Fila Benário Fala, Livro

Os 15 melhores livros sobre música por Fila Benário

Ontem, dia 29 de Outubro, comemorou-se o “Dia Nacional do Livro”, o Fila Benário Music não poderia ficar de fora dessa e tratamos de listar aqui os 15 melhores livros quando o assunto é música.

É claro que muita coisa boa ficou de fora, e a minha estante abarrotada de livros não permitiu que eu terminasse de ler muita coisa que provavelmente viria a estar aqui, mas aqueles que eu considero especiais e o que servem de porta de entrada para conhecer e entender determinado artista e gênero musical estão aqui.

O Livro do Guitarrista (Tony Bellotto)
1
Começo a lista com uma dica para as crianças, os primeiros ouvintes dessa obra maravilhosa chamada música.
Lançado pela Companhia das Letrinhas e integrante da série Profissões, O Livro do Guitarrista (2001), escrito pelo Titã e também escritor Tony Bellotto é uma apresentação do maravilhoso universo da guitarra para a criançada.
O livro começa delicioso, com uma foto do Jimi Hendrix e o mesmo contanto o impacto que aquela foto teve na sua infância.
No decorrer do livro ele fala das suas aulas de violão que ele teve com uma freira(!), traça uma lista dos seus guitarristas favoritos, das suas bandas favoritas, e dos discos fundamentais que todo guitarrista deve ouvir. Além de explicar o nascimento do Rock através de três gêneros musicais: O Blues, o Jazz e o Country.
Já tenho o meu para mostrar para os meus filhos, futuramente.

Punk – A Anarquia Planetária e a Cena Brasileira (Silvio Essinger)
2
Muitos taxam como a versão brazuca do clássico “Mate-me Por Favor” que contava a origem do Movimento Punk em 1977. Mas Punk (1999) de Silvio Essinger faz um apanhado histórico de como o movimento Punk surgiu e o eco e a influência que o mesmo teve em terras tupiniquins, contando a trajetória de celebres bandas do gênero como Ratos de Porão, Inocentes, Cólera, Garotos Podres, Coquetel Molotov, entre outros.
A evolução do Punk dos Sex Pistols para o Hardcore acelerado de Minor Threat, para o Emotional Hardcore de Hüsker Dü, para o Poppy Punk de Green Day e Offspring, também está nas páginas do livro que encerra tratando o recém fundado na época Atari Teenage Riot com o seu Punk Electro como o futuro do Punk Rock.

Coração Envenenado – Minha Vida com os Ramones (Dee Dee Ramone e Veronica Kofman)
3
Não podemos falar de Punk sem ao menos citar os Ramones. E de todas as biografias existentes que contam a trajetória do conjunto, a minha favorita é Coração Envenenado (1997) de autoria de Dee Dee Ramone.
Dee Dee que foi baixista do grupo desde a fundação até 1989, conta nas poucas páginas do livro a sua conturbada trajetória na banda que se resumia a heroína e muita loucura.
O capítulo no qual ele narra que se prostítuia para conseguir drogas e que acabou inspirando a letra de 53rd and 3rd é de arrepiar.

Vida (Keith Richards)
4
Se em 196 páginas Dee Dee Ramone contou toda sua vida, Keith Richards escarafunchou a sua em mais de 600, mas para lenda vida que faz parte de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, ainda faltaram histórias.
Como diz o título, a Vida (2010) de Keith Richards está em jogo nas páginas desse livro, toda entregue e sem censura. Desde a sua infância no qual ele já tomava uns golinhos de whisky com o seu avô Gus, passando pela sua amizade com Mick Jagger e o nascimento dos Rolling Stones. Os primeiros shows em espeluncas a troco de nada, até a gravação do primeiro disco repleto de covers. Do sucesso de Satisfaction ao consumo de drogas, enfim, tudo está no livro.
Para mim os capítulos mais marcantes são o que ele narra o caso dele com Anita Pallenberg que na época era esposa do ex-guitarrista Brian Jones. Keith escreve de forma absurda que parece que você está com a mesma incerteza e aflição do que ele. As míticas gravações de Exile On Main St. também são um arrasadoras. Mas nada ganha do então amor e ódio entre Mick Jagger e Keith Richards, que aqui ele escreve sem medo algum.

Under Their Thumb (Bill German)
5
Ainda sobre os Rolling Stones, esse livro é fundamental para qualquer fã da banda e estudante de jornalismo.
Imagina você fã dos Rolling Stones tendo a oportunidade de acompanhar a banda por 20 anos e relatar tudo isso em um fanzine que se tornou produto oficial da mesma?
Essa é a história de Bill German, na época um jovem apaixonado pelos Stones que editava o fanzine sobre a banda, o Beggars Banquet.
Um certo dia ele tem a oportunidade de encontrar com os Stones no lançamento do disco Emotional Rescue (1980) e a partir daqui a sua vida dá uma guinada 180°.
Mas não pensem vocês que estar ao lado dos Stones 24hs foi um sonho para German. Under Their Thumb (2011) mostra o inverso.

Mais Pesado que o Céu (Charles R. Cross)
6
Se você acha que sabe tudo a respeito da história de Kurt Cobain, acha que o recém lançado filme “Montage Of Heck” é a sua obra completa e definitiva, com certeza você ainda não leu nenhuma página de Mais Pesado que o Céu (2002). Escrito por Charles R. Cross, ex-editor chefe da The Rocket, principal revista de Rock de Seattle, o livro escancara de vez a história de Kurt Cobain, o homem por trás do mito. Os seus problemas psicológicos, familiares, a sua juventude conturbada morando de casa em casa e até mesmo na rua.
O contato com as drogas e com a música e explosão quase imediata do Nirvana.
Após uma leitura assídua desse livro você passará continuando a amar a obra da banda, mas duvido que você olhará com ternura, devoção e admiração o doentio Cobain.
Aproveito e indico também do mesmo autor o livro Kurt Cobain – Construção do Mito (2014), no qual ele conta como o músico influenciou várias áreas após a sua morte, não apenas na música, mas no cinema, na moda, nas drogas e até mesmo no estudo sobre o suicídio.

Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Nelson Motta)
7
Mais louco que Kurt Cobain foi Tim Maia, o homem mais sensacional e polêmico da MPB.
Nelson Motta, grande jornalista, amigo e fã de Tim, era o homem perfeito para escrever essa biografia, e ele não só fez como entregou uma das maiores já produzidas no Brasil. Talvez se Tim estivesse vivo, com certeza ele vetaria essa obra por trazer tantos detalhes pesados de sua vida, como o consumo incansável de drogas, até mesmo no hospital quando o mesmo estava internado após uma inflamação no saco escrotal. Os seus inúmeros processos e pendências judiciais, além dos inúmeros canos e atrasos que o mesmo já proporcionou em shows e programas de auditórios.
O capítulo intitulado de “O Evangelho Segundo Tim Maia” sobre a entrada dele na seita “Universo em Desencanto” vale o livro todo.

Noites Tropicais (Nelson Motta)
8
Ainda com o mestre Nelson Motta, o seu livro de memórias Noites Tropicais (2000) deve ser apreciado por todo estudante de jornalismo, estudante de música, produtor musical e historiadores.
Nelson viu o nascimento da genuína musica brasileira, a Bossa Nova. Logo nas primeiras páginas ele fala de Nara Leão. Vindo de família de classe média, Nelson sempre organizava festinhas da Bossa em sua casa e nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Ronaldo Boscolli, Roberto Menescal e a supracitada Nara estão presentes na sua sala de estar e nas páginas do livro.
Conforme a música vai evoluindo, ta lá Nelson acompanhando tudinho, Elis, Chico, Mutantes, Tim, Roberto e Erasmo, enfim, Nelson Motta é a história da música brasileira e tudo que ele fez foi contar nesse livro.

Rod – A Autobiografia (Rod Stewart)
9
Se Nelson Motta esculhambou Tim Maia na sua biografia, Rod Stewart não pagou escritor nenhum pra fazer isso, ele mesmo tomou a decisão e lançou uma das biografias mais sinceras e divertidas dos últimos tempos.
Se hoje ele é conhecido como o amante romântico, o homem que resgata a música americana e que fez milhares de pominhos de idade avançada dançar de rostinho colado no Rock In Rio 2015, Rod foi um roqueiro louco transtornado e que usou mais cocaína do que as suas narinas podiam permitir, chegando ao ponto de utilizar por vias anais.

Metallica – A Biografia (Mick Wall)
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Quando se fala de jornalismo musical nível mundial, o primeiro nome que vem a cabeça é de Mick Wall, repórter da Kerrang. Mick é referência no assunto, idolatrado por muitos e odiado pelo dobro, Wall chegou a ser citado negativamente na letra de Get In The Ring do Guns n’ Roses, devido às críticas negativas que o mesmo fazia da banda na imprensa.
Conhecido por ter escrito a biografia de inúmeras e importantes bandas do cenário Rock, como Black Sabbath, AC/DC e Led Zeppelin, a minha favorita é a do Metallica, que mesmo com toda fama e glória tem as suas histórias de bastidores escondidas – digo, as verdadeiras e não aquela encenação patética exibida no documentário Some Kind Of Monster.
E é em Metallica – A Biografia (2010) que Mick Wall mostra que são James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo de verdade.

Barulho (André Barcinski)
11
Amado por mim na mesma proporção que Mick Wall, André Barcinski realiza o mesmo trabalho cultural e musical aqui no Brasil.
Na década de 90, no meio da explosão do movimento Grunge, a ascensão do Nirvana e a expansão de bandas alternativas como Mudhoney, Smashing Pumpkins, Tad, Red Hot Chili Peppers e Ministry. André pegou a mala e voou para os Estados Unidos e fez esse livro-reportagem brilhante mostrando toda a cena underground americana. Se foi impossível pra ele entrevistar Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl devido a fama do conjunto, Barcinski teve a oportunidade de conhecer outras bandas que mais tarde despontaria aqui como sucesso.

Pavões Misteriosos (André Barcinski)
12
Citando ainda o mestre André Barcinski, o seu último livro lançado já entrou na minha lista dos favoritos, trata-se de Pavões Misteriosos (2014), que trata de um período peculiar da música popular brasileira, do ano de 1974 até 1983.
E porque esses anos impares? 74 trata-se do ano que foi lançado o disco de estréia dos Secos & Molhados, que foi um grande sucesso e desbancou o até então líder de vendas Roberto Carlos. E 83 porque foi lançado o álbum Vôo do Coração, o primeiro disco do britânico brasileiro Ritchie, que trazia o sucesso Menina Veneno, e foi o disco mais vendido do ano desbancando mais uma vez o “Rei”. Só que entre esses dois discos tivemos a explosão da musica pop nacional com Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Gil, Caetano, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tim Maia, Gretchen, Sidney Magal, Balão Mágico, Odair José, Ednardo e Raul Seixas.

My Bloody Roots (Max Cavalera)
13
A última biografia musical que li recentemente e que merece toda atenção é My Bloody Roots (2013) escrita por Max Cavalera, fundador e líder de uma das mais importantes bandas nacionais, o Sepultura.
Escrito de forma clara e coesa, Max conta da infância em Belo Horizonte, do amor pelo seu time do coração, o Palmeiras, e do começo no Sepultura junto com o seu irmão, o baterista Iggor Cavalera. Livro impressiona pelo fato de como aquela barulheira desafinada, distorcida, berrada e com um baixista que não sabia tocar se tornou a banda mais respeitada no mundo todo.
As gravações dos principais discos, a participação da tribo Xavantes em Roots, o vomito de Max em Eddie Vedder e a traquinagem feita por Max no show do Motörhead está presente em My Blood Roots, assim como a sua conturbada saída da banda em seu auge em 1996.
O livro ainda conta com depoimentos de Mike Patton (Faith No More), Tom Araya (Slayer) e com o prefácio escrito por Dave Grohl (Foo Fighters).

Slash (Slash e Anthony Bozza)
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Slash também não perdeu tempo e principalmente não escondeu nada em sua biografia, escrita em parceria com o jornalista musical Anthony Bozza. Slash narra a sua infância, sua mãe, Ola Hudson, trabalhava com moda e tinha como clientes pessoas influentes como David Bowie, Andy Warhol e muitos outros, não a toa o jovem Slash teve a oportunidade de apertar a mão de um dos seus grande ídolos, Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones.
A trajetória ao lado do Guns n’ Roses é contada tin-tin por tin-tin, o que nos causa a impressão de estar lendo a própria biografia da banda, o que torna o livro mais especial.
O meu capítulo favorito é da conturbada, explosiva e lucrativa turnê dos discos Use Your Ilusion em 1991, que já demonstra a megalomania de Axl Rose.
Porém o meu trecho favorito é quando ele dispensa o sexo com a garota que ele sempre sonhou para ouvir o álbum novo do Aerosmith que estava no quarto da garota, o Rocks (1976). Como forma de vingança por ter perdido a transa, Slash prometeu pra si mesmo tirar a música Back in the Saddle inteira.

Eu Sou Ozzy (Ozzy Osbourne)
15
Enfim a minha biografia favorita. Já leu? Não? Então você está autorizado a desligar o computador e providenciar essa belezura, seja na livraria mais próxima, no sebo, ou em pdf em algum site da vida.
Eu Sou Ozzy (2010) escrita pelo próprio Madman é um tapa na cara desses artistas brasileiros que ficam barrando biografias sobre a sua vida, como Roberto Carlos, Caetano Veloso e Djavan.
Se existe uma pessoa com a vida mais repleta de polêmicas é Ozzy Osbourne e tudo que ele faz é escancarar uma a uma sem dó nem piedade. E aquilo que ele a mídia conta e às vezes aumenta ao seu respeito ele simplesmente diz: “Não me recordo de ter feito isso, mas devo ter feito, eu vivia muito chapado pra lembrar de tudo que eu fiz”.
Preso na adolescência por roubar uma loja de roupas, até fazer um cartaz procurando músicos para a sua banda de Blues Rock, a história de Ozzy navega para águas profundas, a banda Earth que virou Black Sabbath, a explosão dos dois primeiros discos mas o dinheiro que não chegava.
O consumo excessivo de drogas toma boa parte das paginas do livro, o capitulo no qual ele narra o consumo rápido de droga em uma mansão nos Estados Unidos enquanto a polícia estava na porta conversando com a empregada é impagável. A triste morte do guitarrista Randy Rhoads é um dos capítulos mais emocionantes do livro.
E a história de Ozzy se funde com a história do próprio Rock, ele compra o segundo disco dos Beatles (With The Beatles) no ano do lançamento (1963), ele conhece pessoalmente Robert Plant antes do mesmo entrar no Led Zeppelin, e é um dos primeiros a ouvir o primeiro álbum da banda. Pessoas como Rick Wakeman, Brian Wilson (Beach Boys), Lemmy Kilmister (Motörhead), Iggy Pop vão aparecendo no livro como personagens de histórias em quadrinhos.
O Glam Rock dos anos 80 está presente no livro no capitulo que narra a turnê conjunta de Ozzy com o Mötley Crue, muita doideira para uma página só. E a explosão do Nirvana nos anos 90 foi crucial para Ozzy retomar a carreira solo e lançar o bombástico No More Tears.
Enfim, leia ou LEIA.

 

 

 

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