Há quatro anos o R.E.M. encerrava as atividades

Publicado: 25 de setembro de 2015 em Fila Benário Fala, Homenagem
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Foi no fatídico dia 21 de setembro de 2011 que os fãs de Rock Alternativo ficaram inconsoláveis com a notícia de que uma das maiores bandas do gênero havia encerrado às atividades. O R.E.M.

Apesar de ter ficado caracterizado como um trio nos últimos 15 anos de atividades, após a saída do baterista Bill Berry no ano de 1996, o R.E.M. foi um quarteto formado no finalzinho dos anos 70, na cidade americana de Georgia, por Michael Stipe (Vocal), Peter Buck (Guitarra), Mike Mills (Baixo), além do supracitado Bill. Com mais de 30 anos de carreira, com incontáveis sucessos, discos multiplatinados, prêmios – incluindo uma nomeação para o Hall da Fama do Rock n’ Roll em 2007 – e uma imensa legião de adoradores que ia de Kurt Cobain, passando por Eddie Vedder (Pearl Jam), Chris Martin (Coldplay) e os irmãos Gallagher (Oasis), o R.E.M. é o que podemos chamar de um dos maiores pilares da música alternativa americana.

R.E.M. no início da carreira: Bill Berry (Bateria), Michael Stipe (Vocal), Mike Mills (Baixo), Peter Buck (Guitarra)

R.E.M. no início da carreira: Bill Berry (Bateria), Michael Stipe (Vocal), Mike Mills (Baixo), Peter Buck (Guitarra)

Indo totalmente na contramão da sonoridade da época, que era mais calcada no pós punk com clima gótico, que gerava bandas como The Cure, The Smiths, Sisters Of Mercy, Joy Division e Siouxsie And The Banshees, ou no Hard Rock espalhafatoso de Motley Crue, Bon Jovi, Poison e Warrant. Ou até mesmo o Thrash Metal de Metallica, Slayer, Anthrax e Megadeth.
O R.E.M. reunia as principais influências dos seus integrantes: A simplicidade do Punk Rock, a intelectualidade da música celta e por fim as raízes da música sulista, a música caipira.

O triste fim da banda no ano de 2011 foi fruto de um consenso geral entre os integrantes após 30 anos de carreira com lamas e glórias, entre álbuns históricos e discos que merecem ser esquecidos (como o Around The Sun). Após ver o baterista original sofrer um aneurisma cerebral em meio a um show e depois receber o mesmo na nomeação do Hall do Rock n’ Roll totalmente curado e emocionado, mostra que o R.E.M. já vivenciou e desfrutou de tudo que merecia. Claro que nós como fãs sentimos falta e torçamos por uma volta o quanto antes, mas se eles querem descansar agora, que seja feita a sua vontade.

Portanto para celebrar o legado dessa banda incrível e influente, separei abaixo os meus QUATRO discos favoritos da banda, um pra cada ano que ela deixou de existir.

OS QUATRO MELHORES DISCOS DO R.E.M.

1 – Accelerate (2008)
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Depois da bomba que foi o Around The Sun (2004), repleto de pirações eletrônicas e melodias arrastadas e desconexas. Stipe avisou que o próximo disco seria uma volta as origens, o famoso migué que todo artista dá depois que lança um disco mal incompreendido pela mídia e pelos os fãs.
Porém, quando Accelerate foi lançado a surpresa foi total, fazendo jus ao título, o disco veio completamente acelerado, com canções quase Punks, a trinca de abertura com Living Well Is the Best Revenge, Man-Sized Wreath e o single Supernatural Superserious é contagiante. De rapidez e insanidade, Accelerate ainda conta com a poderosa faixa-título, passando por Horse to Water, Hollow Man , e o encerramento pesado e barulhento com I’m Gonna DJ, com Stipe dizendo que irá discotecar até o fim do mundo.
Na época eu ouvi o disco incrédulo: “Como pode depois de tantas obras-primas, o R.E.M. guardar o melhor da sua carreira até agora?”
Em uma época na qual o Rock já parecia música de comercial de perfumaria, Stipe, Buck e Mills vem chutando bundas.

2 – Document (1987)
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Depois do início de carreira explosivo com disco Murmur (1983) que desbancou grandes nomes da música Pop na época como Michael Jackson e o seu Thriller, e o U2 com o estrondoroso War. Nos discos seguintes o R.E.M. foi perdendo a relevância e a atenção midiática, e a guinada para a banda fechar os anos 80 com chave de ouro e abraçar o sucesso, até então nunca encontrado, na década seguinte foi justamente com esse petardo lançado em 1987.
Document parece um Greatest Hits pela infinidade de sucessos que contém, muitos figuravam até nos últimos dias de vida da banda nos set-list dos shows, como: Finest Worksong, The One I Love e a surpreendente It’s the End of the World as We Know It (And I Feel Fine).
Mas não só hits vive Document: Welcome To The Occupation, Exhuming McCarthy e Lightin’ Hopkins são outras grandes canções desse disco.

3 – New Adventures in Hi-Fi (1996)
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A capa em preto e branco que mostra uma bela paisagem desértica já deixa bem claro o que esperar do álbum. Se por um lado há belas baladas reflexivas como New Test Leper, Leave, Be Mine e Electrolite. Por outro lado há o bom rock aliando poesia e guitarras distorcidas que só o R.E.M. sabe fazer, como The Wake-Up Bomb, Leave, Bittersweet Me, Undertow e So Fast So Numb. Sem contar a cereja do bolo, a canção E-Bow the Letter que conta com a participação mais do que especial de Patti Smith, grande influência de Michael Stipe. Curiosamente Patti voltaria a participar de uma canção do R.E.M. justamente no seu último disco, o Collapse Into Now (2011), na canção Blue.
Voltando ao seminal New Adventures in Hi-Fi, o disco ficou marcado por ser o último com o baterista Bill Berry, que deixou a banda amigavelmente para se dedicar a família e a pescaria em seu sítio, e também o último com o produtor Scott Litt, que havia produzido os álbuns anteriores da banda: Document (1987), Green (1988), Out of Time (1991), Automatic for the People (1992), Monster (1994).

4 –Monster (1994)
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Depois da explosão do Grunge, movimento musical que foi fortemente influenciado pelo R.E.M. A trupe de Michel Stipe mais do que depressa pegou carona na sonoridade da turma das camisas xadrez e lançou esse disco que veio pesado, com muita distorção e letras dilacerantes.
De sucesso temos What’s the Frequency, Kenneth? Um rock rural e enérgico que só o R.E.M. sabe fazer, mas o restante de Monster é genial, com as canções King of Comedy, I Don’t Sleep I Dream, Tongue e Crush with Eyeliner essa última que conta com a participação especial de Thurston Moore do Sonic Youth nas guitarras e vocais.
Michael Stipe, amigo pessoal de Kurt Cobain, chegando a ser padrinho da sua filha Frances Bean, sentiu muito pela morte do vocalista do Nirvana e compôs a fortíssima Let Me In em sua homenagem. E a canção foi gravada justamente com a guitarra de Cobain que lhe foi dada pela viúva Courtney Love.

 

OS QUATRO MELHORES VIDEOCLIPES DO R.E.M.

1 – Imitation Of Life (Do disco Reveal)
E o seu sensacional plano seqüência sem cortes.

2 – The Great Beyond (Da trilha sonora do filme O Mundo de Andy)
Em 1999 o filme O Mundo de Andy foi lançado. Estrelado por Jim Carrey, a cinebiografia conta a história do comediante americano Andy Kaufman, o R.E.M. que já havia homenageado o artista na canção Man on the Moon, compôs The Great Beyond exclusivamente para o filme.
O clipe, que contem cenas do filme, mostra a banda tocando em um programa de TV, até então tudo bem, até eles descobriram onde realmente estão.

3 – Bad Day (Do disco In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
Essa canção foi gravada em 1986 para sair no álbum Life’s Rich Pageant, por fim ela acabou sendo descartada. No entanto com os atentados de 11 de Setembro e a invasão americana no Iraque, o R.E.M. ressuscitou a música, deu uma alterada na letra e lançou na coletânea In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003 como faixa inédita junto com Animal.
O videoclipe divertidíssimo mostra os integrantes da banda apresentando um telejornal enquanto canta a música.

4 – Shiny Happy People (Do disco Out of Time)
Ah gente, fala a verdade, quer clipe mais legal e divertido que esse? Essa canção “surrealista” com a participação especial de Kate Pierson do The B-52’s, esse cenário new age, esse povo feliz, alegre e contente dançando, Michael Stipe com esse boné malandro.
Lindo.

OS QUATRO MELHORES SHOWS DO R.E.M.

1 – Rock In Rio 3 (2001)
A primeira vez que o R.E.M. pisou em solo nacional foi na terceira edição do Rock In Rio em 2001. Tocando na mesma noite que Cássia Eller, Barão Vermelho, Beck e Foo Fighters. O grupo fez um show histórico, levando a platéia às lagrimas em diversos momentos do show.
Veículos como a Folha de São Paulo e a Revista Show Bizz mencionaram o show como o melhor de todo o festival.

2 – Live At Wiesbaden (2003)
O show que gerou o melhor um dos melhores DVDs já lançados na história do Rock, o Perfect Square de 2003.
Gravado durante a turnê do Reveal, o show é um enorme passeio por toda a discografia do grupo. Antes da execução de All The Way To Reno (You’re Gonna Be A Star) Michael Stipe diz: “Essa é a canção favorita do Peter Buck, vamos tocar ela exclusivamente pra ele”.

3 – Rock and Roll Hall Of Fame (2007)
Em 2007 a banda foi induzida no Hall do Rock n’ Roll. Eddie Vedder do Pearl Jam fez o discurso de indução. Bill Berry estava presente e se juntou no show especial. Patti Smith subiu no palco e cantou o hino I Wanna Be Your Dog  do Stooges com a banda. Tem coisa melhor?

4 – Austin City Limits (2008)
Durante a turnê do álbum Accelerate em 2008, o R.E.M. subiu no palco o tradicional programa de TV Austin City Limits e fez um show eletrizante. Além das novas canções sucessos como Losing My Religion, Bad Day, Electrolite e Man on The Moon deram as caras no repertório.

Saudades…

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