Viaduto Liberdade por Alê Andrade

Viaduto Liberdade por Alê Andrade

E hoje, dia 25 de janeiro de 2016, é comemorado os 462 anos da cidade de São Paulo, a maior cidade do país e da América Latina.
São Paulo, conhecida como a terra das oportunidades, é praticamente um mundo dentro do Brasil, levando em consideração a imensa quantidade de imigrantes que aterrissam na terra da garoa em busca de melhoria de vida. É claro que São Paulo tem muito o que melhorar, a Cidade Cinza clama por melhorias no transporte público, clama por segurança e moradia digna. Mas apesar de todos os empecilhos, São Paulo é um lugar no qual a sua vida um dia irá passar e será definitivamente marcada.

São Paulo e sua trajetória de luta, glória, conquistas e até mesmo as suas veementes críticas do que precisa ser melhorado, já foi tema de inúmeras músicas do nosso cancioneiro popular ao longo dos anos. Portanto nós do Fila Benário Music relembramos abaixo, algumas das canções que carregam o amor, a paixão, a solidariedade e até mesmo preocupação à Manhattan brasileira.

 

Rapaziada do Brás (Carlos Galhardo/Jair Rodrigues) – 1917

A primeira música a retratar São Paulo, ou especificamente um bairro paulistano, foi a seresta “Rapaziada do Braz” na época com Z mesmo no final. A música instrumental de Alberto Marino foi composta em 1917. Mas foi em 1960 que ela ganhou letra e foi gravada pelo cantor Carlos Galhardo. Como foi impossível achar a versão de Galhardo, ficaremos com a famosa interpretação do mestre Jair Rodrigues que ficou registrada no álbum Antologia da Seresta (1981).

Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa) – 1951

Mundialmente conhecido como o pai do samba paulistano, Adoniran Barbosa cantou São Paulo como ninguém, em todas as suas obras ele sempre fez questão de exaltar o seu amor pela selva de pedra. Daria pra fazer uma lista só com músicas de Adoniran sobre São Paulo, mas escolhi quatro que foram grandes sucessos da carreira do mestre Adoniran.
E a primeira é Saudosa Maloca, uma triste canção que mesmo composta nos anos 50 retrata o atual problema de moradia que permeia até hoje no centro urbano de São Paulo.

Samba do Arnesto (Adoniran Barbosa) – 1953

Já a divertida Samba do Arnesto, fala de um samba que aconteceria no bairro do Brás organizado pelo Arnesto, mas que no final das contas deu o cano em todo mundo. O personagem principal da letra, o Arnesto, viveu até 2014 e apesar da grande amizade com Adoniran Barbosa, o mesmo desmentiu o compositor em duas oportunidades, a primeira pelo fato de não ter organizado samba nenhum e muito menos ter furado o compromisso, e a segundo pelo fato da música sair com a grafia errada, já que Arnesto na verdade se chama Ernesto. Porém a explicação plausível para esse “erro” é que na época o Brasil estava sob o comando do presidente Ernesto Geisel no período da ditadura militar, e para evitar uma posterior censura, como era comum na época, o nome foi trocado.

Lampião de Gás (Inezita Barroso) – 1958

A grande dama da música caipira, Inezita Barroso, gravou essa canção de autoria de Zica Bérgami, que retrata uma São Paulo totalmente diferente da São Paulo veloz, urbana e agitada dos dias atuais. Uma São Paulo de chão de terra, de crianças brincando nas ruas, e sem a rede elétrica fornecendo energia a iluminação era vinda de um Lampião de Gás.

Trem das Onze (Adoniran Barbosa) – 1964

O maior sucesso da carreira de Adoniran Barbosa foi escrito em 1964 e dado de presente para o tradicional grupo de samba paulista, Demônios da Garoa.
A famosíssima letra retrata a história de um jovem apaixonado que mora no bairro do Jaçanã e que precisa pegar o trem das onze horas noite para voltar pra casa há tempo, senão “Só amanhã de manhã”.

São, São Paulo (Tom Zé) – 1968

Tom Zé é o baiano mais apaixonado por São Paulo, não é à toa que o mesmo é torcedor fanático do Corinthians e tem no seu currículo 18 canções que exalta o seu amor por Sampa. Entre elas a mais notável com certeza é o acid-samba São, São Paulo, com o seu refrão romântico: “São, São Paulo meu amor”.

Viaduto Santa Efigênia (Adoniran Barbosa) – 1973

E pra encerrar a categoria Adoniran Barbosa aqui no texto, relembramos a canção Viaduto de Santa Efigênia, composta na década de 70, a música é um lamento triste da demolição que a prefeitura de São Paulo iria realizar no viaduto situado no bairro Santa Efigênia. Inconformado com a obra em uma certa tarde Adoniran encontrou, transitando pelo viaduto, o compositor Alocin e juntos compuseram essa homenagem.

Amanhecendo (Billy Blanco) – 1974

“Vambora, vambora, vambora, tá na hora, vambora, vambora”, quem nunca ouviu pelo menos esse trecho que ficou eternizado na vinheta da rádio Jovem Pan? Pois bem, ele pertence a música Amanhecendo do cantor e vanguarda Billy Branco e ela integra o disco Sinfonia Paulistana (1974), totalmente dedicado a história do povo paulistano e da maior cidade da América Latina.

Sampa (Caetano Veloso) – 1975

Outro baiano apaixonado por São Paulo e que fez sucesso cantando o seu amor por São Paulo. Na década de 70, antes do exílio europeu, Caetano Veloso e Gilberto Gil moraram em São Paulo, precisamente na Praça da República. E um dos locais favoritos da dupla era um bar situado na esquina entre Ipiranga e Avenida São João. O bar, hoje o Bar Brahma, existe até hoje e tal homenagem ficou registrada no disco Joia (1975) e se tornou uma das canções mais populares e queridas do repertório de Caetano.

Lá Vou Eu (Rita Lee) – 1976

Rita Lee ama São Paulo, ela já cantarolava isso quando estava a frente dos Mutantes, já gravou no finalzinho dos anos 90 um disco intitulado de Santa Rita de Sampa (1997), mas foi no finalzinho dos anos 70, já em carreira solo, que Rita Lee compôs e gravou a canção Lá vou Eu, que contém o famoso trecho:

E na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você
E eu
E o céu
.

Ronda (Márcia) – 1977

A famosa canção Ronda, gravada por Márcia e de autoria do seresteiro Paulo Vanzolini, narra a triste história de uma prostituta que mata o seu gigolô em um bar situado na famosa, e já musical, Avenida São João.

Tradição (Geraldo Filme) – 1982

O sambista Geraldo Filme foi durante muito tempo interprete e compositor da Escola de Samba, Vai-Vai. E sempre que podia, Geraldo, nascido no interior Paulista, homenageava a São Paulo que tanto amava, e uma das homenagens mais famosa é a canção Tradição, que já foi gravada pela “Madrinha do Samba” Beth Carvalho. A canção é uma resposta aos críticos e puristas que afirmavam que São Paulo era o túmulo do samba.

Punk da Periferia (Gilberto Gil) – 1983

Gilberto Gil entrou na década de 80 purpurinado. Após o sucesso do seu disco Realce (1979), gravado em Londres, durante o seu exílio, que contava com batidas eletrônicas, sintetizadores e guitarras elétricas. Quatro anos depois ele reaparece com o disco Extra (1983), com a mesma veia Pop acentuada e contando com o sucesso Punk da Periferia, que falava, de forma quase turística, do movimento Punk, que dava os seus primeiros passos na capital paulista reivindicando por melhoria de vida e contra qualquer tipo de injustiça social.
Impossível não cantarolar o refrão por dias:

Eu sou o Punk da periferia
Eu sou da Freguesia do Ó
.

São Paulo, São Paulo (Premê) – 1984

Antigamente conhecido como, Premeditando O Breque, o grupo surgido no final da década de 70, foi muito importante na construção da nova música paulista que mesclava funk, soul, rock e assuntos intelectuais em suas letras.
Em 1984 o grupo alcançou um enorme reconhecimento parodiando o sucesso internacional New York, New York na versão São Paulo, São Paulo.

São Paulo (Cólera) – 1985

Em seu primeiro e clássico disco Tente Mudar o Amanhã (1985), o Cólera já trazia em suas letras o inconformismo com a situação política e econômica além de toda repressão policial sofrida. E a letra de São Paulo retrata perfeitamente isso.

São Paulo (365) – 1986

Se Trem das Onze é o Samba que traduz São Paulo, e se Sampa é a MPB. Então do lado do Rock, a canção São Paulo do 365 é a mais bela homenagem feita a terra da garoa.

A versão dessa música gravada pelo Inocentes é tão perfeita quanto

Pânico em SP (Inocentes) – 1986

E falando no Inocentes, o seu disco de estreia já contava com a faixa título que era um lamento desesperado contra a violência verborrágica que assolava, e infelizmente ainda assola, a cidade de São Paulo.

Pobre Paulista (Ira!) – 1986

Pobre Paulista foi primeira gravação do grupo Ira! lançada primeiro em 1984 em um compacto ao lado da canção Gritos na Multidão. Em 1986 ela reaparece no segundo disco da banda, o Vivendo e Não Aprendendo (1986).

Sampa Midnight (Itamar Assumpção) – 1986

Ao lado do Premê, Itamar Assumpção é um dos grandes nomes da música vanguardista de São Paulo. Segundo críticos musicais, Itamar tem mais músicas sobre São Paulo do que o próprio Adoniran Barbosa, sendo um total de 25 músicas, uma a mais que sambista. Em 1986, Itamar Assumpção lançou o disco Sampa Midnight e a faixa título é uma grande declaração de amor a cidade, citando os seus principais bairros e pontos turísticos.

Paulista (Vânia Bastos) – 1989

Com certeza essa é a canção mais famosa da carreira da cantora Vânia Bastos. Composição do músico, arranjador e esposo de Vânia, Eduardo Gudin, Paulista está presente no álbum Eduardo Gudin & Vânia Bastos (1989). A mais famosa avenida do país, a Avenida Paulista é plano de fundo de uma história de uma história de amor.

Pânico na Zona Sul (Racionais MC’s) – 1990

O Rap, não só o paulista, mas o de todo Brasil, nunca mais seria o mesmo após surgimento do grupo Racionais MC’s em 1990 com o lançamento do disco Holocausto Urbano. Em suas letras já estavam explicitas o descontentamento de Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. E a canção Pânico na Zona Sul presente no disco de estreia, já alertava a violência e repreensão que a população carente da Zona Sul paulista sofria e sofre até presente data.

Sampa no Walkman (Engenheiros do Hawaii) – 1991

O grupo gaúcho Engenheiros do Havaii também prestou uma homenagem a cidade de São Paulo na canção Sampa no Walkman presente no disco Várias Variáveis (1991). A letra faz uma brincadeira com a música Sampa de Caetano Veloso.

Fim de Semana no Parque (Racionais MC’s) – 1993

Com samples de Domingas e Frases, duas grandes canções de Jorge Ben, Fim de Semana no Parque com certeza é o hino máximo do Racionais MC’s. A canção retrata um fim de semana sob a ótica de quem mora na periferia da Zona Sul de São Paulo.

Santa Rita de Sampa (Rita Lee) – 1997

Já citado acima, em 1997 Rita Lee, grande amante de São Paulo, lançou o disco Santa Rita de Sampa, que conta com uma divertida faixa título na qual Rita se proclama padroeira da cidade e no meio da canção ela cita bairros e pontos turísticos da cidade, como, Pompeia, Vila Mariana, Butantã e Santa Izildinha.
E para os Corinthianos o trecho abaixo é um deleite:

Marginal de Vila Mariana
Tia tiete do tietê
Sofredora Corinthiana
.

Urban Paranoia (Blind Pigs) – 1997

Em 1997, o grupo paulistano de Punk Rock, Blind Pigs, lançava o seu debut ábum intitulado São Paulo Chaos, e a canção Urban Paranoia é um lamento inconformado da situação violenta, desesperadora e caótica que se encontra a cidade.

Agora eu estou na cidade
E vejo que não é nada divertido
Eu ainda estou desempregado
Mas pelo menos eu tenho a minha arma
São Paulo é um caos
É um lugar perigoso de se estar.

City Paranoia (Holly Tree) – 2000

Outro grupo de Punk Rock paulista que se atrevia em cantar em inglês e que também fez uma canção sobre a “São Paulo Paranoica”, foi o Holly Tree. Trio formado por George (Vocal e Guitarra), Tito (Baixo) e Zé (Bateria) fez um imenso barulho na cena independente no meio dos anos 90 e início dos anos 2000. Na virada do milênio os Trees lançaram o hypado Don’t Burst Me (2000) e City Paranoia tá lá prestando a sua homenagem a cidade paranoia.

Tempestade de Facas (CPM 22) – 2007

Responsável por levar o Hardcore melódico a grande mídia, o CPM 22 depois de ganhar o coração das adolescentes com canções açucaradas de veia pop, resolveu voltar às origens com um disco coeso, veloz, pesado e cinzento, como já dizia o título. E Cidade Cinza (2007), o quinto álbum do grupo, vem todo conceitual, já que as letras, em sua maioria, fala de perdas, desilusões, falsidade, e usa a cidade de São Paulo como cenário. Na canção Tempestade de Facas, escrita em parceria com o Rodrigo Koala da banda Hateen, ela aparece de forma singela:

Odeio a tv
A noite eu saio
Nas ruas de SP
Metido entre os carros
.

Cidade Cinza (CPM 22) – 2007

Já na faixa título, trata-se de uma homenagem no padrão Sampa, São Paulo São Paulo e Trem das Onze. Escrita pelo guitarrista Wally, sendo essa a sua última colaboração com a banda, já que o mesmo deixaria o grupo no ano seguinte, a letra da música fala de amor na cidade Hardcore cinzenta e de transito caótico. Somadas a uma melodia simplória, metódica e bonita, é uma das mais belas homenagens a Cidade Cinza.

O Melhor Dançarino de São Paulo (Dance of Days) – 2007

O grupo Dance of Days é outro grande nome do Punk Rock Paulista. Em 2007 o grupo lançou o disco Insônia 2008, o primeiro álbum de banda independente a ser disponibilizado na integra para download, e as referências a cidade de São Paulo no decorrer do disco eram muitas, principalmente porque nessa época o vocalista e letrista, Nenê Altro, estava morando em hotéis no bairro do Arouche, centro paulista. Mas a referência mais notável é a canção O Melhor Dançarino de São Paulo, que é uma clara alusão ao disco Jersey’s Best Dancer (1997) do Lifetime.

Essa Música me Diz Tanto que Nem Sei Como Não Tem o Meu Nome (Dance of Days) – 2007

Outra canção de Insônia 2008 que aborda o tema São Paulo é essa canção confessional de título gigante, principalmente no trecho abaixo:

São Paulo é assim, mas acho tão bom dormir
ouvindo a chuva na janela, embaixo das cobertas.
Então me abraça, que é só você que eu quero
e eu quero ser tudo pra te ver sorrir
.

Contra Todos (Dead Fish) – 2009

Com certeza essa é a melhor música de amor já feita sobre São Paulo. A letra de Contra Todos é um pedido de desculpas do vocalista Rodrigo Lima para sua esposa após a mudança de ambos de Vitória (ES) para terra da garoa.
Segundo Rodrigo, certa vez já morando em São Paulo, a sua esposa saiu cedo para trabalhar e em minutos depois ela voltou pra casa desesperada dizendo: “Tem um homem morto ali na calçada, ele ta ali caído morto e as pessoas passam por cima dele como se nada tivesse acontecido. Quero ir embora dessa cidade, não quero mais ficar aqui”. E foi ouvindo esse lamento que Rodrigo escreveu Contra Todos, que foi lançada no disco de mesmo nome em 2009.

Nas armadilhas da cidade que nos causa repulsa
Nosso horizonte podia ser mais azul
Mas você fica tão bem sob estes tons de cinza
E seus olhos verdes
Sempre me refletem algo bom

Isso é uma guerra e nós sabemos
Fomos criados no meio disso
E no fim das contas ia piorar
Posso ver que está cansada
Entendo seu mau-humor
Espero que não desista
.

Samuel (Passo Torto) – 2011

Passo Torto é um supergrupo de MPB formado em 2010 e conta com grandes nomes da música brasileira atual, como, Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos.
Com três discos lançados, o grupo sempre exalta São Paulo em suas canções como em Faria Lima Pra Cá. No entanto a sua canção mais sensível, bela e singela é Samuel, que narra a história de um garoto da periferia que fala de São Paulo sob sua ótica, em especial a badalada Rua Augusta.
Linda.

Não Existe Amor em SP (Criolo) – 2011

E por fim o grande hit dos últimos tempos. Lançada no álbum de estreia Nó Na Orelha (2011) a canção Não Existe Amor em SP do rapper Criolo soa moderna com uma batida à Portishead na canção Glory Box.
Reflexiva, claustrofóbica e bela.

Parabéns, São Paulo.

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