MUITO ALÉM DO BUG DO MILÊNIO #01: By The Grace Of God – The Hellacopters (2002)

Publicado: 21 de janeiro de 2016 em Muito Além do Bug do Milênio
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Saudações caros leitores do Fila Benário Music.

É com muita alegria e prazer que iniciamos as nossas atividades em 2016 com muitas novidades e a primeira delas é o lançamento da nossa mais nova coluna semanal Muito Além do Bug do Milênio.

Com as repentinas mortes de Scott Weiland, Lemmy Kilmister e David Bowie, muitos fãs de Rock, inclusive esse que vos escreve, chegaram a questionar o futuro do gênero musical com a partida desses ícones e a escassez de novas bandas tão relevantes como em outrora. E foi em uma página de comentários de um determinado site musical que me deparei com o seguinte desabafo:

“Rock morreu a partir dos anos 2000, muitas bandas excelentes encerraram a sua carreira, não surgiu nenhuma banda nova depois desse ano e as bandas que restaram não lançaram um disco bom sequer” e o texto encerrava com uma reflexão: “Parece que aquele tal boato sobre o ‘Bug do Milênio’ não afetou os aparelhos eletrônicos e sim o Rock”.

E foi refletindo esse comentário que o Fila Benário Music teve a ideia de selecionar alguns discos lançados em pós anos 2000 para provar que mesmo não estando na crista da onda no meio mainstream e não sendo mais o porta voz da juventude como no passado, o Rock ainda gerou álbuns magníficos que merecem ser cultuados, ouvidos e reverenciados.

Portanto, Muito Além do Bug do Milênio vai ao ar aqui todas as quintas-feiras falando exclusivamente de um disco. O critério de seleção desses álbuns foram:

– Discos lançados a partir do ano 2000

– Álbuns de bandas novas, para mostrar que o Rock está em boas mãos

– Álbuns de bandas consagradas, para mostrar que elas ainda têm muito a nos dizer e ensinar

– Álbuns de bandas que encerraram as suas atividades, para assim torçamos para a volta delas, algo que não está sendo difícil nos dias atuais.

Enfim, chega de papo e vamos ao que interessa


DISCO: By The Grace Of God
BANDA: The Hellacopters
LANÇAMENTO: 18 de setembro de 2002
ORIGEM: Suécia
GÊNERO: Hard Rock
FORMAÇÃO DO DISCO: Nicke ‘Royale’ Andersson (Voz e Guitarra), Robert Dahlqvist (Guitarra e Vocal), Kenny Håkansson (Baixo), Anders Lindström (Piano e Vocal) e Robert Eriksson (Bateria e Vocal)
PRODUCÃO: Chips Kiesbye (Sahara Hotnights, Millencolin e Wilmer X)
INDICADO PRA QUEM GOSTA DE: Iggy and The Stooges, MC5, New York Dolls, Dead Boys, Thin Lizzy, Guns N’ Roses, The Hives, The Sonics, David Bowie (fase Ziggy Stardust e Diamond Dogs) e Aerosmith (fase Rocks)

HISTÓRIA

The Hellacopters

The Hellacopters

O The Hellacopters surgiu na Suécia precisamente no ano de 1994, mas inicialmente como um projeto paralelo dos músicos Nicke Royale (na época baterista da banda Entombed) e Dregen (guitarrista do Backyards Babies, outra grande banda de Hard Rock sueca). Se juntaram ao projeto o baixista Kenny Håkansson e o baterista Robert Eriksson, sendo que ambos continuaram na banda até os últimos dias.
Dois anos depois o grupo lança o seu primeiro disco, Supershitty to the Max! (1996), que chegou a faturar o Grammy Sueco na categoria Melhor Álbum de Hard Rock. Com o sucesso do álbum seguinte, Payin’ The Dues (1997), Nicke Royale deixa o Entombed e passa a se dedicar integralmente ao Hellacopters, que abandona a amarra de um projeto paralelo e assume o status de banda, chegando a fazer a abertura da turnê do Kiss pela Suécia, Dinamarca e Noruega.

Após a saída do guitarrista Dregen, para se dedicar a sua banda Backyard Babies, e os lançamentos de Grande Rock (1999) e do estrondoroso High Visibility (2000), o The Hellacopters começa a ganhar reconhecimento mundial e as portas são abertas para o conjunto.

E foi no ano de 2002, sob a produção de Chips Kiesbye, que já havia trabalhado com a banda no álbum anterior e também com demais artistas suecos como o grupo feminino Sahara Hotnights e a banda de hardcore Millencolin, que o The Hellacopters lança aquele que para muitos é considerado o seu grande masterpiece, o álbum By The Grace Of God.

Com distribuição mundial Universal Music, By The Grace Of God chegou ao mundo todo no dia 16 de setembro de 2002 e a sua sonoridade achapante foi o que pegou a todos de surpresa. Em uma época na qual reinava o New Metal de bandas como Korn, Limp Bizkit, Linkin Park. O Poppy Punk Californiano estava em alta com os hits parades de The Offspring, Green Day, Blink 182 e até mesmo os canadenses do Sum 41, o disco de capa simplória que trazia o desenho de uma nuvem projetando um raio tornava-se um tremendo divisor de águas no mundo do Rock, pelo simples fato que em sua sonoridade Hard Rock o Hellacopters fazia um resgate ao verdadeiro Rock de Garagem e ao próprio Proto-Punk de bandas como MC5, The Stooges e New York Dolls.

Para quem estava realizando o primeiro contato com a banda de Royale, o som era viscoso, enérgico, potente e muito bem produzido. Mas foi esse excesso de produção e brilho nas gravações, que segundo os fãs mais ardosos do conjunto, tirou todo impacto e jovialidade das canções, se for comparado com os discos High Visibility e Payin’ The Dues que tem inclinação forte ao Punk Rock e guitarras mais distorcidas.

No entanto, foi By The Grace Of God que projetou de vez o The Hellacopters para o mundo, e foi justamente nessa época que a banda aterrissou pela primeira – e única – vez no Brasil, fazendo a abertura do show do Deep Purple no estádio do Pacaembu em 2003.

FAIXA A FAIXA

1 – By The Grace Of God
Dizem que a faixa de abertura que determina a qualidade do álbum, e no caso de By The Grace Of God a teoria se aplica muito bem.
Com o início misterioso tocado em uma única tecla de piano, a faixa toma forma com um entusiasmante solo de guitarra que com certeza Slash teria feito nos áureos tempos de Guns N’ Roses.
Do mais a canção é Hard Rock com levada Punk, com boa interpretação vocal de Nicke Royale e um refrão crescente graças ao “repique” da caixinha da bateria de Robert Eriksson.
Classicaço.

2 – All New Low
Uma poderosa canção Hard Hock, que já inicia com um monstruoso solo de bateria acompanhado de um fraseado de guitarra bem gritado. No refrão a melodia se entrega a uma batida Rock N’ Roll.

3 – Down on Freestreet
Talvez a canção que mais destoa da sonoridade que o Hellacopters se propunha a fazer no passado, um Rock de Garagem com pinceladas Punk. A introdução cantada e acompanhada com uma guitarra sem distorção e a levada pop no decorrer da música torna-se Down on Freesreet uma grata novidade que em nada suja o brilhantismo do disco, mas o torna diferente dos demais.

4 – Better Than You
Better Than You vem de encontro com tudo que é o Hellacopters, guitarras distorcidas duelando, velocidade Punk e verborragia. A introdução latina na bateria remete curiosamente a um samba rock, o que abrilhanta ainda a faixa.

5 – Carry Me Home
Rock n’ Roll básico de quatro acordes que ganha força no refrão no qual Nicke Royale sobe o tom de forma que parece estar fazendo segunda voz pra si mesmo.

6 – Rainy Days Revisited
Belíssima balada na qual quem dá toda tônica, presença e sentimentalismo é o piano tocado pelo músico sueco Martin Hederos que faz participação mais do que especial na faixa. Ouça e se delicie.

7 – It’s Good But It Just Ain’t Right
A introdução de guitarra dedilhada da canção lembra muito The Police, principalmente a canção Message In A Bottle. Mas não espere algo lento e pop na linha trio britânico, as semelhanças ficam apenas no dedilhado, It’s Good But It Just Ain’t Right é um tremendo Punk Rock, com direito um atordoante solo de bateria no meio da canção e um dos melhores solos de guitarra de Robert Dahlqvist, tanto na ponte na ponte da música, como no trecho final.

8 – U.Y.F.S.
Composição do tecladista Anders Lindström, com o guitarrista Mattias Bärjed, sendo que o último também participa da canção. U.Y.F.S privilegia o riff de guitarra logo na introdução. No refrão o piano reaparece novamente, mas como na célebre canção I Wanna Be Your Dog do Stooges, calcado apenas em uma nota.

9 – On Time
O que parecia ser mais uma balada devida a sua introdução levada na guitarra sem distorção, cai em uma melodia dançante, pra cima e festeira, o que destoa completamente da letra escrita por Royale que logo no início reflete: “Sempre vou estar aqui com vocês, até o dia que você morrer, embrulhado em um instituição me perguntando porquê”. Uma clara filosofia do tempo que passa e as pessoas preocupadas com trabalho e outras burocracias nem percebe a velocidade do mesmo.

10 – All I’ve Got
Composição de Robert Dahlqvist com Kenny Håkansson, nada mais que o um Rock n’ Roll básico repleto de guitarras distorcidas no melhor estilo Hellacopters, porém seguindo o padrão produção cristalina do disco.

11 – Go Easy Now
Não veria problemas se essa canção integrasse o repertório do Bryan Adams em sua fase roqueira, pois relembra e muito as canções arrasa quarteirão do cantor canadense. E isso é um elogio.

12 – The Exorcist
Apesar do título claramente influenciado no filme de mesmo nome que marcou a história do gênero terror nos cinemas, e da letra claramente narrar uma possessão demoníaca como no refrão:

E a dor começa
sanguessugas, na sua pele
Enquanto você espera
O sol é coberto por mil moscas

E a estrofe seguinte:

Seu estômago dói
Seus olhos coçam e queiman
Reza pra Deus tirá-los de mim
Sozinho em joelhos dobrados ensanguentados
Além do fato de você gritar e berrar
ninguém reage ou liga pra isso
Eles dizem que está tudo na sua cabeça
É um plano para ver você deixado a morte

A canção segue o padrão velocidade da banda, mas tem uma levada um tanto quanto animada, deixando o clima soturno e fantasmagórico apenas na introdução dedilhada na guitarra.

13 – Pride
Apesar das guitarras distorcidas e do incrementado solo de piano que praticamente encerra a canção no fade out, Pride não acrescenta muito no álbum por soar apenas padrão. Em um disco brilhante como esse, uma faixa de encerramento melhor seria o mínimo. Poderia encerrar com The Exorcist e colocar tal canção para o meio do disco, ou até mesmo extingui-la.

O HELLACOPTERS HOJE

Imperial State Electric

Imperial State Electric

O que ninguém esperava era que a banda após seis anos do lançamento de By The Grace Of God encerraria as suas atividades.
Após By The Grace… o grupo ainda lançou o inédito Rock and Roll Is Dead (2005) e o álbum de covers Head Off (2008).

Com uma nota no site oficial a banda se despediu dos fãs alegando que o fim das atividades era devido problemas pessoais dos integrantes. Com o fim da banda cada integrante seguiu o seu rumo, o vocalista Nicke Royale foi o mais bem-sucedido montando o grupo Imperial State Electric que tem funcionado perfeitamente para os órfãos de Hellacopters por justamente o som se assemelhar ao da sua antiga ex banda. Ao todo a banda já lançou quatro álbuns, e o primeiro do grupo, autointitulado, lançado em 2010, foi bastante elogiado pela crítica especializada.

Imperial State Electric (2010)

Imperial State Electric (2010)

No final do ano passado, aumentaram os rumores de uma possível reunião do Hellacopters, estamos na torcida para que isso seja verdade.

Até a próxima.

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  6. […] Millencolin e The Hellacopters, outras grandes bandas vindas da Suécia (o Hellacopters já falamos aqui nessa coluna). Só que dessa vez, o disco das meninas soaria um pouco mais diferente, ao invés de […]

  7. […] os Backing Vocals no refrão feitos pelos integrantes do The Hellacopters, banda que já abordamos aqui nessa […]

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