Os Três Melhores Músicos de Todos os Tempos

Publicado: 22 de novembro de 2015 em Beatriz Sanz Fala, Especial, Fila Benário Fala, Willian Abreu Fala

Beethoven

Hoje, dia 22 de novembro, é comemorado em todo o mundo o Dia do Músico, e porque justamente nessa data? Porque é comemorado o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. Em sua trajetória de vida, Cecília, que sempre foi temente a Deus, tocava cítara. E quando foi capturada e condenada à morte por professar a fé cristã, ao ser colocada na câmara de gás ela entoou cânticos, antes de ter o seu pescoço quebrado.

E é nessa data tão especial que a equipe do Fila Benário Music, esse blog que respira música, preparou uma listinha com os Melhores Músicos de Todos os Tempos, segundo gosto particular de cada um. Tem pra todo mundo.

Bora curtir?


BOB DYLAN (Por Beatriz Sanz)

Bob Dylan

Bob Dylan é o maior músico de todos os tempos (na minha opinião, claro) e qualquer pessoa que me conheça ao menos um pouco, sabe que é assim que eu lido com a vida.

Mas eu já falei sobre Bob Dylan aqui, em maio, quando o cantor fez 74 anos. Então no primeiro momento em que eu fui convidada a escrever sobre o meu maior músico de todos os tempos, eu fiquei sem saber o que falar.

Lembrei então de Blonde on Blonde (1966), meu álbum favorito do cantor. Contava Dylan com seus 25 anos de idade e já havia lançado seis álbuns anteriores.

Blonde on Blonde é considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos pela crítica e para os fãs ele é quase mítico. Na época, Dylan ensaiava uma volta ao rock’n’roll de sua adolescência e um abandono ao folk, que havia lhe deixado famoso.

Blonde on Blonde (1966)

Blonde on Blonde (1966)

A mística ao redor do disco é tão grande que envolve até mesmo a capa. Um Dylan pouco agasalhado em uma Nova York fria, aparece desfocado e tremido. Muitos críticos da época que a capa havia sido feito daquele modo para representar o efeito de drogas, como na faixa inicial do disco, Rainy Day Women #12 & 35. Porém este ano, Jerry Schatzberg, o fotógrafo que fez a capa do álbum afirmou “Era fevereiro e fazia muito frio em Nova York. Ele estava vestindo apenas uma jaqueta, assim como eu. Além disso, foi ele quem escolheu esse quadro”.

Este álbum encerra a trilogia de rock iniciada por Dylan no anterior com Bringing it all back home e Highway 61 revisited. No início do mês foi lançado The Cutting Edge 1965–1966: The Bootleg Series, Vol. 12, que conta com versões alternativas de faixas destes três clássicos discos.

Perfil - Bia Sanz - Consolas Tam. 11 - Cópia


BEETHOVEN (Por Willian Abreu)

Beethoven Capa

Os demais compositores que me desculpem. Mas quando me foi solicitado escrever um texto sobre o dia do músico o primeiro nome que me veio à mente foi o de Ludwig Van Beethoven. Mas porque será? Porque Beethoven ainda hoje exerce esse fascínio?

Eu explico. Com o perdão de Bach e Mozart, mas Beethoven foi o primeiro compositor independente, livre das amarras muitas vezes impostas aos compositores anteriores subordinados às igrejas ou às cortes reais. O fato é que a figura do compositor artista, com status de celebridade e que compõe de acordo com sua inspiração surge justamente como Beethoven.

É ideal libertário em Beethoven é muito forte, do artista livre das amarras da aristocracia para se expressar. Seu apoio à democracia e a uma sociedade livre dos imperadores sempre foi muito convicto. Certa vez ao caminhar com o grande poeta alemão Goethe, viu que o mesmo ao avistar o imperador estava pronto a se curvar quando Beethoven diz “Eles devem se curvar a nós!”.

Seu apoio a uma sociedade livre também é histórico. Ao apoiar as ideias de Napoleão Bonaparte, Beethoven dedica sua terceira sinfonia ao mesmo, porém, ao ver que Napoleão trai seus ideais libertários e ao chegar ao poder se auto declara imperador, Beethoven rasga a dedicatória e dedica-a “À memória de um grande homem”. E é nessa sinfonia que Beethoven se demonstra um verdadeiro gênio. Intitulada Eroica, sua terceira sinfonia quebra com as barreiras de tudo que foi escrito até então. Surpreendeu tanto a classe musical pela ousadia como os músicos da orquestra por sua dificuldade de interpretação. Abaixo o primeiro movimento, de cara nos dois primeiros acordes o caráter heroico como se fossem dois tiros de canhão, é sensacional.

Não podemos esquecer o fato de que Beethoven a partir da sua sinfonia de número 3 passa a sofrer com os sintomas da surdez. Imaginem o que é para um compositor sofrer com os sintomas de uma surdez que ao longo de sua vida o dominará por completo. Após pensar em desistir de tudo e mesmo na possibilidade de acabar com sua própria vida Beethoven não desiste. E mesmo com o problema de audição dá continuidade a sua obra, nos legando as mais belas e incríveis sinfonias, quartetos de cordas, sonatas para piano e muito mais.

Aqui algo também revolucionário. Em sua famosa 5ª Sinfonia, sem apresentação nenhuma Beethoven compõe uma das senão a obra clássica mais famosa de todos os tempos. Como ficar indiferente a essas notas, como se fossem o destino, o acaso batendo com violência à porta do compositor.

Os demais não preciso nem citar. Beethoven consolida o quarteto de cordas em sua forma e faz com que a escrita para essa formação seja tão complexa e bela quanto para uma orquestra.

As sonatas para piano então são um capítulo à parte, vejam a escrita vertiginosa para uma de suas sonatas mais famosas, a “Sonata ao Luar”.

Poderia ficar horas aqui falando sobre esse grande mestre. Que tornou possível aos músicos de hoje compor com liberdade e liberou a classe artística das amarras da aristocracia. Reverenciar sua vida e a obra que nos legou é sempre um grande prazer.

Parabéns a todos os músicos. E lembrem-se, se não fosse por caras como Beethoven a vida de vocês teria sido um pouquinho mais complicada.

Perfil - Willian Abreu


STEVIE WONDER (Fila Benário)

Stevie Wonder

Essa não é a primeira vez que eu exalto aqui no Fila Benário Music o meu amor, minha admiração e gratidão pela carreira e obra de Stevie Wonder. No dia do seu aniversário em 2014, eu escrevi um texto mais do que especial aqui, contando a sua trajetória, selecionando os meus discos favoritos de sua vasta discografia e listando os meus momentos favoritos de Wonder ao vivo.

Resumindo, teria mais alguma coisa para dizer de Stevie Wonder nesse blog? Sim, e sempre tem. Quando se fala de músicos, de artistas que tem conhecimento técnico que transcende as linearidades do mundo, Stevie deve sempre ser reverenciado.

Cego em decorrência do seu nascimento prematuro, Wonder, que nasceu na cidade americana de Michigan, mudou-se para Detroit com a sua mãe e os seus cinco irmãos aos quatro anos de idade. Com nove anos, Stevie já tocava Piano, Gaita, Baixo e Bateria. Explicitando que a deficiência visual nunca foi barreira para o seu aprendizado musical e a manifestação da sua arte.

Aos 11 anos de idade, Stevie é descoberto por Ronnie White, cantor do grupo The Miracle, e o mesmo levou o pequeno Wonder para a gravadora Motown e exigiu que o garoto fosse contratado. Berry Gordy, dono da célebre gravadora, assinou mais do que depressa o contrato do garoto, e sob a alcunha de Little Stevie Wonder o mesmo lançou os discos The Jazz Soul of Little Stevie Wonder (1961) e Tribute to Uncle Ray (1962), esse último, interpretando canções do seu grande ídolo, Ray Charles. E a Motown esperta como ela, usou da cegueira de ambos para criar um parentesco de tio e sobrinho.

E o resto da história você já conhece, Stevie Wonder se tornou um dos maiores artistas de todos os tempos, uma lenda viva. Com 54 anos de carreira, Wonder tem 26 discos de estúdios lançados, 30 sucessos de sua autoria já alcançaram o Top Ten da Billboard, além de ser o artista recordista de prêmios Grammy, 25 ao todo, sendo três deles de melhor álbum do ano (Innervisions ‘1973’, Fulfillingness’ First Finale ‘1974’ e Songs in the Key of Life ‘1976’).

A partir do disco Music of My Mind (1972), Stevie Wonder passa a assinar a produção dos seus discos e toca praticamente todos os instrumentos na maioria das faixas. O álbum seguinte, lançado no mesmo ano, o aclamado Taking Book, com exceção das guitarras, Stevie precisamente “assobiou e chupou cana” em todas as músicas.

Stevie Wonder foi um dos primeiros artistas negros a quebrar a barreira que existia entre a música negra e o Rock N’ Roll chegando a canções de bandas como The Doors, Beatles e Bob Dylan, além de excursionar junto com os Rolling Stones, participar de algumas jams musicais ao lado de John Lennon em sua carreira solo e gravar ao lado do outro Beatle, Paul McCartney, a canção Ebony and Ivory.

O legado de Stevie Wonder na música transcende as barreiras do R&B e da música Pop, claro que toda essa nova geração do gênero, como, Beyoncé, Jay Z, Alícia Keys, Katie Melua, Adelle, Kayne West, Pink, Emma Button, Christina Aguilera, e Esperanza Spalding, citam Stevie como influência suprema. O rapper Coolio, aliás, foi um dos responsáveis por disseminar o nome de Stevie Wonder para uma geração mais nova nos anos 90 ao samplear a música Pastime Paradise de Wonder em sua canção mais famosa, Gangsta’s Paradise.

Uma das versões mais tocantes que ouvi de For Once In my Life, fora a do próprio Wonder, foi a da cantora texana Dara Maclean

Além da versão arrasa quarteirão da contrabaixista e lindíssima, Esperanza Spalding, para Overjoyed.

Mas o que dizer de nomes do Rock que tem Stevie Wonder como influência?

Mike Patton do Faith No More nunca escondeu de ninguém que é fã de Stevie Wonder, e na turnê de volta do grupo em 2010, a banda sempre tocava um trechinho de Sir Duke no meio de Midlife Crisis.

O Red Hot Chili Peppers, um dos precursores do Funk Rock nos anos 80, fez essa versão surreal de Higher Ground de Wonder, no álbum Mother’s Milk.

E até os “Bad Brothers” do Oasis plagiaram na cara dura o refrão de Uptight de Stevie Wonder na música Step Out. Stevie entrou na justiça, ganhou a causa e entrou como co-autor da canção.

E grandes dinossauros da música se renderam a obra de Stevie Wonder, além dos já citados Lennon e McCartney, e da galera dos Stones, Glenn Hughes, o mestre do baixo do Trapeze e do Deep Purple já confidenciou ser fã número 1 de Wonder, e vira e mexe toca o clássico Superstition em seus shows.

E até o todo poderoso Frank Sinatra, que tinha um gosto musical mais do que exigente, se rendeu aos encantos musicais de Stevie Wonder.

A minha devoção por Stevie Wonder começou desde a infância, graças a minha mãe que era aficionada pelo músico e tínhamos em nossa coleção de discos os álbuns mais célebres de sua carreira, com certeza foi o primeiro artista que eu ouvi e o meu primeiro grande ídolo na música.

Eu tinha 7 anos quando Stevie veio para o Brasil e se apresentou no Free Jazz Festival, em 1995, driblei o sono e assisti vidrado a apresentação do músico que foi televisionada pela Globo, gravamos em VHS que era assistido por mim religiosamente todos os dias.

Já contei no outro texto sobre Stevie, mas na época na pré-escola, nas sextas-feiras, as crianças levavam brinquedo e lanchinho, e nesse caso poderíamos levar os nossos discos favoritos para tocar na vitrola enquanto a gente brincava, ao contrário de todos os meus coleguinhas que levavam Ursinho Pimpão, a trilha sonora da Tv Colosso, Xuxa e outras sonoridades infantil da época, eu levei o Characters (1987) de Wonder para a surpresa da minha professora.

Se eu pudesse listar as minhas cinco músicas favoritas de Wonder, eu ficaria com essas:

1 – Superstation
Um hino, um clássico soberbo da música americana e mundial.

2 – Sir Duke
A grandiosa homenagem de Stevie ao jazzista Duke Elligton. Canção swingada, pesada e com uma das melhores linhas de baixo que eu já ouvi na vida.

3 – Superwoman (Where Were You?)
Um verdadeiro encontro do Jazz com a Bossa Nova, que Stevie sempre reverenciou, em uma canção fabulosa e com o final viajante.

4 – We Can Work It Out
É possível um cover dos Beatles ficar melhor que a sua versão original? SIM!!! E nessa versão tem Paul McCartney assistindo tudo boquiaberto.

5 – Ribbon In The Sky
A love song mais linda de todos os tempos, gravada exclusivamente para a coletânea Original Musiquarium I (1982), tem o seu final estendido no qual Stevie Wonder improvisa maravilhosos solos no piano, provando definitivamente porque é o maior músico de todos os tempos.

E se você nunca teve contato com a obra de Stevie Wonder e quer começar com um EXCELENTE álbum, já caia de cabeça no duplo e histórico Songs in the Key of Life (1976), tudo que você precisa saber e conhecer sobre esse grande artista está nesse disco.

Songs In the Key of Life (1976)

Songs In the Key of Life (1976)

Na edição do Grammy desse ano, Stevie Wonder foi o grande homenageado da edição, com uma apresentação contando com Beyoncé (Linda pra Ca***), Ed Sheeran e grandioso guitarrista texano Gary Clark Jr.

E pra fechar a idolatria, pega esse vídeo de Wonder tocando bateria na juventude e veja que eu não sou fã dele atoa.


Parabéns a todos os músicos, que com esse dom precioso conseguem levar alegria e entusiasmo aos nossos corações.

 

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