“Ziggy Stardust” é o grande legado da carreira inovadora de David Bowie

Publicado: 11 de janeiro de 2016 em Fila Benário Fala, Homenagem
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A recente morte de Lemmy Kilmister, líder do Motörhead, era até então a prova que não surpreenderíamos com despedida alguma mais. Ledo engano. Na última madrugada o “Camaleão” nos deixou, o multifacetado David Bowie se foi aos 69 anos, curiosamente três dias depois do seu aniversário.

Diagnosticado com câncer no cancro há exatos 18 meses, David infelizmente perdeu a batalha, mas ganhou as estrelas, as mesmas que rechearam muitas de suas canções emblemáticas.

Muito se falou da versatilidade de David Bowie ao longo de sua vasta carreira. O seu início como trovador solitário de canções folks à Bob Dylan, que renderam os discos David Bowie (1967), Space Oddity (1969) e The Man Who Sold the World (1970), depois o mergulho de cabeça no rock maquiado, desafiador e transvestido chamado de Glam Rock. Discos como Aladdin Sane (1973) e Diamond Dogs (1974) marcam o prenuncio do Punk Rock, movimento que viria forte em 1977. Bowie abandonou as guitarras sujas e foi para a soul music negra em Young Americans (1975) e quando o mundo achava que isso seria o bastante, Bowie foi para a Berlim e pariu três discos surpreendentes e geniais que misturam Rock com música eletrônica, Low (1977), Heroes (1978) e Lodger (1979).

E assim foi a carreira de David Bowie, como descreveu de forma brilhante o jornalista Julio Maria (Estadão) no seu Facebook:

“Bowie não estava entre os meus heróis, mas admito que ele foi maior do que todos eles por um único motivo: quando algo dava certo, ele o destruía para se reinventar do zero. Quando chegava ao topo, pulava no precipício para escalar outra montanha.”

Portanto, dentro desse mundo musical e de inúmeras facetas onde habitava o alienígena David Bowie, se pudesse escolher apenas um álbum para intitular essencial e obrigatório para conhecer esse ser tão enigmático e genial como Bowie, o escolhido seria The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972).

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)

Produzido por Ken Scott (Beatles e Devo) em parceria com o próprio Bowie, o disco conceitual narra a história do personagem Ziggy Stardust, um roqueiro alienígena quem vem a terra pregar a sua mensagem de paz e amor através do Rock, mas acaba se entregando aos prazeres da vida terrena como sexo promíscuo e uso de drogas. Na época David Bowie realmente incorporou o personagem em suas apresentações e passou a se chamar Ziggy Stardust, além de assumir a bissexualidade do alienígena.
O disco foi um imenso sucesso comercial, seguindo os passos de Space Oddity, e foi eleito pela revista britânica Melody Marker o melhor disco da década 1970.

Musicalmente falando, The Rise and Fall of Ziggy Stardust… é impecável, é justamente nesse disco que começa o flerte de Bowie com o chamado Glam Rock, não apenas na questão estética visual e comportamental, mas principalmente na sonoridade que era um encontro da fase Rubber Soul (1965) dos Beatles, com a melancolia acústica e rude do Beggars Banquet (1968) dos Stones e já prenunciando o furacão punk que viria nos anos seguintes em forma de Ramones, Sex Pistols, The Damned, o que fica claro em canções como Star, Suffragette City e a ramônica Hang on to Yourself.

Falando de sucessos, a faixa que leva o nome do personagem principal da saga musical, Ziggy Stardust, é minimamente genial uma pérola musical tocada no violão juntamente com uma guitarra distorcida que dá tônica e firmeza a canção. Com certeza a obra suprema de Bowie.

Starman foi o grande sucesso do disco. Com a sua melodia densa e formato crescente, principalmente no refrão explosivo, ela prova mais uma vez a genialidade musical de David Bowie. Uma pena a banda brasileira Nenhum de Nós ter feito nos anos 80 uma versão horrenda dessa canção intitulada “Astronauta de Mármore”.

Outro grande trunfo de The Rise and Fall of Ziggy Stardust… é a banda que participou das gravações e acompanhou David Bowie em turnê até 1973, intitulada de The Spiders From Mars, a banda contava com Mick Ronson (Ian Hunter, Van Morrison e Morrisey) nas guitarras, Trevor Bolder (Uriah Heep e Wishbone Ash) no baixo e Mick Woodmansey (Screen Idols e Dana Gillespie) na bateria.

David Bowie and The Spiders From Mars Da esq pra dir: Trevor Bolder (Baixo), Mick Woodmansey (Bateria), David Bowie e Mick Ronson (Guitarra)

David Bowie and The Spiders From Mars Da esq pra dir: Trevor Bolder (Baixo), Mick Woodmansey (Bateria), David Bowie e Mick Ronson (Guitarra)

Enfim, seria covardia escolher apenas um disco de sua vasta, brilhante e inovadora discografia, mas o essencial está aqui.

Bowie não morreu, ele apenas pegou o seu disco voador e voltou para o seu planeta, mostrando assim ser maior que todos nós.

Descanse em paz, Camaleão.

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