Segundo dia da Virada Jundiaí reúne Rock, Rap e MPB

Publicado: 24 de maio de 2015 em Shows
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“Três dias de muita arte, música e cultura”, esse é o slogan da primeira Virada Jundiaí, a mais nova empreitada cultural da prefeitura de Jundiaí, que vem substituir a tradicional “Virada Cultural Paulista”.

Com novo formato, nova proposta, mas com o mesmo espírito, a Virada Jundiaí, conta com três dias de evento, dias 22, 23 e hoje, encerrando com o show da dupla sertaneja Zé Henrique & Gabriel, no tradicional Parque da Uva.

A equipe do Fila Benario Music não esteve presente no primeiro dia de evento, que contou com as apresentações dos Demônios da Garoa e o Teatro Mágico, mas ontem o próprio Fila Benário esteve presente e conta as experiências logo abaixo.

Sábado de Rock na Virada Jundiaí

Quem sentiu falta de algum medalhão do Rock Nacional no Line-up da Virada Jundiaí, não tinha do que reclamar, Jundiaí é um dos maiores celeiros do Rock Underground, com bandas sensacionais que representam muito bem o estilo musical. E muito sagaz foi a prefeitura em escalar na programação os seus maiores representantes.

A festa começou às 10 da matina com a banda Metamorffose se apresentando no Pavilhão Interno do Parque da Uva. Se eles foram injustiçados com horário ruim, com o tempo cortado e com a ausência do segundo guitarrista do conjunto, o Guilherme Bianchini, o mesmo não pode dizer da apresentação da banda que foi intocável.
Tamanho despojamento, técnica e profissionalismo que a banda escancara no palco é absurdo, em um set-list repleto de covers nacionais e internacionais, entre elas as versões anárquicas para Por Que a Gente é Assim (Barão Vermelho), O Papa é Pop (Engenheiros do Havaii) e Tempo Perdido (Legião Urbana), e uma versão de Plush do Stone Temple Pilots, que faria Scott Weiland sentir vergonha da sua atual condição. Famintos, a única canção própria do conjunto no repertório, foi uma pequena amostra do largo caminho que a banda tem a trilhar na reconstrução do Rock Nacional Mainstream.
Durante o show, o Vocalista Nick Moraes anunciou que a banda estará no cast da coletânea que apresenta novos nomes do Rock Nacional, produzida pelo estúdio Midas (Rick Bonádio).
Que o sucesso venha em breve, pois o Mainstream merece bandas assim.

Metamorffose

Metamorffose

Durante a apresentação da Metamorffose, a banda Felina já se apresentava no Coreto do Parque da Uva, um palco bem montado ao ar livre, com puff, bancos de madeira e cadeiras de plástico, fazia a plateia se sentir à vontade, e deliciar-se com um bom som.
Se faltava técnica e profissionalismo na banda, sobrava energia, garra, sensibilidade e muita ousadia na Felina que fez um enorme saladão sonoro no set-list que ia de Pearl Jam e Nirvana à Cássia Eller e Amy Winehouse. Versões noises de Joan Jett e King Of Leon estiveram também presentes no repertório, que encerrou com a emblemática Best of You do Foo Fighters. Tudo isso muito bem cantado no poderoso vozeirão da belíssima Juliane Cardoso.
Que esse frescor e displicência juvenil que a Felina carrega em sua sonoridade seja utilizada na composição de músicas próprias, o Rock Nacional está carente de atitudes assim.

Felina

Felina

Pontualmente às 14h, foi a vez do Ecliptyka, com o seu Heavy Metal pesado e inteligente, se apresentar no Palco Externo do Parque da Uva. Divulgando o mais recente trabalho, o álbum Times Are Changed (leia a resenha aqui), a banda é um verdadeiro show a parte no que diz respeito a profissionalismo. Desde a abertura com Changed and Gone, passando por Forgotten, The Your Final Breath, If You Only Knew e o poderoso single Times Are Changed, você se descabela com as guitarras pesadas e ultra-rápidas de Hélio Valisc e Guilherme Bollini, e se encanta com os vocais e a performance arrasadora de Helena Martins.
O show foi dedicado a filha recém-nascida do baterista Tiago Catalá, que havia nascido no dia anterior. Na ausência do mesmo quem assumiu as baquetas foi o também genial Murilo Martins.
What You Think You Feel encerrou a apresentação em grande estilo, mostrando que o Ecliptyka não é apenas um forte nome na cena metal jundiaiense, mas na brasileira.

Ecliptyka

Ecliptyka

Com contrato assinado na Sony Music, e com status de banda grande, a Locomotron se apresentou às 18h no Pavilhão Interno. Infelizmente não acompanhei o show todo, pois na mesma hora o rapper GOG se apresentava no Palco Externo, mas o pouco que conferi, deu pra sacar a energia e carisma dos garotos em versões próprias para grandes clássicos do Rock Nacional, como Malandragem dá um Tempo (Versão do Barão Vermelho para o sucesso do Bezerra da Silva) e Sociedade Alternativa (Raul Seixas).

Locomotron

Locomotron

É o Terror, é o Terror, Rap Nacional, é o GOG que chegou

O rapper Genival de Oliveira Gonçalves, o GOG, que já tem cidadania jundiaiense, chegando a morar por um bom tempo na Vila Hortolândia, na cidade de Jundiaí, havia se apresentado na parte da tarde no bairro do São Camilo, dentro da programação da Virada Jundiaí. Mas quem achou que o seu show no Parque da Uva seria morno e cansado, estava errado, GOG veio cheio de rima e energia e fez um show histórico, ou uma celebração como o mesmo diz: “celebração a gente ri, chora, se emociona e fica com marcas”, salientou.
Com uma banda enxuta, com percussão, violão e pick-ups, durante uma hora e vinte minutos de apresentação GOG, fez rima, prosa, discursou e claro mandou os seus principais sucessos, entre eles: É o terror e Quando o Pai se Vai, com o famoso sampler de “Como Vou Deixar Você” de Paulo Diniz.
Entre os discursos acalorados, o grande ponto alto da apresentação, GOG frisou: “a palavra tolerância deve ser tirada do dicionário, eu não quero tolerância, eu quero respeito”. Em meio à polêmica da redução da maioridade penal, GOG foi categórico: “Eu sou a favor da maturidade cultural”. E orgulhoso da sua negritude, GOG conclamou: “a chapinha nos aprisionou durante anos, agora ela não tem mais vez na quebrada”, um convite aos negros não se envergonharem das madeixas crespas.
GOG convidou para o palco, o grupo de rap jundiaiense 288, para dar uma canja em uma música autoral, a satisfação dos garotos em estar ao lado do mestre do rap era nítida.
A canção Fogo no Pavio, encerrou a apresentação com GOG saudando os professores em greve, segundo o mesmo: “os formadores do país”.

GOG

GOG

Chico César absurdamente genial

Duas horas depois, o Palco Externo era finalmente ocupado por Chico César, o grande gênio da música popular brasileira.
Não há meros expectadores no show de Chico César, na celebração musical do pequeno paraibano, você está exposto a qualquer tipo de experiência, você canta, dança, sorri, esperneia, se emociona e se sai de lá querendo mais e agradecido.
A enxuta, porém eficiente, banda formada por baixo, sanfona, bateria e com o violão/guitarra e voz de Chico, começou os acordes de Béradêro, César subiu todo simpático saudando a plateia, e a partir daquele momento foi um verdadeiro desfile de sucessos. Mama África, o seu maior sucesso foi a terceira canção do repertório, para delírio dos presentes que dançaram o tempo todo. Baladas como Pensar em Você e A Primeira Vista, se encontravam com os forrós e xotes de Comer na Mão, Forró Pesado e Alma Não tem Cor.
Chico César fez a plateia, formada em sua maioria por brancos, cantar o nome do ativista Nelson Mandela, no xote-reggae Mandela. E convidou o rapper GOG para a poderosa: Respeitem os Meus Cabelos, Brancos.

Chico César e GOG

Chico César e GOG

Chico é fenomenal, sua presença de palco, sua voz poderosa, e a sua técnica no violão e na (sensacional) guitarra (em formato de ônibus) é hipnotizante.
O final com Chico e banda de mãos dadas a capela cantando Pedra de Responsa, foi arrepiante.

Chico César e Banda

Chico César e Banda

Uma verdadeira aula de música brasileira, quem viu, viu!!!

Em breve aqui no Fila Benário Music, a entrevista completa com o rapper GOG e o mestre Chico César.

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