila Benário Music ganha mais um aliado. Recebam com muito carinho e alegria o nosso mais novo colunista Bruno Vieira.

Nascido em Varginha (MG) a famosa terra do ET, Bruno tem um conhecimento absurdo em música, sendo professor de bateria no conservatório Estilo Livre. Além de ter o privilégio de ser o meu primo (kkkkk).
Com vocês, Bruno Vieira.

Por Bruno Vieira

É claro que como músico instrumentista (baterista), acho muito válido e interessante, ter o meu instrumento de profissão como protagonista de um filme, mas não da forma que foi abordado neste longa Whiplash. Então vamos lá…
Um jovem de 19 anos, Andrew Neimam (Miles Teller), estudante de um conservatório, ou melhor: o melhor conservatório/escola de música dos EUA, como aborda o filme, sonha em ser  o maior baterista e fazer parte da banda de jazz da escola. Até aqui tudo normal, você pode pensar, só que este sonho se torna para Neimam um “alimento” para o ego.
Acompanhado por Terence Fletcher  (J.K. Simmons), que se apresenta como o grande e terrível maestro, que aterroriza a todos com sua postura um tanto militar, Neimam se comporta de maneira um tanto quanto bizarra.

Whiplash 2

Na busca de realizar seu sonho ele, passa por cima de um dos princípios fundamentais da vida, o respeito com o próximo e logicamente consigo mesmo e com seus limites. Os termos técnicos do filme são indiscutíveis, como a trilha sonora que se baseia nos clássicos standards de jazz,  a masterização, os solos, enfim, mas nossa resenha vai além disso, quero chegar à moral que o senhor diretor e escritor Damien Chazelle, quis nos passar.
Sabemos que ninguém faz jazz como os norte-americanos, estilo oriundo dos negros, da população pobre, mas lamento o quanto isso foi destorcido neste filme, colocando o jazz como uma grande competição de habilidade e cheio de “donos da verdade”, deixando de lado a liberdade de expressão e respeito pela opinião alheia que é no que o jazz se baseia antes de tudo.
Colocando o estudo como forma de superar e impressionar interessadamente o outro e não para superar os próprios limites e fraquezas. Ou seja, ego sobre ego.
Ego do maestro que se acha “o pica das galáxias”, e o ego do jovem baterista que se compromete em fazer TUDO para ser reconhecido como o melhor.  Perdendo sangue nos famosos rudimentos, perdendo a confiança do pai (Neimam era órfão de mãe), e terminando com a namorada, mostrando não saber dar importância, sentido e equilíbrio a tudo isso na busca de realizar seu sonho. Humilhando os colegas de profissão, chegando adquirir doenças físicas/mentais por isso.  Também trabalho e estudo horas e horas a fio (rudimentos, leituras métricas, harmonia e por ai vai), um estudo pra toda a vida, mas o maior trabalho e estudo é para ser primeiro, uma pessoa melhor.
Whiplash 3

Infelizmente isso é um retrato do que tenho percebido, nestes poucos, mas intensos anos de profissão. Há pessoas simplesmente fantásticas, e resolvidas pessoalmente, como também existe, e em grande número, aqueles se acham os conhecedores de todos os assuntos da galáxia e melhor de que toda a humanidade. Lamento dizer que, nem na música nem em outra profissão, este tipo de pessoa será feliz e fará os outros felizes. A música não pode existir para não ser compartilhada da melhor maneira possível, mas sim ser acolhida pelos ouvintes e torná-los, de alguma forma, melhores.
Não quero aqui contar toda a história do filme e esculachar o mesmo, até porque, como citei acima, o longa nos traz alguns pontos positivos, e seria sacanagem pra quem ainda não assistiu, quero apenas deixar alguns pontos que acho justo e importante para o nosso crescimento tanto profissional como pessoal.

Abraço, #segueosom!
Perfil - Bruno Vieira - Consolas Tam. 11

 

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comentários
  1. Ola, Bruno! Venho por meio deste comentario (sem acentuacao por problemas tecnicos) dizer que gostei bastante do seu texto. Essa critica sobre a imagem distorcida do jazz eu ja havia lido li em outros lugares e ate concordo que o jazz e bem mais que uma disputa tecnica. Na realidade, eu que nao entendo nada deste estilo, acho que o jazz foi so um pretexto pro desenrolar do drama, porque os arranjos sao geralmente bem elaborados e requerem sim muita habilidade. Acho que a polemica deve rolar em torno da disciplina do conservatorio que foi o pano de fundo para o comportamento do professor e do aluno. Poderia ser musica classica, poderia ser rock n roll, e mesmo assim o foco nao seria o estilo, mas sim essa discussao que voce coloca ai, dos limites de cada um, ou sobre o quanto vale o esforco almejando ser o fenomeno insano da musica, e tudo o mais. Me parece um pouco rigido demais criticar um filme tao legal por estes motivos como tem saido em algumas noticias, afinal nao e um filme sobre jazz, e sim um filme sobre a busca da perfeicao e frustracao. =) Enfim, seja muito bem vindo ao FIla Benario Music! Adorei o texto!!!

    • Bruno Vieira disse:

      Oi Luna! Obrigado pelas palavras e pelo comentário sobre o texto (sou novo nisso rsrs). Concordo plenamente contigo sobre a polemica girar em torno da disciplina do conservatório, pois eu me formei num conservatório, onde tinha problemas da própria instituição/sistema, sobre diversos aspectos! Posso dizer que fiz parte da minoria que soube atravessar este ponto sem ser muitas vezes, graças a Deus, influenciado, você me entende?! Citei o jazz como distorcido pelo fato de ser, também eu formador e ter a obrigação de falar a verdade. A temática (se cabe aqui esta palavra) do jazz é realmente esta: existe um assunto ou tema que seja, e todos tem o direito de opinar sobre, sendo respeitado e respeitando, como estamos fazendo agora! haha. Só para ilustrar melhor, eu não sou um exímio músico de jazz, mas já tive a oportunidade de tocar com algumas pessoas que me fizeram e fazem aprender sempre. Já toquei com músicos que, como nós dizemos, “quebram tudo”, no melhor sentido da expressão e ao perceberem as minhas limitações “seguraram a onda”, como também já toquei tentando “quebrar tudo” e ao perceber a limitações dos outros “segurei a minha onda” rsrsrs. E isso é jazz, este respeito consigo mesmo e com o outro. Não concordo quando ouço que músicos que tocam jazz são melhores do os outros, habilidade todo estilo musical vai exigir sempre mais do músico e todo estilo tem a sua dificuldade. Mas como nossa discussão não é sobre jazz… Concordo com você sim. Não foi minha intenção esculachar o filme quem sou eu pra fazer isso e sim pontuar algumas questões importantes. Falei de mais já.haha. Obrigado mesmo. Tamu junto no Fila Benario Music. Abraço!!!

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