Inezita Barroso se foi sem falar comigo…

Publicado: 10 de março de 2015 em Homenagem
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INEZITA BARROSO1
Era pra ter ido ao ar ontem esse texto, mas ainda estava me recuperando emocionalmente do baque. A morte da cantora caipira Inezita Barroso, aos 90 anos de idade, foi a perda que eu mais senti no mundo da música, não apenas pelo grande ícone que ela significava para música popular brasileira, mas pelo fato de que uma entrevista com ela estava nos meus planos.
No ano passado eu estava no primeiro da faculdade de Jornalismo, e a instituição que eu estudo está organizando com os alunos, um livro reportagem com diversos gênios da área musical intitulado “Mestres da música”. E fui convidado pela professora coordenadora do curso de jornalismo, Patrícia Paixão, a integrar esse brilhante projeto. Algumas reuniões depois, finalmente eu recebo a notícia de qual mestre eu deveria entrevistar, e era justamente ela: Inezita Barroso.
Fiquei eufórico, mesmo a minha casa não sendo um lar da música sertaneja, alguns grandes nomes da música caipira eram reverenciados e adorados por minha família, e Inezita sempre foi um deles. Meu pai adorava assistir ao programa “Viola, Minha Viola” apresentado por ela na TV Cultura, e repetia religiosamente a mesma frase: “ninguém faz música caipira como essa mulher”. E de fato não fazia mesmo.
Inezita foi uma grande entusiasta e defensora do folclore brasileiro, ela carregava a mais perfeita tradição regionalista em suas canções belas e tocantes, embaladas com a sua potente voz. A verdadeira cara do Brasil é sem sombra de dúvidas Inezita Barroso.
A partir de então comecei a louca procura atrás de Inezita, passei a contatar os assessores de imprensa diariamente, que ora ou outra me inventavam um desculpa: “ela não pode”, “ela não quer”, “eu vou anotar o seu numero de telefone, e vou falar com ela a respeito, se ela se interessar eu te aviso”. Teve um que me disse: “acabou de sair a biografia dela, compra e leia, tudo que você saber a respeito dela está lá”. Enfim foram longos meses levando as desculpas mais esfarrapadas. Até que uma lâmpada piscou sobre a minha cabeça: “porque não ir à gravação do programa na TV Cultura e tentar aborda-la?”, o que eu não imaginava é que eu teria que me inscrever para participar da cobiçada plateia, e que a lista de espera estava enorme. Inscrevi-me, e acredito que até hoje o meu nome deve estar lá…
Voltei ao contato telefônico com a assessoria de imprensa, implorando por uma oportunidade, e o que eu ouvi dessa vez não parecia ser mais uma desculpinha, mas sim a verdade: “Vinícius, a família da Inezita não quer mais que ela dê entrevistas, ela está muito idosa, doente, e eles querem poupa-la, peço desculpas, seria uma honra que ela participasse de um livro tão importante como esse, mas infelizmente não vai dar”.
Não houve alternativa a não ser desistir, tristemente sugeri para minha professora outro artista, que ela aceitou de prontidão, mas ainda tinha no meu coração a esperança que poderia entrevista-la, que ela iria falar comigo, que eu iria ser chamado para integrar a plateia do “Viola, minha viola” e no final da gravação eu iria correndo ao encontro dela aos prantos dizendo: “fale comigo Inezita, por favor”. Mas toda essa chama de esperança se apagou no último domingo, quando de rainha suprema da música caipira, ela se tornou um anjo.

Descanse em paz.

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