Fila Benário Fala

O melhor do Rock In Rio 2015 (2ª Parte)

Patton
E terminou no último domingo a sexta edição nacional do Rock In Rio, na ocasião comemorando os 30 anos do festival. Na semana passada eu havia deixado as minhas impressões referentes aos meus shows favoritos do primeiro final de semana (aqui). Portanto vamos agora comentar os shows mais relevantes da segunda etapa.

HOLLYWOOD VAMPIRES É A MELHOR BANDA COVER DO MUNDO
Ouvir canções emblemáticas como My Generation (The Who), Break On Through (The Doors), Brown Sugar (Rolling Stones) e School’s Out (Alice Cooper) é sempre um balsamo para os ouvidos. Mas e quando ela é tocada por um time de feras do porte de Joe Perry (Aerosmith) na Guitarra, Duff McKagan (Guns n’ Roses, Velvet Revolver e Loaded) no Baixo, Matt Sorum (The Cult, Guns n’ Roses e Velvet Revolver) na Bateria, Zak Starkey (The Who e Oasis) auxiliando na outra Bateria e nos vocais nada mais na menos que o próprio Alice Cooper? É SENSACIONAL.
Esqueci até de mencionar a importante presença do ator Johnny Depp no bando, que puxa muito os riffs iniciais das canções na guitarra e chegou a fazer alguns solinhos não comprometedores. Tocou com competência o seu instrumento, porém com um timão desse em campo a sua participação é contida.
Destaques também para a participação especial de Andreas Kisser tocando guitarra na já citada School’s Out e para belíssima Lzzy Hale do Halestorm que simplesmente detonou na versão de Whole Lotta Love do Led Zeppelin.
Pra mim o melhor show da segunda etapa de Rock In Rio 2015.

MIKE PATTON FAZ TRAQUINAGEM E MUDA COMPLETAMENTE O SHOW DO FAITH NO MORE
Era sem dúvidas para mim o show mais esperado do festival. Sou fã confesso do Faith No More e depois da experiência fantástica que tive na apresentação da banda no festival SWU em 2011, no qual presenciei um dos melhores shows da vida, eu tinha certeza absoluta que no Rock In Rio não seria diferente. Mas foi.
Ta, me apresso a dizer que não foi ruim, e nem uma bomba. Calma, estamos falando de Faith No More, uma banda com um caminhão de hits como We Care a Lot, Epic, Ashes To Ashes, From Out of Nowhere, Midlife Crisis, Evidence, além da versão para Easy, clássico do The Commodores. Todos esses foram executados com perfeição e maestria por Mike Patton (Vocal), Billy Gould (Baixo), Mike Bordin (Bateria), Roddy Bottum (Teclados) e Jon Hudson (Guitarra). Mas o show em si não lembrou nem de longe o poder e a fúria que é o Faith No More em cima do palco. Talvez se deva pela traquinagem de Patton logo na terceira música que foi se jogar do palco, mas calculou errado o pulo e caiu direto no fosso onde ficam os fotógrafos. Levantou como se nada estivesse acontecido e continuou fazendo o show, mas era perceptível que ele estava muito contido por conta da queda.

Outros fatores que também possa explicar o show meio anêmico é o fato de a banda estar divulgando um novo trabalho, o disco Sol Invictus, o primeiro material inédito em 18 anos, e por mais legal que seja o álbum, ele não é acessível, as canções são longas, complexas e arrastadas, e a presença delas no repertório acabou dando certa amuada no show. Era preferível Digging The Grave no lugar de Motherfucker. Last Cup of Sorrow no lugar de Separation Anxiety. Surprise! You’re Dead! ao invés de Black Friday, enfim.
Durante o show eu conversava com uma grande amiga, a Marisol Bittencourt, e ela disse algo muito convincente, o fato do Faith No More não ser a banda principal fez com o show não fosse caloroso como deveria ser. A banda estava na verdade tocando para os fãs de Slipknot, a última atração daquele dia. Aquele não era o seu público, então não houve aquela troca de calor que é comum nos shows da banda. E o turbilhão de clássicos que ficou de fora do repertório se dá pelo simples fato da banda de abertura ter o seu tempo reduzido, ao contrário da banda principal que tem duas horas e meia de apresentação.
Mas como se queixar de um show que tem The Gentle Art of Making Enemies, Just a Man e a famosa versão de I Started a Joke dos Bee Gees?

SYSTEM OF A DOWN ME SURPREENDEU POSITIVAMENTE
Quem me conhece sabe que eu não tenho muita simpatia pelo System Of A Down, inclusive escrevi no ano passado um texto aqui no FBM no qual relatei a experiência de ouvir durante uma semana a discografia do grupo.
Mas a apresentação da banda foi surpreendente. As canções ao vivo funcionam muito melhor, sem os excessos vocais irritantes de Serj Tankian (Vocal) e Daron Malakian (Guitarra). Ao vivo a coisa é mais crua, orgânica e muito mais pesada. Alias, falando em peso, fiquei boquiaberto com o som pesado que Malakian tira de sua guitarra, inacreditável como uma guitarra só faz todo aquele estardalhaço sonoro.
Destaques ficaram pra Prison Song, que pra mim é uma das melhores canções da banda. Radio/Video é bacana também. Além do primeiro hit da banda, Sugar, que é sempre eficiente.
Mas claro que o ponto alto da apresentação foi a participação mais do que especial de Chino Moreno do Deftones em Toxicity e a plateia respondendo a altura com um imenso circle pit.

DEFTONES, O BOM FILHO A CASA VOLTA
No Rock In Rio de 2001 eu estava passando férias na casa da minha avó em Minas Gerais. Enquanto os meus primos queriam se divertir, dar uma volta na praça, comer um lanche e se entreter; Eu queria ficar trancafiado no quarto da minha tia assistindo ao festival e gravando tudo em uma fita VHS. E foi na transmissão retalhada da Rede Globo que eu conheci o Deftones. A banda se apresentou na terceira edição do evento tocando no último dia, junto com Capital Inicial, Silverchair e Red Hot Chili Peppers.

Aquele som pesado, mas ao mesmo tempo denso e melancólico. Que misturava Rap com Rock, e do nada ainda rolou um cover de Say It Ain’t So do Weezer, me pegou de jeito, me nocauteou.
Anotei o nome da banda e na volta das férias eu juntei as minhas economias e comprei o novo disco da banda na época, o White Pony, e ai começou o grande caso de amor meu com a banda.
Rever a banda no mesmo festival que eu a conheci foi gratificante. Mesmo que o palco tenha sido diferente dessa vez – na outra ocasião, o Deftones se apresentou no palco mundo, e nessa no Sunset – a atuação foi de gala como sempre.
Chino Moreno continua imbatível, berrando alucinadamente, cantando tons altíssimos. A banda é um verdadeiro relógio, sincronizado. E as canções mais recentes, como Swerve City e Tempest do álbum Koi No Yokan (2012) funcionam bem ao vivo. Mas é na hora dos clássicos como My Own Summer (Shove It), Knife Prty, Passenger, Change (In the House of Flies) e Headup que o bicho realmente pega.

SLIPKNOT, NÃO É PRA MIM, MAS RECONHEÇO A SUA GRANDEZA
O Slipknot é outra banda que eu já tentei gostar, mas não faz o meu gênero. Gosto de uma canção ou outra, mas aquela batucada infernal no meio das músicas me tiram do sério. Comentei recentemente com um amigo que se o Iowa (2001) não tivesse nem metade da percussão e “bateção” de lata desnecessária, com certeza hoje ele seria o meu disco favorito.
Mas reconheço a importância e a grandeza da banda, e os seus shows não deixam nada a desejar. E esse foi mais um.

CPM 22 É A PROVA QUE UM DIA A GENTE CHEGA LÁ
No ano de 2001 o CPM 22 veio tocar na minha cidade natal, Jundiaí. Na época eles estavam estourados no circuito independente, a demo A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum (2001) era uma febre, todo mundo tinha. Na ocasião tocaram com eles o Fistt de Jundiaí, o Carbona do Rio de Janeiro e o R14 Radial de Várzea Paulista.
No ano seguinte eles retornaram à Jundiaí, mas com o status pop e contrato assinado na gravadora Arsenal do Rick Bonadio. Ninguém imaginava que aqueles garotos influenciados por Descendents, Face To Face, Schernjsi Wezel, estaria no mesmo pantaleão sonoro de Chiclete Com Banana, Ivete Sangalo, Sandy e Junior e Claudia Leitte. Mas eles conseguiram, eles não alcançaram a grande mídia não, pelo contrário, eles fizeram a grande mídia se curvar à cena independente e ver o que estava acontecendo de tão importante lá.
E 14 anos depois de tudo isso, ver a banda subir no palco principal do Rock In Rio e mandar o seu Hardcore é no mínimo revigorante e vem coroar todo esse legado.
Parabéns meninos.

PÔ MEDINA, A-HA ABRINDO PRA KATE PERRY?
Ta, já passou a minha fase chata e radical, hoje eu compreendo que Rock In Rio não é um festival exclusivamente de Rock. Rock In Rio é uma marca, um nome. O Rock do título tem mais a ver com o espírito jovem da época, recém-saído da ditadura militar e pronto para curtir o que a vida tinha a oferecer de melhor. A prova da “multi-generalidade” do evento, é que na sua primeira edição já contava com nomes totalmente fora do Rock, como George Benson, James Taylor, Al Jarreau, Moraes Moreira, Alceu Valença e Eduardo Dusek.
Na segunda edição, em 1991, tivemos Prince, Jimmy Cliff, Run DMC, New Kids On The Block, George Michael e Lisa Stansfield.
Resumindo, no Rock In Rio os outros gêneros sempre tiveram vez. Mas o que eu não suporto são essas injustiças cometidas no line-up.
Na edição de 2001 tivemos um gigante equívoco de Carlinhos Brown tocar no palco principal no mesmo dia que o Guns n’ Roses, o que gerou uma revolta da plateia com o músico que sofreu uma imensa chuva de garrafas plásticas. Alias, até mesmo a escalação do Oasis naquele mesmo dia foi equivocada. Seria mais apropriado para o grupo dos Gallagher tocar na mesma noite ou do R.E.M. ou do Neil Young.
Na edição de 2011, Elton John tocou entre Kate Perry e Rihanna. E na semana seguinte, Lenny Kravitz tocou o seu Soul Rock poderoso entre Ivete Sangalo e Shakira. E o que era aquela tal de Ke$ha tocando na mesma noite que Stevie Wonder?
Artistas como Living Colour, Offspring, Joss Stone, Rob Zombie e Destruction tocam no palco secundário, enquanto Ghost, Kiara Rocks, Gojira, Glória e NX Zero tocam no palco principal. Ta tudo errado.
E o furo gigante do line-up dessa edição de 2015 foi A-ha abrindo para Kate Perry no último dia de festival. O grupo de Morten Harket (Vocal) definiu a música Pop na década de 80, trouxe até então elementos novos, e conseguia em uma balada dançante tratar de temas sérios, densos e depressivos.
O show no festival foi um verdadeiro despejo de caminhão de hits, com: Cry Wolf, Stay on These Roads, Crying in the Rain, Sycamore Leaves, You Are the One, Hunting High and Low e Take on Me.
https://www.youtube.com/watch?v=Ceh7okiYtV8

Ai ouvir essas delicias sonoras e ter que dormir com presepadas musicais como Last Friday Night, Fireworks e Dark Horse cantadas por uma garota com a metade da idade de Morten, mas sem o fôlego e potencia vocal do mesmo, desafinando inconstantemente em cima de uma base pré-gravada, mas disfarçando tudo isso em uma superprodução de palco e em um milhão de roupas trocadas durante o show, “É o Armagedom”, como diz o jornalista esportivo Vitor Guedes.

Esse foi o Rock In Rio 30 anos. E que venha a edição 2017, afinal, a gente crítica, mete a boca, mas no fundo no fundo a gente adora.

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