Fila Benário entrevista Chico César: “O meu próximo álbum pode ser de Hip Hop”

Publicado: 29 de maio de 2015 em Entrevistas
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Com quase 30 anos de carreira, oito discos lançados e canções no hall das maiores composições da música popular brasileira, o Paraibano Chico César poderia estar deitado eternamente em berço esplendido e gozando do seu merecido sucesso, no entanto, para nossa sorte, o homem é incansável, e presenteia o público brasileiro com apresentações antológicas, como o mesmo fez na cidade de Jundiaí (interior de São Paulo) no dia 23 de maio, dentro das programações da “Virada Jundiaí”.
O músico, compositor, jornalista e ativista político, Chico César é o homem mais ativo da MPB, e nós do Fila Benário Music tivemos a honra e o imenso prazer de bater um papo com essa grande lenda viva da música brasileira.
Apesar do curto tempo de entrevista, o mesmo falou das principais influências de sua carreira, dos seus futuros projetos, e durante o bate papo, recebeu uma grande homenagem do rapper GOG, que na ocasião, também se apresentava no evento.

O resultado disso tudo, você confere abaixo:

Você lançou recentemente o álbum Aos Vivos Agora, que é uma espécie de tributo ao seu primeiro álbum, lançado em 1995, intitulado Aos Vivos. A pergunta é, 20 anos depois, qual é a diferença musical daquele Chico de 1995 para esse de agora?

Olha, o Chico dos Aos Vivos eu tinha 31 anos na época, hoje eu tenho 51, então o que eu tinha de influencias na vida já era uma coisa consolidada, tanto que no primeiro disco as pessoas se espantam com a força daquele compositor, e isso acabou chamando a atenção não apenas da mídia, mas dos colegas, das interpretes, dos interpretes. E ali de certa forma a minha base estava formada. Eu assisti um dia desses um vídeo meu no Festival de Avaré, interior de São Paulo, eu não conhecia aquele vídeo, eu cantando Béradêro, uma música que depois eu viria a gravar no Aos Vivos, e eu usando sampler no palco, sampler ao vivo, e eu cantava em dois microfones, em um eu fazia uns “barulinhos” que o cara ficava ali manipulando, eu cantava uma estrofe e voltava ali naquele microfone fazendo outros “barulinhos” e o cara ai juntando e tal, ai eu fiquei pensando: “poxa, eu já tinha uma personalidade formada ali”, e o que aconteceu a partir dos Aos Vivos, foi que eu pude realizar as minhas experimentações em cada disco, a medida que o tempo vai passando você pode experimentar, fazer uma coisa mais urbana, mais rural, trazer mais o forró, o frevo, como fiz no (disco) Francisco Forró y Frevo (2008). Eu me sinto um homem livre desde o começo.

Neste momento o rapper brasiliense GOG, que também havia se apresentado na Virada Jundiaí, interrompe a entrevista para cumprimentar o ídolo e amigo Chico César, e pede a palavra para prestar uma homenagem ao grande Chico.

GOG: Eu queria parabenizar o Chico César pela coragem, o Chico César tem uma relação profissional com o Laboratório Fantasma do (também rapper) Emicida, queria parabenizar você, porque isso fortalece muito a gente, o hip hop precisa ampliar esse território negro nosso, e o Chico é uma pessoa que nos trás alegria, eu fiquei muito feliz com isso.

Chico César: E você trazendo esse Jackson no peito (o rapper trajava uma camiseta com rosto do cantor, compositor e instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro) me enche ainda mais de alegria.

GOG: Pois é, foi homem que ensinou a gente.

Chico: O rei do ritmo.

GOG: Sim, o rei do ritmo.

O rapper GOG pedindo a palavra durante a entrevista

O rapper GOG pedindo a palavra durante a entrevista

Chico, em 2008 no álbum Francisco, Forró y Frevo, você teve a possibilidade de externar as suas raízes nordestinas. Você pretende futuramente em um novo álbum, trabalhar um estilo que você ainda não teve a oportunidade de aprofundar, mas que faz parte do seu caráter musical?

O que eu pretendo fazer, até porque eu acho que ta chegando a hora agora e a gente está encontrando os parceiros certos, mas eu comecei a experimentar lá atrás com o Thaide & DJ Hum, eu participei no disco deles (álbum Assim Caminha a Humanidade, na música Desafio no Rap Embolada), e eles participaram do meu disco (Beleza Mano – 1997), em uma música que se chama Espinha Dorsal de Mim, eles participaram ali, e eu gosto muito deles. Eu acho que como o GOG ta aqui e é um dos meus irmãos dessa linha do hip hop, eu acho que em um futuro próximo esse encontro com o Emicida, com o Laboratório Fantasma vai gerar um conteúdo ai mais perto dessa coisa do hip hop, e faz muito sentido. Muito dos jovens do hip hop me veem como um cara que quando começou com (a música) Mama África, um tema da periferia brasileira, as mulheres que trabalham todo dia e cuidam dos meninos que normalmente o pai já está no mundo, “foi-se embora”, ou está preso, ou morreu, e ai eles se identificaram com isso, então pra mim isso seja breve, não sei quando vai ser, mas eu acho que a gente vai começar a fazer isso, até porque o hip hop tem usado ritmos brasileiros, tem usado ritmos nordestinos, o GOG mesmo está vestido com uma camiseta do Jackson do Pandeiro, isso há vinte anos talvez fosse chocante, mas a gente precisa lembrar que Nelson Triunfo, de Triunfo, Pernambuco, foi o cara que começou as rodas de hip hop na estação São Bento em São Paulo.

Chico César e Fila Benário

Chico César e Fila Benário

GOG, Chico César e Fila Benário

GOG, Chico César e Fila Benário

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