Os 20 anos de “(What’s the Story) Morning Glory?”, a obra-prima do Oasis

Publicado: 2 de outubro de 2015 em Especial, Fila Benário Fala, Homenagem
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A princípio eu iria escrever sobre essa que considero a maior obra prima do Rock britânico na já tradicional lista feita aqui no FBM onde saudamos os discos que comemoram 20 anos de existência, conforme fizemos aqui sobre o ano de 1994.

Mas a verdade é que (What’s the Story) Morning Glory?  é um álbum que de certa maneira definiu uma década, moldou uma geração. Transformou o Oasis em figuras públicas, a banda que tinha moral, astúcia e arrogância para se denominar melhor que os Beatles. Para muitos, uma heresia, blasfêmia. Para os Gallagher, graça e sabedoria, afinal de contas, quanto maior a polêmica em torno da banda dos irmãos Caim e Abel, maior a repercussão e posteriormente a venda de discos.

Mas ao contrário de hoje, no qual se é apostado apenas no marketing exacerbado, mas conteúdo mesmo que é bom acaba se tornando irrelevante. Morning Glory é um verdadeiro petardo que reúne as canções mais brilhantes e fundamentais na metade da década que já tinha presenciado o Hard Rock espalhafatoso de Los Angeles, o Grunge depressivo da gélida e chuvosa Seattle, e estava em caso de amor com renascimento do Punk Rock por bandas Californianas.

Lançado no dia 2 de Outubro de 1994, um ano após o lançamento do disco de estreia do grupo, o Definitely Maybe (1994), Morning Glory vendeu 347 mil logo na sua primeira semana na Inglaterra. Hoje essa conta chega ao número de 4,8 milhões de cópias, sendo o terceiro álbum mais vendido na história do Reino Unido. Ficando atrás apenas de Greatests Hits do Queen e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles.
No mundo todo (What’s the Story) Morning Glory? Vendeu 23 milhões de cópias.

Os principais singles do disco são a balada Wonderwall, que ficou 34 semanas em segundo nas paradas do Reino Unido. Já Don’t Look Back in Anger ficou em primeiro lugar por 24 semanas.
Outros sucessos de Morning Glory são Roll With It, Champagne Supernova, Cast No Shadow e Some Might Say. Além da poderosa faixa título.

No entanto muitas histórias, lendas e números fomentam o mito por trás desse álbum seminal, portanto relatarei abaixo algumas das maiores curiosidades a respeito dessa obra prima:

Guerra Oasis x Blur

Quem era adolescente nos anos 90 conhecia melhor do que ninguém o embate midiático existente entre Blur e Oasis.
Ambas as bandas surgidas nos anos 90 na Inglaterra e vindas do movimento musical Britpop, adoravam trocar farpas em frente às câmeras.
Noel Gallagher, guitarrista e líder do grupo, chegou a dizer em uma entrevista que gostaria que “Damon Albarn e Graham Coxon pegassem AIDS e morressem”. Após os fãs e a imprensa cair de pau em cima da venenosa frase, Gallagher voltou atrás: “Não desejo que eles peguem AIDS, só quero que morram mesmo”.
Mas na verdade tudo não passava de uma estratégia de marketing. A ideia de que as duas maiores bandas do momento se odiavam fomentava a indústria musical. Os fãs que se identificavam com a sonoridade de uma das bandas escolhiam o seu lado e embarcava nesse “Corinthians x Palmeiras” da música. Eu mesmo, sempre preferi Oasis a Blur, e confesso que só fui dar toda atenção que o quarteto de Damon Albarn merece, já adulto.
No entanto, Oasis e Blur promoveram uma das maiores batalhas épicas na indústria fonográfica, “A Batalha dos Compactos”. As duas bandas lançaram no mesmo dia 14 de Agosto de 1995, os seus singles para venda, de um lado tinha Roll With It, a canção roqueira do Oasis que iria sair no seu segundo disco. Do outro lado, a pop Country House, que também seria lançada no próximo álbum do Blur.
No fim da semana saiu o resultado do vencedor da batalha, Blur venceu vendendo 270 mil cópias, contra 220 mil do Oasis.
A desculpa pela “baixa” venda do Oasis, foi pelo fato do single de Roll With It ser mais caro que o de Country House e de não estar à venda em todas as lojas.
Porém, quando os discos enfim saíram, Morning Glory bateu The Great Escape do Blur sem dó.
Mas o grande vencedor dessa briga toda com certeza foi a indústria do disco, que vendeu como nunca.

Pedaço de uma canção na outra

Logo no início de disco, na introdução de Hello, é possível ouvir um trechinho da introdução de Wonderwall, a terceira faixa do disco.
E no final de Wonderwall é possível uma menção discreta, mas presente, da introdução de Supersonic, tocada no violão.
Ouça as duas canções abaixo e compare.

Plágios?

A belíssima balada Don’t Look Back in Anger, cantada por Noel Gallagher tem um plágio logo na sua introdução. O piano tocado no começo da música é semelhante ao de Imagine, grande clássico de John Lennon.


Já a animada She’s Electric, busca referências logo de cara em TRÊS canções.
Um trecho da música parece muito com While My Guitar Gently Weeps dos Beatles. Os acordes da estrofe lembram Lithium do Nirvana. E o trecho final lembra demais o final de With A Little Help From My Friends, também dos Fab Four.
Na dúvida ouça todas:



Participação especial de luxo

Paul Weller, líder do Jam e grande influência dos Gallagher (depois dos Beatles, claro) participa do disco em duas canções. Ele faz as guitarras e backing vocals de Champagne Supernova. E toca gaita nos instrumentais Untitled 1 e Untitled 2, que na verdade são dois trechos da canção The Swamp Song.
Importante ressaltar que Paul Weller nunca tocou Champagne Supernova com o Oasis ao vivo, ao contrário de Johnny Marr (Ex- Smiths) e John Squire (Stone Roses) que já tocaram.

Músicas notáveis que ficaram de fora

Canções como Stand By Me, Don’t Go Away e All Around The World, foram compostas por Noel Gallagher na época das gravações de Morning Glory, no entanto ele engavetou as três deixando para o próximo disco. Be Here Now.

“Liam, escolha uma música”

Reza a lenda que Noel Gallagher chegou para seu irmão Liam com duas letras, Don’t Look Back in Anger e Wonderwall e falou qual das duas ele aceitaria cantar. Liam optou por Wonderwall, sobrando a outra para Noel. Entretanto, Noel ficou enciumado pois a canção foi feita para sua esposa na época, Meg Matthews.
Ainda sobre Wonderwall, outro grande mito em cima da canção é sobre o título que teria sido inspirado no álbum do ex-Beatle George Harrison, Wonderwall Music de 1968. Mas dizem as más línguas que o Noel, que sofre de dislexia, tentou escrever Wonderfull e acabou saindo Wonderwall.

Sobre drogas e Richard Ashcroft

A letra vulcânica de Morning Glory narra uma experiência que Noel Gallagher  após ter uma viagem ao usar heroína, droga na qual era viciado na época.

Cast No Shadow é dedicada ao amigo Richard Ashcroft, vocalista do The Verve, outra grande banda do movimento Britpop nos anos 90.

Alias a amizade entre Ashcroft  e o Oasis gerou outras parcerias, como a participação de Liam Gallagher fazendo vocal de apoio na canção Come On do disco Urban Hymns do Verve.

A canção esquecida

A única canção de Morning Glory que nunca foi tocada ao vivo foi Hey Now!

Noel x Liam

Se hoje a banda está separada devido à eterna rixa entre os irmãos Gallagher, saiba que a mesma é antiga e na época das gravações de Morning Glory ela chegou ao seu ápice, a ponto do disco não ser completado.
Tudo pelo fato de Liam no meio das gravações de Don’t Look Back in Anger, canção cantada por Noel, deixou os estúdios e foi curtir o seu momento de folga em pub nas proximidades.
Liam retornou no estúdio trazendo consigo 30 beberrões. Noel, revoltadíssimo, chutou todos do estúdio e ainda agrediu Liam com um taco de críquete.
Liam abandonou as gravações retornando duas semanas depois.

Apesar da fama de mau…

Apesar dos Gallagher serem tidos como os “Bad Boys do Rock Noventista”, devido aos seus problemas com drogas, com a imprensa e com demais artistas do Show Bussines, em Morning Glory há apenas um palavrão, ele está na canção de abertura Hello: I’ve got a feeling you still owe me, so wipe the SHIT from your shoes”.

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