Na minha terra, Odair José é rei, e Roberto Carlos, um plebeu

Publicado: 22 de maio de 2015 em Fila Benário Fala
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Já fazem duas semanas que o programa Fantástico, da Rede Globo, tem anunciado uma reportagem especial onde mostraria as gravações do mais novo álbum do “rei” Roberto Carlos, no antológico estúdio Abbey Road, em Londres, estúdio onde gravou nomes como Pink Floyd, Duran Duran e Oasis. Mas que ficou eternizado como a casa do Beatles.

O encontro do rei com a meca da música mundial tinha tudo para ser um dos momentos mais emblemáticos da música popular brasileira, mas esqueçam… trata-se de Roberto Carlos, o homem mais preguiçoso e acomodado da música brasileira nos últimos tempos.

O tal álbum, a ser lançado em breve, traz releituras de grandes sucessos de Roberto Carlos em espanhol (!). Segundo o rei, as canções ganharam novos arranjos, mas levando em consideração do que foi exibido na matéria, trata-se do mais do mesmo de sempre. Roberto levou o seu tradicional show de final de ano da tela da globo para dentro do Abbey Road.

A verdade é uma só, Roberto Carlos ficou preso eternamente na sua fórmula musical, claro que ele foi fundamental na história da música brasileira nos anos 60, o mesmo popularizou o gênero rock em terras tupiniquins, andando literalmente na contramão da música popular na época que a mesma estava mergulhada na Bossa Nova e posteriormente na tropicália. Porém hoje ele vive eternamente do passado. Ele não inova, não ousa, não lança um disco inédito a décadas, aliás, o seu último de inéditas foi “Amor sem Limites” lançado em 2000, com uma enorme carga emocional devido ao falecimento da sua esposa Maria Rita, e continha apenas 4 músicas novas.

Amor Sem Limites (2000)

Amor Sem Limites (2000)

O fato de ser declarado o rei da música brasileira, fez Roberto Carlos se acomodar em cima do seu trono e não apresentar uma novidade para o seu público, e quando apresenta, é algo encomendado pela Rede Globo de Televisão para a sua novela das oito, como a abominável “Esse Cara Sou Eu”, que poderia ter sido escrita por uma duplinha sertaneja qualquer.

Em contrapartida, o goiano Odair José nos presenteou com um disco inédito e sensacional. Dia 16, o seu 34º álbum de estúdio, chega chegando, vem novo, vistoso, encorpado e moderno. A principal característica de Odair José que são as letras simples e diretas, estão intactas. Mas a roupagem sim veio de forma frenética, flertando até com o rock, gênero que o mesmo sempre disse ser fã e adorador.

Ouça a faixa-título e delicie

Associado eternamente com a música brega, Odair José sempre foi um homem à frente do seu tempo, as suas letras faziam as mesmas críticas sociais de Chico, Gil e Caetano, porém de forma simplista e de fácil interpretação. Quando fora contratado, em 1971, pela gravadora CBS, que tinha em seu próprio cast o rei Roberto, Odair meteu o pé na banda de apoio imposta pela gravadora, que era a mesma banda de Roberto, e gravou com músicos escolhidos por ele, dando uma roupagem inovadora para às canções na época.

E hoje, ao invés de deitar eternamente em berço esplendido e gozar da sua estabilidade musical, Odair desafia a si próprio e faz um disco histórico.

Na terra onde eu vivo, Odair José sim é o REI!!!

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comentários
  1. ------------------------------------------------------ disse:

    …..ainda sou seu fã, suas músicas etrnizaram minha juventude, por isso voce é o melhor

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