Smashing Pumpkins salva Lollapalooza 2015 do abismo

Publicado: 30 de março de 2015 em Fila Benário Fala, Shows
Tags:, , , , ,

img-1030503-smashing-pumpkins
Do pouco que eu acompanhei dos dois dias do festival Lollapalooza no último final de semana, cheguei a conclusão que essa com certeza foi a edição mais fraca, rala e superficial do evento. E quem realmente salvou ambos os dias foram os headliners.
No sábado em meio de centenas de bandas indies chatérrimas e Dj’s que só apertam play gritam palavras: “hello brazil”, quem se fez notar foi o todo poderoso Robert Plant, que dispensa credenciais, e fez um show memorável ao lado do seu mais novo grupo The Sensational Space Shifters.
O domingo já era previsto como o pior dia do festival, e não só ficou na promessa como se foi cumprido, com mais bandas indies insossas e depressivas, mais Dj’s fazendo a garotada dar soco no ar e virar os olhos. O único resquício de Rock que sobraria naquele domingo ficou sob-responsabilidade do Smashing Pumpkins, e esse por sua vez não fez feio.
Subindo no palco patrocinado por uma marca de desodorante, pontualmente ás 20h30 Billy Corgan, o líder e cabeça pensante do grupo estava acompanhado da sua nova e provisória formação que em termos de técnica e despojamento não deve em nada a formação clássica do conjunto.
O repertório foi o melhor já apresentado pela banda em anos, abrindo com a nervosa e surreal Cherub Rock, do seminal álbum Siamese Dream , o Smashing Pumpkins logo na sequencia presenteou os fãs com um dos seus maiores hits da sua carreira, a belíssima balada Tonight, Tonight.

O restante do set list foi um passeio por toda a discografia do conjunto, do já citado Siamese Dream (1993), tivemos a grande surpresa da noite que foi o clássico Disarm que há muito tempo não era tocado pela banda e que ganhou lugar na recente turnê. Do esquizofrênico Adore (1998), tivemos o dançante single Ava Adore, que colocou a multidão para berrar a plenos pulmões o refrão “We must never be apart”. Clássicos como 1979, Bullet with Butterfly Wings do Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), dividiam espaço com Being Beige, Drum + Fife, Monuments e One and All do mais recente álbum Monuments to an Elegy (2014) que funcionaram perfeitamente ao vivo. Até Pale Horse e United States que não as melhores canções dos respectivos álbuns, Oceania (2012) e Zeitgeist (2007), dentro do repertório se fizeram notar e ganharam peso extra, a última então virou uma enorme e pesada jam.
Brad Wilk com certeza é o cara mais sortudo do mundo, afinal de contas ele integrou uma das bandas mais importantes dos anos 90, o Rage Against The Machine, e posteriormente a dos anos 2000, o Audiosalve, além de ter a honra de gravado o último álbum de estúdio do Black Sabbath, o 13 (2013). E agora integra o line up do Smashing Pumpkins sendo com certeza o melhor instrumentista no palco, tocando forte, pesado, esbanjando técnica e aprimorando ainda mais as tradicionais viradas e contratempos das músicas.

Brad Wilk

Brad Wilk

Já o baixista Mark Stoermer do The Killers, se de um lado sobra competência como músico, do outro falta carisma e vontade, o mesmo não se movimentava e não esboçava reação alguma no palco. Talvez seja porque ficamos mal acostumados com o Pumpkins ter tantas baixistas belas e carismáticas como D’arcy Wretzky, Melissa Auf Der Maur, Ginger Reyes e Nicole Fiorentino.
Se há oito anos Jeff Schroeder integrava a banda despertando uma imensa desconfiança a cerca do seu futuro desempenho, hoje ele tem o seu lugar garantido nos Pumpkins, e tampouco os fãs se lembram de quem foi James Iha. E Billy Corgan, o gênio genioso, o cara mais difícil do Rock, a metralhadora giratória que não tem papas na língua e fala o que der na telha, estava em uma noite inspirada, tanto musicalmente fazendo urrar a sua guitarra, com muito peso e solos bem executados, além da sua característica voz que permanece intacta. Como pessoalmente, interagindo com plateia o tempo todo, sorrindo, se divertindo e regendo o coro de mil vozes que tomavam por completo o Autródomo de Interlagos.
Durante a apresentação da banda, Billy tocou um trechinho de Killing In The Name do RATM ao apresentar Brad Wilk e arrancou gargalhadas da plateia.
O curto repertório de uma hora e meia de duração ainda contou com o sensacional b-side Drown, que causou histeria nos die-hard-fans da banda, além da sensacional Stand Inside Your Love, e encerrou de forma sublime com Corgan sozinho no palco empunhando um violão tocando um dos maiores sucessos da banda, o hit Today, com plateia em uníssono, fazendo inclusive os solos de guitarra em determinada parte da canção.
Ao longo dos seus 24 anos de festival, o Lollapalooza se perdeu e muito, em forma, conteúdo e autenticidade. Se no início tratava-se de um festival que apresentava o que havia de melhor na música, era totalmente alheio ao corporativismo e se embasava em causas humanitárias. Hoje o que temos é um circo produzido pela indústria cultural, que rasteja amparado por grandes empresas que injetam dinheiro a troco de publicidade, e escala um line up musical tão profundo quanto um pires. E depois de tanta porcaria que assisti nos palcos do Lollapalooza naquele domingo, quando Corgan subiu com o seu Smashing Pumpkins e fez urrar a sua guitarra eu olhei para os céus e agradeci a Deus por esses gênios ainda existirem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s