Fila Benário Fala, Shows

O melhor do Rock In Rio 2015 (1ª Parte)

Pepeu e Baby

Não estava nos meus planos fazer uma cobertura, ou até mesmo escrever um simples texto sobre a edição comemorativa do Rock In Rio, que acontece na cidade maravilhosa desde a última sexta-feira.

Primeiro porque infelizmente eu não fui para o festival. Segundo porque quando se trata de um festival transmitido em tempo real pela TV, internet e qualquer outro meio, uma análise escrita acaba perdendo a relevância. Todo mundo já viu, já leu e já discutiu o que deveria. Porém, para o meu espanto e alegria eu fui muito cobrado por leitores do blog, pedindo um parecer meu a respeito dos shows que aconteceram no primeiro final de semana do Rock In Rio.

Foram tantos pedidos que eu resolvi atender com muito carinho e farei abaixo uma breve análise dos shows que na minha humilde opinião foram os melhores até então do festival:

A VOLTA DE BABY E PEPEU FOI O MELHOR SHOW DO ROCK IN RIO, E NÃO SE FALA MAIS NISSO

Quem me conhece sabe o quanto eu venero os Novos Baianos. Pra mim o início do Rock no Brasil está ali. O autêntico Rock Brasileiro, não aquela a cópia descarada da British Invasion que a Jovem Guarda de Roberto e Erasmo fazia. Lynyrd Skynyrd não enfiava influências sulistas em seu Rock? Porque não o Brasil não colocar pandeiro e cavaco no seu Rock Psicodélico?

Portanto, essa união do ex-casal, Pepeu Gomes e Baby do Brasil, depois de 27 anos, era esperada por mim com muita alegria, e o show foi um verdadeiro desfile de hits (Flor do Desejo, Mil e Uma Noites, Menino do Rio, Menina Dança, Masculino e Feminino e Trinindo Trincando) e de muita guitarra, com Pepeu pai e Pedro Baby, filho do casal, duelando nas seis cordas.

Baby está com a voz intacta, cantando maravilhosamente bem, alcançando os tons altíssimos e com uma presença de palco invejável. O fato de agora ela ser uma pastora evangélica (ou Popastora como a mesma definiu) e proclamar o nome de “Jesus Christ” no palco do Rock In Rio, trouxe um brilhantismo e irreverência a mais para apresentação.

Baby e Pepeu provaram que a verdadeira música brasileira está viva com eles, quem quiser é só chama-los.

DEE SNIDER SALVOU O ANGRA DO FIASCO DO ROCK IN RIO 2011

Depois da pífia apresentação na edição 2011 do Rock In Rio, no mesmo palco Sunset, o Angra finalmente se redimiu e entregou um show irretocável.

É evidente que Fábio Lione (Rhapsody On Fire e Vision Divine) é superior a qualquer vocalista que já assumiu o posto do Angra, e a sua interpretação de clássicos da era Mattos (Lisbon e Carry On) e da era Falaschi (Waiting Silence, Rebirth e Nova Era) só confirmou a tese.

No entanto foi a participação de Dee Snider, a voz e alma do Twisted Sister, executando dos hinos máximos da banda: I Wanna Rock e We’re Not Gonna Take It, que jogou gasolina no palco e incendiou a plateia.

METALLICA NO PILOTO AUTOMÁTICO É MELHOR QUE MUITA BANDA NA FLOR DA SUA JUVENTUDE

A família Medina aprendeu que não se faz Rock In Rio sem Metallica, essa é a terceira vez seguida que a trupe de James Hetfield vem para a edição nacional do festival. No entanto de todos os shows, esses foi o mais fraco, porém não necessariamente o pior, afinal de contas trata-se de Metallica.

Depois de uma exaustiva turnê que passou por todos os continentes do mundo, incluindo a Antártica, o Metallica encerrava a maratona de shows no palco do Rock In Rio, e era nítido o cansaço estampado na face de cada um dos integrantes, mas uma banda com hits do tamanho de Enter Sadman, Sab But True, Wherever I May Roam e For Whom the Bell Tolls, não faz show ruim. Nem a falha no som no meio de Ride The Lightning acabou com brilho da apresentação.

No final do show, o baterista Lars Ulrich pegou o microfone e disse que a banda estaria voltando para os Estados Unidos para continuar as gravações do novo álbum. Já estava na hora.

Que voltem descansados na próxima e com músicas novas no repertório.

SEAL, ELTON JOHN E ROD STEWART, A TRINCA ROMANTICA DESTRÓI NO ROCK IN RIO

No domingo o Palco Mundo recebeu a maior trinca da música romântica de todos os tempos, parecia mais um festival das rádios Alfa FM e Antena 1.

O britânico Seal já subiu no palco do Rock In Rio mandando logo de cara o seu maior sucesso, o hit Crazy, e ainda desceu no meio da plateia e cantou juntinho dos fãs, com a sua potente voz continua encantando a todos.

Se na edição de 2011 a organização do Rock In Rio sacaneou o Sir. Elton John, colocando-o entre duas ninfetinhas da música pop, Kate Perry e Rihanna. Dessa vez Elton estava no dia certo tocando ao lado de feras, e tal feito fez o show transcorrer melhor, e era nítida a alegria de Elton, que entrou no palco trajando um paletó com o logo do Captain Fantastic, personagem criado por ele na turnê do álbum Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, de 1975
Com uma banda que o acompanha a mais de três décadas, Elton entregou o melhor da sua discografia: Tiny Dancer, Saturday Night’s Alright for Fighting, Rocket Man, Goodbye Yellow Brick Road, Levon, e The Bitch Is Back.

Rod Stewart, que tocou na primeira edição do festival, fez uma apresentação grandiosa, o que é de se esperar.
Mesclou hits importantíssimos da sua carreira solo (Da Ya Think I’m Sexy?, Rhythm of My Heart e Baby Jane) com as suas famosas versões para os clássicos: It’s a Heartache (Bonnie Tyler), Have You Ever Seen the Rain? (Creedence Clearwater Revival cover) e This Old Heart of Mine (Is Weak for You) (The Isley Brothers cover), e ainda mandou Stay With Me da sua antiga banda, o Faces. E nessa hora, Rod, fanático por futebol, chutou bolas para a plateia ensandecida.

E O QUEEN COM MENINO LAMBERT?

Esse foi o pedido mais registrado na página do Fila Benário Music: “O que você achou do Queen com o Adam Lambert?”, “Quando você vai falar do show do Queen no Rock In Rio?”, “Você acha que o menino canta bem?”, foram tantas perguntas a respeito do show do Queen com o Adam Lambert substituindo o insubstituível Freddie Mercury, que eu fiz questão de deixar para o final.

Cabe antes de mais nada deixar bem claro que se trata de uma opinião pessoal, e não da verdade que tem que ser seguida e acreditada na risca.

Eu sinceramente não sou fã da carreira solo do Adam Lambert, a sua música poperô de academia não me agrada nem um pouco. Quando o Brian May anunciou o garoto para o posto de vocalista e posteriormente uma turnê com o mesmo incorporado na banda, confesso que fiquei intrigado e nada satisfeito com anúncio. Ainda mais depois que o Queen já havia excursionado com o grande vocalista Paul Rodgers do Free e Bad Company.

Quebrei o meu preconceito e fui assistir alguns vídeos de Adam com o Queen, e confesso que duas coisas me chamaram a atenção positivamente. A primeira foi o fato dele cantar bem, posso não gostar da carreira dele, das músicas dele, mas não posso negar o óbvio, ele canta muito bem, alcança tons altíssimos, não é atoa que o repertório todo foi tocado no tom original. A segunda e mais importante é que no palco com o Queen, Adam Lambert é Adam Lambert, em momento algum ele se preocupa em ficar imitando Freddie Mercury, ele é ele e ponto final. Diferente do Chester Bennington que tem a necessidade de ficar imitando os trejeitos de Scott Weiland a frente do Stone Temple Pilots.

Quanto ao show da banda no Rock In Rio, não podemos chamar aquilo de um show do Queen, por mais que esteja ali o palco metade da formação original, na presença de Brian May e do baterista Roger Taylor, mas sim de uma bela homenagem a aquela que será eternizada como uma das bandas mais importantes do gênero.

Críticas vão vir de todos os lados: “Ah, mas não é a mesma coisa”, mas é claro que não é, assim como Black Sabbath sem Ozzy também não foi, e nem por isso deixou de ter o seu valor. Os críticos de internet chegaram até a reclamar do fato de Adam Lambert ser homossexual… Sério mesmo que um fã de Queen vai querer queixar de um vocalista homossexual? É sério? Seria o mesmo que premiar o Geraldo Alckmin pela gestão da crise hídrica… Ah tá, isso também aconteceu…

Mas brincadeiras à parte, respondendo as inúmeras perguntas que me fizeram a respeito do show. Sim, eu gostei da apresentação, e como não gostar minha gente? Sons como Stone Cold Crazy (de longe a minha música favorita do Queen), Another One Bites the Dust, Killer Queen, Somebody to Love, Crazy Little Thing Called Love, We Will Rock You e We Are The Champions, sendo executados com perfeição pela dupla May e Taylor, foi um deleite para os ouvidos.

Sobre Lambert, ele cumpriu muito bem o seu papel. Compará-lo com Freddie? Impossível, esse é incomparável, mas se a comparação for com Paul Rodgers, Lambert perde. Rodgers tinha um timbre mais Rock n’ Roll e Blues, perfeito para a sonoridade do Queen, já Lambert veio do Pop, no lugar de agudos ele faz altos vibratos, mas isso não significa que ele seja ruim ou indigno de ser o mestre de cerimônias dessa grande homenagem ao legado da banda.

Enfim, essa foram algumas das minhas observações.

A partir de hoje tem mais Rock In Rio, e desses quatros dias eu já arrisco em dizer que o melhor show dessa segunda etapa será do Faith No More, que se apresenta amanhã na mesma noite que o Slipknot.

Se eu estiver errado me cobrem aqui.

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3 comentários em “O melhor do Rock In Rio 2015 (1ª Parte)”

    1. Oh Ilana, que sensacional, com certeza você foi no melhor dia.
      O show do Angra com a participação mais do que especial do Dee Snider foi marcante, pra mim o ponto alto dessa edição do Rock In Rio.

      Um forte abraço e volte sempre =)

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