Com as mortes de Lemmy Kilmister e Scott Weiland, o que será do Rock?

Publicado: 29 de dezembro de 2015 em Fila Benário Fala, Homenagem
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LemmyScott

O falecimento repentino de Lemmy Kilmister na noite de ontem (28/12) pegou a todos de surpresa. Aos 70 anos recém completados na última semana, Lemmy, vocalista, baixista e alma do Motörhead, tradicional grupo britânico que unia o Punk e Heavy Hetal no seu Rock n’ Roll vigoroso, descobriu um câncer no último sábado e o mesmo em estágio avançado perpetuou a sua vida.

O legado de Lemmy é incontestável, quem conhece a sua trajetória sabe o quanto o Rock esteve nas suas entranhas. Ele praticamente viu o gênero nascer ao assistir apresentações dos Beatles no Cavern Club, palco no qual os Fab Four começaram as suas atividades. Depois ele foi roadie do Jimi Hendrix e um dos seus trabalhos era buscar ácido para o músico e a sua banda.

Já baixista, Lemmy integrou o Hawkwind, banda surgida no início dos anos 70 e que tocava uma espécie de Rock Espacial, a música Silver Machine fez um notório sucesso.

Expulso da banda pelo seu comportamento inconsequente, Lemmy Kilmister fundou a banda mais influente de uma geração de Headbangers que viria a seguir, o Motörhead. O nome, aliás, veio de uma canção composta por ele para o Hawkwind. Com a chamada formação clássica que contava com o guitarrista “Fast” Eddie Clarke e o baterista Phil “Philthy Animal” Taylor, esse último também morto recentemente, a banda lançou álbuns representativos e marcantes como Overkill (1979), Bomber (1979), Ace of Spades (1980) e Iron Fist (1982).

Formação clássica do Motörhead com "Fast" Eddie Clarke (Guitarra), Lemmy Kilmister (Voz e Baixo) e Phil "Philthy Animal" Taylor (Bateria)

Formação clássica do Motörhead com “Fast” Eddie Clarke (Guitarra), Lemmy Kilmister (Voz e Baixo) e Phil “Philthy Animal” Taylor (Bateria)

Se os Ramones foram vaiados no finalzinho da década de 70 ao fazer a abertura do show do Black Sabbath no Estados Unidos, desagradando o público headbanger presente. Lemmy simplesmente idolatrava as duas bandas e mesclava as duas vertentes em sua sonoridade áspera e direta.

O Motörhead ao longo dos anos trocou a sua formação algumas vezes, chegando a fixar o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee no excelente álbum Bastards (1993) e mantendo até o último dia de vida da banda. De todas as bandas surgidas na mesma época, o Motörhead era a mais ativa, chegando a lançar um disco a cada dois anos, e antes de Lemmy partir ele deixou o último canto de cisne, o disco Bad Magic lançado esse ano.

Com a morte do músico, uma nação de outros grandes músicos se sentiram órfãos e lamentaram o falecimento do seu ídolo, mentor e herói. Lemmy Kilmister foi influência direta para bandas de Thrash Metal como Metallica, Slayer, Anthrax, Megadeth, Destruction e Sepultura, essa última, alias, tem o seu nome inspirado em uma das canções da banda, e a mesma já chegou a gravar um cover do Motörhead no disco Arise (1991), a canção Orgasmatron.

Mas a música de Lemmy atravessava a barreira do Metal e influenciava o Hardcore/Punk de Dead Kennedys, Bad Religion, Black Flag, Minor Threat, Adolescents, Descendents, Circle Jerks, TSOL, Satanic Surfers, Lagwagon, Strung Out e até mesmo do rock tido como Mainstream, no qual Dave Grohl, líder do Foo Fighters, como o seu maior representante, tem Lemmy Kilmister como ídolo máximo a ponto de convidá-lo para participar do seu projeto de metal Probot, cantando a canção Shake Your Blood.

E depois Lemmy fez uma participação mais do que especial no divertido clipe da canção White Limo dos Foos.

Agora com a triste partida de Lemmy e vendo que a vida já ceifou nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Keith Moon, John Lennon, George Harrison, Kurt Cobain, toda a formação clássica do Ramones e recentemente nos levou o incompreendido Scott Weiland do Stone Temple Pilots, a pergunta que permeia é: “Como será o Rock daqui pra frente?”

Scott Weiland do Stone Temple Pilots se foi esse ano

Scott Weiland do Stone Temple Pilots se foi esse ano

Olhe ao redor, analise o estilo atualmente e reflita. Qual foi a última grande banda de Rock surgida nos últimos anos? Muitos críticos e fãs do gênero afirmam que depois da explosão do Nirvana nos anos 90 o Rock não teve nada igual, e se formos parar pra pensar, estão certos. Qual dessas bandas surgidas pós anos 2000 tem culhões para chamar de influente? Qual mudou e redefiniu a trajetória do gênero?

Falaram muito do The Strokes no início da carreira da banda, que seria o conjunto que abalaria as estruturas da música. Cadê o The Strokes hoje? Lançou um álbum de estreia regular, com canções totalmente chupadas do proto-punk dos anos 60 de Stooges, MC5 e New York Dolls, depois a qualidade dos álbuns foi caindo e hoje o Julian Casablancas, o vocalista blasé do grupo, não sabe nem definir nas entrevistas se a banda ainda existe.

Olhe para o line up de qualquer Lollapalooza ocorrido em terras brasileiras, com exceção de alguns Headliners de peso como Foo Fighters, Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins, Soundgarden, Pearl Jam, New Order, Robert Plant e na edição 2016 que contará com Noel Gallagher, os novos representantes do Rock não passam de bandinhas fulecas que misturam pop dançante em suas canções pálidas e anêmicas.

Com a velocidade da informação, hoje a “qualidade” e “importância” da banda são medidas por quantos views ela teve no Youtube, por quantos likes as páginas oficiais ganharam no Facebook, e quantas ouvidas a sua música teve no Spotify da vida. Redes sociais que um dia deixarão de ser populares como o Fotolog e o My Space, ou que até mesmo deixarão de existir, como aconteceu com o próprio Orkut, e toda essa fama repentina será varrida eternamente.

Curiosamente, hoje, dia 29 de dezembro, completa-se 14 anos do falecimento de Cássia Eller e desde então qual outro grande representante o Rock nacional teve depois? Quem mais teve a rebeldia e a ousadia de misturar em seu repertório Beatles, Stones, Nirvana, Hendrix e Cazuza, com Edith Piaf, Chico Buarque, Nação Zumbi, Gilberto Gil e Cartola, soando autêntico e verdadeiro?

A crise no gênero, que em outrora já foi provocativo, um perigo para sociedade e para juventude, mas que acompanhou a evolução dos tempos e redefiniu a história, é mundial, e as mortes de Lemmy Kilmister, Scott Weiland, Cássia Eller, entre muitos outros, não só me entristece, como também me preocupa e me faz questionar: Que música ouvirá os meus filhos no futuro? Algo que irá eternizar e marca-los na vida, ou algo que será esquecido com apenas um click?

R.I.P LEMMY KILMISTER.

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