Legião Urbana faz show histórico, libertando um grito que estava preso há 19 anos na garganta dos fãs

Publicado: 12 de novembro de 2015 em FBM Convida
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Foto por Aline Garcia Ciola, Daniela Cristina Henriques e Elizabeth Guitzel

Foto por Aline Garcia Ciola, Daniela Cristina Henriques e Elizabeth Guitzel

Como já havíamos noticiado em nossas redes sociais, no FBM Convida de hoje teremos o imenso prazer de receber a jornalista e editora do blog Formando Focas, Patrícia Paixão, que fez uma cobertura mais do que especial do show que marcou a volta da Legião Urbana no último sábado no Espaço das Américas. É com você Paixão.


Por Patrícia Paixão

Duas horas e meia que todos que estavam presentes na noite de 07/11, no Espaço das Américas (zona oeste de São Paulo), queriam que fossem eternas. Ao término daquele momento mágico, em que milhares cantaram a plenos pulmões os principais sucessos da Legião Urbana, o semblante de tristeza era nítido em muitos: Já??? Será mesmo que eles não vão voltar ao palco de novo?? Renato Russo não aparecerá, do nada, vindo de outro plano??

Mas não. Não haveria um novo bis e, obviamente, Renato não apareceria. O show “Legião Urbana XXX anos” (que faz parte da turnê iniciada em Santos em 23/10, para comemorar os 30 anos do álbum de estreia da banda) havia mesmo terminado.

Foi um espetáculo inesquecível que provou que, mesmo após 19 anos da morte de Renato (em 1996),os legionários – fãs da Legião – continuam firmes e fortes.

Assim que o show foi aberto o público explodiu, cantando com empolgação cada uma das canções. O clima era muito bom, lembrando, em escala bem maior, as rodinhas que costumávamos fazer no pátio da escola, na rua ou na faculdade para cantar Legião. As pessoas pareciam se conhecer e cantavam juntas os hits do grupo.

Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, com o músico e ator André Frateschi no vocal, tocaram os principais sucessos da banda, começando pelo disco 1, que foi todo contemplado. Outros artistas se revezaram no vocal, como Rodrigo Amarante, dos Los Hermanos.

Frateschi, aplicando suas habilidades de ator, interpretou muito bem as canções. Não tentou imitar Renato Russo, o que foi um ponto positivo, já que Renato é único. Cantou com o coração e, por isso, conseguiu emocionar o público.

“Esperamos por esse show 30 anos!”, gritou pra galera, deixando todos em polvorosa.

As primeiras canções do setlist foram:“Será”, “A Dança”, “Petróleo do Futuro”, “Ainda é Cedo”, “Perdidos no Espaço”, “Geração Coca-Cola”, “O Reggae”, “Baader-Meinhof Blues”, “Soldados” e “Teorema”.

Frateschi cantando com Dado “Geração Coca-Cola”:

As pessoas não sabiam se pulavam, gritavam, dançavam, filmavam ou fotografavam tudo rs Parecia um sonho e todo mundo queria registrá-lo.

Finalizando a primeira parte do show, num dos momentos mais emocionantes do espetáculo, começou “Por Enquanto”. André Frateschi direcionou o microfone à plateia e os fãs cantaram a canção sozinhos até o fim. Muitos (como eu) com os olhos marejados.

Em um dos momentos mais emocionantes do show, a banda deixa os fãs cantarem sozinhos a canção “Por Enquanto”:

No segundo ato do espetáculo, mais sucessos: Tempo Perdido”,”Daniel na Cova dos Leões”, “Conexão Amazônica”, “Há Tempos”, “Dezesseis”, “1965 (Duas Tribos)”, “Eu Sei”, “Teatro dos Vampiros”, “Monte Castelo”, “Quase sem Querer”, “Pais e Filhos”, “Angra dos Reis” e “Perfeição”.

“Monte Castelo” e “Quase sem Querer” foram cantadas por Rodrigo Amarante que, na minha opinião, não mandou tão bem como Frateschi.

Depois de “Perfeição”, a suposta última música do show, a galera começou, é claro, a pedir o bis. Muitos gritavam“Faroeste Caboclo!” e o desejo foi atendido pela banda. Momento mágico ver todo mundo cantando Faroeste, com o Frateschi interpretando muito bem o “João de Santo Cristo”.

Pra encerrar o bis, ainda teve as clássicas “Índios” e “Que País é Esse?”.

Foi uma noite histórica, que dificilmente aquelas pessoas presentes no Espaço das Américas vão esquecer. Embora houvesse fãs mais jovens, o público, em geral, era mais velho, seguidores da Legião da época em que Renato era vivo. Muita gente acima dos 30 anos.

Durante o show, em um dos momentos em que conversou com o público, Dado mandou um recado, ainda que de forma indireta, ao filho de Renato Russo (Giuliano Manfredini), com quem ele e Bonfá travaram uma luta judicial pelos espólios de Renato. Disse que durante esses 30 anos “nunca ficaram sem fazer nada, criticando os outros com a bunda na cadeira”. Destacou que eles continuaram atuando como músicos, sem desperdiçar trabalho e energia, brigando com os outros. Os fãs entenderam o recado.

Eu acho que Bonfá e Dado têm todo direito a cantar as canções do grupo, pois construíram juntos com Renato a Legião Urbana. Embora a figura do Renato seja vista por muitos fãs, como eu, como a parte que conta. Durante o show, de tempos em tempos, os fãs chamavam por ele: “Renato! Renato!”. Eu, sinceramente, senti falta de uma homenagem mais significativa e clara ao Renato, poderiam ter passado um vídeo dele, terem proferido algumas palavras exaltando seu trabalho, enfim. Legionário que é legionário tem Renato como ídolo e espera isso.

Mas o que importa é que, com alfinetadas ou não, com ou sem uma homenagem mais forte, o show foi lindo. E, pelo menos da parte dos fãs, acabou sendo um grande tributo a Renato Russo, compositor de músicas que são verdadeiras obras de arte.

Por mais shows da Legião Urbana, numa época em que canções bem compostas, com enredo e letra inteligente, são raridades.


3 - Patrícia

 

Patrícia Paixão é Jornalista, Professora Universitária na FAPSP e editora do blog Formando Focas

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