Foo Fighters resgata a simplicidade perdida em ‘Saint Cecilia EP’

Publicado: 25 de novembro de 2015 em Fila Benário Fala, Foo Fighters, Lançamentos e Novidades
Tags:,

Saint Cecilia EP

Após uma contagem regressiva surgir no site oficial da banda, denunciando que alguma novidade estava por vir, no último final de semana o Foo Fighters lançou o tão comentado Saint Cecilia EP.

O disquinho contém 5 faixas que foram gravadas em uma sessão única no Hotel ‘Saint Cecilia’ em Austin, Texas, uma das cidades visitadas na série (que originou o disco) Sonic Highways (2014), em meados de setembro desse ano. Com um total de 18 minutos de música, após a audição completa e atenciosa de Saint Cecilia chegamos à conclusão que todas as canções que completam esse EP deveriam facilmente ocupar o tracklist de Sonic Highways, já que esse, por sua vez, se perde na sua grandiosidade desnecessária.

Saint Cecilia abre com a faixa título, uma canção tipicamente Foo Fighters, de levada pop, simples, de refrão pegajoso e forte sentimentalismo. Encaixaria perfeitamente no tracklist do There Is Nothing Left To Lose (1999).  Essa é a identidade da banda, o Foo Fighters se tornou grande por seguir esse padrão, e que bom que Dave Grohl acordou a ponto de reviver os seus períodos de simplicidade musical sepultando de vez essa epopéia sonora que nos enfiou goela abaixo com Sonic Highways.

A canção seguinte, Sean, é um chupim descarado do Hüsker Dü. Grohl nunca escondeu a sua obsessão pelo grupo, a ponto de convidar o líder Bob Mould para uma participação mais do que especial na música Dear Rosemary no disco Wasting Light (2011), e o mesmo Mould retribuiu o convite chamando Dave para participar do seu Show/DVD/Tributo, See a Little Light: A Celebration of the Music and Legacy of Bob Mould, além de ressuscitar as guitarras nos seus dois trabalhos recentes – Silver Age (2012) e Beauty & Ruin (2014) – e atribuir isso aos Foo Fighters.
Sean é um Punk Rock direto, divertido e sensacional como era feito pelo trio de Minneapolis.

Savior Breath presta tributo a outra banda favorita de Grohl, o Motörhead, seguindo o mesmo pique Rock n’ Roll, Metal e Punk do trio comandado por Lemmy Kilmister.
A produção sonora que até então vinha cristalina e audível, nessa canção ela soa um pouco embolada e “suja”, provavelmente proposital, e isso não tira o mérito da canção que se torna mais agressiva e jovial.

Iron Rooster vem para cadenciar Saint Cecilia, mas não coloca tudo a perder. Com exceção da supracitada megalomania de Sonic Highways, Dave Grohl é um grande midas musical, porque ele tem a capacidade de compor uma canção simples, uma canção com odes a sua adolescência punk e ao mesmo tempo consegue compor uma balada tocante. E é o caso dessa belíssima canção.

E The Neverending Sigh, que tinha a sua introdução tocada de fundo no site oficial da banda, enquanto rolava a contagem regressiva para o lançamento do EP, fecha Saint Cecilia de forma sublime e crescente. Segundo Dave Grohl, The Neverending Sigh foi composta a mais de 20 anos, chegando até ter um outro nome anteriormente, 7 Corners. Ela é um casamento perfeito da fase One By One (2002) da banda, no qual ficou demarcado o início do amadurecimento musical do Foo Fighters, com o próprio disco de estreia autointitulado, que carrega uma veia Punk/Grunge acelerada.
Se a intenção do Foo Fighters é explorar outras nuances sonoras, crescer, amadurecer e se tornar grande, The Neverending Sigh é prova que a banda pode inovar, mas sem perder as raízes que lhe consagrou.

Resumindo, nas cinco faixas que compõem o EP, em duas encontramos o Foo Fighters prestando homenagens as suas principais influências musicais, em outras duas a formula simples-pop-perfeita que une melodia, sentimentalismo e peso, e por fim, na última música, um Foo Fighters que se curvou ao seu passado, ressuscitou uma música de duas décadas atrás e a preencheu com os elementos que tornaram a banda a mais relevante dos últimos tempos.

O disco foi disponibilizado no site oficial da banda para download gratuito, e junto com os arquivos em mp3, a pasta zipada ainda conta com uma carta escrita pelo próprio Dave Grohl contando os bastidores das gravações de Saint Cecilia, e por fim encerra o texto dando uma deixa para um suposto fim da banda.
Desculpa, mas não irei cair nesse truque pela terceira vez seguida. Em 2008, logo após o lançamento do Echoes, Silence, Patience and Grace (2007), a banda também anunciou um hiato de tempo indeterminado, todo mundo surtou, um ano depois a banda retornava as atividades lançando um Greatest Hits (2009) com duas canções inéditas (Wheels e Word Forword). Em 2012 a banda anuncia novamente um suposto fim em pleno festival de Reading na Inglaterra, mas esse fim trava-se do período de produção e filmagens da série Sonic Highways.
E depois que o produtor Butch Vig já revelou que virá uma nova temporada de Sonic Highways por ai, essa cartinha de “O fim está próximo”, não me engana.

Enfim, Saint Cecilia EP deixa um gostinho de quero mais e elimina de vez o gosto amargo deixado pelo disco antecessor. A prova concreta de que menos é mais, sempre.

Bem-vindos de volta, Foo’s

Ouça abaixo o EP na íntegra:

Leia aqui no Foo Fighters Br a tradução da carta escrita por Dave Grohl que acompanha o disco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s