A nossa Sala São Paulo entre as 10 Melhores do Mundo

Publicado: 11 de março de 2015 em Willian Abreu Fala
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Sala SP
Tão importante quanto a qualidade de uma orquestra é a qualidade acústica do local em que ela se apresenta.
Isso porque os grupos orquestrais em qualquer que seja a sua formação se apresentam sem o auxílio de amplificação por caixas acústicas, portanto, o som emitido é o que sai diretamente do instrumento e incluído na categoria instrumento temos também a voz humana, pois em uma apresentação de ópera, por exemplo, o cantor não conta com um microfone para amplificar a sua voz, mas sim com técnicas de emissão e sua potencia vocal.
Não é usual a amplificação dos instrumentos de uma orquestra porque se perde muito da clareza do som, das nuances e do equilíbrio que se deve ter entre os instrumentos para uma boa execução. É claro que há exceções, nas apresentações ao ar livre em concertos mais populares a amplificação eletrônica é indispensável, porque do contrário o som da orquestra não chegaria a todos os espectadores, porém, o ideal é apreciar o concerto no espaço que tem essa finalidade. Da mesma maneira que uma peça de teatro se desenvolve melhor dentro do próprio teatro, um concerto se desenvolve muito melhor dentro de um espaço adequado acusticamente para isso.
Esses espaços são os teatros e as salas de concerto, construídos unicamente com essa finalidade e pensados para abrigar uma orquestra ou uma companhia de ópera por exemplo.
No Brasil temos inúmeros teatros destinados ao teatro de prosa por conta da tradição do teatro brasileiro e de sua excelente qualidade. Mas os espaços destinados exclusivamente à música de concerto são mais raros.
O Theatro Municipal de São Paulo construído no início do século XX foi pensado para ser uma grande casa de ópera. E cumpre esse papel até os dias de hoje. Mas foi por muito tempo a principal sala de concertos da cidade de São Paulo. Qualquer grande orquestra estrangeira que passasse pelo Brasil tinha como destino o grande teatro com capacidade para aproximadamente 1500 pessoas. Porém, apesar de ser ideal para a montagem das óperas o espaço não é completamente adequado para apresentação somente de orquestra.
Por todo o Brasil a história se repetia, grandes teatros como o Municipal do Rio de Janeiro, o Palácio das Artes em Minas Gerais, o Teatro Amazonas e o Teatro da Paz em Belém são muito bons para a apresentação de óperas, mas não tão adequados para a apresentação somente de uma orquestra ou um pequeno grupo de câmara.
No dia 9 de Julho de 1999 a situação mudou. São Paulo inaugurou a primeira grande sala de concertos da América Latina, a Sala São Paulo com capacidade para aproximadamente 1500 pessoas, um espaço moderno, tratado acusticamente para receber apresentações desde um piano solo até formações com uma orquestra de 150 músicos.
Sua construção foi realizada durante o governo Mário Covas como parte do processo de reestruturação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Por anos a fio a OSESP esteve jogada às traças. Fundada nos anos 50 a principal orquestra do estado não tinha sede própria, seus músicos não eram contratados pelo regime da CLT e havia uma desmotivação geral dentro do grupo que por um período chegou a ensaiar no restaurante do Memorial da América Latina.
Em 1997 com o apoio do então Secretário de Cultura Marcos Mendonça deu-se início ao projeto de reestruturação da orquestra. Ficou a cargo do maestro carioca John Neschling que até então estava radicado na Europa comandar todo o processo de reestruturação.
As condições impostas pelo maestro para assumir a empreitada foi a de pagar salários aos músicos no nível das grandes orquestras internacionais e a construção de uma sede própria, uma casa para a orquestra, um espaço destinado às suas apresentações e aos seus ensaios.
A orquestra passou então por um período profundo de reestruturação, com a contratação de mais músicos, a avaliação dos músicos que já compunham a orquestra, a reformulação completa do seu sistema de gestão e um trabalho muito minucioso do maestro na melhora da qualidade artística da orquestra.
Na procura de um espaço para abrigar a futura sede da OSESP foi encontrado, seja por ironia ou não, um espaço ideal para receber a futura sala. O pátio ao ar livre da estação Júlio Prestes.
O espaço tinha as dimensões ideais para a construção de uma sala de concertos, seu formato do tipo caixa de sapato se mostrava ideal para a realização do projeto.
Deu-se início a construção e no dia 9 de Julho de 1999 a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica de Estado de São Paulo foi inaugurada.
São Paulo ganhou um espaço moderno, de acústica incrível para a apresentação de sua orquestra e que também recebe até hoje as melhores orquestras do mundo em visita ao país.
A OSESP evoluiu muito desde então e se tornou modelo para as demais orquestras do país. Graças ao trabalho realizado em São Paulo podemos ver hoje a construção de salas de concerto no Brasil como a sala que passou a abrigar a Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro na Cidade das Artes na Tijuca e a bela Sala Minas Gerais inaugurada no último mês e que passa a ser sede da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

E na última semana veio a consagração da Sala São Paulo como uma das 10 melhores salas de concerto do mundo em ranking feito pelo jornal britânico The Guardian.
O respeitado especialista em acústica inglês Trevor Cox percorreu o mundo avaliando dezenas de salas de concerto. Suas visitas foram feitas de surpresa sem que as instituições soubessem de sua presença.
A Sala São Paulo foi a única sala da América Latina citada no ranking, para se ter ideia, dentre as 10 melhores estão o imponente Berlin Philharmonie sede da Filarmônica de Berlin, o Musikvereinssaal casa da Filarmônica de Viena  e o Philharmonie de Paris casa da Orquestra de Paris.
O jornal destaca ainda a beleza arquitetônica da sala construída em uma estação de trem e o teto móvel que ajusta a acústica da sala para que ela possa receber desde pequenas formações até grandes orquestras.
Eu como melômano já estive muitas vezes na Sala São Paulo e posso dizer que cada concerto realizado ali é especial. A qualidade da música que se faz ali é indiscutível. Para quem ainda não conhece vale a pena apreciar esse tesouro no centro velho de São Paulo. E claro, é motivo de orgulho para todos nós termos um espaço deste nível disponível para a população.

Em Tempo: Veja essa matéria de 2012 do Jornal da Globo falando sobre a Sala São Paulo e a OSESP

Perfil - Willian Abreu

 

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