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As mulheres que amamos no mundo da música

Mulheres
Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, e o Fila Benário Music vem pra lá de especial.
Mas não vamos aqui dar um florzinha para cada uma de nossas leitoras, afinal de contas muito mais do que flores e chocolates, as mulheres precisam é de respeito diário e principalmente de conquistar o espaço que lhe é de direito.
Portanto gostaríamos de nesse singelo blog homenagear as mulheres mais importantes do mundo da música, e que elas sirvam de inspiração para cada uma, como exemplo de persistência, integridade e paixão no que faz.
Cada um dos colunistas do Fila Benário Music, escolheu a sua musa inspiradora, dentro do seu estilo musical favorito, e falou o porquê que ela é a melhor de todos os tempos.

Segue abaixo


 

BEYONCÉ KNOWLES (Por Beatriz Sanz)
Beyoncé
Este nome é quase definitivo quando se fala de música contemporânea. Seu trabalho não deixa dúvidas da artista que ela é.
Sorte ela não ser só mais uma artista famosa. Queen B. é a cantora mais influente do mundo, segundo a Forbes. Tanto que o canal vh1 lhe deu o terceiro lugar no ranking de “Mulheres da Música” em 2012.
Iniciou sua carreira no Destiny Child, girl band que lhe rendeu 3 Grammys Awards. Outros 17 ela ganhou sozinha, tornando-se uma das maiores vencedoras do Prêmio.
Sorte ela não ser uma vencedora só diante de câmeras e tapetes vermelhos. A cantora sofreu com depressão após o fim do Destiny Child e de um relacionamento de 7 anos.
Sorte ela ter Jay Z, então.
Eu não sou a maior fã de Beyoncé e não acompanho toda sua carreira, mas sou uma grande admiradora de seu trabalho.
A Rainha Negra é um exemplo, usando seu espaço na mídia para tratar de temas como o Feminismo.
Apesar de sempre muito reservada sobre sua vida pessoal, Beyoncé entende como a política é importante e por isso participa ativamente do processo eleitoral americano, sendo uma das maiores apoiadoras de Barack Obama.
Beyoncé demonstra com suas atitudes como uma mulher negra pode servir de influência para todo o mundo. O que eu posso dizer é, empoderem-se, pois who run the world? Girls!
Músicas Favoritas:

Run the World (Girls)

Best Thing I Never Had

Irrepleaceble

Liberté – Igualité – Beyoncé


 

ELIS REGINA (Por Bruno Vieira)
Elis Regina
Impossível passar este dia tão especial sem falar dessa mulher-menina que por graça de Deus podemos dizer que é nossa!
Nascida em 17 de março de 1945, Elis Regina Carvalho Costa, a “Pimentinha” como era chamada por Rita Lee, entrou na minha vida musical logo nos meus primeiros anos. Sou agraciado por ter uma família de muito bom gosto musical, e Elis era o que tocava na minha casa, nos tios e avós. Logicamente me apaixonei por esta mulher-menina de temperamento fortíssimo, mas, um doce… de pimenta.
Elis Infância

O que Elis Regina fez pela música brasileira e mundial e indiscutível. Gostava de participar de tudo que dizia respeito a sua profissão. Foi a primeira pessoa e primeira mulher a registrar a voz como instrumento na OMB (ordem dos Músicos do Brasil). Brigava pelas composições dos grandes nomes da música brasileira como: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Bosco, Aldir Blanc, dentre outros. Na época, os músicos que faziam parte da sua banda (escolhida a dedo), eram os mais bem pagos do que todos os outros artistas já consagrados.
Além de ser uma grande mulher de família. Casada com Ronaldo Bôscoli, teve João Marcelo Bôscoli, hoje produtor musical e diretor da gravadora Trama. Terminado esse romance, Elis se aventura um pouco até se encontrar com César Camargo Mariano com quem teve Pedro Mariano, também músico, baterista, vocalista, produtor musical e Maria Rita, do qual sou suspeito falar e que por coincidência fez um show ontem 07/03, em Jundiaí, em homenagem as mulheres. Elis sempre foi muito atenciosa aos filhos e família.

Elis e os filhos: Maria Rita (no colo), Pedro Mariano (no centro) e João Marcelo (Sunga vermelha)
Elis e os filhos: Maria Rita (no colo), Pedro Mariano (no centro) e João Marcelo (Sunga vermelha)

Seu estilo musical passeia elegantemente sobre todos os ramos da musica, com muita propriedade, seu jeito único e bem brasileiro de cantar a expressar as canções, fazia com que todos se impressionassem ao ouvi-la, como que tomando para si, as músicas composta por outros.
Difícil escolha, mas para mim seu melhor disco foi, Elis, de 1977, com os sucessos como Caxangá de Milton Nascimento e Romaria de Renato Teixeira e os arranjos do gênio César Camargo Mariano.

Caxangá

Romaria

Nossa Musa morre aos 36 anos de idade apenas, no dia 19 de Janeiro de 1982, causada infelizmente por uma overdose de cocaína, como tantos outros. Talvez uma busca errada por alívio, já que viveu intensa e conturbadamente sua vida! Mas sem dúvida alguma uma grande Menina-Mulher!!!

Saudades Elis Regina.


MARIN ALSOP (Por Willian Abreu)
Marin Alsop
Minha homenagem ao dia Internacional da Mulher vai primeiro à minha esposa Camila que está sempre ao meu lado e sem a qual eu nada seria.
No âmbito sinfônico é impossível não ressaltar o papel das mulheres durante toda a história da música.
Constanze Mozart além de esposa do grande compositor e mãe de seus dois filhos foi durante toda a breve vida de Mozart inspiração para suas composições. Defendia a genialidade do marido, muitas vezes renegado pela burguesia austríaca. Mozart morre aos 35 anos em uma situação financeira precária e negligenciado pela sociedade em que vivia. O grande gênio sequer teve direito a uma sepultura, sendo enterrado em uma vala comum como indigente e até os dias de hoje não se sabe com precisão o local onde está sepultado.

Constanze Mozart
Constanze Mozart

Constanze então foi responsável por não deixar que a obra do marido caísse no esquecimento e é responsável pelo reconhecimento e resgate da obra de Mozart após a sua morte.
Famosa na história da música também está a “Amada Imortal” de Beethoven, tida como o grande amor da vida do compositor sua identidade é ainda hoje desconhecida. Muito se especulou sobre essa mulher inspiradora a qual Beethoven dedica uma carta muito famosa intitulada “À minha amada imortal”, mas ainda hoje pouco se sabe sobre essa misteriosa mulher.
Fora o fato de serem musas inspiradoras dos grandes compositores durante toda a história da música as mulheres tem papel fundamental como instrumentistas. Mas a vida como musicista nunca foi fácil para as mulheres. Mesmo nos coros e na ópera até o começo do século XVII ficava a cargo dos homens cantar os papéis femininos. Eu explico.
Por uma série de fatores sociais da época, em boa parte impostos pela igreja, não era permitido às mulheres participar das atividades artísticas. Todos sabem as mudanças pelas quais a voz dos meninos passa durante a puberdade até a fase adulta onde a voz masculina fica mais encorpada e ganha um timbre mais grave. Para interromper essa mudança muitos meninos durante o século XVI até meados do século XIX foram castrados para que a voz preservasse os timbres mais agudos alcançados pelos sopranos e mezzo-sopranos. Foi a era dos cantores castrados, que tinham à época status de celebridade e eram responsáveis por interpretar os papéis femininos nas óperas.
Ao longo do tempo esse tipo de mutilação foi perdendo espaço e as mulheres passaram a participar de maneira mais ativa na música.
Após esse período e com a evolução da sociedade moderna as mulheres passaram a compor também os corpos orquestrais. Atualmente as orquestras contam em seu corpo sinfônico várias mulheres e elas não ficam restritas aos instrumentos mais populares entre as mesmas como a harpa, a flauta ou o violino. As mulheres também estão tocando instrumentos do porte dos contrabaixos, tímpanos e percussão, trombone, trompetes e etc. Esses últimos em geral até pouco tempo atrás dominados pelo sexo masculino.
Além dos instrumentos hoje vemos um crescente número de regentes do sexo feminino. A regência até pouco tempo atrás sempre foi um terreno dominado pelos homens, mas hoje vemos um número crescente de regentes ou maestrinas no cenário musical e isso traz certo frescor ao mundo da música clássica.
Destaco neste dia a importância da maestrina americana Marin Alsop. Em ascensão no cenário internacional ela atualmente comanda a orquestra mais importante do Brasil, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Ela é responsável pelo desenvolvimento da orquestra, por moldar a sua sonoridade, por montar uma programação com mais de 150 concertos anualmente e garante destaque à nossa orquestra na cena internacional.
Além de comandar a nossa mais importante orquestra, ela também é diretora musical da Orquestra de Baltimore. Quando assumiu esse posto foi destacada como a primeira mulher a comandar uma grande orquestra sinfônica americana. Atualmente com a sucessão no comando da Orquestra Sinfônica de Nova York também está sendo cotada como uma das possíveis sucessoras do atual regente o maestro Alan Gilbert.

Fica aqui minha homenagem a todas as mulheres e que a música possa sempre crescer e se perpetuar com a participação delas cada vez mais ativa no cenário musical.


 

JOAN JETT (Por Fila Benário)
The ALTimate Rooftop Christmas Party
Quando se fala de mulheres no Rock, o primeiro nome que vem a minha cabeça é Joan Jett. Se Elvis é o rei do gênero, como propagam por aí, com certeza Joan é a Rainha!!!
A primeira vez que eu ouvi a voz e a guitarra estridente de Joan, foi quando garoto, lá no finalzinho dos anos 90. Mamãe trabalhava de empregada domestica, e como a família dona da casa havia viajado, ela me levou em uma de suas faxinas, para que o pobre menino pudesse desfrutar um pouco dos prazeres da riqueza. E um dos filhos do casal era apaixonado por Rock e tinha uma parede LOTADA de CDs, qualquer banda que você imaginava, tinha ali. Mamãe disse que poderia ficar ali o dia todo ouvindo música, mas passou uma tonelada de recomendações: “não deixa fora lugar, coloca de volta onde estava, limpa o cd para não ficar a marca dos dedos, ouça baixo para os vizinhos não ouvirem, e não suba na cama” confesso que até hoje eu não entendi o porquê dessa última recomendação.
Muitos CDs ouvidos depois eis que eu deparo com um cd preto com a foto de uma moça loira na frente, e no título: The Runaways, nunca tinha ouvido falar, mas me intrigou, virei a contracapa e lá estava a foto e nome de todas as integrantes do grupo Cherie Currie (Vocal), Lita Ford (Guitarra), Sandy West (Bateria), Jackie Fox (Baixo) e Joan Jett (Guitarra e Voz). Esse último nome não me soava estranho… pera aí, eu tinha visto naquela mesma coleção de cd, em um cd chamado Bad Reputation. Peguei os dois e fui logo ouvir…
E hoje, nesse dia 8 de março de 2015, há mais de 16 anos desse fato, estou aqui escrevendo esse texto para dizer o quanto a obra das Runaways e, sobretudo de Joan Jett foi importante em minha vida.
É claro que existem mais mulheres e grupo femininos de rock com tamanha importância, e até mesmo surgidos antes das Runaways: Birtha, The Shaggs, Suzi Quatro, Fanny, Joni Mitchell e Janis Joplin são alguns exemplos. Mas a característica que faz Joan Jett ser tão especial e a maior de todas as suas virtudes é a sua persistência.
Nascida em 1958, na Pensilvânia, Joan Jett sempre sonhou em fazer rock. Se hoje as mulheres que desejam seguir o caminho do rock sofrem preconceito e represália, imagina na década de 70? Pois Joan colocou o dedo médio em riste na cara da sociedade e formou a primeira banda de rock feminina da California, as Runaways, que se nos Estados Unidos não teve o seu devido valor, no Japão era uma febre.

The Runaways: Cherie Currie, Joan Jett, Sandy West, Lita Ford e Jackie Fox
The Runaways: Cherie Currie, Joan Jett, Sandy West, Lita Ford e Jackie Fox

Com a saída da vocalista Cherie Currie, Joan não deixou a peteca cair e assumiu ela mesma os vocais da banda, e lançou dois álbuns sensacionais Waitin’ for the Night (1977) e And Now… The Runaways (1978)
Ainda nos anos 70 as Runaways acabaram, e Joan Jett persistiu e fundou o Blackheart, desse vez formada apenas com homens “para evitar de comparação com as Runaways” disse a mesma. E ai alcançou o sucesso comercial que nunca havia atingido antes e com hinos que marcaria não apenas uma geração inteira, mas toda a história do Rock. A sua versão para I Love Rock n’ Roll do The Arrows, ficou mais popular e fora mais aclamada do que a original.
E hoje ela continua sendo a rainha suprema do Rock, fazendo shows, gravando discos e influenciando gerações, de bandas de Rock como Guns n’ Roses, Nirvana, Foo Fighters e Against Me, até nomes da música pop como Avril Lavigne, Britney Spears e Miley Cyrus. Mostrando quão variável e plural é o legado de Jett.
Alias, ainda década de 70 e como integrante da Runaways, Joan Jett produziu o primeiro álbum da banda de dois garotos que a idolatrava. Os garotos? Darby Crash e Pat Smear (esse último, hoje no Foo Fighters), a banda? The Germs, e o álbum? (GI), a obra prima do punk que influenciou nomes como Kurt Cobain, Slash, Eddie Vedder e Duff McKagan. “O primeiro álbum do Germs, foi definitivamente o disco que me fez querer ser músico” disse McKagan. Ponto pra Joan Jett.
Outra prova de como Joan Jett é influente, em 2014 o Nirvana foi induzido no Rock and roll Hall of Fame, e no show da banda, Joan Jett assumiu o posto do líder Kurt Cobain e executou o clássico máximo da banda, a canção Smells Like Teen a Spirit.

Em 2012, Joan Jett e o seu Blackheart se apresentou pela primeira vez em terras brasileiras no festival Lollapalooza, eu estava lá, mas infelizmente com o local abarrotado de gente, eu não consegui chegar até o palco onde a rainha Jett se apresentava. Fiquei frustradissimo, mas como Deus é muito generoso, ele me presenteou com a subida dela no palco durante o show do Foo Fighters para execução dos seus dois maiores clássicos: Bad Reputation e I Love Rock n’ Roll.

Se pudesse escolher um álbum favorito de Joan Jett, ficaria com Bad Reputation de 1980. E quanto a música favorita? Escolherei três: Bad Reputation, The French Song e Dirty Deeds Done Dirt Cheap.

Bad Reputation

The French Song

Dirty Deeds Done Dirt Cheap

Valeu rainha Joan Jett.

Feliz dia das mulheres, são os sinceros votos da equipe do Fila Benário Music

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Um comentário em “As mulheres que amamos no mundo da música”

  1. Parabéns outra vez, percebo que terei que arrumar outra palavra para comentar cada post seu. Está divino. Dizer parabéns ficará repetitivo. Adorei a sequência porque Elis é maravilhosa, mas Beyonce é estupenda. Todas são reflexo do seu bom gosto musica.
    Vale a leitura.

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