FBM CONVIDA: “Funk: A cultura periférica demonizada”

Publicado: 6 de julho de 2015 em FBM Convida
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No “FBM Convida” de hoje, temos o imenso prazer em receber a grandiosa e jovem jornalista, poetiza e ativista da causa feminista, Clarissa Zuza.


 

Por Clarissa Zuza

Ouvi recentemente, durante uma aula na faculdade, uma grande quantidade de preconceitos saídos diretamente da boca de uma professora sobre vários temas. Um deles me chamou a atenção: o suposto abismo entre o Funk e a cultura. Também aquela história de que o estilo musical que realmente representa os pobres é o Rap e não o Funk, além de dizer que mulheres que cantam e dançam tais músicas não têm direito de reclamar sobre a falta de respeito dos homens – neste instante, quase tive um ataque cardíaco, e acabei saindo da sala após mais algumas afirmações preconceituosas.

Esses dias fui mencionada em uma discussão a respeito do tema (Funk X cultura) no Facebook, e apesar de não me manifestar na própria discussão, me posicionei sobre a questão em uma conversa via bate papo, e agora, direi aqui:

Primeiramente, não citarei nomes por não julgar necessário, mas o tema precisa ser trazido para o debate. Depois, já dizia Paulo Freire que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar opressor”, e a gente vê isso no “peão” que é explorado pelo patrão querendo virar patrão para explorar outros também; ou no cara da quebrada que é enquadrado pela PM (Polícia Militar) e leva tapa na cara, mas quer virar PM pra “tocar o terror”. Vemos nas expressões culturais também, o povo diversas vezes admirando outros elementos culturais, porque lhe foi ensinado que a sua cultura não é boa o suficiente. A partir daí acontece o que vemos o tempo todo: a grande mídia – que está claramente a serviço de quem tem o poder, que é a classe dominante (no caso, a classe média branca e elitista) – demonizando o Funk.

Assim acontecerá com outras expressões culturais que vierem após o Funk, como aconteceu com o Rap, o Jazz, o Samba, e como acontece com o TecnoBrega no Norte do Brasil, que está passando pelo mesmo processo do Rap, quando começou a se tornar um potencial lucrativo para a indústria cultural. Isso não acontece porque é Rap ou Funk, e sim porque é a periferia se unindo para fazer acontecer as suas próprias expressões culturais, e tudo isso sem o apoio de prefeituras e subprefeituras, sem o apoio de secretarias de cultura. E isso dói na classe média.

Por que dói? Bom, porque a partir do momento que nós, da periferia, nos organizamos para fazer uma festa, podemos nos organizar para fazer coisas maiores. E a mídia, obviamente, faz esse terrorismo usando qualquer arma que tiver na mão para manipular inclusive a periferia. Desde dizer que é pornografia e que mulheres são todas vadias, a todas as outras oportunidades que tiverem de atacar qualquer coisa que a periferia faça de maneira independente; e se não houver oportunidade, criarão motivos, porque é desesperador ver o pobre ganhando força e se unindo, ver um povo resgatando a sua cultura e a sua identidade, que até então quem ditava era a classe média e branca.

O grupo O Bonde das Maravilhas

O grupo O Bonde das Maravilhas

Mas chega uma hora que essa manipulação já não funciona mais, e é feito o que foi feito com o Rap: se glamoriza aquela expressão cultural para tentar mantê-la nas rédeas, e vai sendo feito todo um trabalho de jogar um contra o outro. Inclusive, já dizia o rapper Edi Rock em sua música Abrem-se os Caminhos: “técnica avançada de colonizador, colocar um contra o outro pra depois tocar o terror”.

Então, quando vemos pobres falando mal do Funk, e que o Rap sim é a verdadeira cultura das periferias e das favelas, não é porque o Rap é melhor que o Funk, é porque foi se aprendendo a demonizar o Funk e admirar uma expressão cultural que acaba tendo certo nível de controle midiático. Mas não em todos os casos. Na verdade, a maior parte dos rappers também é contra essa manipulação da mídia. Tanto que, se pegarmos alguém de uma geração mais velha que a nossa, essa pessoa talvez odeie o Rap também, porque até pouco tempo, o estilo era marginalizado.

Não podemos esquecer que rappers saiam dos shows dentro do carro da PM, inclusive atribuiu-se ao estilo o apelido “profissão perigo”, como é comumente chamado até os dias atuais. E que era feito um enorme terrorismo midiático em cima disso, dizendo, por exemplo, que grupos como Facção Central, Racionais MCs e RZO faziam apologia ao crime. Hoje vemos Racionais sendo glamourizado, e o Funk sendo apontado como apologia ao sexo e ao crime. Porém, se analisarmos, o Funk possui linguagem pornográfica sim, mas o Rap, e tantos outros como Chico Buarque também têm. O Funk fala do crime e da Lacoste, mas o Rap também. O Funk faz ostentação. E Racionais MCs não faz não? Claro que faz. O Funk é machista, porém o Rap é diversas vezes muito mais. É notável uma maior representatividade feminina no Funk do que no Rap.

Racionais Mc's atualmente

Racionais Mc’s atualmente

Geraldo Filme cantou que “a favela virou poesia na boca de quem nunca soube o que é sofrer” na música Tristeza do Sambista. A realidade da periferia não é bonita como retrata a mídia que tem certo fetiche por maquiar o sofrimento alheio. Em um sistema que te induz a querer ter sempre mais para ser bom o suficiente, onde muitos não tem sequer o que comer, quando alguém pratica um roubo, seja pelo AirMax do ano, ou pelo prato de comida; é fácil colocar a culpa na ostentação e na apologia ao crime. Em uma sociedade patriarcal que coloca mulheres como inferiores, e que os jovens são inseridos no mundo do sexo cada vez mais cedo, sem sequer receberem instruções sobre saúde sexual e reprodutiva, sem saber usar uma camisinha, ou tomar um anticoncepcional da maneira correta; é simples colocar a culpa de tantas garotas grávidas antes dos 15 anos de idade na música e na dança que faz apologia ao sexo, e que é machista. Onde se tem uma guerra às drogas que mata inúmeros jovens todos os dias, e as tragédias e as dores são cada vez mais frequentes, fazendo muitos procurarem escapatória no álcool, na maconha, e em outras drogas, me parece cômodo pôr a culpa na música que ensina a bolar um baseado. Na periferia isso se aprende desde cedo.

Outro exemplo da diminuição das lutas dos pobres, fora da música é a autoafirmação negra, em se libertar dos estereótipos brancos e parar de alisar o cabelo, isso é ato político, e o que a grande mídia diz? “Cabelo cacheado é tendência”, diminuindo uma luta, e reduzindo-a a moda.

Quanto às mulheres dançando e cantando músicas com linguagem sexual, vai continuar e até aumentar, enquanto quisermos. Somos donas dos nossos corpos, e das nossas vontades. Dizer que homem falando pornografia é normal, por ser “coisa de homem”, mas que as mulheres que dançam e cantam, não se “dão o valor” é um total despropósito. É reafirmar o conceito patriarcal de que “mulheres de verdade” precisam ser recatadas, e homens para serem “verdadeiros homens” precisam falar o tempo todo sobre sexo para impor sua masculinidade.

Em relação a estilos musicais vistos com melhores olhos, como a MPB de Chico Buarque, eu realmente gosto. Porém não posso negar que jamais terá a emoção e a representatividade que a cultura negra e periférica – Funk, Rap, Brega, Jazz – possui.

Concordo que há muito no Funk, assim como no Rap para ser problematizado, mas reduzir toda uma cultura musical a julgamentos prévios que conduzem ao ódio, é um grande erro. No mais, viva o Funk, o Rap, o Brega, viva as minas, os passinhos, e toda a rica cultura que o gueto tem para oferecer. Continuaremos a resistir.

Abaixo temos alguns exemplos de músicas em diferentes estilos musicais (Funk, Rap, Brega, Jazz, MPB), que tem em comum os assuntos, ditos com palavras, expressões e gírias diferentes:

DESIGUALDADE SOCIAL/ COTIDIANO NA PERIFERIA

1 – A marcha Fúnebre Prossegue – Facção Central

“Aqui pro cidadão honesto ter um teto
Só pondo o fogão na cabeça, invadindo o prédio
Saindo na mão com PM do choque
Sobrevivendo os tiros na reintegração de posse.
Pergunta pro tio, do terreno invadido no escuro
O que é um trator transformando seu sonho em entulho?
Arrombado que me critica, me mostra o povo sorrindo
De carro, casa própria, churrasco no domingo
Será que é miragem um mendigo que come osso?
Gambé porco que pela tua dor, deforma teu rosto”

2 – Favela Sinistra – Trilha Sonora do Gueto

“A fita é essa, certo, Jão? Pra sobreviver aqui no capão
Infelizmente, quem sofre é a gente, nunca se sabe o que vem pela frente
Um esqueleto na escuridão, coisa do tempo, decomposição
Miséria em ação, mais um ser, então, que a violência derrubou no chão
O pai desse cara não tem nada a ver, mas sofre ao vivo, depois na TV
Os ossos do filho que a mídia filmou, depois mais tarde na tela passou
Montou logo um texto para acabar, com aquela família que estava a penar
Monstro da alma, inimigo da mente, é o sistema com o seu descendente
Filho da puta, bando do mau, esquece que também é mortal
Pratica o mal bem na moral, pra se foder no juízo final
E a família, o que tem a dizer?
Que o seu filho ninguém vai trazer
Na mão de Deus entreguei você, na lei da terra vocês vão se foder
E quem é você pra me dizer tudo o que devo e não devo fazer?
A favela é sinistra, é na madrugada, filho da puta,
Assassino de farda
Se eles te ver, tenta correr, se ele sacar, o finado é você”

3 – Som de Preto – Amilcka e Chocolate

“É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado

O nosso som não tem idade, não tem raça, e não tem cor
Mas a sociedade pra gente não dá valor
Só querem nos criticar pensam que somos animais”

4 – Papai Noel Favelado – PH Lima

“Mataram uma criança com um tiro de fuzil
E nessa hora o morro todo estava cercado
No alto um besourão,
Lá embaixo mais cinco blindados
Mais de 50 mortes foi o número total
Que foram batizadas de presente de natal
Papai Noel de Favelado
É uma caveira que com um saco
Te põe dentro de um blindado
É uma caveira que com um saco
Perdido eu estava em um beco da favela
Quando um caveira do BOPE
Ali me encontrou
Não sabia o que fazer naquela situação
Pois nunca tinha entrado
Dentro de um caveirão
Lá dentro eu apanhei
Como se eu fosse um animal
Lá dentro eu conheci a outra face do natal
Até hoje lembro do meu amigo Gabriel
E tenho medo ainda de qualquer papai noel”

5 – Bandido do Rio – PH Lima

“O bandido chegou em São Gonçalo
Eu tava ligado que ia ter eleição
De repente apareceu projeto
Falou que barraco ia virar mansão
E eu vi que algo tinha mudado
Os vermes pararam de me esculachar
Morador tratado com respeito
Eu sei que isso tinha hora pra terminar
[…]
E o bombeiro o bandido expulsa
Professor, o bandido esculacha
E o preto na favela, todo dia ele mata”

6 – Rap da Felicidade – Cidinho e Doca

“Minha cara autoridade eu já não sei o que fazer
Com tanta violência eu sinto medo de viver
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e alegria que caminham lado a lado
Eu faço uma oração para uma santa protetora
Mas sou interrompido a tiros de metralhadora
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela
O pobre é humilhado, esculachado na favela
Já não aguento mais essa onda de violência
Só peço autoridades um pouco mais de competência
Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente
Na favela onde eu nasci
E poder me orgulhar
E ter a consciência
Que o pobre tem seu lugar”

7 – Backlash – Nina Simone

“When I try to find a job
To earn a little cash
All you got to offer
Is your mean old white backlash
But the world is big
Big and bright and round
And it’s full of folks like me
Who are black, yellow, beige and brown
Mr. Backlash, I’m gonna leave you
With the backlash blues”

Tradução:

“Quando eu tento achar emprego
Pra ganhar algum dinheiro
Tudo que você tem pra oferecer
É aquela reação branca, velha e malvada
Mas o mundo é grande
Grande e brilhante e redondo
E é cheio de gente como eu
Que é preta, amarela, bege e marrom
Dona repercussão, eu deixo você
Com o blues da reação”


 

MACHISMO E OSTENTAÇÃO

8 – Estilo Cachorro – Racionais MCs

“Segunda, a Patrícia
Terça, a Marcela
Quarta, a Rayssa
Quinta, a Daniella
Sexta, a Elisângela
Sábado, a Rosângela
E domingo, é matinê 16 o nome é Ângela
Tenho uma agenda com dezenas de telefones
Uma lista de características, e os nomes
Qual é a fonte parceiro
Ah, isso não é segredo
Ando de moto tá ligado, tenho dinheiro
As cachorras ficam tudo ouriçada quando eu chego
Eu ponho pânico, peço champanhe no gelo
Aquele balde prateado, em cima da mesa
Dá o clima da noite, uma caixa de surpresa
Fico ali olhando sentado filmando
Só maldade pra lá e pra cá, desfilando
Elas fazem de tudo, pra chamar sua atenção
Para, taca na cara, na pretensão
Cola de calça apertada, boca de sino
De blusa decotada perfumada e sorrindo
Me pede um isqueiro e oferece um cigarro”

9 – Vem, Pode Chamar Que Ela Vem – Nego Blue

“Ih chegou final de semana
Tem que andar chique e bacana
Tô pesadão de Lacoste e de Dolce Gabbana
Vamos Santos ou Copacabana
Mais não se preocupa com a grana
Porque o pitstop da noite vai ser na minha cama
Ser bonito e ser elegante
Ouro, prata e diamante
Tô de nave no rasante eu vou mais a diante
Ih, nós tem fiel tem amante
E a briga das duas é constante
A fiel bate no peito diz que se garante
Ih, o lema é se adiantar conta plaquê de cem
Fazendo elas gama
A novinha tá na minha mira não vai escapa
Vem, Pode chamar que ela vem
De captiva ou de citroen de hornet ou de mil e cem
Vem, tem de galo também tem de cem
E a dama de vermelho também
É que hoje eu não sou de ninguém, eu não sou de ninguém”


 

DROGAS

10 – O Rap é Compromisso – Sabotage

“Tumultuada está até demais a minha quebrada
Tem um mano que vai levando, se criando sem falha
Não deixa rastro, segue só no sapatinho
Conosco é mais embaixo, bola logo esse fininho
Bola logo esse fininho e vê se fuma até umas horas
Sem miséria, um verdinho
Se você é aquilo, tá ligado do que eu digo
Quando clareou pra ele é de 100 gramas à meio quilo”

11 – Vamo queimar uma ponta – Mc Lon

“Vamos queimar uma ponta
Vamos queimar …
Eu na brisa do funk
Vou incorporando, rimo Dj bala o moleque detona
Apavora no funk, com a inspiração
Rimo na hora se identificando
Tu tá ligado que é o Mc Lon
Tá bolando, bolado.”


 

CRIME/ ANSEIO DE TER

12 – Isso Aqui é uma Guerra – Facção Central

“A minha quinta série só adianta
Se eu tiver um refém com meu cano na garganta
Ai não tem gambé pra negociar
Liberta a vítima vamos conversar
Vai se ferrar é hora de me vingar
A fome virou ódio e alguém tem que chorar
Não queria cela nem o seu dinheiro
Nem boy torturado no cativeiro
Não queira um futuro com conforto
Esfaqueando alguém pela corrente no pescoço
Mais três cinco sete é o que o Brasil me da
Sem emprego quando um prego de audi passa
Aperta o entra cuzão e digita
Esvazia a conta, agiliza não grita
Não tem Deus nem milagre, esquece o crucifixo
É só uma vadia chorando pelo marido
É o cofre VS a escola sem professor
Se for pra ser mendigo doutor
Eu prefiro uma glock com silenciador
Comer seu lixo não é comigo moro?
Desce do carro se não tá morto
Essa é a lei daqui a lei do demônio
Isso aqui é uma guerra”

Após meses circulando pelas rádios do Brasil, a música ganhou um clipe que foi censurado no ano de 2000. Alegando que “O casamento da letra com as imagens resulta num filme de horror absurdo”, o então assessor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo, Carlos Cardoso, solicitou ao Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), a punição dos responsáveis pelo que ele chamou de Incitação ao Crime. O clipe foi proibido de ser veiculado na televisão, e a música de circular em rádios e televisão, além da venda do CD também ter sido proibida por algum tempo.

Ver: http://observatoriodacensura.blogspot.com.br/2006/06/grupo-de-rap-brasileiro-foi-censurado.html

http://renatovital.blogspot.com.br/2008/01/isso-aqui-uma-guerra-clipe-censurado.html

http://www.istoe.com.br/reportagens/30400_MAQUINA+DE+ESCANDALOS

13 – Atiradores de Elite da Vila do Sapo – Mc Lon

“Da um pente de bala pra cada
Cai pra viela pra poder fazer plantão
Na escuridão do beco, na profissão 157
Doze e o canudo do ladrão
Missão quase impossível, a missão já foi passada
Avisa pra todos, avisa pra molecadas, pente tá cheio de bala
E o Romário tá esvaziando e quando ele portam, chega sapecando
Poda o pé direito na ladeira do lado esquerdo por que se eles voltar
Nóis vai dar tiro no peito
Porque nóis descarrega, porque nóis descarrega
Nóis bota o peito na viela e dispara bala na reta
Porque nóis descarrega a certa, porque nóis descarrega
Nóis bota o peito na viela e dispara bala na reta
Atiradores de elite da vila dos sapo”

14 – Supercapitalism – Wynton Marsales

“Let me see that, I think there’s something
There I see.
Give it to me. I got to have it all for me.
Let me see that, I think there’s something
There I see.
Give it to me. I got to have it all for me.”

Tradução

“Deixe-me ver isso, eu acho que há algo
Não estou a ver.
Dê-me. Eu tenho que ter tudo isso para mim.
Deixe-me ver isso, eu acho que há algo
Não estou a ver.
Dê-me. Eu tenho que ter tudo isso para mim.”


 

SEXO

14 – Pretin – Flora Matos

“Pretin
Desse jeito cê me deixa louca
Tomando coragem pra beijar sua boca
Mesmo que cê não saiba
Sou eu, não tem outra
Pra mudar sua vida assim só eu
Hoje ele acordou e assoviou
A Flora acordou e te respondeu
Quando ele queria um beijo era
Quando ela respondia era tipo
Ele dizia: Eu tô te querendo
Ela dizia: Já tô descendo
Ele dizia: Então vem correndo
Ela dizia: É isso memo”

15 – Agora eu tô solteira – Gaiola das Popozudas

“Agora eu sou solteira e ninguém vai me segurar
Dj aumenta o som
Eu já tô de sainha
De, de sainha
No local do pega pega, eu esculacho tua mina
No completo, no mirante, outro no muro da esquina
Na primeira tu já cansa
Eu não vou falar de novo
Ai que homem gostoso, vem que vem quero de novo”

16 – O meu amor – Chico Buarque

“O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz”

17 – Quem vai querer a minha periquita – Banda Ktrina

“Uma águia passou pelo meu quintal com vento muito forte
Querendo namorar
Acho que tá querendo a minha periquita
Que a muito tempo eu tô doida pra dar”

18 – Balançando com a Gang – Gang do Eletro

“Balanço, balanço, balanço
No seu corpinho suadinho
Remexe, remexe
Mostrando todo o seu charminho
Que me enlouquece
Me deixa doido de desejo ao te ver dançar
Quero estar junto de você nesse salão
Corpo a corpo, coladinho, suadinho de tesão
Na batida do eletro, conquistar seu coração
Eu e você a noite toda no salão
Vem segura a minha mão
Gang do eletro”


 

Por fim, para que não haja mais dúvidas: Um Rap e um Funk com estrutura muito próxima:

19 – Mundo M – Mc Lon

“Muitas maldades, mano, meu manera
Menor, muleque maloqueiro
Mundo mágico, menino mulherengo.
Misterioso, malvado, me mostrou malandros malandriados
Maioral, melhores momentos
Marginal, maldito movimento
Melodia, memória mó mensageiro
Malicioso, mantimento mantemo
Mafioso moderno, mal-humorado, mó mistério
Mercadoria milagrosa, máfia monstra, milícia, milhões manobra
Maestro mostrando, mil maneira mudar modernizando
Magia, mal-feitor, mantendo maligno
Manifestações milimétricas montadas
Missão mole, magnata, meu medo, mina molhada
Mudança maliciosa, moeda, melhora”

20 – Brasil com P – G.O.G

“Pedro Paulo,
Profissão: pedreiro,
Passa tempo predileto: pandeiro,
Preso portanto pó,
Passou pelos piores pesadelos.
Presídios, porões, problemas pessoais, psicológicos…
Perdeu parceiros, passado, presente,
Pais, parentes, principais pertences.”


 

Clarissa Zuza é estudante de jornalismo, poetiza e ativista incansável

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comentários
  1. […] aluno Lucas Fernandes (aqui) e o texto esclarecedor sobre o Funk feito pela aluna Clarissa Zuza (aqui), essa última, aliás, é responsável por muitas fotos que ilustram várias matérias aqui. O […]

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